Américas · Casinha sob rodas

O país da puesta del sol – Uruguai – Part. IV

Esta é a última parte do relato desta viagem ao Uruguai. Foi uma viagem maravilhosa, inesquecível.

Embora eu já tenha estado no país em outras oportunidades, link aqui Uruguai  e revisitei muitos lugares conhecidos, da mesma forma que ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, as sensações e emoções desta viagem são únicas. Momento filosófico by Heráclito…risos

Digo isto porque as pessoas mudam e as percepções sobre as mesmas coisas, sobre as mesmas paisagens, mudam com elas. Então tudo é sempre novo, tudo é novidade.

E também,  porque desta vez fiz a viagem na companhia do amore, o Lu, a bordo da Frida, nossa casinha sob rodas, absolutamente livres. Uma sensação adorável!

Links para os outros relatos desta viagem aqui:

Frida em sua primeira International Road Trip – Uruguai – Part. I

Hermosos días – Uruguai – Part. II

Precioso – Uruguai – Part. III

Oitavo dia:

Acordamos com a visão de mais um dia lindo de verão. Tomamos café, organizamos nossas coisas e partimos do camping.

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Antes de seguir para Carmelo retornamos à parte histórica de Colonia del Sacramento para apreciá-la de meu modo preferido: quase deserta, silenciosa, sem a muvuca dos turistas, sob a luz do início da manhã. Adoro passear assim, quando tudo ainda está tranquilo. Assim foi, e resultou em lindas fotos e memórias visuais.

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Ainda passaemos com a Frida pela orla da cidade, pelas praias de Colonia, que eu ainda não conhecia, e na Plaza de Toros. Muito bonito o visual.

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Enfim, seguimos para Carmelo. Na entrada da cidade passamos pela ponte giratória, e estacionamos a Frida em frente a uma oficina de turismo, onde fomos muito bem atendidos e nos forneceram material sobre a cidade e arredores.
Na sequência, fomos conhecer as praias da cidade, no Rio da Prata, com uma bonita área sombreada, com muitas árvore junto à areia. Fizemos uma rápida parada e então seguimos para o que seria o ponto alto deste dia de passeio: a visita e degustação de vinhos na Narbona Wine Lodge.

Preciso neste momento fazer um agradecimento à querida amiga Adri, do grupo de amigas denominado “Fridas” (já sacaram minha admiração pela pintora mexicana, não é), sobre essa super dica de visita à Narbona. Esse é um aspecto bacana de compartilhar uma viagem que se encontra em andamento: se recebe a contribuição de amigos e leitores. Valeu, Adri!

O complexo Narbona está situado a 11 km da cidade de Carmelo, com acesso por boa estrada asfaltada. A vinícola fica no lado esquerdo da estrada.

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Ao chegar,  a visão dos prédios de um estilo rústico chic já anima. Tudo de muito bom gosto, se percebe o capricho nos detalhes da decoração.

Nós tínhamos feito contato por telefone no dia anterior para reservar a degustação dos vinhos, tendo sido acertada a reserva para às 12 h 30 min. Como chegamos uma hora antes, ficamos conferindo os detalhes do restaurante e do armazém, que vende produtos de fabricação própria, como queijos, azeite de oliva, granola, doce de leite, e vinhos, óbvio.

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Já pré-selecionei alguns itens para comprar. De leve, né, pois é tudo tabelado em dólares.
Quando o guia José chegou, pontualmente, um pequeno grupo estava formado para a visitação nas dependências da vinícola e do hotel Narbona.

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O guia nos mostrou os prédios onde são produzidos e armazenados os vinhos, passamos pela área externa dos poucos e exclusivos quartos dos sortudos que se hospedam ali, e por fim, nos conduziu até a adega, num porão, onde é realizada a degustação.

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Ele falou sobre os vinhos armazenados ali e ao final solicitou que eu e o Lu aguardássemos alguns minutos para iniciar o momento da degustação dos vinhos.
Para nossa feliz surpresa, eramos somente nós dois que faríamos a degustação. Deu pra sentir no ar a inveja dos turistas desavisados, que indagaram ao guia sobre como poderiam aderir. Sorry, gente, somente para horários seguintes…me senti Very Important Person! Risos.
Nos posicionamos frente à mesa, já arrumada com as taças, os vinhos, amêndoas e castanhas, os pães e o azeite de oliva. Um cenário encantador, iluminado pelas luzes amareladas dos lustres antigos no teto.

