Américas

Chile

 

Fiz essa viagem em Dezembro de 2015, emendando com mais uma estada na companhia de minha família em Fortaleza, no Beach Park. Depois desta, prometi que vou dar um tempo em Fortaleza… Não porque as praias não sejam lindas (porque são lindas demais!) mas é que, depois de 4 estadas por lá, resolvi gastar meu tempo, energia e grana para conhecer outros lugares lindos do Brasil. Até minhas filhas concordaram em deixar Fortaleza em suspenso por alguns anos.

Bom, então, depois de uma semana em Fortaleza, incluindo aí a lindinha Jericoacora, tema de outro post, parti rumo à Santiago e depois à Calama, já em pleno Deserto do Atacama, no dia 12 de dezembro.

Primeiro devo dizer que encarei um vôo noturno de Fortaleza (saí à 1:30 da madruga) e cheguei em Guarulhos próximo às 6 da manhã. Meu vôo para Santiago saía às 9:00 e então encarei algumas horas no aeroporto. Só no cafezinho e na wifi para passar o tempo.

Calama tem o aeroporto mais próximo de San Pedro do Atacama, cerca de uma hora e meia de ônibus até o vilarejo.

Pra variar, eu quase perdi o vôo da conexão para Calama, em Santiago. Sou perita em fazer conexões com tempo apertado e depois quase surtar, correndo pelos aeroportos, pedindo clemência aos funcionários e ao povo para passar na frente. Quase sempre sou a última a entrar na aeronave, toda esbaforida. Nessa trip não foi diferente.

Bom, o caminho entre Calama e San Pedro já fez uma prévia sobre o deserto. Eu estava boquiaberta com aquela imensidão toda, o horizonte à perder de vista, a secura, a cor do céu. Uma coisa me chamou muito a atenção no Atacama: o tom do azul do céu. Um azul profundo, como nunca vi, sem nuvens, o ar parado, sem vento. Muitas vezes me senti dentro de um quadro, de uma pintura feita por um artista caprichoso. As  nuances, o degrade das cores, tudo muito especial.

 

Chegando em San Pedro, instalei-me no Dunas Hotel. Hotel simples, simpático, tranquilo, bom custo/benefício, café da manhã básico, mas satisfatório. Logo saí para dar umas voltas  na cidade, para sentir o clima do lugar.

San Pedro é uma cidade muito diferente, parece cenário de filme. Ruas de terra, prédios baixos, a pracinha com a igreja centenária. Tudo gira em torno do turismo, claro. Existem várias agências de turismo que organizam e vendem os tours no Deserto do Atacama e para a Bolívia também, restaurantes, mercadinhos que vendem snacks e água para os turistas.

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Ruas de San Pedro do Atacama. Parece cenário de filme.

Sobre a água, um aparte. Se recomenda tomar muita água durante a estada no Atacama, para evitar a desidratação, eis que se está em um dos lugares mais secos do mundo. Também porque a água ameniza os efeitos da altitude, que não é moleza em alguns passeios, beirando os 4.900 metros. Por toda a parte você vê as pessoas carregando suas garrafas de água, de todos os tamanhos. Até eu, que normalmente tomo pouca água, tratei de atender as recomendações e ingeri bastante água. O corpo agradeceu!

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Bucólica praça central da cidade

Na manhã seguinte, dia 13, saí para localizar a agência Ayllu Expediciones. Altamente recomendada em blogs de viagem, especialmente no blog do Robson, Um Viajante. Eu praticamente copiei o roteiro no Atacama feito pelo Robson em seu blog, na maior cara dura. E a dica de contratar a Ayllu foi excelente. A agência é realmente muito boa, faz um trabalho diferenciado. Você se sente muito vip fazendo os tours no deserto. A montagem das mesas para as refeições, happy hours, as bebidas e comidas, o atendimento dos guias,  são também lembranças memoráveis da viagem ao deserto.

Já de cara, depois de ouvir explicações em bom português, da querida recepcionista da Ayllu, Maria José, fechei os tours com a Ayllu para os próximos 4 dias no Atacama. O atendimento do pessoal da agência, a negociação, já contou pontos positivos antes mesmo de iniciar os passeios.

