Américas

Salta e Norte Argentino

26/05

A viagem Santo Tomé/Buenos Aires transcorreu tranquilamente até na entrada da Capital Argentina, quando então o trânsito pesou e atrasou em uma hora a chegada no Terminal do Retiro (previsão inicial de chegada às 8hs, mas cheguei no Terminal do Retiro às 9hs). Resultado: perdi o meu vôo das 10hs da manhã para Salta com saída no Aeroparque, em BA. Eu sou expert em fazer conexões apertadas, sempre “na emoção”. Às vezes me dou bem, e às vezes mal. Levei na boa, afinal, a viagem estava apenas começando e havia um outro vôo saindo ao meio-dia. Uma pena que aí se foram alguns pesos argentinos (700 pesos, mais ou menos 180 reais), pagos pela taxa de remarcação da passagem, mas ok.

Fiquei fazendo hora no aeroporto até a saída do vôo, conectada à wifi de uma cafeteria. Ainda bem que o tempo passou rápido. O vôo até Salta durou cerca de 1h30min, tendo rolado até uma cochilada, porque a noite anterior foi difícil.

No pequeno Aeroporto Internacional Martín Miguel de Guemes, de Salta, consegui lugar numa van que faz o transfer até a cidade, à cerca de 10 km, por preço bem menor do que o cobrado pelos táxis. Melhor que a van me deixou em frente ao Coloria Hostel, onde eu havia reservado estadia para dois pernoites.

O Coloria é um hostel muito legal. Estilo tranquilão, sem agitos, uma bonita área comum, com uma lareira e uma parede toda envidraçada, com vista para um jardim com piscina (sem uso no frio do inverno). Cama boa, banheiros limpos, água quente no chuveiro.

Me instalei num quarto que dividi com outras três meninas e, com um mapa da cidade nas mãos, saí rapidinho para aproveitar o restinho da tarde no centro histórico da cidade. Dei umas voltas em torno da Plaza 9 de Julio e entrei no Museu de Arqueologia de Alta Montaña (MAAM), para conferir o acervo, dedicado às culturas que habitaram as montanhas antes da chegada dos espanhóis, com destaque para as múmias de crianças.

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Chamou minha atenção na Plaza o fato de haver várias laranjeiras, carregadas de frutas, plantadas nas calçadas, em torno dela. Indaguei se o pessoal não apanhava as frutas e me responderam que não. Que era um tipo de laranja para doce, não era gostosa de comer in natura. Ah, tá…

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Saindo do Museu, conferi a Catedral Basílica, construção de 1582, e a Iglesia San Francisco, um dos cartões postais de Salta.

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Salta é conhecida como “La Linda”. Sinceramente, não achei a cidade nada demais. No máximo, simpática… Talvez o cansaço, a dor de cabeça, tenham deturpado minha capacidade de análise, sei lá. Mas a cidade não me conquistou.

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No trajeto para o hostel passamos pelo Parque San Marin, com jardins e um laguinho. Vi que dali partia o teleférico, que sobe o Cerro San Bernardo. Eu tinha planos de subir o Cerro pelo teleférico, mas não consegui concretizar, não houve tempo.

Eu estava muito cansada neste primeiro dia de viagem.Retornei para o hostel me arrastando. Fiz um chimarrão, tomei alguns, e me banhei. Chuviscava lá fora. Mesmo assim, saí para comer algo e dormi cedo. Antes, acertei na recepção do hostel um tour para o dia seguinte, até o povoado de Cachi (lê-se Catchi), situado a 157 km de Salta.

27/05

Dormi feito uma pedra, de exaustão. Acordei com o despertador do celular, às 6hs. Deu tempo de tomar o desayuno e esperar a van do tour passar para me pegar. Até Cachi foram cerca de 4hs. Parte do trajeto por área montanhosa, com chuvisqueiro, neblina e frio. Paradas para fotos durante o trecho. O dia não estava muito bonito, mas fiz boas fotos no Parque Nacional Los Cardones (cáctus), com muitas destas plantas, de vários tamanhos e idades aproximadas, segundo as informações da guia.

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Neste Parque conheci uma figura, que viajava de carro pela argentina, com seus “perros” (cachorros), divulgando a adoção responsável. Achei bem legal a iniciativa dele e quis registrar.

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O pueblo de Cachi integra a paisagem dos Valles Calchaquies, com vários vilarejos indígenas, construções antigas, igrejinhas brancas, montanhas de sedimentos coloridos. Destaque para a única praça de Cachi, a 9 de Julio, onde há uma igreja, a simpática Iglesia San José, construída em 1796, ou seja, a mais de dois séculos. E os “tapetes” compostos de pimentões vermelhos, postos para secar ao sol, produção típica do lugar.

