Américas

México

Em 2014 eu pesquisava sobre destinos possíveis de viagens e descobri postagens, relatos muito interessantes sobre o México. Esse país incrível, de grande diversidade de paisagens, cultura milenar e povo acolhedor. Então fui delineando meu roteiro para passar 17 dias no México.

 Iniciei em ótima vibe o ano de 2015. Saí em viagem no dia 31 de dezembro de 2014 e cheguei  na Cidade do México,ou DF, como os mexicanos se referem à Capital de seu país,  após ter realizado conexão no Panamá, já por volta das 23h. A urbe, enorme, um dos maiores conglomerados urbanos do mundo, transpira cultura, tanto nos resquícios da capital asteca de Tenochticlán, depois conquistada e destruída pelos espanhóis, quanto no emaranhado de estilos arquitetônicos.

Lembro bem que, enquanto o táxi me levava para o hostel, localizado no Zócalo, a praça central da capital mexicana, espocavam os fogos de artifício comemorando o início do ano novo.

Me senti  bem, feliz, em paz, estando numa cidade totalmente estranha, sozinha, no Reveillon. Fui tomada por uma sensação de liberdade e de poder sobre o meu destino, fazendo aquilo que eu gosto de fazer, sendo fiel às minhas convicções. Não poderia iniciar o ano melhor…

Me instalei no hostel Catedral, localizado bem atrás da imponente Catedral da Cidade do México, na área mais central da cidade. Larguei minha mala no quarto e subi para a cobertura do edifício, onde se realizava uma festa de integração entre os viajantes e de comemoração pelo início do ano.

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Vista da Catedral à partir do Hostel.

Dei uma circulada no que parecia ser uma “torre de babel”. Gente falando em várias línguas ( só não ouvi português) . Povo embalado pela música eletrônica, bebendo de montão. Fiquei pouco tempo ali, observando a linda vista do centro da cidade, a catedral, os fogos. Concluí que aquela festa não era pra mim, até porque eu estava super  cansada da viagem e queria descansar para acordar cedo e aproveitar bem o meu primeiro dia na cidade. Foi o que eu fiz.

01/01/15 – No primeiro dia do ano acordei cedo, organizei minhas coisas no armário do quarto, tomei um banho, organizei meus pertences para carregar comigo durante o dia e me dirigi ao restaurante, para tomar o café da manhã.

Lá chegando, observei os poucos presentes naquela hora, cedo da manhã. Os outros deveriam estar dormindo, de ressaca da festança da noite anterior. Nessa rápida olhada, reparei que uma moça guardava na bolsa uma carteira de identidade, que me pareceu ser brasileira. Reparei também que ela tinha em mãos um guia sobre o México, da Folha de São Paulo, igual ao meu. Suspeitei então que se tratava de uma brasileira, e puxei conversa. E ela era mesmo!

Nesse momento conheci a Nayara, a catarinense de Joinville/SC  que se transformou na minha companhia por todos os outros dias de minha trip no México.

Olha só o que é a providência divina: a Naya havia chegado na mesma noite que eu, veio sozinha do Brasil, com a idéia de fazer um roteiro muito parecido com o meu, porém, não estava tão meticulosamente programada como eu.

Já tomamos o café juntas e combinamos de sair dali para passear pela cidade. E assim foi, sempre juntas. Trocando idéias, rindo juntas, falando da vida, de viagens realizadas e de planos de viagens. Uma benção de companhia que atribuí à Nossa Senhora do Caravaggio, padroeira do México.

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A imponente Catedral Metropolitana da Cidade do México

Pra começo de conversa, eu não tinha o dinheiro local, os pesos mexicanos, e  era feriado na cidade, pois era o primeiro dia do ano. Se não fosse a Naya, pra me emprestar algum, até que eu pudesse cambiar (somente no dia seguinte) eu iria ter dificuldade até para poder comprar comida, quanto mais para me locomover e fazer os passeios, pagar ingressos e tal.

Depois de usar o metrô, saímos caminhando pela larga e bonita avenida chamada de Paseo de La Reforma, uma das principais da Capital. Várias paradas para fotos, no Monumento a La Revolucion, no El Cabalito, Monumento a La Independência, a estátua de Diana Caçadora, Monumento à Cuauhtemoc, prédio da Bolsa de Valores, seguimos até chegar ao final da avenida, no Bosque de Chapultepec.

