Américas

Mendoza – Argentina “Pelos caminhos do vinho”

Fiz essa viagem para Mendoza em Junho de 2014, no feriado de Corpus Christi, naquele esquema de aproveitar os feriados para dar uma escapadinha da cidade, respirar novos ares, numa providencial injeção de ânimo, para seguir em frente na rotina do ano.

Fui na companhia das queridas amigas Adri e Elisa, sendo que a primeira me fez o convite, que prontamente aceitei. A viagem teve passagens um tanto cômicas, porque fomos com um ônibus de excursão, com um grupo da chamada “Terceira Idade”. Pessoas que até então não conhecíamos,  todos residentes em outros municípios. Fomos encontrá-los na vizinha cidade de Santo Ângelo, onde nos aguardavam já instalados em seus assentos no buzão.

Seguimos até São Borja e depois dos trâmites alfandegários ingressamos na Argentina. A distância que separa Ijuí de Mendoza é de mais de 1.750 quilômetros. O cansaço pela longa viagem foi amenizada por rodas de chimarrão, jogos de cartas e brincadeiras organizadas pelo grupo. Fizemos uma parada para jantar na bela cidade de Córdoba.

Esta viagem para Mendoza foi especial para mim porque foi a primeira que eu fiz depois do divórcio do pai das minhas filhas. Quem já passou por isso sabe o quanto nos sentimos fragilizadas e doloridas nesse momento. A viagem me devolveu a alegria e renovou a energia para encarar essa nova etapa da minha vida.

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Nos instalamos no Hotel Argentino, localizado em frente à  Plaza Independência e as instalações e serviços eram bons, quarto confortável, desayuno ok. Eu achei a cidade linda, fazia um clima agradável, de início de inverno. Tivemos a sorte de curtir a cidade com temperatura amena, dias lindos de sol e céu azul a emoldurar a paisagem da onipresente Cordilheira dos Andes, os plátanos nas ruas, praças e parques da cidade, e os parreirais ao redor da cidade.

Lembro de termos feito um city tour na cidade, que incluiu uma parada no Cerro de La Glória, que é um morro onde há um grande monumento no seu ponto mais alto e que possui uma vista panorâmica de toda a região. Em seguida, passamos pelo grande anfiteatro onde se realiza anualmente a Festa Nacional da Vendimia, e depois pelo lindo, arborizado e agradável Parque General San Martin. Fiquei com muita vontade de descer do ônibus, caminhar tranquilamente pelos gramados, curtir a natureza naquele lugar tão bonito.

Mas as excursões tem isso, né. Já se vai sabendo. Então, fiquei só na vontade, alimentando o desejo de retornar à Mendoza de forma independente, para curtir a cidade, a região, com calma e no meu ritmo.

Mas é claro que eu e as meninas não iríamos nos contentar com o ritmo tranquilão do grupo. Então, logo tratamos de localizar uma agência para agendar passeios pelas “bodegas”, como são conhecidas as vinícolas na Argentina.

Fala-se que Mendoza tem mais de 1.200 bodegas. Nossa!! Então precisaríamos de muuuiito tempo para conhecer todas. Elas ficam espalhadas nas três grandes regiões produtoras da cidade: Maipú, Luján de Cuyo e no Valle de Uco.

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Bom, nos poucos dias que ficamos na cidade nos contentamos em conhecer algumas delas. E assim foi. Nos dois dias seguintes realizamos tours privados pelos arredores de Mendonza, conhecendo várias bodegas, fazendo passeios no interior dos prédios, ouvindo explicações sobre o processo de fabricação dos vinhos, os cuidados com o cultivo e a escolha das uvas e, é claro, o produto final, o vinho. Muita degustação!

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Interior da linda bodega Salentein

Lembro ainda o nome de algumas bodegas visitadas: CarinaE, Atamisque, Salentein, Tapiz, Gimenez Rilli, Giol… Todas muito aprazíveis, com produção de excelentes vinhos. Demonstravam capricho na arquitetura das construções, organização do espaço paisagístico, totalmente integrado com os extensos parreirais.

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Resultado disso é que, depois de tanta degustação de vinhos,  ainda na parte da manhã, comidas deliciosas servidas no almoço, nos restaurantes instalados junto às bodegas, retornávamos para o hotel dormindo durante todo o trajeto. Ainda bem que estávamos com um motorista e não precisávamos nos preocupar com a direção.

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Achei linda a região de Mendoza, com seus parreirais a perder de vista, tudo muito bem cuidado. Ali redescobri minha paixão por vinhos, muito especialmente o Malbec, do qual a Argentina, especialmente a região de Mendoza, é conhecida produtora desta cepa.

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É claro que reservamos tempo e energia para conhecer um pouco da noite de Mendoza, que rendeu histórias engraçadas durante nosso tour pela madrugada, à bordo de um táxi. Todos os “night club” de Mendoza foram repassados! Todos! Risos.

Como agendamos nossos tours pelas bodegas, acabamos nos desvinculando do grupo durante dois dias. Para não parecermos antipáticas, já que os(as) parceiros(as) de viagem só nos viam no café da manhã ou saindo para a noite, aderimos ao passeio com a excursão até a fronteira com o Chile, no Parque Provincial Aconcagua.

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No fundo,contrastando com o céu azul, reina o Monte Aconcágua, dos seus 6.961 m de altitude, é a montanha mais alta fora da Ásia

Foi um bonito passeio. Foi meu primeiro contato com neve em grande volume. E havia muita neve na montanha. Fiquei maravilhada com a paisagem branca na Cordilheira. Brinquei feito criança, me joguei no chão, curti mesmo.

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Pra não perder o ritmo, eu e as meninas compramos uma garrafa de vinho e fomos bebericando durante a viagem e até rolou um brinde em meio à neve.

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Um brinde à amizade e à vida!
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Puente del Inca

Numa noite na cidade fomos jantar no conceituado restaurante do chef Francis Mallman, onde encontramos um casal amigo da meninas. A comida, é claro, estava deliciosa.

No outro dia, foi o momento de encarar a viagem de volta ao Brasil. A viagem foi regada, claro, à vinho, muitos cochilos, e pra mim ainda rolou a leitura de um livro inteiro que a Adri trazia com ela e me emprestou: “Beber, jogar, f@#er”, de autoria do americano Andrew Gottlieb. Sinopse do livro aqui na biblioteca do blog Beber, jogar, f@d#er – Andrew Gottlieb. Este livro é a versão masculina do “Comer, rezar e amar”, de Elizabeth Gilbert, que eu não li ainda e nem sei dizer porquê. Só sei que ri muito da versão do Andrew. Me disseram que que o Comer… é meio chatinho, “aguadinho”, mas prefiro aguardar o momento da leitura e tirar minhas próprias conclusões. Uma hora dessas me animo.

Findou o feriado e cheguei em casa. Cansada da exaustiva viagem de ônibus mas muito feliz por ter conhecido Mendoza e suas lindas paisagens. Ah, é claro, na bagagem voltaram caixas de vinho para alimentar minha paixão pelo Deus Dionísio. Pena que o estoque logo acabou. Mas sempre foi reposto com dedicação.

 

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