Europa

Veneza, Roma e Cruzeiro pelas Ilhas Gregas

O que faz uma pessoa botar o pé na estrada – sair do conforto do que lhe é conhecido, de seu cotidiano, do comodismo de sua rotina – levantar âncora e buscar novos horizontes apenas para descobrir o que existe lá do outro lado?

Em busca dessa resposta, que podem ser muitas, é que já a alguns anos me propus a viajar para conhecer lugares, culturas, pessoas diferentes, que antes só conhecia através de filmes, livros e histórias, mas cuja realidade só pode ser plenamente compreendida ao vivo.

Nessas aventuras – que para mim se inicia muitos meses antes da viagem propriamente dita, em infindáveis horas de insônia nas madrugadas, absorvida por pesquisas sobre meu destino, em sites e blogs especializados, ou apenas em relatos de viajantes novatos e amadores como eu, leitura de livros e revistas do gênero – tenho procurado aproveitar o antes, a pré viagem, a viagem propriamente dita, e depois no retorno, curtindo as centenas de fotos, selecionando as melhores para impressão e a montagem de meus scrapbooks.

A primeira e importante parte é organizar a logística familiar para bem atender as três filhas que ficam – Sara e Sofia Isa – e administrar a saudade até o dia do reencontro.

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O jardim do hotel. Lindinho.

E foi dessa forma que organizei essa viagem que ocorreu em setembro de 2013, que segui acompanhada, na ocasião, do pai de minhas filhas. Uma viagem maravilhosa, que iniciou em Veneza, na Itália. A Veneza dos meus sonhos, comprovadamente capaz de seduzir, intrigar, desorientar e divertir. Como disse o escritor Henry James, “uma visita a Veneza é o início de um eterno caso de amor”.

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Estar em Veneza é como viver um sonho… Vista da janela do quarto do hotel.

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E assim foi. Veneza cumpre o que promete, com honra e mérito. Estava tudo lá: o Grande Canal, a Piazza e a Basílica de San Marco, as gôndolas com seus gondoleiros de camisas listradas, o Pallazo Ducale, e um labirinto de pequenos canais e ruelas, muitas pontes, onde foi uma delícia se perder. Em cada esquina me surpreendia com prédios centenários, muitas igrejas, compondo cenários que pareciam terem saltado de algum quadro de artistas venezianos, como Veronese e Tintoretto.

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De Veneza partiu nosso cruzeiro pela Grécia. No conforto do transatlântico que singrou as águas dos mares Mediterrâneo, Adriático, Egeu e Jônico, da varanda de nossa cabine, pudemos apreciar repetidas vezes, sem cansar, pores do sol em paletas de cores que variavam em tons de amarelo, laranja e rosados, e noites de lua cheia, que projetava um rastro prateado no mar, sempre num céu limpo, sem nuvens.

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Durante o cruzeiro de nove dias conhecemos cinco ilhas gregas: Corfu, Santorini, Mikonos, Delos e Katakolon (Olimpia). Cada uma com uma beleza e uma história peculiar.

Com o navio inicialmente atracado na ilha de Corfu tivemos o dia para conhecer o lugar, que mistura traços da arquitetura grega com a francesa e veneziana, nas arcadas do Liston e nos prédios. Corfu faz parte das Ilhas Jônicas, que tem uma característica diferente das ilhas do Mar Egeu, que costumam ser mais áridas. Corfu é um lugar muito verde e florido. Fizemos um rápido passeio de trenzinho motorizado para conhecer os arredores da cidade e finalizamos com uma visita ao Antigo Forte, símbolo da resistência grega aos ataques dos inimigos. Próxima parada: Santorini.

Corfu
Ilha de Corfu

Santorini é a Grécia dos cartões postais. Casas caiadas em forma de cubos localizadas no alto de penhascos estriados de 300 m de altura acima das águas cor de anil de sua caldeira privativa parcialmente submersa (há uma atividade vulcânica intensa no interior de sua caldeira submersa de 9, 5 Km de diâmetro).

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Vista de Santorini, à partir do navio.

No vilarejo de Oia curtimos um dos pores de sol mais bonitos e famosos do mundo, apreciado também por centenas de pessoas que aguardam o momento do espetáculo da natureza encarapitados em degraus e terraços. No final, aplausos, foi lindo…

Santorini

Mikonos foi conhecida através de Chora, sua capital. Linda como um cartão postal, limpa, bem conservada e de uma brancura ofuscante, emoldurada por praias maravilhosas, como a que frequentei, Paradise Beach. O nome não poderia ser mais apropriado. Nunca vi na minha vida mar tão transparente, onde minha sombra refletia no fundo feito de pedregulhos e os peixinhos dançavam por entre minhas pernas.

Mikonos I
Vista de Mikonos
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Pelicanos, habitantes da ilha de Mikonos.

