Américas

La Paz e Lima

02/06

Usei a manhã em Sucre para me deslocar do Hostal até o aeroporto. Usei um transporte coletivo depois de caminhar muito. Me disseram que era perto, mas creio que, pelo peso da mochila, pareceu-me longe, sofrido. Mas, ok.

No deslocamento pela “carretera”, trajeto entre a cidade até o aeroporto, reconheci ser o mesmo que fiz dois dias antes, vindo de Potosi. Verifiquei que o bloqueio na estrada permanecia. E o desvio por estrada de chão, usado pelo taxista de Potosi também foi bloqueado pelos caminhões. Ufa! Ainda bem que cheguei antes disto na cidade…

Vôo tranquilo até La Paz, pela Aviação Boliviana. Cerca de 50 minutos depois estava na capital boliviana. Do alto, na chegada, fiquei boquiaberta com a cidade, espremida num vale entre as montanhas, como um cânyon. E as casas, os prédios, como as comunidades cariocas, ocupando os morros, praticamente todas na cor ocre, do tijolo sem reboco. Muito interessante! Achei a capital grande. Depois vim a saber que La Paz, com cerca de dois milhões de habitantes, se une com o município vizinho de El Alto, que pertencia no passado à La Paz, mas cresceu tanto (hoje com cerca de um milhão e meio de habitantes) que hoje é um município autônomo.

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Vista aérea de La Paz

Na chegada à La Paz, no aeroporto (que fica em El Alto), tentei compartilhar um táxi com outras pessoas que também seguiam em direção à cidade, mas o taxista, espertinho, no meio do trajeto, alegou que, como se tratava de destinos diferentes, iria cobrar individualmente. Reclamei, me irritei,  mas tive que abstrair e pagar (foram 60 bolivianos, cerca de 30 reais).

Eu tinha feito uma reserva via Booking no Hostel Sol Andino. Fiquei lá uma noite apenas. Mudei-me na manhã seguinte. O melhor do local era o desayuno. Mas o restante…

Aproveitei o restante da tarde para dar uma volta, fazer um reconhecimento das redondezas, no centro histórico de La Paz. Desafiei minha adaptação à altitude, já considerando-me aclimatada, eis que já estava a alguns dias na Bolívia e vinha num crescente, em termos de altitude. Mas, é claro, que eu exagerei. E andei demais, muitas ladeiras, escadarias. Resultado: no final da tarde eu me sentia exausta, com enxaqueca.

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Plaza e Catedral San Francisco

La Paz é uma cidade de contrastes. À princípio me choquei com a capital. Pobreza, caos urbano, pedintes, sujeira, barulho, fumaça de escapamentos, engarrafamentos, muita gente nas ruas, mochileiros, locais, trabalhadores, população indígena “tudo junto e misturado”. Prédios mal conservados, emaranhado de fiação elétrica. Pra completar, havia uma marcha de protestos interrompendo a avenida. Escutei barulho de bombas, tiros, sei lá.

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Cidade de contrates

Ainda nesta tarde fiz uma visita guiada ao Museu e Igreja San Francisco, situados na praça de mesmo nome.Bem interessante. Subi até o telhado da Igreja, onde fica o campanário. Uma vista bacana do complexo e da cidade.

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Na sequência quis conhecer a Calle Jaén, onde situam-se casarões históricos, da época da colonização espanhola. Até chegar lá, muita gente nas ruas e muitos degraus para bufar, ruas de íngremes subidas. Parecia que o coração ia sair pela boca, respiração ofegante, várias pausas para pegar ar, descansar. Mas o lugar é bonito. Lá encontrei a agência Haqna Pacha . Gostei da agência, do atendimento prestado. E foi lá que contratei quatro tours pela cidade, para os dias seguintes.

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Calle Jaén

Na hora do jantar tive a indicação no hostel sobre a Pizzaria Mozzarela, situada bem pertinho. Eu já tinha lido comentários positivos sobre a pizza servida lá. Resultado: a-m-e-i a pizza do Mozzarela. Pra mim, a melhor pizza que comi na vida. Todas as noites que estive em La Paz eu fui jantar pizza no local. Experimentei várias opções do cardápio, por módicos 20 bolivianos (cerca de 10 reais!). Excelente descoberta local.

03/06

Levantei cedinho para conferir um mercado de rua que acontece todos os dia em La Paz, desde às 5hs da madrugada até por volta das 9hs. Pertinho do hotel. Fui lá em torno das 7hs. Vende-se roupas, calçados, bolsas, tipo uma 25 de março, uma Ciudad del Este. Tudo nas calçadas. Mercado informal mesmo. Na ocasião não comprei nada. Fui só pra conferir.