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Monumento a La Independência

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Monumento à Diana Caçadora

Esse bosque é enorme, muito bonito, uma das áreas de lazer preferidas dos mexicanos. Alamedas arborizadas, ambulantes, atrações como um lago com pedalinhos, jardins, museus e galerias. No centro do bosque  tem uma elevação, um “cerro”, onde se encontra construído o Castillo de Chapultepec .

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Bosque de Chapultepec

Entre os vários ambulantes instalados no bosque, me chamou a atenção a venda dos “deliciosos” chapolins. Na verdade, pra mim, grilos fritos com pimenta vermelha.  Minha pouca coragem não me permitiu experimentar…

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Venda de máscaras, da tradicional Lucha Livre

Acessamos o cume usando um trenzinho. Lá encima fizemos uma visita ao Castelo, onde está instalado o Museu Nacional de História, com bonitos murais pintados por vários artistas mexicanos, objetos de época, informações sobre a colonização espanhola, a história e a cultura mexicana. Tudo com um visual arrebatador da cidade lá embaixo.

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Museu Nacional de História, no Castillo de Chapultepec
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Vista da Cidade à partir do Castillo de Chapultepec

Depois dessa visita ao castelo descemos novamente para almoçar e  tiramos o restante da tarde para conhecer o maravilhoso Museu Nacional de Antropologia, o que faz brilhar os olhos dos visitantes em DF, especialmente os apreciadores de história. Inaugurado em 1964, ocupa um prédio projetado por Pedro Ramírez Vásquez. O pátio central é quase todo coberto por uma placa de concreto de 84 metros de extensão, considerada a maior estrutura de concreto do mundo sustentada por um único pilar (no caso, com 11 metros de altura).

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Entrada principal do Museu Nacional de Antropologia

Sem palavras para descrever esse museu. Enorme, bem organizado, merece bem mais horas de visitação que dedicamos a ele. Um dia inteiro seria necessário, com certeza. A quantidade de peças, de achados arqueológicos a respeito da cultura asteca, e também de todas as culturas pré-hispânicas, um acervo dividido em 12 galerias, é riquíssimo. Também se destacam no andar superior  galerias dedicadas às 56 culturas indígenas ainda existentes no México. Um privilégio conhecer.

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Uma das peças principais do Museu é a Pedra do Sol, desenterrada no Zócalo em 1790. Os entalhes contam sobre o início do mundo asteca e predizem o seu fim.

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Uma das muitas peças astecas do acervo do Museu
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Pose com a Pedra do Sol

No final deste primeiro dia, no início da noite,  ainda tivemos forças para retornar ao Castillo, para ver um espetáculo a muito esperado por mim: o Ballet Folklórico de México. Desejava tanto ver este espetáculo que solicitei a uma amiga de uma amiga, a querida mexicana Carla Karillo, para comprar antecipadamente para mim, de medo que eu tinha de não conseguir ingresso na hora.

E foi lindo demais! Ao ar livre, tendo o Castillo como cenário de fundo, sentadas em cadeiras, com o céu sob nossas cabeças, um ventinho friiioo, assistimos maravilhadas o melhor do folclore do México, uma imersão na cultura local, um espetáculo riquíssimo, de alto nível de produção. Saí de lá encantada, já por volta das 23h.

Ainda nos atrapalhamos para sair do parque, que é todo cercado com altas grades, até que achamos o portão que nos levou à estação de metrô, e depois até o Zocalo, onde ficava nosso hostel.

Sobre o metrô da Capital Mexicana: andamos muito de metrô, usamos praticamente todas as suas várias linhas, que nos conduziram para bem perto de nossos pontos de interesse por um valor irrisório. Seguro, eficiente. Aliás, adoro andar de metrô por todas as cidades que disponibilizam esse meio de transporte tão democrático.