Vou fazer agora, de forma resumida, a descrição dos passeios que fiz com a Ayllu, sempre em grupos, dispostos em van bem confortáveis. Dias com um grupo maior, outros com grupo reduzido. Uma oportunidade para conhecer outras pessoas. Mas os brasileiros eram a maioria, disparado.

 

Dia 13/12

Valle de La Luna, Cavernas de Sal, Pedra do Coyote, Valle de La Muerte

O pôr do sol no Vale de La Muerte foi de chorar, de tão lindo. Sentimento de gratidão por poder conhecer lugares tão incríveis, já no primeiro dia de tour no Atacama. Cadeiras para sentar, apreciar o pôr do sol, degustando sucos, bebidinhas e petiscos. Muito bom!

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Curtindo o sunset no Valle de La Muerte

O Valle de La Luna também é espetacular, imenso. Assim como a Pedra do Coyote, onde fiz a típica fotografia de quem esteve em San Pedro: pendurada num penhasco, de frente para o abismo. Show!

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Valle de La Luna
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Dunas de areia, cenário espetacular no Valle de La Luna

Dia 14/12

Geiser el Tatio, Piscina Termal, Laguna Cejar, Laguna Tebinquiche e Ojos del Salar. Tour astronômico.

Esse dia foi muito intenso. Acordei às 4:15 da manhã para me organizar, tomar um café no hotel e aguardar a van da Ayllu, que passou para me pegar pontualmente às 5 da manhã. O trajeto até os geysers foi sonolento, mas conforme avançávamos na estrada, e amanhecia, foi difícil ficar indiferente à paisagem que se descortinava a nossa frente.

Foto abertura do Post
Geiser El Tatio ao amanhecer

Os geysers são incríveis. Muito bacana ver o fenômeno de expelição de água fervente, formando neblina, contrastando com  a paisagem do deserto. Á medida que as horas do dia seguem o fenômeno vai cessando. Tomar um café maravilhoso, com muitas gostosuras, naquele lugar sensacional, foi uma experiência ímpar.

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Logo na sequência fomos conhecer uma piscina termal próximo dali. Cheiro de enxofre e outros minerais na água. Frio ao ar livre, contrastando com a água quentinha.

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Paisagem vista na estrada. Muitos animais, lhamas, alpacas…

Retornamos desse passeio por volta das 12:30, e aproveitei para descansar um pouco no hotel, até às 16:00, quando saímos para um outro tour, para conhecer a Laguna Cejar, Laguna Tebinquiche e os Ojos del Salar.

Na Laguna Cejar foi o lugar de boiar. Você não consegue afundar, devido a alta concentração de sal na água. Você sai com sal grudado no corpo, no cabelo. Depois seguimos para conhecer os Ojos del Salar, que são dois buracos enormes, no meio do nada, sendo que em um deles você pode nadar. Claro que me atirei de uma altura de uns 4 metros para curtir o lugar, assim como fizeram outros do grupo.

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Laguna Cejar
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Ojos del Salar

O pôr do sol foi na Laguna Tebinquinche. Lugar lindo demais. Os raios de sol, iluminando as montanhas no deserto, destacando a laguna salgada, foi demais. Tudo regado a um happy hour maravilhoso, com direito a taças de pisco sour e comidinhas deliciosas.

Retornei para San Pedro por volta das 21:00, cansada. E ainda encarei um tour astronômico das 23:00 até perto da 1:00 da manhã.

Eu tinha muita expectativa por esse tour astronômico, que não se confirmou, infelizmente. Inventei de economizar e contratei esse tour com uma outra agência de San Pedro, e me dei mal. Também, com certeza, devido a minha exaustão pelo dia que iniciou tão cedo e com tantas emoções. O fato é que achei o tour muito meia boca e eu não via a hora de ir embora.

Todo o tempo que estivemos no lugar, um grupo grande, tínhamos que permanecer em pé, no frio, escutando o cara dar informações somente em inglês. Eram apenas dois telescópios para todo mundo dar uma espiadinha no céu. Melhor era curtir o céu a olho nu mesmo. Realmente, o céu do Atacama foi o céu mais estrelado que já vi na vida, visibilidade incrível das estrelas e planetas, contrastando com a escuridão do deserto e o céu absolutamente limpo, sem nenhuma nuvem.

Retornando para o hotel, desmaiei na cama, acabada de tão cansada.