Depois fiz a mudança para o Hostel La Posada de Abuela. Beeem melhor. Mais caro, mas achei que eu merecia esse conforto. Me senti bem melhor lá.

Às 10hs me dirigi à Plaza San Francisco para encontrar o guia e o grupo para seguir pelo Walking Tour pela cidade. Esse tour durou até por volta das 13hs. Achei bem legal. Conheci lugares da cidade que não teria ido se não tivesse o acompanhamento e as dicas do guia. Fomos no mercado de rua de alimentos, verduras, frutas. Descobri que entre a vendedora e a cliente se estabelece uma relação muito próxima, que se chamam de “casera, caserita”. Nesse mercado comi deliciosa empanada.

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Primeira parada foi no Mercado das Brujas, onde visitamos a tienda de uma delas. Ouvimos explicações sobre as crenças dos bolivianos, a encomenda dos “trabalhos”, destinados a vários ações, como amor, família, filhos, estudos, casa, dinheiro, etc. Muito típico.

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Fetos de lhamas, utilizados pelas “brujas” em seus “trabalhos”

Também passamos na frente da Prisão San Pedro. Achei muitíssimo interessante a história da prisão e suas peculiaridades, relatadas pelo guia.

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Vista da Prisão San Pedro

Com capacidade para 200 presos, hoje abriga cerca de 2.ooo. Até aí nenhuma novidade em termos de prisões.Mas, diferente de qualquer presídio no mundo, este lugar é uma comunidade auto-organizada, com suas próprias leis e autoridades. E sem guardas. Os poucos guardas que trabalham no local ficam do lado de fora.

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Em San Pedro, uma espécie de cidade prisão se criou, onde os prisioneiros são livres para viver com suas famílias (sim! as mulheres e filhos dos presos moram lá também)e comprar o que quiserem. A Polícia não interfere nos assuntos dos presos, que resolvem seus problemas com a ajuda de representantes eleitos democraticamente.

A cadeia é dividida em alas, da mais popular à mais luxuosa. Nestas, os presos vivem em células confortáveis, com TV à cabo e até mesmo jacuzzi. Mas custa U$ 1.500 dólares por toda a sentença.

Independentemente do tipo de cela, os presos tem que pagar por elas, seja aluguel ou aquisição da “propriedade”. Para isso, trabalham dentro da prisão. Os presos roubam uns dos outros e lutam com facas. Registram-se várias mortes por mês. Fora o fator das drogas, que são produzidas lá dentro e traficadas como uma das mais puras da Bolívia.

No passado, se realizavam tours dentro da prisão, proibidos desde 2011, mas disse nosso guia que ainda existem, de forma clandestina. É ilegal e perigoso. Turistas já foram sequestrados, roubados e violentados no decorrer desses tours.

O livro Marching Powder, do australiano Rusty Yong, relata detalhes da vida dentro da prisão, repassadas pelo apenado Thomas Mc Fadden. Fiquei muito interessada na leitura (parece que não há versão em português).

Na sequência fizemos uma visita à Plaza Murillo, a principal de La Paz, onde fica a sede do Governo e do Legislativo. Muito bonita a Catedral e os prédios públicos. Muuiiitos pombos na praça. Na ocasião a região da Plaza Murillo estava interditada, toda cercada e guarnecida pela Polícia, que impedia a passagem dos bolivianos, em virtude dos protestos direcionados ao governo de Evo Morales. Mas os turistas, acompanhados de guias cadastrados pelas agências podiam acessar. E assim foi. Sentados na escadaria da praça escutamos detalhes históricos do local por parte do guia.

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Belos prédios clássicos no centro da cidade
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Plaza Murillo

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Depois da pausa do almoço, acompanhei outro grupo, num tour pelos teleféricos da cidade. Achei sensacional o sistema de transporte boliviano em La Paz, os teleféricos. Hoje existem três longas linhas, estando em construção a quarta. Há previsão da construção de muitas outras até 2018. Uma vista área da cidade muito legal. Adorei esse passeio.

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04/06

Dormi muito mal, no máximo umas três horas. Falta de ar, perdi o sono. Parte pela altitude de La Paz e parte pela ansiedade em realizar o Downhill La Cumbre à Coroico, pela “Estrada da Morte, a estrada mais perigosa do mundo”. Acertei esse tour no dia anterior com a agência Barracuda e o combinado era encontrar o grupo com o guia às 7hs30min da manhã, no restaurante Little Italy próximo ao hostal.