02/01/15 – Neste dia aproveitamos para conhecer a belíssima Catedral Metropolitana da Cidade do México, que fazia fundos com a rua onde estava nosso hostel. É uma das maiores igrejas da América Latina e demorou quase três séculos para ser construída (de 1.525 à 1.788). Anexo ao prédio fica o Sagrário Metropolitano, com uma fachada suntuosa, todo adornado com estátuas de santos. Depois seguimos para conhecer o Templo Mayor e o respectivo museu, bem pertinho da Catedral. O Templo Mayor foi construído pelos astecas nos séculos 14 e 15. O conjunto da obra foi quase todo destruído pelos espanhóis. Mas o que sobrou já é impressionante. Também fomos conhecer o Templo de La Enzenanza, com um enorme retábulo de ouro e uma fachada estreita, levemente reclinada para trás. Seguimos até logo mais na frente, até o Colégio San Idelfonso e apreciamos lindíssimos murais pintados nas paredes.

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Antigo Colégio San Idelfonso
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Lindos murais no pátio do Colégio
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Templo Mayor
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Museu do Templo Mayor

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Depois partimos para o lado oposto da área central,pela famosa Calle Maderos, uma enorme rua para pedestres. A proposta inicial era subirmos até o topo da Torre Latino Americana, um arranha-céu dos anos 1950, mas desistimos frente à longa fila formada na área dos elevadores. Atravessamos a rua para conhecer a Casa dos Azulejos, edifício belíssimo, decorado ricamente, e lá almoçamos, no restaurante da rede Sanborns instalado no local.  Saciada a fome, saímos caminhando pelo centro da cidade, impressionadas com a quantidade de gente nas ruas, dificultando uma simples transposição da rua. Conhecemos o prédio do Palácio de Bellas Artes e o prédio dos Correios.

Outra coisa que chamou a atenção foi a presença de figuras recorrentes na rua: curandeiras, benzedeiras, xamãs, fazendo rituais, benzimentos, fumacês. Um cheiro de ervas no ar (um fedor, na verdade!).

Foi um dia cheio. Retornamos à tardinha para o hostel, à tempo de acompanharmos o pessoal do hostel a uma Lucha Livre, o esporte nacional dos mexicanos, na Arena México. É como uma luta, misturada com um teatro, um espetáculo que se realiza numa grande arena. Os lutadores, homens e mulheres, vestem fantasias, como super- heróis, inclusive com máscaras. As arenas onde se realizam as lutas são grandiosas. Ganhei uma máscara como as usadas por eles, como recuerdo dessa noite. E antes de sair teve um “esquenta” regado à tequila, pra nós entrarmos no clima.

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Cartaz na Arena México, anunciando a Lucha Livre

03/01/15 –  Neste dia nos dirigimos de metrô para um bairro da grande metrópole, Coyocán. E lá caminhamos pelas tranquilas ruazinhas do bairro, com suas casas e prédios característicos, pracinhas,  restaurantes, onde em um deles tomamos nosso desayuno, numa mesinha ao ar livre, acompanhando a movimentação dos transeuntes. Em seguida, fomos até  um local muito esperado nesta viagem: a Casa Azul. A casa ateliê onde viveram Frida Kahlo e Diego Rivera. Foi muito emocionante conhecer o lugar onde viveu uma das personagens femininas que mais admiro, pela trajetória de vida e pelo conjunto de sua obra. Foi um momento muito especial.

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Bairro de Coyocán
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Museu Frida Kahlo

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Visitada a Casa Azul, seguimos de táxi, para ganhar tempo, até os canais de Xochimilco, onde passeamos de trajinera, os tradicionais barcos coloridos que circulam pelos canais, entre as ilhas flutuantes, onde são cultivadas flores e hortaliças. É um programa tradicional das famílias mexicanas. Interessante a presença dos mariachis, os tradicionais grupos de músicos mexicanos, que se instalam nas trajineiras e cantam e tocam músicas a troco de gorjetas dos turistas.   Me senti num filme…

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Canais de Xochimilco
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As coloridas trajineras

Encerrado o passeio na trajinera, novamente de táxi, seguimos até o Museu Dolores Olmedo Patino, instalado numa linda “hacienda” do século 17, a cerca de 13 quilômetros dos canais de Xochimilco. Nesse museu há mais de 140 obras de Diego Rivera e Frida Kahlo. Imperdível! De quebra, pavões imperiais circulam pelos jardins bem cuidados, e cães sem pelo dão o ar da graça no pátio. Demais!

