Europa

Um amor de viagem – Espanha e Portugal

“Trilogia: É o conjunto de três obras que se interligam entre si por temas comuns a todas, e pode ainda ser um conjunto de três coisas que se ligam para formar um trio, uma trindade”.

Com essa ideia de fechamento a respeito de minha viagem além-mar é que me dediquei a relatar neste post sobre os dias que passei na companhia do “amore”, o Lu, no Velho Mundo. Nesta última parte da viagem relembro nossos passeios na Espanha, especificamente em Madrid e Toledo, e depois em Portugal, por Lisboa, Fátima, Sintra e Cascais.

Se bem que não vejo nenhum problema de, no futuro, retomar algum ponto específico dessa viagem, se houver inspiração.

Na esteira do pensamento de Nilson Furtado, “Adoro Reticências… Aqueles três pontos intermitentes que insistem em dizer que nada está fechado, que nada acabou, que algo sempre está por vir! A vida se faz assim! Nada pronto, nada definido. Tudo sempre em construção. Tudo ainda por se dizer… Nascendo… Brotando… Sublimando… Vivo assim…
Numa eterna reticência… Para que colocar ponto final? O que seria de nós sem a expectativa de continuação?”

Como falei em Trilogia, a introdução a esta viagem está no post De peregrina à mochileira “in love”: uma viagem 3×1 – Portugal e Espanha  onde já delineio sobre o que foi a viagem e também sobre o que viria na sequência. Primeiro, a minha porção “Peregrina no Caminho de Santiago”, narrada no post “Pilgrim: Uma aprendiz no Caminho” – Coisas que aprendi no Caminho de Santiago de Compostela – Espanha O Caminho de retorno ou O retorno do Caminho… e depois, como “Mochileira na Europa”, no post De mochila em Portugal e Espanha.

Agora é a vez de contar sobre a parte final da viagem, que fiz num clima romântico, muito bem acompanhada. Só resta dizer: foi tudo lindo… Obrigada, Lu, por me levar pela mão (me permiti…), e por ter sido meu parceiro querido e agradável de viagem. Também sou grata pela ajuda na hora de resgatar a memória de detalhes de nosso intenso roteiro. Afinal, foi muita coisa, como se poderá constatar nesta leitura.

Fazendo um gancho com o relato anterior, estava eu instalada num hostel em Madrid e curtindo a cidade e arredores (visita à Ávila), e aguardando a chegada do Lu na cidade. Tudo cuidadosamente planejado com antecedência, exigindo uma ginástica mental para o acerto das compras de passagens aéreas seis meses antes.

Então… Chegaste! ♥

30/06/17  (sexta-feira)– Demorei para dormir à noite, um tanto ansiosa pela chegada do “amore”. Cinco meses sem se ver… Uma baita (gauchês) saudade. Acordei cedo, tomei meu banho e me arrumei com mais cuidado que o habitual, estreando um dos looks adquiridos dias antes. A previsão da chegada do voo no Aeroporto Barajas era no meio da manhã.  Após o café da manhã, fiz o check out no hostel Motion Chueca, guardei minha grande mala rosa no depósito e ganhei a rua. Tomei o ônibus Express Aeropuerto na parada existente na avenida que fica na lateral do prédio do Palácio de Cibeles. Cheguei ao aeroporto uma meia hora antes do horário. Pra passar o tempo e controlar o nervoso, comi bobagens numa lanchonete, de olho no portão de chegada dos voos. Logo as mensagens do whatsapp no visor do celular deram o ar da graça. E ele também. Só alegria!

Com o ônibus expresso retornamos ao centro da cidade. Primeiro buscamos minha mala guardada no hostel. Fomos pela rua, arrastando a dita cuja, buscando o endereço de nossa “casinha em Madrid”. Sim… atendendo meu desejo de me sentir uma local, uma madrileña (menos, bem menos…risos), o Lu se encarregou de alugar, via Airbnb, um pequeno apartamento, um kitnet, localizado bem pertinho da Puerta del Sol, numa ruazinha lateral, na região central da cidade.

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Mônica, nossa anfitriã, nos aguardava. Deu orientações sobre o uso do apartamento e partiu. Largamos nossas bagagens e fomos pra rua, procurar nosso almoço.

