Brasil

Belém do Pará, Ilha do Marajó, Alter do Chão e Manaus – Desbravando a Região Norte – Brasil

Inicialmente, alerto que preciso de um tempinho razoável da atenção dos leitores, daqueles que se dispuserem a ler sobre essa trip amazônica. O post é longo, e detalhado, na medida do possível… Justifica-se, pela grandiosidade do destino desta viagem: a nossa Amazônia.

Escrevo orgulhosa “a nossa Amazônia”, de peito estufado por ser brasileira, e nosso Brasil dispor de lugar com tamanha riqueza natural e cultural. E feliz, por poder conhecer, e oportunizar que minhas filhas também conhecessem, as maravilhas da região Norte do país.

Como referi antes, o texto é extenso também porque foram no total 13 dias de viagem, com intensa programação, muitos experiências vividas e passeios por lugares lindos. Ou seja, vivemos muita coisa por lá com nossa turminha.

Esta viagem para a Amazônia foi planejada no ano de 2017, à partir do mês de julho, depois que retornei da incrível experiência como peregrina no Caminho de Santiago de Compostela, posts com as narrativas aqui “Pilgrim: Uma aprendiz no Caminho” – Coisas que aprendi no Caminho de Santiago de Compostela – Espanha e da viagem pela Espanha e Portugal narrada nos posts Um amor de viagem – Espanha e Portugal e De mochila em Portugal e Espanha.

Finalizadas estas, pessoa viciada em viagens (risos), comecei a pensar num novo destino. Com a ajuda do amore, o Lu, resolvemos planejar uma viagem para conhecer a Região Norte do país. O planejamento da viagem foi narrado no post Expedição (Excursão) Amazônica e efetivamente ocorreu no mês de dezembro de 2017.

Assim, passamos dias repletos de descobertas, de aventuras e de conhecimento sobre a cultura e a vida na Amazônia. Eu me sentia recebendo lições diárias de Geografia, de História, de Sociologia, de Ciências, de Biologia, tudo de forma dinâmica, ao vivo e a cores…

Durante a nossa denominada “Expedição”, nos fartamos de comer muitos peixes dos rios da região, como o filhote amazônico, pirarucu, tambaqui e tucunaré. Todos muito saborosos e frescos, servidos fritos, ensopados, na forma de caldeirada e assados.

O pessoal do grupo ainda provou o tacacá, caldo feito de tucupi acompanhado de jambu, caranguejos enormes, vatapá, filé marajoara, baião de dois… Também experimentamos muitas frutas típicas da região amazônica, in natura, em sucos, e em sorvetes, como o açaí, cupuaçu, graviola, taperebá…

Segue então nosso roteiro amazônico, dia a dia…

08/12/17 (sexta-feira) – Saímos de casa por volta das 7 horas, para fazer o deslocamento de carro até Porto Alegre. Aí já se vão mais de cinco horas de estrada.  Guardamos o carro na garagem e pegamos o voo para Belém do Pará, que partiu às 15 h do Aeroporto Salgado Filho. Após conexão em São Paulo, chegamos em Belém às 22 h 30 min. Voo tranquilo e pontual. O Lu e o Thiago nos esperavam no aeroporto, pois eles tinham chegado mais cedo na cidade, por volta do meio-dia. Ao sair na calçada já deu pra sentir o calor úmido e abafado que nos acompanharia durante toda a nossa estada lá no Norte.

A expectativa da chegada da Marla, Luís e Jasmim no mesmo horário que o nosso se frustrou, pois o voo em que eles vinham já saiu atrasado, tendo como consequência a chegada em Belém já na madrugada, em torno das 3 h da manhã. Nos instalamos no Hotel de Trânsito do Exército em Belém do Pará e fomos descansar. No dia seguinte iniciaríamos nosso roteiro.

