Brasil

Mini (Micro…) Cruzeiro até o Rio de Janeiro

Eu não poderia encerrar o ano sem viajar com minha caçula, a Isa. Já contei aqui que este ano me propus a fazer viagens com cada uma das minhas três filhas, e estava decidida a levar o projeto a cabo antes de terminar 2016. Em abril viajei com a Sara, também para o Rio, relatado no post Rio de Janeiro, e em setembro, estive na Capital Paulista, na companhia da Sofia, relatado no post São Paulo/SP – Tour na Capital Paulista. Enfim, chegou a vez do meu pequeno grande amor Isa.

Foi assim que, depois de retornar das Expedições à Chapada das Mesas e ao Jalapão em outubro, fiz esses relatos nos post Expedição à Chapada das Mesas, no Estado do Maranhão e Expedição ao Jalapão, no Estado do Tocantins, tratei de definir a data da viagem com a Isa.

Como eu não poderia gozar mais férias neste ano, e aproveitando a promoção da empresa de cruzeiros marítimos MSC, organizei a viagem com a Isa para um final de semana no Rio de Janeiro, tendo como plus um pernoite no navio de cruzeiro.

Na real, eu acho que o Brasil inteiro morre de inveja dos cariocas, pessoas privilegiadas que acordam e vão dormir com aquelas paisagens, as praias, a luminosidade dos dias, os pores do sol de arrasar, as imagens onipresentes do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar… Eu me desmancho em elogios ao Rio. É claro que sei de suas mazelas, seus problemas sociais, que me entristecem e contrastam com tanta beleza, mas nestas visitas ao Rio eu prefiro exaltá-lo.

Concordo plenamente com Martha Medeiros, quando ela escreveu sobre o Rio no seu último livro Um Lugar na Janela 2, Relatos de Viagem UM LUGAR NA JANELA – VOLUME 2 – Martha Medeiros: “Muita gente ama o Rio de Janeiro, mas não do jeito que um gaúcho ama. O gaúcho tem com o Rio um caso indecoroso e eterno. O Rio é nosso plano B e plano C, é nosso romance clandestino, uma forma de reencarnar sem precisar ter morrido. O Rio é tudo o que não somos (solares, irreverentes, informais), e vá tentar explicar essa atração nascida do contraditório.”

E a gaúcha aqui não tem vergonha alguma de se declarar, de expressar meu amor pelo Rio. Não perco uma oportunidade para enaltecer a cidade para os taxistas, os garçons, aos funcionários  dos hotéis, aos transeuntes, aos próprios cariocas.

Estive no Rio em vários momentos da minha vida. Estive acompanhada de formas diversas: ora com o pai das minhas filhas, ora com minha mãe, ora com minha filha Sara, viagem relatada no post Rio de Janeiro , e percebo que o amor pela cidade se renova a cada visita, e meu estado de espírito, o sorriso no rosto, me indica que o amor só aumenta. Tenho vontade de passar uma temporada mais longa no Rio, para absorver melhor o espírito do carioca, sua forma de viver e conviver. Talvez passar uns dias sozinha no Rio, para que eu possa fazer os programas de adulto que ainda não pude fazer, conhecer lugares, restaurantes, museus, casas de dança, fazer programas de ecoturismo, trilhas, descobrir praias, paisagens…

Bom, esta estada no Rio foi bem curtinha, teve chuva, mas foi muito especial, na companhia de minha Isa. Então, nosso passeio “mamãe e filhinha” foi assim:

1º dia:

Depois de passar a noite no ônibus fazendo o deslocamento de casa até Porto Alegre, pegamos o voo da manhã rumo ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Não gostei nadinha do atendimento da Azul, pois o voo atrasou, tanto na ida como na volta. Por pouco não perco o horário de partida do ônibus que saiu de Congonhas para o Porto de Santos. Mas enfim, na correria, deu certo. Em 3 horas estávamos no Porto.

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Aguardando o voo, que atrasou…

Chegando no Porto já visualizamos o imenso navio MSC Preziosa ancorado. Os trâmites portuários foram rápidos, e por volta das 15 h já estávamos dentro do navio. Ficamos numa cabine com varanda, bem legal.