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Plaza Mayor de Madrid

Em clima de passeio, fomos em direção à Plaza Mayor. Escolhemos aleatoriamente um dos restaurantes no entorno do lindo e imenso pátio, e com calma, estreamos uma paella, com um vinho para acompanhar. Aplacada a fome, demos uma volta pelos arredores, fomos até o charmoso Mercado São Miguel. Fizemos planos de retornar ali para comer uns tapas numa noite. Depois fomos descansar no nosso cantinho. Quando nos demos conta, a noite já avançava. Decidimos ir até um mercadinho de um asiático, que já tínhamos visto antes, ficava pertinho, e compramos umas frutas e lanches, com os quais matamos a fome. Naquela noite ficamos curtindo nossa casinha em Madrid.

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Chimarriando na sacada de nossa casinha em Madrid.

01/07/17 (sábado) – Depois do café da manhã fomos caminhando até o Palácio Real. Tivemos uma vista da parte externa do imenso prédio, e ali descobrimos, visualizando uma placa com informações, que na segunda-feira, em horário determinado, o ingresso no interior do prédio seria free. Notícia “mara” para mochileiros como nós! Já deixamos agendado no nosso roteiro a visita ao Palácio Real no horário gratuito, claro. Na sequência ao passeio pelos arredores do Palácio, visitamos o Museo e a Catedral de La Almudena. Em seguida passeamos pela Plaza de Oriente, localizada em frente ao Palácio, pelos Jardins de Sabatini, e continuamos até a Plaza de España, onde fica o lindo Monumento dedicado ao escritor Miguel de Cervantes, com a escultura de Dom Quixote e seu fiel escudeiro Sancho Pança, o seu cavalo Rocinante, e a dama dos seus sonhos, Dulcineia. Nossa caminhada nos levou até o Parque onde está o Templo de Debod. Conferimos o local, e fizemos planos de retornar lá para o sunset, um outro dia. Sempre caminhando, seguimos pela Gran Via, na direção da Estação Callao. Decidimos almoçar por ali mesmo, numa mesinha na calçada, e descansar um pouco do longo passeio. Para poupar um pouco as pernas pegamos o metrô e fomos até a Puerta de Alcalá, onde fizemos fotos. Em seguida ingressamos no lindo Parque de El  Retiro.  Dentro do parque, passamos pelo lago, com o Monumento a Alfonso XII, o Palácio de Cristal, o Roseiral e conferimos a Estatua del Angel Caído. A saída do parque foi no portão na direção da Estação Atocha. Visitamos a bela estação de trens e depois fomos visitar o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia.

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O majestoso Palácio Real
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Os Jardins de Sabatini, no entorno do Palácio Real
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O monumento a Cervantes, com Dom Quixote e Sancho Pança
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Na Puerta de Alcalá
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O romântico lago dentro do Parque de El Retiro

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O Palácio de Cristal
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O roseiral, com rosas de todas as cores e nuances
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Vista externa da imponente Estação de trens Atocha
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Muito verde no interior da estação

Gente, o museu é sensacional. E enorme, grandioso. Nessa altura do campeonato eu já estava mortinha de cansada, me arrastando, procurando banquinhos, cadeiras e qualquer encosto para sentar. Enfim, me detive na mostra de obras de Pablo Picasso, especialmente no fabuloso Guernica. Para bem aproveitar o Reina Sofia precisaria de uma dia inteiro, de  visitantes descansados, o que não era, definitivamente, nosso caso. Então retornamos à rua para acompanhar a Grande Parada da World Pride. Seguimos a turba pelo Paseo del Prado, quando de súbito me animei, esqueci o cansaço, diante da batucada da “delegação” brasileira, que, para mim, foi a mais bonita e animada. Passamos assim, acompanhando a parada, pela Fuente de Neptuno até chegar ao Palácio de Cibeles. Lá pegamos o metrô na Estação Banco de España, até a Estação Sol, para uma pausa para descanso e banho na nossa casinha madrileña. Feito isso, fomos dar uma caminhada pelas cercanias. Primeiro acertamos nossa presença no show daquela noite no Flamenco Villa Rosa. Eu não poderia sair de Madrid sem assistir um show de flamenco. E o Villa Rosa, em funcionamento desde 1911, com sua decoração de uma riqueza típica e extraordinária, me pareceu perfeito. Tudo acertado, seguimos para jantar tapas, acompanhado de um vinho delicioso, curtindo as luzes da cidade, o início da noite, sentados ao ar livre, numa pracinha, pertinho do Villa Rosa.  No horário previsto estávamos, eu e o Lu, instalados numa mesinha bem em frente ao palco do Flamenco. E o show começou pontualmente. Gente, eu fiquei boquiaberta com tamanha energia dos dançarinos e músicos, a emoção e os sentimentos à flor da pele. Inesquecível. Euros muito bem gastos.