09/12/17 (sábado) – De manhã, com a reunião de todo o grupo, tomamos café e juntamos nossas coisas. Dois ubers nos levaram do hotel até o Terminal Hidroviário de Belém “ Luiz Rebelo Neto” (Galpão 9 das Docas). Tomamos uma lancha até Soure, capital do Marajó, num trajeto de duas horas. A lancha partiu às 8 h 15 min. Fizemos essa viagem pela Tapajós Expresso. Pagamos R$ 48,00 por cada ticket de passagem. Valeu muito a pena ir no conforto do ar condicionado, em poltronas reclináveis.

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A lancha confortável que nos levou até Soure

Logo ao descer em Soure conhecemos o taxista Seu Cléo, que foi nosso transporte durante a permanência em Marajó. Éramos 10 pessoas dentro do carro de Seu Cléo. Nos divertimos muito durante os deslocamentos, com a galera empilhada dentro do carro, no maior bafo, um grude.

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Transporte no estilo marajoara. Estou lá no fundo, de óculos escuros, espremida.

Nos instalamos na Pousada O Canto do Francês. Bem boa a pousada. Tem o mais importante nas terras do Norte: ar condicionado. No café da manhã serviram tapiocas e o cremosinho e suave queijo de búfala.

O arquipélago de Marajó é considerado a maior ilha fluvial do mundo. Na verdade, são várias ilhotas formadas pelo alagado.

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Soure é uma cidade empoeirada com cerca de 22 mil habitantes, com casas de madeira prestes a ruírem. Nas ruas se vê búfalos pastando ou descansando calmamente nas sombras das mangueiras. Uma típica cidade dos confins do Brasil, um tanto abandonada.

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Cena comum em Soure. Búfalos por toda parte.

Após nos instalarmos na pousada fomos almoçar no restaurante Delícias da Nalva, sobre o qual li indicações na internet. Gostosa comida regional, mas nada de mais.

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Filé marajoara, carne de búfalo.

Aproveitei esse momento inicial da viagem, enquanto aguardávamos chegar nosso pedido de almoço, para distribuir as camisetas personalizadas da nossa designada “Expedição (Excursão) Amazônica Kre e Wer & Cia”, um trocadilho divertido com o sobrenome do Luciano, Luís, Marla e Thiago. Foi uma surpresa que eu programei para o grupo. Durante os dias que antecederam à viagem, contratei um profissional que criou a arte,  comprei o tecido, malha de algodão, minha querida e habilidosa mãezinha costurou as camisetas, e por fim, mandei estampar em serigrafia. Modéstia à parte, ficaram lindas! Acho que a galera gostou, pois usaram várias vezes durante a viagem!

Concluído o almoço, passamos no ateliê Casa da Cerâmica para conferir o artesanato marajoara do ceramista Carlos Amaral. Lá a mulher dele nos atendeu, explicou sobre o processo de criação e elaboração das peças, seguindo o método tradicional. Ela fez uma brincadeira de adivinhação sobre os personagens/animais que estavam representados em algumas peças. Resultado: eu e o Luís adivinhamos e por isso ganhamos cada um uma lembrancinha, que nos daria “poder” de “não sermos contrariados” por nossos pares até o final do ano. Não disse qual ano, né. Risos. Ah, acrescentou que não poderíamos mostrar para ninguém as peças. Legal a dinâmica. Pena que aproveitei pouco meus superpoderes, nem exigi muita coisa…

Em seguida convidou o Thiago para sentar na engenhoca onde se moldam as peças à partir do barro. E assim foi demonstrado, com a participação do Thiago, sobre o processo de criação das cerâmicas. Muito legal!

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De lá Seu Cléo nos levou até à sede da Fazenda São Jerônimo, onde há criação de búfalos. Todos ansiosos pelo momento de andar no lombo dos animais.

Eu havia reservado esse passeio antecipadamente, pelo site da Fazenda, e pagamos o valor de R$ 100,00 por pessoa, diretamente no local, sendo que as crianças pagaram metade.