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Museu Dolores Olmeda Patino
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Cachorros sem pelo que vivem na “Hacienda”
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Quadro de Diego Rivera
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Mostras do Museu

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Voltamos exaustas para o hostel , mas ainda dispostas a ir até a Plaza Garibaldi conferir os mariachis. Fomos e voltamos de táxi. A praça estava cheia desses músicos, com seus instrumentos e roupas típicas. Depois de uma rápida olhada, nos dirigimos até o tradicional Salón Tenampa, onde jantamos ao som dos mariachis.

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Salón Tenampa

04/01/15 – Partimos bem cedinho do hostel, pegamos o metrô até a estação rodoviária, que eles chamam de Estação Autobuses Del Norte  e de lá tomamos um ônibus até as pirâmides de Teotihuacán. Depois de uma hora de viagem, chegamos nas pirâmides quando estava abrindo o sítio arqueológico. Ainda deu um tempinho para o café antes de entrar.

Teotihuacán significa “local onde os homens se tornam deuses”.

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As pirâmides do Sol e da Lua são impressionantes, assim como o conjunto do sítio arqueológico. Lamentei não ter feito o passeio de balão, que eu e a Naya cogitamos, mas ficamos com receio de que chovesse e perdêssemos a vista que imaginávamos e nosso rico dinheirinho também. Vimos alguns balões sobrevoando o sítio e fiquei com inveja…

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Super cansativo, porque o lugar é enorme, e há milhares de degraus para subir as pirâmides. Era domingo e o povo, literalmente, invadiu o lugar. Muita gente, parecia um formigueiro humano. Mas valeu muito a visita. Realmente incrível!

Retornamos para a cidade de ônibus e seguimos direto para a Basílica de Guadalupe. A Basílica, dedicada à Nossa Senhora de Guadalupe é enorme. Muito emocionante estar lá, onde ocorreu o milagre atribuído à Nossa Senhora.  A Basílica original, com forte inclinação do terreno, tem o prédio comprometido, e dá um medo danado ficar lá dentro. Parece que já vai desabar tudo.

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A nova Basílica, de arquitetura moderna, enorme, construída ao lado da antiga, também impressiona. Uma coisa que chamou a minha atenção foram os rituais indígenas dentro da igreja católica. Um fumacê de ervas contaminava o ar dentro da Basílica, a ponto de eu não suportar ficar lá dentro. O cheiro me incomodou demais. Mas o manto do milagre estava lá, exposto no altar.

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Depois da visita à Basílica, fomos de metrô até o Mercado de Artesanias La Ciudadela. Chegamos quando as lojas já estavam fechando, mas a tempo de conferir o rico artesanato mexicano, em profusão e a ótimos preços. Deu vontade de carregar tudo. Saí com um chapéu mexicano, um sombrero de abas enormes, para trazer para o Brasil, de presente para meu irmão. Carregadas de compras, retornamos ao hostel.

Já era tarde da noite quando tomei um táxi do hostel até o aeroporto. Eu efetivei meus planos de guardar minha mala carregada de compras e roupas que não pretendia usar no restante da viagem, e segui apenas com a mochila cargueira.  Guardei a mala no locker do aero e retornei de metrô para o centro da cidade. A Naya me esperava preocupada, pois já passava da meia-noite e eu estava sozinha na rua. Mas deu tudo certo. Só por uma cama. Despedida de DF, pois no dia seguinte deixaríamos a cidade.

05/01/15 –  Cedinho seguimos novamente para a rodoviária para tomar um ônibus tendo como destino as cidades de Puebla e Cholula.

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Cidade de Puebla

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As duas cidades são muito interessantes. Em Puebla se destaca a cerâmica talavera. Pirei com as cerâmicas, mas como carregar as peças na mochila por mais dez dias? Tive que me contentar com imãs e pequeníssimas peças.

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Fábrica de cerâmica talavera. Tudo lindo!