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Fachada do espetacular Museu Reina Sofia
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Abertura da Gran Parada. A comitiva do Brasil arrasou!
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A Fuente de Neptuno
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Chafariz em frente ao Palácio de Cibeles, enfeitado com as cores da World Pride
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Fachada da Casa de Flamenco Villa-Rosa

02/07/17 (domingo) – Depois do café da manhã seguimos de metrô até a Estação de Atocha onde pegamos o trem para Toledo. Ao chegar na estação de trem da cidade já adquirimos um boleto turístico que incluía um passeio num ônibus panorâmico no entorno da cidade medieval, com linda vista à partir das montanhas. O Rio Tajo forma um fosso natural com cerca de 90 metros de desnível em relação à cidade. Tivemos dali também a vista da Ponte de Alcântara e Alcazar.

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Vista da cidade de Toledo

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Depois o ônibus nos deixou numa pracinha, onde cerca de uma hora depois encontramos o grupo e o guia que nos conduziu para um Walking Tour pela cidade histórica de Toledo.

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Assim conhecemos muitos monumentos, igrejas, mesquitas, sinagogas, monastérios, museus, sobre os quais não consigo listar, de tantos que foram.  Conhecemos a parte externa da catedral Primada de Toledo. Conhecemos o museu com as obras do pintor  El Greco, que viveu parte de sua vida na cidade até a data de sua morte, no ano de 1614. E muitos outros locais históricos e seculares.

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A Catedral de Toledo

Fizemos uma pausa para almoçar, acompanhado de cervejinhas. Muito sol e calor. Aí deu uma super preguiça.

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Já num ritmo mais lento, caminhamos pelas ruelas, conferindo lojinhas de artesanato. Destaque para as típicas técnicas do damasquinado, da espadaria e das armaduras,  das cerâmicas de argila e entalhes na madeira. Compramos uns doces, chamados de “mazapán” e outros de “empiñonadas”, para conhecer. Bem gostosos.

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Caminhamos muito pela cidade, até que decidimos ir até a Estação de Autobuses (mais uma pernada), onde pegamos um ônibus para retornarmos à Madrid. Óbvio que no trajeto rolou uns cochilos.

Chegando em Madrid pegamos o metrô até a estação Sol, e logo chegamos na nossa casinha, já ao anoitecer.

Separamos esta noite para curtir nosso cantinho madrileño. Compramos uns tapas num restaurante próximo e nos deliciamos com nosso jantar na casinha, acompanhado de uma champanhe Veuve Clicquot, que o Lu trouxe na mala, para brindarmos em terras espanholas. Muito romântico.♥

03/07/17 (segunda-feira) – Pra este dia compramos os passes no Bus Turístico de Madrid, naquele sistema  “hop on hop off”, para visitar outros pontos da cidade economizando as pernocas. Já incluímos aí o ticket para o tour no Estádio Santiago Barnabéu.  Assim fizemos várias paradas: Plaza de Neptuno, Plaza de Cibeles, Plaza de Colón, no Museu de Esculturas, depois no Museo de Ciências Naturales, que estava fechado. Então seguimos para o Estádio do Real Madrid, Santiago Barnabéu. Muito legal o tour no estádio, incluindo aí a sala dos troféus, visita aos vestiários, ao banco dos reservas e ao gramado.