Primeiro os guias nos conduziram por uma pequena trilha até acessarmos um igapó, onde entramos numa canoa. Com três guias nos remos, fizemos um passeio pelo rio, observando as plantas e animais que vivem ali. Macacos, aves, como os guarás, muitos pés de açaí…

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De canoa seguimos até uma prainha formada por um banco de areia. Lá o igapó se junta ao mar, deixando a água salobra.  Fizemos uma caminhada por uma praia deserta, a Praia do Goiabal, chamando a atenção as árvores com as grandes raízes (galhos, na verdade) à mostra, junto à praia. Em seguida acessamos uma passarela de madeira que passa sob um incrível e grande manguezal. Ao longo do caminho, placas contam algumas lendas da região. De quebra, e para coroar o passeio, 20 minutos montados em búfalos. Ou seja, em duas horas tivemos uma amostra do melhor do Marajó.

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O enorme manguezal

Na volta para a sede da fazenda fomos recebidos com muito suco de frutas regionais. Um passeio maravilhoso, inesquecível!

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Os búfalos são grandes, e dóceis.

Da fazenda seguimos com Seu Cléo para a Praia de Barra Velha. Barra Velha é uma praia de água salobra, formada pela foz do rio Amazonas e pelo Oceano Atlântico, com uma grande faixa de areia na praia, e com as árvores características. As crianças adoraram brincar nas águas tranquilas. Ficamos lá até bem no finalzinho da tarde. Depois retornamos para a pousada, onde jantamos. Todo mundo bem cansado, dormimos feito pedras.

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Final de tarde na linda Praia de Barra Velha

10/12/17 (domingo) – Acordamos cedo, organizamos nossas coisas, pleiteamos um check out tardio na pousada, no que fomos atendidos, e fomos curtir mais um pouco da Praia de Barra Velha. Gostaríamos de ter ido conhecer a Praia do Pesqueiro, mas como fica mais distante da cidade, perderíamos muito tempo no deslocamento. Acertamos o transporte que nos levaria até o Porto de Camará desde a pousada às 12 h 30min.

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Tivemos uma linda manhã de curtição na praia, regada à cerveja, peixe frito e caranguejos. Foi difícil sair dali, mas não tinha jeito, tínhamos horário, do contrário perderíamos o barco para regressar à Belém.

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Pudemos caminhar por dentro da água por uns 100 metros, até um banco de areia, pois o nível da água ainda estava baixo, formando piscinas. Uma delícia.

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Uma gentil senhora, Dona Ana, proprietária de um dos bares instalados na praia, veio nos alertar para não nos demorarmos muito no banco de areia, pois com o passar das horas formam-se correntezas no ponto que serve de passagem, e muitas pessoas perderam a vida ali, arrastadas pelas águas. Nós tivemos cautela, curtimos um pouco, fizemos fotos e logo retornamos para a segurança da beirinha da praia.

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Caranguejos gigantes no almoço

De volta à pousada, rapidamente nos arrumamos e logo chegou o micro-ônibus, que nos levou até o Porto de Camará, no município de Salvaterra, antes passando sob o rio Paracauari em uma balsa.

Ao chegarmos no porto nos ajeitamos nos assentos de um barco regional, bem típico, de dois andares, que é utilizado como transporte diário pela população local. Desta vez viajamos sem ar condicionado, só contando com o vento que soprava no rio, por cerca de 3 horas, até o Terminal Hidroviário de Belém.

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No barco regional, como os locais.

É claro que a galerinha passou o tempo circulando pelo barco, fazendo lanches e fotos, entre cochilos. Foi divertido.

Na chegada em Belém fomos agraciados com um lindo por do sol sob o rio Guajará, que rendeu lindas fotos.

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Nossa turma de desbravadores do Norte do Brasil, devidamente uniformizados.

Nossa passagem por Marajó foi rápida, mas importante. Inesquecível, com certeza. Ficamos felizes por poder ter essa experiência sobre a cultura marajoara. Restou a vontade de uma dia retornar para aquele santuário da natureza.

Dalcídio Jurandir, escritor marajoara do século passado, escreveu lindamente sobre Marajó: “o sol me deu bons dias através da janela. E me disse baixinho: ‘irmão, faça a oração da luz às árvores e ouve os passarinhos”.