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Colocamos biquínis e fomos almoçar num restaurante do navio e depois curtir a piscina. A Isa não curtiu muito a piscina porque era de água salgada. Caminhamos pelo navio, conhecendo os ambientes. Demos mais umas beliscadas nas comidas, sempre disponíveis, né. À tardinha fomos para a cabine tomar banho e curtir da sacada a saída do navio do porto e o pôr do sol no mar. Bem bacana…

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O horário de nosso jantar estava marcado para às 19h30min, então tratamos de nos “embonecar” e fomos para o restaurante. Nos acomodaram numa mesa, locais previamente marcados, com uma família, casal com duas filhas. Já rolou uma interação legal durante o jantar.

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Encerrado o jantar corremos para o teatro para pegar o primeiro horário da apresentação do show da noite. Muuuiiitoo legal! Adoramos. Espetáculo de música e dança  de ótimo nível, lindas coreografias e figurinos, tudo impecável.

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Bom, depois desse dia intenso, com a previsão de acordar cedo para organizar a saída do navio, só a cama nos interessava. Desmaiamos, embaladas pelo suave balanço do mar.

2º dia:

Acordei um pouco antes do despertador tocar. Abri a cortina e constatei que o navio se aproximava do porto no Rio. Estava um lindo dia de sol e me senti super animada. Acordei a Isa e nos arrumamos para o café. Depois fizemos o check out e descemos do navio.

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Já em terra firme recebemos nossa mala. Na saída do porto já visualizei a sensacional obra de arte pintada pelo grafiteiro Kobra, para o evento dos Jogos Olímpicos no Rio neste ano, numa parede enorme, simbolizando povos, etnias, de várias partes do mundo. Fiquei encantada com a perfeição e o colorido dos traços.

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O mural “Etnias” foi reconhecido como o maior grafite do mundo pelo “Guiness world records”, o livro dos recordes.

A obra, com 15 metros de altura e 170 metros de comprimento, retrata cinco rostos indígenas de cinco continentes diferentes: os huli, da Nova Guiné (Oceania), os muris, da Etópia (África), os kayin, da Tailândia (Ásia), os supi, da Europa, e os tapajós, das Américas.

A pintura é inspirada nos aros olímpicos e simboliza a paz e a união entre os povos.

Ficamos um tempo apreciando a obra, fazendo fotos e depois fomos atrás de transporte.

Comprei os cartões com a ajuda dos funcionários do “trem” e estreamos no VLT carioca, o Veículo Leve sob Trilhos. Muito legal. Fomos de VLT até a Cinelândia, no centro do Rio, e arrastamos nossa mala por uns dois quarteirões, até encontramos nosso hotel, o Atlântico Rio Business.  Simples, rápido, tranquilo.

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Chegando na Cinelândia, demos de cara com o lindo prédio do Theatro Municipal do Rio 

Sobre o hotel: bom, limpinho, café da manhã ok, bom custo/benefício.

Largamos nossas coisas no hotel e fomos almoçar, num restaurante próximo. Concluído o almoço, pegamos novamente o VLT até a estação Utopia Aqua Rio. Uma chuvinha chata se instalou na Cidade Maravilhosa.

O Aquário AquaRio,no Porto Maravilha, recém inaugurado, num sábado chuvoso, óbvio, estava lotado. Mas encaramos numa boa. Compramos os tickets na bilheteria, sem grandes filas, foi rápido. Iniciamos o tour, bem organizado. O tanque mais procurado e muvuquento é o dos tubarões, onde você pode apreciar os peixes através de grandes janelas de vidro ou também caminhando num túnel de vidro, quando você vê os tubarões nadando de um lado para o outro, no seu entorno. Bem interessante.

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Ficamos em torno de uma hora no aquário e depois pegamos um táxi até o shopping Rio Sul. Me arrependi dessa última programação. O shopping é enorme e estava lotado. Nem eu nem a Isa com paciência para caminhar e fazer compras. Antes tivéssemos ido na Confeitaria Colombo, curtir o lindo lugar e tomar um chá da tarde.