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O Estádio Santiago Barnabéu, Casa do Real Madrid
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Pausa para descansar, no Banco de Reservas, junto ao gramado
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Pose de Titular

Depois da visita ao estádio demos uma volta no entorno do estádio, comemos um lanche, e novamente pegamos o Bus Turístico. A próxima parada foi na Puerta de Alcalá,  passando pelo Parque de El Retiro. Depois seguimos para o  Real Jardim Botânico, o acessando no portão em frente ao Museu do Prado. Bem bacana o Jardim Botânico, pena que fazia muito calor. Também fomos conhecer o interior do Palácio Real, no horário gratuito de ingresso. Lindo e riquíssimo.

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Conferindo a exposição de bonsais no Real Jardim Botânico
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O esplendor e a riqueza do Palácio Real

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Depois de curtir o sunset no Templo de Debod encerramos este dia comendo tapas e tomando cerveja no Mercado São Miguel.

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Iluminados pela luz do final da tarde no Templo de Debod

04/07/17 (terça-feira)– Tomamos café e organizamos nossas malas. Deixamos tudo pronto e saímos para a rua para nosso último passeio na cidade. Eu queria muito conhecer a Plaza de Toros Las Ventas, para onde fomos de metrô.  Fizemos umas fotos externas do grande prédio circular e depois fomos visitar o Centro de Asuntos Taurinos Museo. Muitas capas de toureiros famosos, acessórios, cartazes antigos anunciando touradas, referências aos toureiros mais famosos da Espanha. Muito bacana. Pena não poder fazer fotos lá dentro. Na sequência aderimos a um tour guiado dentro do Las Ventas, com explicações sobre a dinâmica do funcionamento do lugar e das touradas. Lamentei não poder descer até a arena, pois estavam montado um circuito para motocross, que iria ocorrer ali. Soube através do guia que no último domingo teve tourada na arena. Fiquei chateada, pois queria muito assistir, vendo pelo aspecto cultural, pois não curto qualquer tipo de crueldade contra os animais. O guia explicou um pouco sobre essa polêmica envolvendo as touradas.

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Plaza de Toros Las Ventas, a mais importante do mundo
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A arena, sendo convertida em pista de motocross

Na saída do Las Ventas fizemos fotos vestidos com a capa de toureiro. Turístico, mas bacaninha. Por fim passamos numa loja de recuerdos pertinho da Arena para comprar lembrancinhas e então retornamos para nossa casinha de metrô.

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Brincando com uma capa de toureiro

Rapidamente passamos no kitnet, pegamos as malas e fomos de metrô até a Estação Banco de España, junto a Fuente de Cibeles, onde então pegamos o ônibus Express para o aeroporto.

Às 15 h 25 min pegamos o voo para Lisboa. Voo rápido e tranquilo.

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Ponte 25 de Abril, vista do jardim do hotel

No aeroporto pegamos um ônibus que nos trouxe ao centro da cidade. Dali um Uber nos levou até o Hotel Vila Galé Ópera, onde ficamos hospedados. Depois de organizar nossas coisas no quarto fomos passear no LX Factory, um complexo industrial histórico revitalizado, que abriga vários restaurantes e varejistas de arte, localizado próximo ao hotel. Nos distraímos caminhando por ali. Depois fomos jantar no Restaurante 5 Oceanos, localizado nas Docas de Santo Amaro, com a vista da Ponte 25 de Abril. Um charme o lugar, com os barcos ancorados, as luzes da cidade. Show!  Quando retornamos ao hotel ainda curtimos o jardim, bebendo uma cerveja, com uma vista linda da ponte, da lua no céu…