 

Dia 15/12

Salar de Tara, Mirante do Vulcão Licancabur, Laguna de Quepiaco, Catedrais de Tara, Moai de Tara

Felizmente, o tour começou mais tarde, às 9:00. Então deu pra descansar um pouco mais do intenso dia anterior.

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Paisagens espetaculares. Sem palavras para descrever a beleza do Salar, das formas das rochas no deserto, esculpidas pelo vento, as Catedrais de Pedra…

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Moai de Tara

Almoçamos salmão com vegetais, excelente vinho (chileno, claro) de frente para a laguna do Salar, com vista para as catedrais de pedra. Inesquecível…

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Catedrais de Tara
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Salar de Tara

No caminho de volta para San Pedro a altitude me pegou. Acho que a idéia de tomar vinho, com o sol à pino, no deserto, também não ajudou. Uma dor de cabeça, náusea, mal estar, me acompanharam até San Pedro. É que estar a 4.900 metros de altitude e descer rapidamente não é moleza.

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Laguna de Quepiaco
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Mirante do Vulcão Licancabur

Dia 16/12

Lagunas Altiplânicas (Laguna Tuyaito e Laguna Miscanti), Piedras Rojas e Trópico de Trapicórnio

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Piedras Rojas
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Um café da manhã “mais ou menos” com a paisagem de Piedras Rojas

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Último tour no Atacama deixou lembranças maravilhosas. Uma overdose de paisagens de beleza indescritíveis, deserto, salares e lagunas.

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Laguna Miscanti
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Laguna Tuyaito
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Trópico de Capricórnio

Bom, até aqui foi o relato dos dias passados no Atacama. Passo a relatar agora o tour que me levou até o Salar de Uyuni, na Bolívia.

Foi outra experiência… Muito diferente dos dias passados em San Pedro, no Deserto do Atacama, onde há boa estrutura para o turismo, e a feliz escolha da agência Ayllu me proporcionou conforto durante os passeios e até alguns luxos.

Esqueça isto no tour para a Bolívia. O tour de 4 dias que me levou de San Pedro até a cidade de Uyuni, na Bolívia, e depois me trouxe de volta ao Chile, foi marcado por simplicidade, rusticidade, dificuldades com a altitude, dias inteiros enfurnada dentro do jeep, cansaço, e paisagens de tirar o fôlego. I-nes-que-cí-vel!

Dia 17/12

Parti de San Pedro bem cedo, num micro-ônibus, que me levou até a fronteira com a Bolívia, cerca de uma hora da cidade. Neste lugar, aos pés do Vulcão Lincancabur tomamos o desayuno e fizemos a transferência de nossos pertences para o valente jipe Toyota e conhecemos nosso “motora” e guia nesses dias de viagem, o simpático Oscar.

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Os jipes enfileirados na fronteira Chile/Bolívia

As malas seguem na parte de cima do jipe, cobertas com uma lona e dentro do jipe se carrega apenas uma mochila com os pertences para usar durante o dia, ou seja, óculos de sol, protetor solar, câmera fotográfica, etc (e claro, água).

Segue relato dessa viagem incrível no interior da Bolívia, rumo à Uyuni:

Feitos os trâmites aduaneiros, seguimos já em território boliviano. O boliviano Oscar na direção e mais seis passageiros, comigo, inclusive. Eramos três brasileiros, uma chilena, um holandês e uma belga. Nos ajeitamos do jeito que deu dentro do jipe.

Logo nos enturmamos, a conversa correu solta, numa mistura de línguas de fazer inveja à Torre de Babel. Falamos em português (os brasileiros), inglês, o holandês também conversava na língua nativa com a belga, e esta conversava em espanhol com a chilena, e eu me arriscava num “portunhol” também. É claro, que o inglês, nossa “língua universal” predominou. Tive que “me puxar”, relembrando as aulas da querida teacher Tânia. Mas como sempre, a dor ensina a gemer… E a comunicação fluiu…

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Logo que passamos a aduana começamos as paradas para vistas das lindas lagunas do deserto boliviano. Laguna Verde, Laguna Blanca, Laguna Colorada. Seguimos pelo Desierto Dalí. Paramos para curtir as Águas Termales (Polques), fotos no Geiser Sol de Manana.