Então não nos demoramos muito no shopping e retornamos novamente de táxi até o hotel. Cansada da agitação do dia, Isa deitou na cama e dormiu seu sono de princesa por três horas. E eu louca pra sair pra rua, para passear no Rio, mesmo que na chuva, tive que me conter e ficar velando o sono da minha criança, olhando TV num canal aberto. Surreal…

Interessante isso. A consciência de que a viagem foi pensada para ser curtida juntas, mãe e filha. Então, eram desejos diferentes a serem conciliados. E a adulta era eu. Foi o momento de exercitar a tolerância com o desejo, o querer do outro, que é diferente do meu querer. De abdicar do meu estilo de viajar em prol da vontade do outro. De priorizar o convívio, o estar junto, mesmo estando numa cidade linda, que eu amo, onde adoro circular, passear. Mas não era esse o querer de Isa. Então, eu cedi… E olha que doeu bem menos do que eu poderia imaginar. Acho que virei adulta mesmo. Amadureci…

Quando enfim Isa acordou, tomamos um banho, nos arrumamos e fomos passear novamente na região do Porto Maravilha, pois num dos armazéns havia um evento relacionado ao Natal, “Uma Aventura de Natal”, com lindos cenários composto de bonecas e animatrons, músicas, Papai Noel e food trucks.

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Não lembro qual era o teor da conversa com o Papai Noel, mas foi divertido

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Seguimos até lá de táxi. Comemos espetinhos de carne e depois fomos conhecer os cenários. Bacaninha. Ficamos lá em torno de uma hora e retornamos. Jantamos no restaurante do hotel mesmo.

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Ficamos fazendo hora no hall de entrada, conversando. Essa conversa rendeu muito. Foi realmente especial, emocionante, me conectou mais ainda com minha filha. Segredinhos nossos… Quando o sono bateu subimos para o quarto, olhamos um pouco de televisão e dormimos.

3º dia:

Tive que acordar a Isa pra que não perdêssemos o horário do café da manhã. A criança devia estar cansada mesmo, pelas horas de sono que já tinha feito na tarde de ontem e depois durante toda a noite até quase às 10h da manhã.

Depois do café subimos para a piscina, no 19º andar, no terraço do hotel, com vista para o Pão de Açúcar. Em outra direção, ao longe, a imagem do Cristo Redentor, no Corcovado. Dia lindo de sol e calor, a cara da Cidade Maravilhosa. Ótimo para curtir a piscina, já que Isa prefere abdica à água salgada.

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Eu me instalei numa cadeira de sol, disposta a mudar o tom de pele “cor de geladeira”, quem sabe por um bronzeadinho, e pedi uma caipirinha (tava no Rio, de folga, né), que achei que combinava super bem com o cenário.

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Isa estava um pouco impaciente, queria companhia para brincar na piscina, e minha disposição era de permanecer imobilizada diante da paisagem, só curtindo. Felizmente, chegou uma criança na piscina, trazida pela mão pelo pai, uma menina de cerca de nove anos. Percebi que eram estrangeiros, mas de imediato não consegui definir suas origens. As crianças logo se enxergaram mas ainda estavam tímidas. Tratei de me aproximar, fazer a ligação, ser a ponte. Perguntei à criança, em inglês, de onde era, seu nome, sua idade e tal. Bom, Isa e a francesa Sofia foram apresentadas e, alheias às diferenças de linguagem, se entenderam nas brincadeiras que foi uma beleza.

Meu sossego estava garantido. Pedi mais uma caipirinha.

De vez em quando Isa vinha até mim para que eu traduzisse algumas palavras, ou ela queria se expressar para Sofia e não sabia como. Bom, mais que palavras, usei de gestos e de sorrisos, e tudo fluiu muitíssimo bem.

Tão bem que tive sérias dificuldades em tirar Isa da piscina para almoçar, isso já passando das 14h. Ela simplesmente não queria perder a amiga recém-conquistada.

O pai da Sofia também argumentava sobre o almoço e nada.

Bom, aí nós dois conversamos e chegamos no consenso mais simples e harmonioso para as garotas: fomos todos almoçar juntos. Até porque pai e filha não sabiam nada do Rio de Janeiro, tinham chegado no dia anterior, assim como nós.