05/07/17 (quarta-feira)– De manhã, um Uber nos levou até O Terminal Rodoviário e Ferroviário Sete Rios. No trajeto até lá visualizamos o Aqueduto das Águas Livres, um magnífico exemplar de antiga engenharia, que está ali a mais de dois séculos. No Terminal tomamos um ônibus até Fátima, um trajeto de 130 km, cerca de 1h 30 min de viagem. A Estação Rodoviária de Fátima fica bem próxima ao Santuário. Inicialmente visitamos a Igreja da Santíssima Trindade, linda, moderna e enorme. Depois seguimos caminhando pela Esplanada, em frente à Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Compramos velas, que colocamos para queimar junto com as das centenas (ou milhares) de visitantes daquele dia. Em seguida, fizemos nossas orações na Capelinha das Aparições, que é o verdadeiro coração do Santuário. Missas em várias línguas são rezadas ininterruptamente. Quando chegamos no Santuário estavam rezando em português. Lá permanecemos por um tempo, em oração. Fiquei muito, muito emocionada na Capelinha, não conseguia parar de chorar. Sou muito devota de Nossa Senhora, e senti uma energia maravilhosa ali. Quando enfim consegui me acalmar, seguimos para conhecer o interior da Basílica. Lá dentro estão os túmulos de Jacinta e Francisco, dois dos três pastorzinhos que tiveram a aparição de Nossa Senhora. Permanecemos no Santuário até por volta das 13h, concluindo com a visita à lojinha para comprar lembrancinhas. E então retornamos de ônibus para Lisboa.

Chegando em Sete Rios tomamos o comboio (trem) até o Mosteiro dos Jerônimos, localizado em frente a Praça do Império, que é um espaço verde muito agradável, e fica no Bairro de Belém. Ficamos em dúvida sobre ingressar ou não no Mosteiro, pois o local estava prestes a fechar. Mas enfim, decidimos ingressar, o que foi uma decisão acertadíssima. O prédio é fabuloso, com sua arquitetura manuelina portuguesa. Recebeu o título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco, sendo um dos mosteiros mais bonitos da Europa. Ali também visitamos a Igreja do Mosteiro, que é realmente impressionante. Na Igreja estão as tumbas de Vasco da Gama e Luís de Camões e no claustro, na parte superior, a tumba de Fernando Pessoa. Boquiabertos com tanta beleza, nos dirigimos para a famosa e Antiga Confeitaria de Belém, que fica bem próxima do Mosteiro. Comer pastéis de belém, óbvio. Com um chazinho. Aquele tipo de coisa pra se comer de joelhos, rezando. Imperdível. E o prédio, bem típico, tradicional português, e lotado de turistas. Depois atravessamos a avenida para vermos o Padrão do Descobrimento, o imponente monumento isolado e destacado no paredão à beira do Rio Tejo -uma caravela estilizada faz-se ao mar, levando à proa o infante D. Henrique e alguns protagonistas da história de Portugal. Em contraste com o azul do céu e da luz do final da tarde, foi uma bela visão.  Continuando nossa caminhada às margens do Tejo, seguimos  até a Torre de Belém. Pena que já havia encerrado o horário de visitação. Tivemos que nos conformar com a visão do exterior do prédio, que também é muito especial, todo em estilo manuelino. Fizemos umas fotos por ali, curtimos o lugar, até o cair da tarde. Caminhamos mais um bom tanto até a estação de trem e assim retornamos ao hotel. Nesta noite assistimos uma apresentação de fado no saguão do hotel. Bem interessante. Depois fomos até o centrinho gastronômico para jantar. Demos bobeira com relação ao horário, caminhando por lá, quando demos por conta, os restaurantes já tinham encerrado a cozinha. Ficamos sem jantar. Quebramos o galho comprando uns snacks, umas bobagens, que comemos no jardim do hotel, curtindo a noite, com a visão da ponte.

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Igreja no Santuário de Fátima
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No Santuário de Fátima. Muita emoção…
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No Mosteiro dos Jerônimos

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Sem palavras para descrever a riqueza, a beleza do Mosteiro

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Momento delícia e tradição: os legítimos pastéis de Belém
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Padrão do Descobrimento
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Curtindo a vista “mais ou menos” na beira do Rio Tejo
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A Torre de Belém
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Apresentação de fado no hall do hotel. Tradição portuguesa.