Em Cholula está localizada a segunda maior pirâmide do mundo e a maior da Mesoamérica, com 65 metros de altura. A primeira fica no Egito. Esta pirâmide está coberta por terra e vegetação, formando uma montanha. Dá pra ver as pedras que definem os degraus da pirâmide, até seu topo. E bem encima dela os espanhóis construíram uma igreja católica, a Igreja Nuestra Senora de Los remédios, simbolizando a supremacia, a vitória da cultura dos espanhóis sobre os nativos astecas. A Igreja é antiga e linda, mas perde um pouco o brilho ao se saber do propósito na sua construção, que foi a colonização espanhola e o esmagamento da cultura nativa dos astecas.

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Almoçamos num restaurante na Plaza de Armas de Cholula e depois retornamos para Puebla, para tomarmos o ônibus que nos levaria até Oaxaca. Para chegar lá, enfrentamos a noite inteira no ônibus.

06/01/15 – Chegamos cedinho em Oaxaca. É uma das cidades coloniais mais preservadas e charmosas do México. Com um ar de província, com presença significativa de população indígena.  Estávamos cansadas da noite passada no buzão. Descansamos um pouco no hostel Casa Angel Youth Hostel, onde nos instalamos e já saímos para a rua conhecer a cidade, caminhando pelo Zócalo, passamos pelo Palácio do Governo, Plaza e Igreja de Santo Domingo. Almoçamos num restaurante no segundo andar de um prédio, com vista para o Zócalo.

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Cidade de Oaxaca

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Para a tarde já tínhamos agendado no hostel um tour para Monte Albán,  fora da cidade. Monte Albán está situada no topo de uma montanha de 400 metros no vale de Oaxaca. Foi, um dia, a maior cidade zapoteca. Em uma façanha de engenharia, os zapotecas nivelaram o topo da montanha para construir seu centro cerimonial.

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Monte Albán

07/01/15 – Neste dia contratamos um tour pelos vales de Oaxaca. Passamos pela Arbol de Tule, visitamos uma fábrica de tapetes e outra de mezcal, depois fomos a o sítio arqueológico de Mitla, Hierve El Água e a Cascata Petrificada.

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Esse Hierve El Água e Cascata Petrificada é um lugar lindo, com fontes de água mineral que brotam das rochas, e uma formação de depósitos minerais das águas que escorrem durante anos e formaram uma espécie de cascata de pedras. As fontes formaram piscinas de uma cor azul  fascinante. Tudo com uma vista das montanhas de Oaxaca. Muito diferente…

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 Retornamos no final do dia para Oaxaca, à tempo de conhecer o famoso Mercado de Abastos. Um mundo à parte. Uma imersão na cultura mexicana. Comidas, artesanatos (muiiitoo), gente. Depois pegamos nossas mochilas no hostel e novamente encaramos a noite no buzão, rumo à San Cristóbal de Las Casas, já no Estado de Chiapas.

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Vai um chapolin? Grilos fritos com pimentas. Uma iguaria mexicana.
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Mercado de Abastos de Oaxaca

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08/01/15 – San Cristobal de Las Casas é uma cidade muito bonita, toda em estilo colonial, com um clima de serra, mais friozinho, chuvisco. Lamentei ter ficado apenas um dia lá, ruas de pedras, e casarões centenários, clima pitoresco, ruas estreitas, igrejas centenárias, que conheci caminhando pela cidade. Nos instalamos no hostel Pousada Del Abuelito, muito roots.

De cara, contratamos um tour para passear de barco no Cânion Del Sumidero. Um impressionante desfiladeiro com escarpados de cerca de 1.000 metros, muita natureza e animais como jacarés, macacos e aves vivendo livres. Passeio incrível.

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Cânion del Sumidero

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Na volta o motorista nos levou até o centro de Chiapa de Corzo, onde ficamos por cerca de uma hora. É tempo de ir no banheiro, dar umas voltas e tirar umas fotos da pracinha e da igreja.

Durante esse passeio recebi a dica de assistir ao espetáculo “Corazón de Jade”, no Teatro da cidade, sobre a cultura maia. Claro que fui correndo comprar o ingresso. E que espetáculo!

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Produção impecável, que me fez compreender muito da cultura maia. Pouca gente na plateia, poucos privilegiados para assistir a bela apresentação. E eu estava lá!

Depois do teatro encarei jantar no Bar Revolucion e depois dancinhas num bar das proximidades. E logo, cama, pois a previsão de saída no dia seguinte era às 5h da madruga, rumo à Palenque.