O meu pouco conhecimento sobre o Rio fez com que eu opinasse por irmos almoçar na Praça Mauá, onde já aproveitaríamos para visitar o Museu do Rio e o Museu do Amanhã, pelo menos externamente.

Todos acharam bom e nos tocamos para lá de táxi.

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Foi um almoço cordial, de pessoas que acabaram de se conhecer, recheado com cervejas (para os adultos, óbvio) e sorvetes (para os adultos e crianças). O clima estava ótimo, típico do Rio, até que em dado momento o tempo mudou, fechou o céu e desabou uma chuva torrencial. Corremos para nos abrigar no Museu do Rio. Ficamos circulando pelo prédio, subimos até o terraço para apreciar a vista e terminamos na cafeteria do Museu. Quando fomos espiar para fora a chuva havia cessado.

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Então caminhamos em torno do prédio do Museu do Amanhã. Eu não me animei em entrar no prédio, porque com certeza Isa não curtiria o programa.

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A francesinha Sofia queria ir para Copacabana e inicialmente concordamos. O táxi nos levou até o hotel, pois o pai de Sofia estava com um carro locado e queria dirigir. Não me empolguei com a ideia porque achei que perderíamos muito tempo nos perdendo na cidade, mesmo com o GPS, muitas ruas estão fechadas no domingo. Minha intuição sinalizava para alguma situação de stress, e esse não era, definitivamente, meu objetivo no Rio.

Mãe e filhas sintonizadas. Quando chegamos no hotel Isa não quis mais passear. Queria ir novamente para a piscina. Isa não gosta da água salgada. Então expliquei a situação para os novos amigos e… au revoir, nos despedimos após troca de contatos.

Já na piscina conversei com Isa sobre as amizades que as viagens nos contemplam, nos apresentando pessoas de várias partes do mundo, com outras linguagens, outras histórias, costumes diferentes, no quanto isso nos enriquece. Ela concordou comigo e perguntou: “mãe, será que quando eu crescer eu vou gostar de viajar tanto quanto você?” Isso você que vai decidir Isa, mas tem toda a minha torcida.

Como nosso voo estava marcado para às 21h no Aeroporto Santos Dumont, que fica no centro, bem próximo ao nosso hotel, não me preocupei com o horário, e só me mexi para ir para o aeroporto às 20h. Antes, jantamos num restaurante nos arredores.

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Lindos os murais grafitados nas paredes da área portuária

Bom, aí foi a parte da chatice: cancelaram a aterrissagem de nosso voo no Santos Dumont. A empresa Azul nos colocou, junto com os outros passageiros, num ônibus, que nos conduziu até o Galeão, para um voo que partiu às 23h. É claro que, com isso, perdemos nosso ônibus em Porto Alegre, previsto para sair às 24h, pois chegamos já era quase 2 da madrugada na Capital gaúcha. O que fazer com uma criança sonolenta e cansada na madrugada na rodoviária de Porto Alegre? Sem condições… Atravessei a rua e nos hospedamos no Hotel Ritter, para dormir numa cama por 4 horas. Só entramos no quarto, liguei o ar condicionado, ajustei o despertador, e desabamos na cama.

Foi difícil sair da cama às 6 da manhã, mas Isa encarou, foi muito parceira. Comemos algo no café da manhã e tocamos para a rodoviária para ajeitar as passagens de ônibus perdidas. Deu certo e embarcamos às 7 horas. Dormimos boa parte do trajeto e enfim, chegamos em casa às 13 h. Tive que me explicar sobre o atraso no trabalho, mas ok.

Resumo da viagem: muito legal. Me aproximou mais da minha Isa, me ensinou uma lição sobre tolerância, sobre ceder diante das diferenças (mesmo entre mãe e filha), sobre respeito ao gosto, ao querer do outro. Isa, meu amor, as viagens também trazem ensinamentos que a gente leva para a vida toda. É só querer aprender…

 

 

 

Um comentário em “Mini (Micro…) Cruzeiro até o Rio de Janeiro

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