Ao chegar no terminal em Belém ainda tivemos disposição pra ir conhecer a Estação das Docas, um antigo porto fluvial convertido em centro gastronômico, após ter sido revitalizado, que conta com vários restaurantes, bares, cervejaria, sorveteria. Tudo climatizado, claro. Um lugar muito bonito e agradável, de frente para a baía do Rio Guajará.

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Primeiro fomos direto ao banheiro para dar uma disfarçada, um “tapa” no nosso visual, que estava um grude, após horas navegando, sob o maior calor. Depois fomos tomar umas cervejas na Cervejaria Amazon Beer, produtora de cervejas artesanais com sabores regionais. Depois das cervejas, fomos comer pizzas, e na sequência sorvetes, da tradicional sorveteria Cairú, que oferece sabores como taperebá, castanha, açaí, cupuaçu. Experimentamos alguns desses sabores exóticos. Tudo delicioso. Melhor ainda tendo a vista do rio e o reflexo das luzes do complexo. Muito bacana.

Dois ubers nos levaram de volta para o hotel. Antes de desmaiar exaustos nas camas, fizemos a brincadeira do Amigo Secreto, para ser divulgado no último dia de nossa expedição. Uma lembrancinha dessa inesquecível viagem seria muito bem vinda.

11/12/17 (segunda-feira) – Após o café, ubers nos conduziram até o Mercado Ver o Peso. O Mercado é uma grande mostra do potencial de recursos naturais da região amazônica. Adorei. Muito calor, suor, umidade. As crianças reclamaram um pouco, estavam impacientes com o calorão. Permanecemos um tempo por ali e depois caminhamos até  o Complexo Feliz Lusitânia, onde estão localizados o Forte do Presépio e a  Casa das Onze Janelas. Uma pena que, por se tratar de uma segunda-feira, os locais se encontravam fechados. Tivemos que nos contentar com a visão externa dos prédios.

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Inaugurado em 1901, é um dos mercados públicos mais antigos do Brasil
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As garrafadas, para curar todos os males. À venda no Mercado Ver o Peso

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Forte do Presépio

Chegando a hora do almoço decidimos ir fazer a refeição no conforto do ar condicionado de um shopping, o Boulevard Shopping Belém. Na sequencia retornamos para o hotel, pois as crianças só queriam saber da piscina. No cúmulo do calor, suor e abafamento, caiu uma gostosa pancada de chuva. Continuamos ao redor da piscina, envolvidos com brincadeiras e jogos. Decidimos organizar o jantar no hotel mesmo, após comprar alguns itens no supermercado. Na sequência, cama. Todo mundo exausto.

12/12/17 (terça-feira) – Depois do café da manhã fomos conhecer o Jardim Botânico da Amazônia “Bosque Rodrigues Alves”. É uma área de preservação ambiental que abriga mais de 80 mil espécies de flora e fauna da região amazônica. Legal. Gostei especialmente de ver o enorme peixe-boi e os macaquinhos. Feito o passeio ali, retornamos ao hotel para pegar nossas  bagagens e seguimos para o aeroporto. Lá mesmo almoçamos e então tomamos o voo para Santarém. Uma hora depois, pousamos.

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Morador do Jardim Botânico. Vive livre nas árvores.
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Vista aérea de Alter do Chão, a Ilha do Amor (estreita faixa de areia) e as praias

O Seu Luís nos aguardava com sua van, serviço de transfer que eu havia contratado antecipadamente, por indicação do pessoal da pousada.

Assim, confortavelmente, seguimos no ar condicionado do veículo até a Pousada e Hostel Tapajós, em Alter do Chão, por 32 km de via asfaltada. Nos instalamos nos quartos da pousada. Gostamos do lugar: simples, mas com o essencial (ar condicionado), com um bom café da manhã, frutas regionais, sucos, bolo, preparam omeletes, ovos fritos.