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José iniciou as explicações sobre a constituição dos três tipos de vinhos produzidos pela bodega que experimentamos: um tannat rosado, um pinot noir, e um 100 % tannat. E as harmonizações com os diferentes tipos de queijos.
Eu estava encantada com aquele momento, pois adoro vinhos e todo o universo relacionado a eles, como visitas às vinícolas e degustações de diferentes tipos de vinhos. Tive um déjà vu da minha trip por Mendoza, Argentina, link aqui Mendoza – Argentina “Pelos caminhos do vinho”, para onde pretendo retornar em breve, talvez no inverno deste ano ainda, pra degustar muitos Malbecs nas bodegas da região.
Resumo da história: o José nos deixou ali sozinhos com as TRÊS garrafas dos vinhos degustados à nossa disposição por duas horas. Não preciso dizer que rimos muito, falamos bobagens, e saímos da Narbona de pileque, mas felizes da vida.

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Não consegui nem atinar de comprar umas garrafas daquele vinho maravilhoso. Abandonei definitivamente as reservas que eu tinha com relação ao tannat.
Valeu cada centavo dos 100 dólares (para o casal) que pagamos pela degustação.
Ainda tentamos visita a antiga Capilla Narbona, no retorno para Carmelo, mas o acesso estava fechado.
Tocamos para a praia em Carmelo, estacionamos a Frida numa sombra, abrimos todas as  janelas para ventilar e dormimos feito pedras.

Acordei um tempo depois, suada, num calorão, pois tinha cessado o vento e pegava sol na Frida. O Lu dormia profundamente, alheio à tudo.
Coloquei o biquíni e fui tomar banho no Rio da Prata. Águas mornas, deliciosas.

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Fiquei um bom tempo ali, de molho. Tomei sol, e mais banho de rio. Um bom tempo depois o Lu acordou. Recuperados, seguimos viagem, pelas rutas, em direção à Rivera.
Como já eram 17 horas decidimos seguir viagem até algum ponto, uma cidade, para pernoitar.
Antes, claro, rolou mais um lindo por do sol. O último desta trip uruguaia.

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Paramos a Frida na beira da estrada, colocamos as cadeiras na plataforma superior, e lá tomamos chimarrão e curtimos o espetáculo top 10 do Uruguai.

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Sem palavras para descrever meu sentimento de gratidão ao Universo por poder participar de momentos como este…
Caindo a noite, seguimos pelas rutas. Decidimos fazer um pitstop em Durazno para fazer as compras para o jantar e café da manhã. E depois seguimos por mais uns 50 km, até Paso de Los Toros, pois eu havia lido na net sobre um bonito camping localizado lá, às margens do Rio Negro.
Assim nos instalamos no Camping El Sauce. O Lu preparou nosso jantar, que incluiu bifes acebolados, da deliciosa carne uruguaia, e concluímos que estavam mais saborosos que a parrilla do El Peregrino, no Mercado del Puerto. Acompanhados por umas cervejas Estrella Galicia espanholas… Maravilha!
Dormimos feito anjos.

Nono dia:

Acordamos cedo, tomamos café, organizamos nossas coisas e saímos do camping. Ao acessar a ruta paramos para fazer fotos junto ao touro que dá nome à cidade, também da ponte sob o Rio Negro, e do Centro Cultural, que homenageia o ilustre filho local, o escritor e poeta Mario Benedetti.

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IMG_20180121_075505Tocamos estrada afora, por 280 km, até Rivera, na fronteira com o Brasil, onde chegamos por volta do meio-dia.

Em Rivera conferimos o free shop, fizemos unas comprinhas muito básicas, e almoçamos ali mesmo. Perto das 14 horas iniciamos o trajeto final até em casa. Estacionamos a Frida na vaga da garagem do prédio nove dias depois da nossa partida, cerca de 2.500 quilômetros rodados. Afinal, Frida mostrou a que veio…

Na bagagem, muitas memórias adoráveis de viagem, histórias para contar, lembrancinhas, regalos ( a coleção de imãs de geladeira aumentou consideravelmente, risos) e um sentimento de gratidão e alegria que transcende. Só pela próxima road trip…

Sobre esse sonho realizado de ter uma casinha sob rodas, a Frida, e sair mundo afora, link aqui Frida: A Casinha sob rodas , fica a provocação do artista Carlos Vilaró, ” Sin locura no hay grandeza”.

 

 

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