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Os pimentões de Cachi

Caminhei pelas ruas da cidadezinha de aproximadamente 8 mil habitantes na companhia da brasileira Elisa, uma capixaba de Vitória/ES. Companhia super agradável, viajada. É claro que o assunto foi “viagens” ao redor do mundo. Aquelas já realizadas e as desejadas, nossos planos de viagens e tal.

Checamos opções de restaurantes e decidimos pelo Viracocha Restaurant,  onde almoçamos muito bem, num ambiente bacana. Antes exploramos uma “venda”, o “El Viejo Almacen”, um comércio das antigas, que existe ao lado do restaurante. Estilo vintage, bem legal.

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Cheguei do tour, em Salta, por volta das 19hs. Cansada. Tomei um banho e fui atrás das famosas “empanadas salteñas”, no tradicional restaurante La Criolitta. Muito gostosas e baratas. Assadas na hora. Humm…

Aqui já fiz uma mudança nos meus planos iniciais de viagem.Como o Tren a las Nubes estava com o passeio suspenso, já a vários meses, decidi seguir direto para Purmamarca, Tilcara e por fim, Humahuaca, onde tinha planos de pernoitar, para na manhã seguinte seguir para a fronteira com a Bolívia. Para isso novamente contratei um tour na recepção do hostel. O tour retornaria para Salta, mas eu tinha a opção de ficar em Humahuaca.

Com esses pensamentos na cabeça, com as definições para o dia seguinte, adormeci.

28/05

A van novamente passou cedinho, por volta das 7hs30min, para me pegar no Hostel Coloria. Já segui com minha mochila cargueira, pois não retornaria para Salta, seguiria adiante, rumo à Bolívia.

O caminho para Purmamarca, passando por San Salvador de Jujuy, inicialmente foi com chuvisqueiro e tempo fechado. Mas à medida que ganhávamos altitude, cruzando a linda Quebrada de Humahuaca,  o tempo foi abrindo.

Chegamos em Purmamarca com céu azul, praticamente sem nuvens, sol, friozinho de inverno. A cidadezinha é uma graça. Um pequeno vilarejo perdido no tempo, com menos de mil habitantes. Uma paisagem típica das pequenas cidades da região: uma bucólica e pequena praça central, uma igrejinha branca centenária, comércio de artesanato ao redor dela, ruazinhas empoeiradas, uma gracinha. Adorei Purmamarca. Lamentei não ter me organizado para ficar ali, pelo menos um dia. Eu teria adorado. Achei o tour apressado. Eu sei que são assim, na maioria, não era de estranhar.

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Pelo menos deu tempo de apreciar o Cierro de Siete Colores. Linda, uma fantástica montanha de faixas coloridas, contrastando com o azul do céu. Fiz lindas fotos naquela manhã. Queria ter tido tempo para fazer o circuito ao redor do Cierro, o Paseo de los Colorados, que possui cerca de 3 km, mas não deu. O tour determinou somente 45min no vilarejo. Bem feito pra mim. Pra ver se aprendo a me desvencilhar dessas armadilhas de tours nas próximas trips.

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Os sedimentos coloridos do Cierro de Siete Colores contrastando com o azul do céu

Em Purmamarca comi tortilla al Rescoldo, assadas na hora,  recheadas com jamon e queso. Comida de rua. Delícia local.

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De Purmamarca seguimos para a pequena cidade de Tilcara, no coração da Quebrada de Humahuaca. Na pequena cidade, com pouco mais de 12 mil habitantes, visitamos o Pucará de Tilcara, uma fortaleza no alto de uma montanha, a 1 km do centro da cidade. Incluiu também uma visita ao Museo Arqueológico e ao Jardín Botânico de Altura, com diversas espécies de plantas da região. Visual da Quebrada e do vale, do alto da fortaleza, muito legal.

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A vista da Quebrada de Humahuaca
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Pucará de Tilcara

A próxima parada foi em Humahuaca, onde almoçamos num hotel turístico, já agendado pela agência. Comida ruim. Quase não deu pra comer. O engraçado é que esqueci de pagar a refeição. Acho que foi psicológico. Fui no toalete e quando saí a turma do tour já estava saindo do restaurante. Corri para alcançá-los. Já na rua me dei conta que não paguei a conta. Como não comi praticamente nada, porque a comida era muito ruim, achei razoável a decisão de não retornar para pagar a conta de uma refeição que não usufrui.