Tive excelentes referências sobre o trabalho dessa agência, especializada nesse tipo de tour. Realmente, depois constatei que faz muita diferença, por questões de segurança, o apoio e o conhecimento dos guias, o trabalho do fotógrafo, para garantir bons cliques da aventura, a van de apoio, as roupas adequadas e,principalmente, o estado das bikes.

Encontrei o grupo no restaurante. Éramos sete, uma garotada. De mulheres, além de mim, mais duas meninas. Os guias eram Gustavo “Gus” e Juan Carlos. Antes de iniciar o trajeto, ainda na van, e durante as várias paradas, o Gus foi dando detalhes sobre como proceder e questões de segurança. Adrenalina à milhão. Eu evitava pensar sobre o que efetivamente viria. Pra não amarelar.

Saímos de La Paz numa van. As bikes vão encima. Paramos em La Cumbre, num ponto de encontro das agências que fazem esse passeio. Galera à milhão. Preparativos: colocar as roupas, capacete e luva. Checar as bikes. Ouvir as instruções do Gus, fotos, e deu… Começamos a descer pelo asfalto. Um guia vai na frente. O outro vai atrás do grupo, além da van. Os guias se comunicam via rádio.  Só descida, curvas, e um visual arrasador das montanhas de pedra. Eu espiava pelo rabo do olho, de medo de perder o foco, de me distrair. Mas era lindo. Céu azul, sol e frio. Show de bola!

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Assim seguiram 33 Km, por asfalto, com várias paradas para fotografias e para ouvir instruções do Gus. Até que paramos num ponto, onde tem uma placa, e onde, efetivamente inicia a Estrada da Morte. Na verdade, é a antiga estrada que ligava Coroico à  La Paz, e hoje é utilizada pelo turismo de aventura.

Aí o bicho pega mesmo, porque a estrada é encascalhada, muitas pedras soltas, buracos e curvas fechadas. No início a estrada até que é larga, mas em alguns pontos estreita muito, tipo uns 3 metros. De um lado o paredão de pedras, do outro o precipício. Sem guard rail. Nada. Despencando dali é morte certa. Alguns pontos com cerca de 600 metros. Lá embaixo árvores.

Houveram várias paradas para fotografias, lanche, para descansar, e ouvir mais instruções de segurança com o Gus.

Já no final do passeio encaramos uma subida, em estrada empoeirada, até que chegamos em Coiroco, onde fomos almoçar num restaurante, por volta das 14hs. Muito suor misturado com o pó da estrada.Eu exausta, mortinha, mas feliz por ter conseguido fazer todo o trajeto, sem cair nem um tombo, e olha que nem fui a última do grupo. Acelerei nas descidas, fui pegando confiança no negócio.

No restaurante, onde se encontram várias agências, com seus grupos, vi várias pessoas com ralados nas pernas e braços, ataduras, inclusive na cabeça. Fruto de quedas no trajeto. Fiquei orgulhosa de ter chegado inteirinha no final. Inteira em termos, né. Eu estava moída de exaustão, um tanto pelo esforço físico e um tanto pela adrenalina liberada. Tanto que dormi sentada numa cadeira enquanto preparavam o almoço. No trajeto de volta para La Paz, na van, também fui cochilando.

À noite, desmaiei na cama do hotel. Dormi feito pedra. Acordei no dia seguinte com o corpo todo dolorido. Mas, valeu!

05/06

Neste dia aderi a um tour até a montanha Chacaltaya, na parte da manhã, e visita ao Valle de La Luna, na parte da tarde.

Foi um dia mais light, pois saímos por volta das 8hs30min de La Paz e retornamos mais cedo para a cidade. Por volta das 16hs. Então na volta deu tempo de dar uma relaxada, caminhar, fazer umas comprinhas nas “tiendas” de artesanato. Foi legal, porque eu vinha num ritmo diário bem puxado, e andava cansada.

Chacaltaya é uma montanha com 5.395m de altitude, a cerca de 2 horas de La Paz. Fomos de van , por uma estrada íngreme, com muitas curvas, buracos, pedras  e poeira, até uma antiga base de esqui. Para chegar ao cume, são mais 130m de caminhada, numa trilha pedregosa e muito íngreme. O forte vento, os efeitos da altitude, dificultaram o trajeto, mas consegui chegar lá.

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Antiga base de esqui. Até aqui sacolejando na van. Depois uma trilha íngreme, até o topo.

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Estava um dia claro e a vista panorâmica de cima da montanha é de tirar o fôlego – o pouco que restou, estando num lugar com ar tão rarefeito.

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Enxerguei de perto o gigante Huayna Potosi, com seus 6.000m. Do outro lado, La Paz, outras montanhas, além de várias lagoas formadas pelo degelo.