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Pausa para a foto da turma no Deserto Dalí
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Curtindo o visual do deserto as águas quentes das Águas Termales Polques

Chegamos por volta das 16:00 no Hostel Huayllajara, no meio do deserto. Nos instalamos em quarto coletivo, com a previsão de não tomar banho naquele dia, eis que já informado pela agência que o local não dispunha de chuveiros.

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Hostel. Quarto coletivo. E sem banho. Mas a paisagem…

Eu cheguei no hostel me sentindo péssima. O mal da altitude, o “soroche” me pegou. Fortes dores de cabeça, náusea, dor de barriga… Deitei na cama, fiquei quieta e chorei feito criança. Medo de morrer naquele lugar longe de tudo, de recursos médicos. Fui amparada pelos companheiros de viagem e respirei fundo várias vezes para me acalmar. Depois de tomar medicamentos, analgésicos, e descansar um pouco, me senti melhor, já me achando disposta para dar uma caminhada e conhecer o lugar.

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Então, juntamente com nosso grupo saímos para caminhar até a Laguna Colorada. Uns 20 minutos de caminhada até à Laguna, e uma íngreme subida, entre pedras, para curtir o visual do alto. O lugar é de babar. “Coalhado” de flamingos, o salar, o efeito de luz do pôr do sol se projetando na laguna. Muito especial…

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O retorno para o hostel se transformou  numa exaustiva caminhada com  vento muito forte, que levantava poeira, areia, tornando difícil manter sequer os olhos abertos. Foi um alívio entrar no ambiente protegido do hostel. Nos aguardava uma mesa posta com chá e biscoitos. Um agradinho que recebemos com entusiamo, recheando as conversas a respeito de viagens.

Assim esperamos o jantar, onde foram servidas salsichas fritas, batatas e saladas, acompanhadas de vinho. E depois, cama. Com a previsão de ter que acordar cedo para continuar a viagem, o melhor a fazer era descansar. O que não foi fácil, eis que o “soroche” dificultou nossa noite. Falta de ar, um companheiro de viagem sofrendo com vômito e diarréia, a cabeça lembrava uma ressaca (#sqn). Mas enfim, passamos a noite, prevendo um dia cheio de paisagens lindas e muitos quilômetros rodados pelos rincões bolivianos.

Dia 18/12

Saímos do hostel por volta das 7:30 da manhã, pelas estradas empoeiradas do deserto. Assim, fizemos várias paradas durante o dia, conhecendo a Árbol de Piedra, o Deserto Siloli, várias lagunas altiplânicas, paradas nos miradores dos vulcões Tomasamil e Ollague, no Salar de Chiguana. O almoço foi em pleno deserto, com o sol na cabeça, sentados nas pedras, comemos o almoço já previamente preparado por Oscar, uma torta salgada, legumes e arroz. De sobremesa, melancia. Á vista da Laguna Honda.

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Vulcão ativo (sorry, não recordo o nome), mas estava tranquilinho, só nas fumarolas
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Árbol de Piedra

Chegamos ao entardecer no Hotel de Sal Tambo Loma. Enfim, um chuveiro! Muito interessante este hotel. A cama era de sal, as paredes, as mesas e bancos. Bem diferente. Depois do banho, jantamos e tratamos de dormir, porque a luz era desligada às 21:00 e se ficava no escuro. Melhor era descansar, porque no dia seguinte partimos às 5 da manhã, para ver a “cereja do bolo” da nossa viagem: o grandioso Salar de Uyuni, ao alvorecer do dia. Expectativa!

Dia 19/12

Depois de novamente organizar as malas e mochilas encima do jipe, partimos, ainda no escuro, rumo ao Salar. Frio e sonolência, aliado à expectativa de conhecer o Salar, fez com que imperasse momentos de silêncio no grupo. Cada um com seus pensamentos, seguimos pela estrada. Não tardou a ingressarmos no Salar. Uma imensidão branca, plana, primeiro iluminada pelos faróis do carro e depois pelas primeiras luzes da manhã.

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Me impressionou o conhecimento do motorista Oscar a respeito do salar. Ele sabia a direção a tomar naquela imensidão branca. Para mim era tudo igual, mas Oscar demonstrava segurança sobre o caminho a seguir, até que paramos no meio do nada, tudo ao redor era branco. Enfim, estávamos no grande, imenso Salar de Uyuni!! Emoção…

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Amanhecer na amplidão do Salar de Uyuni
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Fotos típicas no Salar

Descemos para muuuiiitaass fotografias do amanhecer, com os raios do sol alternando cores em contraste com a brancura do Salar. De chorar de tão lindo!