09/01/15- A van passou para nos buscar no hostel quando ainda era noite e partimos pelas estradas entre as montanhas mexicanas. Que aventura! Forte neblina, sentadas em bancos duros, encostos sem reclinação, retos, chuva, barreiras nas estradas, provocadas pelos deslizamentos de terra, a visão dos precipícios passando ao lado da van, comunidades indígenas, selva, cansaço, sono…

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A primeira parada foi na Cascata Água Azul e depois Cascata Misol-Há, que ao invés de estarem azuis como mostravam as fotos na net, estavam turvas, devidas as chuvas dos últimos dias. Almoçamos em restaurante junto a essa área das cascatas.

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Cascata Misol-Há

Na sequência nos dirigimos ao Sítio Arqueológico de Palenque. Palenque é tudo o que um sítio arqueológico deve ser. Misterioso, solene, preservado e situado em meio à selva. Vimos belas esculturas e obras em estuque, uma técnica milenar. A visita guiada ao Templo das Inscrições, que abriga o túmulo de Pakal, soberano de Palenque, além do Templo do Sol e o Palácio, foi sensacional.  Repelente e protetor solar são itens imprescindíveis, junto com a câmera fotográfica, claro.

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À tardinha a van nos deixou na cidade, onde jantamos em bom restaurante e depois fomos para a rodoviária, onde encaramos mais uma noite no buzão, rumo à cidade de Mérida.

10/01/15 – Mérida é uma linda cidade, que, com certeza, merecia mais dias de estada. Tivemos que nos contentar desta vez com uma caminhada pelo centro histórico, visita ao Museu de Arte Contemporânea, à Casa de Montejo e a outros lindos prédios públicos em torno do Zócalo, que era também onde ficava nosso hostel, o Hostal Zócalo.

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Logo seguimos para um tour até o sítio arqueológico de Uxmal. É uma das expressões mais complexas da arquitetura puuc, como a Pirâmide do Mágico, de formato arredondado. Segundo a lenda, foi erguida em uma noite por um anão com poderes mágicos. Também visitamos outro sítio menor, de Kabah, com muitas máscaras de Tlaloc, o deus da chuva.

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Pirâmide do Mágico, em Uxmal

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Kabah

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Pernoitamos em Mérida, curtindo o visual da cidade à noite, com um clima agradabilíssimo, jantamos num restaurante de inspiração francesa, lindo prédio.

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Firmes, cumprindo nosso roteiro em terras mexicanas

11/01/15 – Partimos rumo ao sítio arqueológico de Chichen Itza. Sítio enorme, com influências maias e toltecas. Como o El Castillo, o prédio mais imponente de todo o sítio. Erguido no alto de uma pirâmide de 24 metros de altura. Era dedicado a Kukulcan, o deus correspondente maia de Quetzalcoatl. Erguida por volta de 800 d.C.

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Na sequência fomos conhecer o Cenote Ik Kil, que é um enorme poço com água doce. E por fim, nos encaminhamos para Tulum,de ônibus,  onde chegamos à noite.

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12/01/15 – A praia de Tulum é linda demais, a areia fininha, o mar de vários tons de azul, em contraste com as construções do sítio arqueológico nos rochedos, é uma vista de cartão postal.  Até que enfim, o mar do Caribe…

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Pela manhã visitamos as ruínas maias de Tulum. Depois disso eu ainda quis encarar o Cenote dos Ojos, sobre o qual eu havia lido em blogs. A Naya abortou esse passeio.

Para chegar até lo Cenote foi uma aventura à parte. Primeiro peguei uma van, um transporte coletivo na via expressa que segue para Cancun, que me deixou em frente ao portão que dá acesso ao cenote.

Ali haviam alguns táxi que levavam os visitantes até o cenote. O funcionário me disse que era uma caminhada na estrada de areia, cercada de vegetação, árvores, de cerca de 15 minutos. Para economizar meus dólares, me botei a caminhar pelo estradão, observando de perto uma dupla de mulheres que seguia pelo mesmo caminho.