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Fizemos o trajeto de retorno à La Paz por outra estrada. Fui apreciando tudo pela janela. Chegando em La Paz, nos dirigimos para a parte sul da cidade, até o Valle de la Luna.

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Trata-se de uma pequena e curiosa região desértica, onde a erosão esculpiu uma paisagem presumidamente semelhante à da lua. Uma hora foi suficiente para percorrer o local.

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Valle de La Luna

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06/06

Acordei bem cedinho, e por volta das 6hs da manhã fui fazer umas compras no mercado de rua. Tive que comprar uma bolsa de viagem para ajeitar as comprinhas, roupas, agasalhos para a família.

Fiz um desayuno às pressas, guardei minha bagagem no depósito do hostal, coloquei poucas peças de roupa na pequena mochila de mão, que levaria para Copacabana e fiz o checkout. Logo a guia veio me chamar para o tour.

Na van, no caminho para o sítio de Tiwanaku, conheci um casal de brasileiros, gaúchos como eu, muito queridos. Fomos conversando sobre viagens, que nem vi passar a viagem de cerca de 72km.

A guia Lígia iniciou o tour explicando sobre a cultura Tiwanaku, que ocupou o altiplano andino por mais de 3 mil anos, e suas construções são o maior exemplo arquitetônico da América pré-incaica.

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Fiquei um tanto decepcionada com o sítio. Achei meio pobrezinho. Mas Lígia explicou que as ruínas ainda estão parcialmente cobertas por terra. Ainda há muito trabalho para os arqueólogos lá.

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Fizemos uma pausa para o almoço. Sopa de quinua (adoro) e trutcha a la plancha e legumes. Muito gostoso!

Depois visitamos o museu relacionado ao sítio, que ilustra, com as peças expostas, o quão evoluída foi essa cultura. Para finalizar o tour, uma visita a outro museu local, com exposição de grandes peças, esculturas enormes de pedra.

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No retorno para La Paz, solicitei à guia que me deixasse no terminal rodoviário de El Alto, para apanhar o ônibus para Copacabana. Andei uns 3 quarteirões e logo encontrei o terminal. Me certifiquei no guichê que um ônibus sairia para Copa dali a 15 minutos. Fiquei animada. Comprei o ticket e esperei. E esperei. O ônibus somente saiu do Terminal uma hora depois do horário previsto, depois de muita reclamação por parte dos passageiros em virtude do atraso.

A estrada estava em obras. Muitos desvios, paradas, poeira e buracos. Ao entardecer já tive uns rasgos de visões do Lago Titicaca. Aquele tom de azul sensacional! Seguimos pelas montanhas, curvas, até que chegamos numa pequena cidade, às margens do lago, já ao anoitecer.

Ali o ônibus parou, todos os passageiros tiveram que descer. O ônibus fez a travessia de um “braço” do Lago Titicaca por uma balsa. Os passageiros, após pagamento de 2 bolivianos, seguem em pequenos barcos.

Achei a situação surreal: Anoitecia. Ainda restavam algumas luzes do sunset, refletidas no horizonte do lago. O barco fez a travessia em cerca de 15 minutos. O único barulho que quebrava o silêncio era o do motor. Preferi enfrentar o ventinho frio e ir na parte externa do barco, sentada ao lado do barqueiro, respirando a fumaça do diesel do motor. Minha mão alcançava a água. A paisagem era algo: as luzes dos “pueblos” às margens do lago, as estrelas e a lua minguante esboçando um sorriso desenhado no céu. Era daqueles momentos que você pensa: estou no lugar certo, fazendo a coisa certa.

Feita a travessia novamente subimos todos no ônibus e seguimos por mais uma hora até Copacabana. Eu senti muito frio nessa viagem. Resfriei. Entrava vento pelas janelas. Me sentia gelada. Passageiros desciam ao longo do trajeto e sumiam na escuridão da noite.

Chegando na cidade, o ônibus estacionou na praça central, onde ocorria uma comemoração. Homens bebiam cerveja, cantavam e dançavam, imunes ao frio. Sem a participação de mulheres. Parecia que haviam ganho algum campeonato, algo assim. Vi a Catedral de la Virgen de la Candelaria iluminada, muito imponente. Mas naquela hora eu só queria me instalar no hostel e me abrigar do frio.