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Depois de todas as fotos feitas seguimos para a Isla Incahuasi. Esta ilha, rodeada pelo imenso Salar, é muito peculiar. Muitos jipes com grupos de viajantes param nesse lugar para o café, e conosco não foi diferente. Enquanto Oscar preparava o café, tratamos de escalar a ilha, numa trilha feita de pedras e de muitos cactos de todos os tamanhos, alguns gigantescos, que nos levou até o ponto mais alto. Foram muitos clicks, imagens belíssimas, que, infelizmente, não conseguem alcançar a real beleza do lugar.

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Isla Incahuasi

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Depois de curtir o visual estonteante, retornamos à base da ilha para o desayuno. Ainda me animei a caminhar em torno da ilha, sob o Salar, uma caminhada de cerca de 45 minutos. Muito bacana!

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Desayuno em pleno Salar de Uyuni

Partindo da ilha, visitamos o Museu de Sal e fizemos uma parada no Pueblo de Colchani, para comprar artesanato feito de sal. Claro que comprei algumas lembrancinhas do Salar, coisas pequeninhas. Encerrada as compras, rumamos para o Cemitério de Trens, já na cidade de Uyuni, onde fizemos mais algumas fotografias, e depois seguimos para a cidade, até o escritório da agência que organizou nosso passeio.

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Cemitério de Trens de Uyuni

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Momento de despedida de Oscar e retirada de nossos pertences do jipe, que ficaram guardados no escritório até o horário de iniciar o caminho de retorno.

Sim! Por volta das 17 horas iniciamos, agora com outro veículo e outro condutor, o percurso de retorno para San Pedro do Atacama, no Chile.

Já ao anoitecer fizemos a parada num vilarejo chamado Villa Mar para passar a noite num hostel com dormitório coletivo. Felizmente, havia a possibilidade de banho. Depois, jantar e cama, eis que a saída no dia seguinte também seria bem cedo.

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Pôr do sol no vilarejo de Villa Mar

Dia 20/12

Partimos às 5 da manhã em direção à fronteira do Chile. Na fronteira tomamos nosso café. O trajeto até lá foi por entre montanhas, salares, lagunas e montanhas.

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Chegamos em San Pedro por volta das 13 hs. Deixei minha mala no hotel e aproveitei para dar mais uma circulada pela cidade e de quebra almocei com o grupo, para a despedida, depois de quatro dias juntos. Turma legal! Depois dos abraços, retornei ao Hotel Dunas para aguardar o transfer que me levou até o aeroporto, de onde partiu meu vôo para Santiago, às 17:30.

Valeu muito a pena essa viagem ao Atacama e à Bolívia. Foi perfeito, foi lindo, foi intenso! Recordações de viagem, memórias, muitas fotografias, novos amigos, sensações… Uma experiência única…

Cheguei em Santiago por volta das 19 hs. Tratei de achar o ônibus que me levou até um ponto na cidade, onde me transferi para o metrô. Desci com minha mala numa estação bem próxima ao hotel Che Lagarto, onde me hospedei nos três dias que passei na capital chilena.

Sobre o hostel. Adorei o Che Lagarto. Muito boa estrutura para os viajantes, pessoal da recepção muito bacana, atenciosos, clima legal mesmo.

Como eu havia reservado um quarto privado, foi uma surpresa maravilhosa constatar que o quarto era realmente grande e… privado! Depois de tantos dias compartilhando tudo, foi um alívio ter um cantinho somente para mim.  Minha percepção sobre o valor das coisas,  ficou mais aguçada depois da experiência na Bolívia.

A fome me obrigou a sair para a rua na busca por um lanche, que seria o meu jantar. Trouxe para meu “super room”, e comi com vontade, acompanhado de uma cervejinha. Depois, a delícia da enorme cama (macia, roupas de cama cheirosas, travesseiros fofos) me chamou e desmaiei, sonhando com os próximos dias na capital chilena.