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Belo também é o conjunto de casas brancas empilhadas como cubos de açúcar com portas pintadas de azul-celeste e suas buganvílias vermelhas e cor-de-rosa, em meio ao labirinto de ruas estreitas. O pelicano típico da região é um animal manso, mas um tanto rabugento, uma espécie de mascote da ilha que costuma desfilar pela área do cais parecendo ter tudo sob controle.

Mikonos (2)
Little Venice, em Mikonos

Mikonos

De Mikonos embarcamos num barco para conhecer a ilha vizinha de Delos. Pequena e varrida pelo vento, Delos é descrita na mitologia grega como o berço de Apolo, deus da verdade e da luz, e de sua irmã gêmea, Ártemis, a deusa da Lua. Por volta do ano 1000 a.C., habitantes da Jônia já haviam se estabelecido na ilha, transformando-a num centro religioso. Quase toda a ilha, de meros 2,5 Km², é um grande museu arqueológico ao ar livre, coberto de ruínas antigas, sendo que as escavações continuam em curso. Sua atração mais fotografada é o Terraço dos Leões, onde cinco das nove esculturas originais dessas feras, feitas de mármore branco (por volta do séc. VII a.C.) se encontram no museu da ilha.

No dia seguinte, parada no porto de Katakolon, cidadezinha simpática à beira mar, ponto de partida para conhecer Olímpia, sede dos primeiros Jogos Olímpicos da Antiguidade, que ocorrem por volta de 776 a.C. Grande sítio arqueológico onde sediaram-se  inicialmente os jogos e visita a um museu riquíssimo com peças extraídas das escavações, bustos, estátuas, detalhes dos prédios e muitos objetos da época. E o mais importante, o Templo de Zeus, centro religioso do local, construído entre 470 a.C. e 456 a.C. O grande atrativo do templo era a monumental estátua de Zeus, infelizmente destruída num incêndio e o templo pereceu num terremoto no séc. V d.C. Voltei aos bancos escolares, numa sala de aula de História, sem paredes.

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Ruínas em Katakolon, berço dos Jogos Olímpicos na Antiguidade.

Katakalon

Depois de mais um dia de viagem pelo mar Egeu, no clima de dolce far niente do navio, muito sol na beira da piscina, shows maravilhosos no teatro e agitos na boate, retornamos à Veneza. Na chegada fomos conhecer a ilha de Murano, dos famosos cristais. Pirei. Meu instinto consumista transbordou sob a forma de anéis, pingentes, esculturas, tudo sob as mais variadas formas em cristal. Tudo pequeninho para caber na mala, mas acabei tendo que improvisar uma sacola que trouxe praticamente no colo para garantir que tudo chegaria em casa intacto.

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Pirando com os cristais de Murano

Tendo um dia sobrando antes de embarcar de volta para casa, decidimos improvisar. Madrugamos, compramos tickets da Trentitália, corremos pela ferrovia para não perder o trem e depois de três horas e meia estávamos em Roma.

Roma foi uma revelação: quero voltar, com tempo e calma,  para passear de bicicleta por suas ruas e inúmeros monumentos. Aquele dia passado em Roma foi uma provinha para me deixar com gostinho de quero mais: o Coliseu, o Fórum Romano, a Piazza Veneza, o Vaticano e a Praça São Pedro, Fontana di Trevi, entre outros que conhecemos rapidamente, num tour com o ônibus que conduz os turistas pela cidade, foi o suficiente para esta viajante desejar  retornar à Roma.

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Coliseu, Roma

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Piazza Veneza

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Vaticano. Praça São Pedro.
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Fontana di Trevi

No final da tarde retornamos de trem para Veneza onde arrumamos as malas para o retorno ao Brasil, que ocorreu na manhã seguinte.

Na mala, poucos souveniers, o que o pouco espaço (e euros também, rsrsrs) permitiu. Mas posso fechar os olhos e ouvir o barulho do mar quando da passagem dos vaporettos e gôndolas nos canais de Veneza, do cheiro da maresia dos mares da Grécia, da cor do céu de um azul sem igual, em contraste com o mar, a emoção do pôr do sol em Oia, do êxtase diante dos monumentos milenares de Roma que pude conhecer, do cheiro dos molhos que recheavam as  massas que comemos. Esse é o banquete de lembranças que carrego comigo aonde quer que eu vá, são as memórias que me sustentam até eu estar com uma nova passagem na mão – minha próxima Grande Aventura.

Para encerrar, me permito dar uma dica aos viajantes novatos e veteranos: mais importante do que encher a mala de dinheiro é levar na bagagem muita curiosidade e paciência. Dê a si mesmo o direito de enveredar por caminhos inesperados e até de se perder. Não existem viagens ruins, só boas histórias para serem contadas na volta. Viaje sempre com um sorriso no rosto e lembre-se de que, quando está visitando outro país, é você que tem hábitos exóticos. Quanto mais tempo você dedicar a entender os outros, mais compreenderá a si próprio, a derradeira terra incógnita.

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