Era em torno de 20hs. Primeiro tratei de jantar algo, estava com fome. Comi um “pollo com papas fritas e arroz” por 15 bolivianos. Ali mesmo me informei sobre a localização do hostal e logo o encontrei. A cidade é pequena. Na recepção do Olas del Titicaca renegociei meu quarto. Me ofereceram um por 80 bolivianos, mas sem janelas.Pensei: é noite, amanhã cedo me vou, então, ok. E encarei. O quarto era bem ruinzinho. Terminou que tomei um banho “tcheco”, porque havia uma janelinha no banheiro, emperrada, que não fechava, e ali entrava um ventinho gelado. Do chuveiro saia poucos esguichos de água, desencontrados. Sem condições…

Vesti todas as poucas roupas que trouxe na mochila,uma touca na cabeça e me enfiei embaixo das cobertas, ainda cedo. Pior que a internet não funcionava no quarto. Então, aproveitei para colocar em dia meu diário de viagem.

Dormi mal, acordei muitas vezes durante a noite e o tempo não passava. Expectativa pelo tour do dia seguinte, à Isla del Sol.

07/06

Meia hora antes de servirem o desayuno eu já estava no refeitório. Estava muito frio lá, mas pelo menos havia wifi. Atualizei a fan page e dei notícias, via whatsapp.

O desayuno era muito bom, comparado aos padrões já servidos pelos hostals onde estive antes na Bolívia.

A informação era que os barcos para Isla partiam às 8hs30min. Então às 8hs saí pra rua, no friozinho da manhã, mas com um sol gostoso.

Comprei meu ticket para o traslado, apenas de ida, por 25 bolivianos. Fiz fotos no embarcadouro e fiquei, junto com outras pessoas, “lagarteando” e esperando o horário da saída. Embarcamos no horário, surpreendentemente.

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De manhãzinha, no embarcadouro, em Copacabana

No início da viagem fui dentro do barco, para me abrigar do vento frio, mas depois decidi encarar e mudei-me para a parte superior, ao ar livre. Isso porque a fumaça do diesel que saía do motor empestiava o ambiente, tornando impossível respirar.

A viagem de cerca de 2 horas até a parte norte da Isla seguiu tranquila, com lindas paisagens, muitas fotos feitas, eu só curtindo o visual e me aquecendo ao sol. O vento nem incomodou.

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Navegando pelo Lago Titicaca

Primeiro o barco fez uma parada na parte sul da ilha, onde alguns passageiros desceram. Depois dirigiu-se para a parte norte, destino final, onde atracou por volta das 11hs da manhã.

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Pequeno embarcadouro, no lado norte da Isla del Sol

A visão da chegada na Isla é mágica. Realmente, trata-se de um lugar especial. Para os nativos, teria sido nesta ilhota que nasceram Manco Capac e MamaOcllo, os primeiros incas. Diz a lenda que foram enviados pelo Sol, com a missão de estabelecer um império de paz. Assim teriam se deslocado até Cusco, onde fincou seu cetro sagrado e demarcou o centro do mundo, sede do futuro império incaico. O mito fez da Ilha do Sol um local sagrado. Entre lenda e verdade, resta uma certeza: poucas vezes história e geografia se mesclaram com tamanha intensidade em um local de tanta beleza. É fascinante!

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Ao descer do barco dei uma conferida no pequeno porto e então segui o fluxo das pessoas. Primeiro se adquire um ticket, no valor de 15 bolivianos. Na sequência da trilha na Isla eu viria a pagar mais dois “pedágios” no mesmo valor, para as comunidades que vivem na Isla. Tais comunidades são a Yumani, a principal, no topo de um morro ao sul; Challapampa, na costa norte; e Challa, no centro-leste.

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No primeiro posto de “pedágio” há um pequeno museu, onde estão expostas peças arqueológicas encontradas na Isla e no fundo do Lago Titicaca, que remete aos ancestrais do povo que hoje vive na Isla.

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A caminhada inicia por uma praia, de águas em tons de verde mesclados ao azul do lago, e de areia fina branquinha. Muito bonito. Havia jovens acampando na praia e tomando sol.

Chamou minha atenção a visão de uma moça, sentada sobre as pernas dobradas, tocando um tambor, de forma ritmada, de frente para o lago. Parecia um ritual, uma oferenda. Achei bacana e a fotografei. Realmente, havia muitos motivos para reverenciar aquele lugar de natureza linda e uma energia incrível.

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Logo iniciou-se a trilha propriamente dita. Tal trilha existe a cerca de cinco séculos, calçada com pedras originais e mantida em bom estado até hoje. É um dos milhares de caminhos que os incas, exímios comerciantes, traçaram por quase toda a América do Sul.