E caminhei, e caminhei, e nada do dito cenote. Lá pelas tantas um táxi veio e ofereceu me levar até o cenote por alguns dólares. Claro que aceitei, pois já estava exausta. Que 15 minutos de caminhada o que… AS duas mulheres não aceitaram a oferta e seguiram caminhando. E o táxi andou mais um tanto até que me deixou no local onde havia uma pequena estrutura de prédios para acessar os cenotes.

Bom, valeu a pena a aventura.  As piscinas transparentes, azuladas, são uma coisa de outro mundo. Ficam dentro das cavernas que se formam na mata, os raios de sol iluminando o fundo, incrível!

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Coloquei o colete salva-vidas, para boiar tranquila e me esbaldei  nas piscinas. Já passava das 13h quando lembrei que eu tinha combinado de almoçar com a Naya na Playa Paraíso, e ela devia estar me esperando.

E eu tinha todo o caminho de volta até encontrar a estrada principal, asfaltada, onde é a saída do parque. Esperançosa de encontrar novamente o táxi para me levar de volta, me vesti e me dirigi ao ponto onde ele me deixou. E esperei, esperei, e nada do táxi. Me larguei pela estrada. E caminhei, caminhei, caminhei naquele estradão, sozinha, cansada, um calorão, umidade, medo de ser assaltada, de ser violentada. Não aparecia um carro, uma viva alma que parecesse amistosa.

Já fazendo minhas orações, começaram a aparecer alguns carros. Decidi pedir carona. Ainda bem que um deles se compadeceu de minha situação e me levou até o portão do parque. Ufa!

No asfalto, esperei passar a van, que me deixou a uma outra altura da estrada. Lá peguei um táxi que, por fim, me levou até a Playa Paraíso. Praia que faz jus ao nome. Um paraíso!

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Encontrei a Naya de biquíni, curtindo a praia, bem tranquila e disposta a ouvir sobre a minha aventura no cenote.

Mortas de fome, nos dirigimos para um quiosque à beira mar, onde havia uma banda de música mexicana ao vivo. Nos atiramos na comida, embaladas por drinks, depois cervejas e por fim tequilas. Queria curtir meu último dia no México, pois na manhã seguinte iria para o aeroporto de Cancún para iniciar minha viagem de volta ao Brasil.

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E então foi uma novela mexicana… Depois de tudo o que já havíamos bebido, começaram a chegar na nossa mesa uma sequência de tequilas “oferta da casa”, sqn .

Não nos fizemos de rogadas e mandamos ver, coloquei o pé na jaca, intercaladas por banhos no mar do Caribe e dancinhas na areia.

Lá pelas tantas chegou a dupla que estava pagando as tequilas e demos muitas risadas. Não foi fácil sair da areia. Só conseguimos sair da beira da praia já noite fechada, com dificuldades. Só por Diós!! E com convite para esticar a noite com os muchachos, numa boate. Estão esperando as brasileñas até hoje, tadinhos.

Com a ajuda da Naya encontramos um táxi, que nos levou até o nosso hostel. Cheguei mal, depois de toda a mistura de bebidas ingerida. Parecia um bife à milanesa, de tanta areia grudada no corpo, desmaiei na cama assim mesmo, depois de colocar um bom tanto do álcool pra fora (aff…).

13/01/15 – Acordei às 2 horas da manhã, novinha em folha. Maravilha! Tomei um banho, arrumei minhas coisas, troquei o lençol da cama e dormi novamente, até às 6 da manhã, quando tocou o despertador do celular. Coloquei minha mochila nas costas, me despedi da querida Naya, companheira de aventuras em terras mexicanas, um presente que recebi nessa viagem, e caminhei até a rodoviária de Tulum.

Peguei o Ônibus, que depois de quase 2 horas me deixou no aeroporto de Cancún. De lá, tomei um voo até DF. No aeroporto de DF resgatei minha mala, que havia guardado no locker. Organizei tudo e parti de volta ao Brasil, para minha casa.

Sair da Riviera Maia sem curtir Playa Del Carmen, Cozumel e Cancún foi difícil. Ficou o desejo de retornar para conhecer com calma o maravilhoso litoral, que já deu mostras do que é num dia passado em Tulum. Voltarei sim, com certeza. Por ora, a sensação de que esta viagem ao México foi intensa, maravilhosa,  i-nes-que-cí-vel!!!

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