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A guia do tour me passou uma notícia que me deixou boquiaberta. Desde que iniciei a trip eu não tinha assistido televisão, noticiários, lido jornais, e estava completamente alienada das notícias. A guia disse que a fronteira com a Bolívia esteve fechada por 8 dias e abriu no dia anterior. Olha só! Como eu reagiria se encontrasse a fronteira fechada? Estar tão próxima da Bolívia e não poder ingressar? Mas a “chica con suerte” teria a fronteira aberta para si. Ufa!

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O tour por Humahuaca seguiu a pé pelas ruas da cidadezinha, com o guia mirim local, criança de uns 11 anos de idade, muito querido. Achei o lugar bem típico, original do norte argentino. Passeei pelas ruelas de paralelepípedos, decidindo o que fazer. Pernoitar no local e seguir para a fronteira em La Quiaca no dia seguinte ou seguir no mesmo dia.

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Igrejinha de Humahuaca

Fui até o Terminal Rodoviário e descobri que haveria um ônibus para La Quiaca no final daquela tarde. Ou seja, estaria adiantando a viagem se decidisse seguir e já pernoitar na fronteira. Esta foi minha decisão. Comprei minha passagem. Retirei minha mochila cargueira da van e fiquei fazendo hora no terminal rodoviário e numa pracinha existente na frente. Comprei bergamotas (só para gaúchos, tangerinas para os demais) e comi até chegar a hora do buzão.

Me instalei no ônibus, que era razoável, e segui para La Quiaca, sem ter agendado hostel para passar a noite. Eu tinha a referência repassada pelo cearense Genário, conhecedor da região, sobre o Hostel Copacabana. Já era 21hs quando o ônibus encostou no terminal de La Quiaca, local abarrotado de locais com forte ascendência indígena.

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Trajeto entre Humahuaca e La Quiaca

Contratei um táxi para me levar até o hostel. Achei estranho que havia uma mulher sentada ao lado do motorista e que nos acompanhou até o destino, mas não fiz comentários.

Havia quartos disponíveis  no hostel, o preço era bom, até porque o quarto era privado, embora o banheiro fosse compartilhado. Não foi fácil atravessar o pátio depois do banho, com o frio próximo à zero grau.Solicitei informações sobre um local para jantar e sobre a localização da aduana, por onde ingressaria na Bolívia na manhã seguinte. Para minha alegria soube pelo Marcelo, proprietário do hostel, que eu poderia viajar diretamente à Potosi, sem necessidade de ir até Uyuni, encurtando minha viagem.

Uyuni é a cidade-base para os passeios que seguem para o Salar de Uyuni. Mas como eu tinha feito esse passeio no mês de Dezembro de 2015, não teria motivos para ir até lá novamente. Veja aqui o post sobre o Chile, Deserto do Atacama e Salar de Uyuni .

Estava achando minha mochila muito pesada e com muitos itens desnecessários. Pensava muito na Cheryl Strayed, autora e protagonista do livro/filme Livre. Assim como Cheryl, que partiu para um trekking nas montanhas carregando uma pesada mochila, a qual apelidou de “Monstra”, com muitos itens desnecessários, e os foi abandonando ao longo da caminhada, fazendo doações, eu também cogitava aliviar o peso da minha “monstra”. Já concluí que não precisava ter trazido duas botinas (uma delas parecia ser suficiente, mas dias depois, durante a trip, reavaliei), algumas peças de roupa, e um livro para leitura, além  de uma necessaire com vários tipos de remedinhos e outra com itens para make up. Absolutamente dispensáveis. Tantas viagens realizadas e parece que ainda não aprendi a organizar minha mochila para uma trip como essa. Cogitei enviar os supérfluos para casa, via Correio, mas era sábado, e não estava funcionando. E também não sabia da real eficiência e dos custos do serviço. Também cogitei comprar uma mala maior, com rodinhas, que parecia mais fácil de arrastar entre os destinos da viagem. Fiquei no aguardo de uma “luz”, de um “insight” a definir o que fazer com os excessos.

Interessante que no final da viagem, alguns itens, inicialmente catalogados como “supérfluos, dispensáveis, excessos” se mostraram necessários. Foram úteis na viagem. Freud explica…

Para conferir outros posts sobre essa trip:

Mochilão Sul-Americano 2016

La Paz e Lima

Bolívia: De Villazón a Sucre

Créditos para a edição das fotografias deste post: Elisa Mendes Fotografias

Fan Pagehttps://www.facebook.com/Elisa-Mendes-Fotografia-1400340960231906/

Site de imagens focado em natureza e paisagens = http://elisamendesfotografia.tumblr.com/
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