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Ela seguia montanha acima, e alternou subidas e descidas, por 10 km. À princípio haviam árvores, mas depois seguiu sob o sol inclemente, sem sombra alguma e um ventinho frio nas partes mais altas do trajeto. O resultado da caminhada de mais de 4 horas sob este sol foi um vermelhidão terrível no rosto, pois a esperta aqui esqueceu de levar o protetor solar para a Isla. Então tomei uma queimada que me serviu de lembrança da Isla até muito tempo depois.

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Cerca de 45 minutos depois chega-se a um sítio arqueológico, o Complejo Chinkana, um pequeno palácio inca, com os diferentes recintos ligados por conexões similares a um labirinto. Ao lado há a Rocha Sagrada, chamada pelos incas de Titi Khar’Ka, que significa “a Pedra do Puma”, com um altar em frente, usado para sacrifícios humanos e de animais. No momento de minha visita, porcos circulavam livremente pelo local, sem receio de serem sacrificados.

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Lamentei não ter contratado um guia local para explicar-me melhor sobre o significado e a história ligada àquele lugar. Dei uma circulada, fiz fotos, e iniciei o trajeto para a parte sul da ilha. Algumas coisas se sabe mas se persiste no erro. Aff…

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Quando eu estava na parte final da trilha, depois de muitas paradas para descansar, comer lanches e beber água, fazer centenas de fotografias, me dei conta que eu ainda teria tempo de pegar o último barco de volta para Copacabana, se quisesse, que partia às 16hs, na parte Sul.

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Decidi rapidamente e apressei o passo. A parte final, que era uma descida de muitos degraus, até o porto, fiz quase correndo, com receio de perder o barco. Na hora achei que foi uma boa decisão não pernoitar na ilha e estar em Copacabana logo cedo, mas hoje já não sei. Talvez eu devesse ter me demorado mais lá. Talvez na próxima estada na Isla, um dia.

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Quando sentei dentro do barco, me joguei praticamente, desabei mesmo. Sentia meu rosto arder, muita dor na sola dos pés, uma dor nas costas. Imaginei meu estado. Melhor nem ver. Tomei um remédio, ibuprofeno, que trazia na mochila e fechei os olhos. Fiz todo o trajeto até Copacabana meio cochilando, em estado febril.

Desci do barco e o corpo todo doía. Queria tomar um café. Optei por um restaurante/cafeteria situado em frente ao lago, com uma visão linda do embarcadouro à partir de um terraço. Me instalei, solicitei um capuccino e fiquei esperando o pôr do sol.

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Quando o sunset chegou decidi descer até o embarcadouro para fazer melhores fotos. E estava realmente sensacional. Lá conheci o brasileiro Iuri, que também fazia fotos. Emendamos um papo, que seguiu para um jantar depois, e acertamos o mesmo hostal para pernoitar. Na manhã seguinte Iuri seguiu para a Isla del Sol e eu faria mais umas andanças por Copacabana antes de retornar para La Paz.

No jantar, descobrimos um pequeno” comedouro”, chamar de restaurante não dá, onde umas senhoras preparavam refeições à base de peixes. Comi uma ótima truta com diferentes tipos de batatas por apenas 20 bolivianos. Muito bom e muito barato.

08/06

De manhã cedinho me despedi do Iuri e saí para explorar Copacabana. Primeiro a subida ao Cerro Calvário. O nome absolutamente apropriado. Não só porque apresenta a temática, com cruzes que marcam as 14 estações da Via Crucis, mas também porque é beeem puxada a subida até o topo. O trajeto é feito de pedras, degraus e escadarias. Muito íngreme e, com a altitude, me cansei muito. Subi bufando, com várias paradas para tomar ar e descansar. Os joelhos chiaram. O desgaste, porém, foi plenamente recompensado, quando, lá de cima, tive diante dos meus olhos uma das mais belas paisagens da Bolívia, com os morros ao redor e a visão panorâmica da cidade e do Lago Titicaca.

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Vista de Copacabana, à partir do Cerro Calvário

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Lamentei não ter curtido o pôr do sol lá do alto, no dia anterior. Se bem que acho que não teria condições físicas de fazer a trilha da subida ao Cerro Calvário depois de ter feito a trilha na Isla del Sol. Seria muita coisa para somente um dia.

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A imensidão azul do Lago Titicaca, vista do Cerro Calvário

Fiquei um tempo lá. Eu era a única pessoa naquele lugar incrível, no início da manhã. Me senti muito privilegiada e fiz meus agradecimentos pela oportunidade de vivenciar aquilo tudo. Descansei, fiz muitas fotos e depois iniciei o caminho de retorno, agora, ladeira abaixo. Aí os joelhos e a ponta dos dedos doíam, reclamavam. No meio do caminho encontrei o casal de brasileiros  Marcelo e Meire, que subiam. Paramos para conversar um pouco e eles me deram a dica sobre o ônibus para retornar para Copacabana, que sairia às 13hs30min e seria direto, sem paradas.Gostei da dica e fui até a agência indicada por eles e garanti minha passagem.