21/12

Dia de bater perna por Santiago. E foi muita pernada…

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Palácio La Moneda

Palácio La Moneda, Teatro Municipal, Plaza Itália, Museo de Bellas Artes, Bairro Bellavista, subida no Cerro San Cristóbal, para apreciar a vista da cidade, expedição pelo Bairro Brasil-Yungay, culminando com jantar na Peluqueria Francesa. Um dia cheio, lindo, na capital chilena.

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Arte urbana nas ruas da Capital chilena

Gostei muito de Santiago. Achei a capital agradável, ruas arborizadas, muitos parques, fácil locomoção, principalmente o metrô, que foi o meio de transporte mais utilizado.

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22/12

Acordei cedo e rumei para a rodoviária de Santiago para pegar um ônibus com destino à Valparaíso, decidida a conhecer o famoso balneário chileno.

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Prédio histórico em Valparaíso

Uma viagem de duas horas por uma via expressa que atravessou vales, numa paisagem permeada por muitos vinhedos, à bordo de um ônibus confortável.

Chegando em Valparaíso, tratei de pegar um mapa onde apresentavam-se os pontos mais turísticos, eis que eu teria somente aquele dia para olhar a cidade, e já cheguei ao meio-dia. Na chegada, já agendei a passagem de retorno para o final da tarde, com receio de não conseguir assento no ônibus.

Caminhei até  uma larga via expressa que circundava toda a orla de Valparaíso. Lá subi num ônibus de transporte urbano, para chegar até um dos famosos funiculares que levam até a parte alta da cidade, onde há um mirante, com bonita vista do balneário.

Aqui começou a grande aventura do dia, ou talvez, da viagem ao Chile…

Os micro-ônibus eram vermelhos, e haviam dezenas deles, todos iguaizinhos. Acenei para um deles, que parou no acostamento da via. Disse ao motorista para onde eu queria ir, solicitando que me avisasse sobre o local a descer. Descansei da caminhada, relaxei olhando a paisagem da orla, intercalando com checagens no mapa local. Passaram-se poucos minutos e o motorista avisou que era ali o ponto para acessar o funicular, onde iniciava o porto de Valparaíso.

Me acompanhava neste passeio o holandês Peter. Descemos do micro-ônibus, com cuidado para atravessar a via expressa, muito movimentada com veículos e ônibus, para acessar o outro lado, onde ficava a bilheteria do funicular.

Quando fui mexer no bolso para pegar o dinheiro para pagar o funicular, dou falta do meu celular. Gente, parou tudo!!! Eu estava sem meu celular. Fiz uma auto revista desesperada, para confirmar o que eu já sabia. O celular não estava comigo.

Neste celular estavam todas as minhas fotografias da viagem ao Chile, todos os meus contatos, redes sociais, minha vida ali! E eu perdi, ou me roubaram… Já não sabia mais o que tinha acontecido.

Uma sensação horrível. Nem chorar eu conseguia. Na verdade, não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Depois de todos aqueles dias perfeitos de viagens, tour, passeios, ficar sem nada, sem ter como me comunicar com minha família, prevendo os incômodos, o stress.

Eu e Peter ficamos na calçada, eu sem reação. Conversei com um rapaz que cuidava o trânsito, que parecia trabalhar na empresa de ônibus, sobre o ocorrido. Ele me disse que não havia chance de eu recuperar meu aparelho. “0% de chance”.

Fiquei muda, perplexa, nem via o que se passava ao meu redor, na calçada ao largo da avenida, onde havia um farol (sinaleira para os gaúchos). Passaram-se cerca de quinze minutos.

De repente, Peter solta um grito dizendo: o ônibus que estávamos acabou de passar na nossa frente, ele havia reconhecido o motorista! Não acreditei nele. Mas ele tinha certeza, indicando o ônibus, iguais a tantos outros que circulavam na avenida. O próximo farol estava no vermelho e o ônibus parou. Saímos numa corrida alucinada e alcançamos o ônibus indicado por Peter. Ainda sem acreditar, bati com murros na porta, até que o motorista abriu. Em portunhol, perguntei ao motorista se ele por um acaso havia visto o celular, descrevi o aparelho. Ele respondeu que não, que tinha feito o circuito dentro do ônibus e que não percebeu nenhum celular.

Nisso, o meu olhar se desloca do motorista para os bancos que ocupamos, na segunda fileira. O meu celular estava entre os bancos…

Gente, vocês não tem noção da minha emoção. Me joguei nos bancos, peguei o celular. Nisso o motorista já ameaçava arrancar, pois o sinal mudou para o verde.