06/07/17 (quinta-feira) – Pegamos o trem para Sintra na estação próxima ao hotel, numa viagem de cerca de 40 minutos. Ao descermos na estação fizemos uma caminhada até o Palácio Nacional de Sintra. Adentramos no Palácio e visitamos as suas dependências. Bem bacana. Depois pegamos um ônibus, que nos levou até a entrada que dá acesso ao Castelo dos Mouros. O lugar é lindo, no alto da montanha, com uma vista linda de Sintra e dos arredores. Trilhas no meio da mata, uma delícia o lugar. Concluída a visitação, novamente tomamos um ônibus, que nos levou na base onde se acessa o Palácio Nacional da Pena. Depois seguimos para a Quinta da Regaleira. Enorme, linda. Descemos o Poço Iniciático, local que eu tinha muita curiosidade em conhecer. E tantos outros recantos desse parque incrível.  Nesta altura já estávamos super cansados de tanto caminhar, com o sobe e desce nos morros e escadarias. Mas enfim, conferimos o lugar. Mesmo assim, tivemos gás para caminhar até um ponto de ônibus, onde pegamos o transporte que nos levou até o Cabo da Roca. Chegamos, ” Aqui…onde a terra se acaba… e o mar começa”, como Camões descreveu o Cabo da Roca no famoso livro “Os Lusíadas”. É a ponta mais ocidental da Europa Continental. O cabo fica a cerca de 150 m de altura do oceano e é bastante ventoso. Nós pretendíamos ver o por do sol no local, que é lindo, mas o tempo estava fechado, nublado. Mesmo assim fomos brindados com algumas réstias de sol, que refletiam lindamente no oceano. Já bem à tardinha pegamos um ônibus e fomos à Cascais, onde fizemos uma caminhada pela orla da cidade. Fizemos um lanche e depois retornamos de trem para Lisboa. De volta na cidade fomos dar uma volta no LX Factory, o centrinho gastronômico próximo do hotel, fizemos um lanche num café existente dentro de uma livraria. Fiquei feliz por encontrar ali e então adquiri o livro “Lisboa em Pessoa”, pois o exemplar que eu trouxe na viagem foi extraviado pelo correio espanhol durante O Caminho de Santiago. Depois fomos conferir um barzinho instalado num terraço no alto de um prédio, com um visual de arrasar da Ponte 25 de Abril e do Rio Tejo. Bem cansados de mais um dia intenso de passeios, retornamos para o hotel.

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O Palácio Nacional de Sintra
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O Castelo dos Mouros, em Sintra
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No alto da muralha do Castelo dos Mouros, com o Palácio da Pena ao fundo
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O Palácio da Pena
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A Quinta da Regaleira, em Sintra

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O Iniciático, um poço muito interessante
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O Iniciático, visto de dentro
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A Regaleira é repleta de túneis, poços, e recantos

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Cabo da Roca

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A cidade balneária de Cascais