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Catedral de la Virgen de la Candelaria

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Como eu teria algumas horas ainda, fui conhecer a Catedral de la Virgen de la Candelaria. O complexo é exuberante. Até destoa da simplicidade da cidade, da praça central em frente dela. É um dos maiores templos religiosos da Bolívia e o cartão-postal que marca a imagem de Copacabana. Internamente, tem naves repletas de arte barroca. A construção transcorreu no século 17. A catedral é ponto de confluência de peregrinos em busca das graças a receber por promessas feitas à Virgem. Há muitas barracas vendendo artigos religiosos na porta de entrada da Catedral, e eu garanti também a minha lembrancinha.

Depois da visita à Catedral ainda emendei uma trilha até o Winti Watana ou Horca del Inca. Para acessar esse local, fiz uma caminhada pelas ruas da cidade e depois,mais uma escalada por uma trilha e degraus muito mal demarcado, montanha acima, claro.

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Winti Watana, depois de uma difícil trilha/escalada

Tempo depois, creio que encontrei o local. Creio, porque não há uma única placa sinalizando o local. Trata-se de uma formação rochosa de dois pilares moldados pela erosão e ligados por dois blocos horizontais. O conjunto era provavelmente um observatório astronômico pré-incaico. Ao chegarem no local, os conquistadores espanhóis pensaram se tratar de um centro de sacrifícios incaicos, por isso o chamaram Horca del Inca (Forca do inca).

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Na hora de retornar do local, quase me perdi. Não achava o caminho de volta, pois a trilha praticamente não tem demarcação. Antes de entrar em pânico, encontrei o caminho. Ufa! Só o que me faltava era me perder naquele fim de mundo e perder o ônibus para Copacabana. Mas ok, consegui retornar á tempo para a cidade. Ainda almocei, tomei um café, antes de embarcar no ônibus.

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Movimentação de locais em Copacabana

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O engraçado é que o ônibus partiu 10 minutos antes do horário. Ou seja, contrariando os prognósticos do sistema de transportes rodoviários bolivianos. Ainda bem que eu cheguei mais cedo no ponto de partida do ônibus.

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Dentro do ônibus reencontrei o Marcelo e a Meire e emendamos um papo sobre viagens e tal. Adorei as histórias sobre as andanças deles pelo mundo. Inspirador!

Acabamos jantando juntos em La Paz. Pizza no Mozzarella, claro. Só não me delonguei mais no papo porque estava morta de cansada, com sono, e tinha que acordar bem cedo para pegar o vôo para Lima na manhã seguinte.

Mas fiquei encantada pelas histórias do casal, o estilo de viagem, os valores deles. Sensacional! Me passaram contatos, que, eu, infelizmente, perdi. Mas tenho esperança de, alguma forma, os reencontrar e poder compartilhar com eles nossas experiências de viagem.

09/06

Acordei às 5hs15min com o despertador. Eu já havia feito o checkout na noite anterior, acertado o táxi, arrumado minhas coisas. Enfim, minha saída do hostal foi rápida e tranquila. Logo já estava a caminho do aeroporto.

Cheguei em Lima por volta das 9hs. Ganhei uma hora por conta do fuso horário local. Já tratei de trocar meu dinheiro por soles, a moeda local, e saí para negociar um táxi, que me levasse até o centro histórico de Lima.

Concluída a negociação, embarquei num táxi, que demorou cerca de uma hora para fazer o trajeto. O motorista me lembrou que naquele horário o trânsito estava bom, fluindo. Como já conheço o trânsito caótico de Lima, acreditei nele.

O táxi me deixou na Plaza San Martin, que eu já conhecia. Permaneci pouco tempo no local, apreciando os imponentes prédios históricos ao redor e a estátua de bronze do Libertador Don Jose de San Martin em seu cavalo.

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Depois segui pelo calçadão Jirón de la Unión, em direção à Plaza Mayor. Uma rápida parada na Igreja de La Merced.

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Na Plaza Mayor sentei num banco para apreciar o lugar, os belos edifícios coloniais, com suas sacadas, que a roeiam, e a movimentação dos limenhos e dos turistas. Não entrei na Catedral porque já a conhecia, fiz um tour nela durante a visita do ano passado,  e também porque durante a semana funciona como um museu, necessitando-se adquirir um ticket  para acessá-la.