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Um morador da pousada deu o ar da graça por lá

No restante da tarde curtimos a Praia do Cajueiro, que fica bem pertinho da pousada, tendo no horizonte a vista da Serra da Piroca. Depois fomos dar uma volta no centrinho, fizemos compras no mercadinho para o jantar. Alimentados, desmaiamos nas camas.

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Muitos banhos nas águas mornas e claras do Rio Tapajós

Alter do Chão é conhecida como o “Caribe Brasileiro” ou o “Caribe da Amazônia”. Além da pequena e tranquila vila, há praias de areias brancas, água cristalina, igapós, florestas inundadas, árvores centenárias e comunidades ribeirinhas, compondo um cenário que nos dá a sensação de ter encontrado o verdadeiro paraíso amazônico.

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Na chegada, um por do sol de arrasar, de boas-vindas

13/12/17 (quarta-feira) – Ficamos pela manhã na pousada. Preparamos o almoço. À tarde, depois de descansarmos, fomos para a Ilha do Amor. Canoeiros levam e trazem pessoas  para a ilha o dia inteiro. Nós resolvemos atravessar a pé o braço de rio, com a água pela cintura, pelo peito, na parte que separa a Ilha da vila, pois fica em frente, bem pertinho e o nível da água estava baixo.

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A Ilha do Amor

Já na ilha, nos instalamos nas cadeiras de uma das barraquinhas que vendem lanches e bebidas e ficamos lá curtindo a tarde de praia. As crianças e o Luís se animaram para andar de stan up. Aos poucos o tempo virou, se armou para chuva, que então chegou com vento, levantando areia. Mas foi apenas uma chuva de verão, que logo passou. Retornamos para a vila de carona num barquinho, até a Praia do Cajueiro, e de lá para a pousada. Na sequência, preparamos o jantar, e descansamos nos quartos.

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Prenúncio de chuva, o céu carregado

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14/12/17 (quinta-feira) – Choveu bastante durante a noite e o dia amanheceu com chuviscos. Ficamos em dúvida sobre realizar ou não o passeio agendado com o condutor de uma lancha, que nos levaria para conhecer a Flona, a Floresta Nacional de Tapajós. Por fim, incentivados pelo barqueiro, que afirmou conhecer o tempo na região, e que a chuva deveria parar em breve, partimos numa lancha à partir do CAT, o Centro de Atendimento ao Turista, localizado no terminal fluvial da Praça Borari.

Gente, foi uma aventura… E hard. Já embarcamos na lancha com chuvisco, que logo avançou para uma chuva grossa, no trajeto pelo rio Tapajós, por cerca de 1 h 30 min. Chegamos na comunidade de Jamaraquá ensopados. Chovia sem cessar. Crianças reclamando de frio. Nos organizamos no restaurante da Dona Conceição, colocamos tênis, deixamos as toalhas molhadas pra ver se secavam (óbvio que não, muita umidade, chuva). O guia, morador local, nos acompanhou na trilha pela floresta por cerca de 4 quilômetros, até uma Sumaúma, uma grande árvore da Amazônia.

A samaúma ou sumaúma é tipicamente amazônica, conhecida como “árvore da vida” ou “escada do céu” . Os indígenas a consideram “a mãe” de todas as árvores.

 

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Molhadas até a alma, mas felizes junto à sumaúma

A caminhada na mata foi agradável, um pouco cansativa, mas não extenuante. O calor foi amenizado pelo chuvisco, que caiu sem parar durante todo o trajeto. Havia alguns trechos mais íngremes, sem pontos para segurar. Recomenda-se ir de calçado fechado para a caminhada, como nós fizemos. Também é bom ter garrafas de água durante a caminhada, e algum lanchinho.

As crianças me surpreenderam. E positivamente. Em casa não caminham mais do que dois quarteirões sem reclamar, com tempo seco. E na floresta, enfrentaram bem a aventura de caminhar abaixo de chuva, completamente molhadas, num trajeto total de mais ou menos 8 quilômetros, cerca de duas horas e meia de caminhada. Teve algumas reclamações de cansaço, mas nada de mais.