07/07/17 (sexta-feira) – De manhã, organizamos nossas malas e fizemos o check out no hotel. Acionamos um Uber, que nos deixou numa estação de metrô na área central da cidade. Alugamos um Locker nessa estação, e nela guardamos nossos pertences. De mãos livres, pegamos o metrô para a região do Parque das Nações e Torre e a ponte Vasco da Gama.  Lá chegando, em mais um dia lindo de sol, primeiro tomamos café. Depois pegamos o teleférico, que nos levou até o Oceanário. Visitamos o imenso prédio. Sensacional. Depois iniciamos o trajeto de retorno para o metrô, quando então nos deparamos com uma grande churrascaria. Os gaúchos surtaram. Não precisamos mais que um minuto para, saudosos de um churrasco, nos estabelecermos numa mesa com uma bela vista do Parque, tudo regado por cerveja geladinha. Que delícia! Descansados e com a fome saciada, aí sim retornamos para o centro histórico da cidade, de metrô. Iniciamos um tour pela região, primeiro no Parque Eduardo VII, que oferece uma linda vista do rio Tejo ao fundo, após um imenso jardim de formas geométricas. Ao centro se vê a Rotunda do Marquês de Pombal. Também conferi ali pertinho a escultura Maternidade, do artista colombiano Fernando Botero.  Depois, já no Largo do Chiado, fomos no Café A Brasileira, imperdível para mim, pois foi frequentado por, nada menos, do que Fernando Pessoa. Fizemos a tradicional foto junto à estátua do artista, em bronze, bem defronte ao estabelecimento. Esta brincadeira é um ritual para quem visita a capital lusitana. Bem em frente ao Café se apresentava um grupo musical brasileiro, de quem adquiri CDs, como lembrança da nossa passagem por Lisboa. E a música deles é boa mesmo. Depois de um café, feito o pitstop, seguimos caminhando. Passamos pela estátua de Eça de Queiroz, com a Verdade nos braços. Fomos à procura da casa onde nasceu o poeta Fernando Pessoa, no Largo de São Carlos, onde há um monumento marcando o local, um homem com um livro no lugar da cabeça. Quase não encontramos o local, mas enfim, fizemos o check in. Batendo perna pela cidade, pertinho do Miradouro de São Pedro da Alcântara, escuto alguém chamar meu nome, em meio à muvuca da rua congestionada de carros e passantes. Era Tati Burmann, uma amiga brasileira e gaúcha, que está passando um período de estudos em Lisboa. Abraços e papo por um tempinho na calçada. Fizemos uma fotinho para marcar o feliz encontro e seguimos. Tomamos ali mesmo o Ascensor da Glória, um dos poucos funiculares ainda em funcionamento em Lisboa. Ele faz a ligação entre a parte alta e a parte baixa da cidade, para onde nos dirigimos na ocasião. Este Ascensor iniciou sua atividade no ano de 1885. Passamos pelo Elevador de Santa Justa. Não subimos porque tinha uma fila enorme. Seguimos em direção à Praça do Comércio, vindos pela Rua Augusta, passamos pelo grande Arco do Triunfo. Conferimos rapidamente o Café Martinho da Arcada e localizamos a mesa que Fernando Pessoa costumava ocupar, estando esta marcada com uma placa e com pertences do poeta. Mais uma volta pela Praça do Comércio, também conhecida como Terreiro do Paço. Usamos o bondinho Elétrico 28, para ir até o Miradouro de Santa Luzia e o Largo das Portas do Sol, no bairro da Alfama, com vistas lindas da cidade. Na volta, uma paradinha para comprar lembrancinhas da cidade, entre elas garrafinhas de ginjinha, uma das bebidas mais emblemáticas da cultura local. É um licor feito a partir da fermentação de uma fruta chamada ginja, muito parecida com a cereja. Experimentei e super recomendo. É muito boa. E depois seguimos de bondinho até a Sé (Catedral). Mais uma pernada e então chegamos novamente na estação de metrô onde encontramos bem guardadinhas as nossas malas. Retiramos do locker e seguimos de metrô para o aeroporto. Um tranquilo voo noturno nos trouxe de volta ao Brasil. Para mim, 50 dias longe de casa. Para o Lu, bem mais. Nas malas pequenas lembrancinhas de viagem, para nós, para a família e amigos chegados. Na memória, uma bagagem enorme de tudo o que foi visto e foi vivido. Seguidamente nos pegamos relembrando passagens relacionadas a essa viagem maravilhosa que vivenciamos juntos. Inesquecível…

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Vista do Parque das Nações, a partir do teleférico
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A ponte Vasco da Gama ao fundo

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O Oceanário de Lisboa é um dos melhores do mundo

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Os gaúchos piraram ao encontrar uma churrascaria. E feijão!
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Escultura do artista colombiano Botero
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Parque Eduardo VII
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Meu esperado encontro com Fernando Pessoa, no Café A Brasileira
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Escultura que marca o prédio onde Pessoa nasceu
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Monumento dedicado a Eça de Queiroz
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Meu encontro com a amiga Tati. Ao fundo o Ascensor da Glória.
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Um dos tantos miradouros de Lisboa. Lindas vistas da cidade.
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O Elevador de Santa Justa
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Na Praça do Comércio
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Arco do Triunfo ao fundo, na Praça do Comércio
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O Café que era frequentado por Fernando Pessoa
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Na mesa preferida de Pessoa no Café Martinho da Arcada

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No Elétrico 28, tradicional bondinho de Lisboa

Como bem disse o poeta Fernando Pessoa no magnífico poema Mar Portuguez,  ” Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu. Mas nele é que espelhou o céu”…

 

 

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3 comentários em “Um amor de viagem – Espanha e Portugal

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