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Plaza Mayor

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Optei então por conhecer o museu ao lado dela. O Museu Palacio Arzobispal de Lima. Achei muito legal a visita guiada, que mostrou a arte sacra da época colonial, bem como móveis e a ambientação de como viviam as autoridades eclesiásticas naquele período.

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Dali segui caminhando em direção à Iglesia y Convento de San Francisco. Antes, uma parada no Museo do Chocolate. Já me inspirei para comer a sobremesa ali.

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Quanto à San Francisco, só caminhei no pátio e fiz algumas fotos, pois já o conhecia, inclusive com um tour até suas catacumbas, as claustrofóbicas galerias, com ossos e caveiras de milhares de corpos. Sinistro!

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O Convento de São Francisco é um dos melhores exemplos da arquitetura do período em que Lima foi sede do vice-reinado espanhol, entre os séculos 16 e 19, e talvez seja o prédio que mais mereça uma visita na cidade.

Recebi uma dica de almoçar no tradicional Bar e Restaurant Cordano, no coração da cidade. A comida é simples, mas muito gostosa. Optei por uma pasta com carne, que veio num prato generoso. Mas, para minha surpresa, dei conta, raspei o prato. Acompanhou bem uma Cusqueña gelada.

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De barriga cheia, dei mais uma circulada pela área central. Mas antes tive que retornar ao Museo do Chocolate para comer o Suspiro a Limeña que me fez, literalmente, suspirar. Delícia!

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Depois tomei um táxi para ir até Miraflores, pois queria conhecer o sítio arqueológico Huaca Pucllana. Interessante encontrar um sítio arqueológico em meio à área urbana. Neste sítio, acredita-se, funcionava o centro cerimonial da cultura lima – povo que viveu na costa central do Peru entre 200-700 d.C.

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Todos os prédios foram construídos de “adobito”, um tijolo feito de barro, de adobe. Ainda encontra-se em fase de escavação. A visita guiada ajudou a entender a formação daquele lugar e detalhes que passariam desapercebidos se não fosse as explicações da guia.

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Encerrado o tour, por cerca de uma hora, tomei um táxi para rever a linda e romântica Plaza del Amor. E como ninguém é de ferro, encerrei meu tour em Lima no shopping Larcomar, pertinho da Plaza. Aproveitei pra comer um fast food, que eu já estava com saudades, do Burger King. Dei umas voltas, olhando as vitrines das lojas. Me ensaiei para as compras, mas não concretizei. Acho que eu estava saciada de tanta coisa vista e vivenciada nesta trip, que meu ímpeto consumista estava próximo do zero.

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Próximo às 20hs embarquei num táxi e aí sim, o trânsito estava com a cara de Lima: infernal. O taxista fez vários desvios, foi costurando, tomando atalhos para fugir um pouco dos engarrafamentos, mas só cheguei no aeroporto às 21hs30min. Só deu tempo de passar pelo controle de migração e tal, e pegar meu vôo.

No avião, aí sim, desmaiei. Morta de cansada. Não vi passar o tempo. Quando dei por conta, estavam anunciando no microfone a chegada em Porto Alegre, às 5hs da manhã.

Peguei minha mochila e no saguão, senti a temperatura do meu Rio Grande. Abaixo de zero, um vento gelado entrava pelas portas, quando abertas. Retornei para a terrinha num frio de “renguear cusco”.

Fui para a rodoviária e ainda enfrentei mais 5 horas de buzão até chegar, finalmente, em casa. Quem mandou morar longe de um aeroporto?!

Hora de matar a saudade das filhas, da família e dos amigos. Me preparar para retornar ao trabalho, à rotina da cidade, escola das crianças e tal.

Mas que dá um gás, que me deixa feliz, que me faz sorrir ao lembrar de lugares, de situações vivenciadas, de aventuras, ah, isso dá!

E confesso:mentalmente, intimamente, eu já estou planejando a próxima trip. E vai ser neste estilo mochilão, meio solto, aberto a mudanças. Adorei assim! Agora, eu sou essa viajante. Mudanças que as viagens fazem na gente…

Para conferir outros posts sobre essa trip:

Mochilão Sul Americano 2016

Bolívia: Villázon à Sucre

Salta e Norte ArgentinoSalta e Norte Argentino

 

Créditos da edição das fotografias: Elisa Mendes Fotografia

Fan Pagehttps://www.facebook.com/Elisa-Mendes-Fotografia-1400340960231906/

Site de imagens focado em natureza e paisagens = http://elisamendesfotografia.tumblr.com/

 

3 comentários em “La Paz e Lima

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