Pedi que abrisse a porta, e ele atendeu. Eu e Peter descemos os degraus do ônibus, para a calçada. E aí… pulei nos braços do Peter, que me rodopiou, e caí num choro de lavar a alma. Descarreguei toda a adrenalina, a emoção, a felicidade de resgatar meu brinquedo favorito, numa situação totalmente, absolutamente improvável.

Já contei essa história várias vezes, e em todas elas com emoção de fazer arrepiar os cabelos do braço, e as pessoas também ficam extasiadas com meu relato. Garota de “mucha suerte”. Essa sou eu!

Bom, depois disso, foi só alegria no passeio em Valparaíso. Caminhada pela cidade, apreciando os lindos prédios históricos, comendo boa comida, sorvete, café. Feliz, feliz, na volta para Santiago.

Mais uma incrível história para minhas memórias de viagens!

Nessa noite ainda fui jantar no Restaurante Giratório, indicação da amiga Nayara, de Joinville/SC, quando de sua estada em Santiago. Bem bacana, mas esperava que fosse mais alto, com uma vista maaiiis top, mas curti a boa comida e tal. Legal para encerrar a estada em Santiago.

23/12

Como meu vôo para São Paulo estava previsto para às 15:30, reservei a manhã para conhecer o Cerro Santa Lúcia, que fica próximo ao hostel. Achei bem bacana o lugar, os jardins bem cuidados, as construções, a vista da cidade. Curti o passeio até por volta das 13:00 e depois iniciei o deslocamento para o aeroporto: primeiro metrô e depois ônibus.

Retorno tranquilo até São Paulo, onde ocorreu uma conexão para Porto Alegre.

Aí, em São Paulo, foi punk… Como já disse, sou especialista em fazer conexões apertadíssimas, que quase me fazem infartar, num risco iminente de perder o vôo. E não foi diferente neste caso. Correria no aeroporto de Guarulhos. Pelo menos eu não estava sozinha nesta. Havia um grupo de cerca de dez pessoas na mesma situação que eu. Com o auxílio do funcionário da TAM, conseguimos entrar no avião antes do mesmo partir. Se eu perdesse esse vôo havia grandes chances de eu passar a noite de Natal fora de casa. Sim, porque quase 500 quilômetros, a bordo de um buzão, separam Porto Alegre de Ijuí. E se eu não tivesse comprado passagem com boa antecedência, nem se cogitava que eu  conseguiria na hora.

Bom, cheguei em Porto Alegre faltando 20 minutos para o horário de saída do ônibus na rodoviária. Nova corrida contra o tempo, com a ajuda do compreensivo taxista e cheguei faltando uns 10 minutos. Troca do voucher pela passagem, outra corrida com a mala pela rodoviária e… embarquei!

Então, gente, cansada do jeito que eu tava, desmaiei no banco do ônibus. Acordei chegando na cidade, na manhã do dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Feliz pela viagem incrível que realizei e também por reencontrar minha família. A saudade era grande do meu trio de princesas: Sara, Sofia e Isa. Hora de abraços, de contar histórias vividas na viagem, curtir o clima de festas, trocar presentes. Muito afeto. E no meu íntimo, pensando na próxima trip! Risos…

6 comentários em “Chile

  1. Olá, adorei suas dicas e como vc é expert em conexões apertadas aproveito para tirar uma dúvida: Meu vôo da Latam Calama – Guarulhos tem conexão de apenas 1:20 em Santiago, fora correr rsrs, que mais tenho que me preocupar?

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    1. Oi, Márcio, desculpe a demora em responder, mas estava envolvida em projetos profissionais aqui. Olha só, lembro que como vinha de um vôo internacional, a fila na imigração estava looonga… Então, Márcio, te desejo boa sorte e corra. Ah, e pede um help para os funcionários, a compreensão do povo na fila e tal. E curta muito o Atacama, que é lindo demais! Abraço!

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    1. Oi, Aline! Puxa, já faz um ano essa viagem, minha memória não está boa e não anotei os valores. Mas assim… com passagem, passeios, alimentação, hospedagens e tal, coisa de 5 mil reais. Desculpe se não pude contribuir de forma mais exata. Abraço.

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