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Firmes na trilha, abaixo de chuva

Quando retornamos à comunidade, no restaurante de Dona Conceição, onde almoçamos, não tínhamos nenhuma roupa ou toalhas secas. Permanecemos encharcados durante o almoço. Que deve ser registrado – estava delicioso. Peixes, frito e assado, acompanhados de feijão, arroz, farofa e saladas.

Iniciamos o trajeto de retorno para Alter, na lancha, pelo rio, sempre sob chuva. Todos molhados, com frio, cansados, improvisamos uma proteção com uma lona alcançada pelo barqueiro.

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Tem perrengue na expedição também. Sacos de lixo viraram capa de chuva.

Mesmo assim, tivemos disposição para uma parada num banco de areia no meio do rio, onde tomamos banho nas águas mornas. Brincamos, agitamos, para espantar o frio. Depois, enrolados em toalhas molhadas, embaixo da lona, seguimos até o terminal fluvial, no CAT.

Na chegada rolou uma DR entre o Lu e o barqueiro. O Lu estava indignado com o tratamento precário dispensado aos turistas (nós, no caso) por ele. A lancha não tinha estrutura, o barqueiro não estava preparado para transportar turistas pelo rio, abaixo de chuva. A insistência dele para que fizéssemos o passeio, garantindo então, o seu dinheiro, nos submeteu ao frio, ao vento, todos encharcados de chuva.

Na pousada, depois do banho quente, jantamos, e capotamos na cama. Fiquei receosa que as crianças pudessem gripar ou apresentar dor de garganta, mas graças a Deus, nada disso aconteceu. Na manhã seguinte estávamos todos novinhos em folha. Com mais uma boa história de aventuras na Amazônia para lembrar.

15/12/17 (sexta-feira) –  Eu e o Lu combinamos de acordar cedinho para ver o nascer do sol na Praia do Cajueiro. Eu adoro esses momentos. Mesmo com soninho, fomos apreciar. Estava lindo, com a praia praticamente deserta. Uma energia ótima.

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Mais um amanhecer na conta

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A lindeza do rio Tapajós, visto do CAT

Para este dia agendamos um passeio de lancha, que durou o dia todo, pelas praias formadas no Rio Tapajós. Contratamos um tour com o Luís, um barqueiro indicado pelo pessoal da pousada. Camarada simpático, tranquilo, conhecedor da região.

Depois da chuvarada do dia anterior, amanheceu um lindo dia de sol. Subimos na lancha e iniciamos o passeio pelo Rio Tapajós, que é um afluente do Rio Amazonas. Impressionou o fato de que o rio parece um mar. Primeiro, porque a água é cristalina, de tons verde-azulado. Segundo, porque o rio é tão grande que é difícil enxergar o outro lado da margem. O rio chega a ter 19 km de largura em algumas partes.

Iniciamos o passeio pela Praia de Ponta das Pedras, onde passamos a manhã e também almoçamos uma variedade de  peixes, além de frango, com acompanhamentos. Uma refeição farta e deliciosa.

Uma maravilha permanecer sentada embaixo do guarda-sol, com os pés de molho dentro do rio, aproveitando as águas mornas e calmas.

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Relax total na Ponta de Pedras

Mais tarde seguimos pelo rio até a Lagoa Preta, que fica escondida na mata e tem esse nome por ser muito escura. Ficamos na beirinha, junto à areia e nadamos com os peixinhos.

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No retorno para a vila de Alter, fizemos a esperada parada na Ponta do Cururu para assistir o por do sol. Se trata de um banco de areia no meio do rio, que forma uma paisagem deslumbrante. Parece que você está andando sob as águas do rio. Várias embarcações param ali para os turistas curtirem o sunset de babar, com o sol caindo no horizonte, dentro do rio Tapajós. Sensacional! Fizemos muitas fotos lindas. De quebra, foi possível visualizar vários botos nadando no rio. Muito legal.

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Momentos lindos para recordar com o amore
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Me senti andando sob as águas
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Nossa turminha curtindo o por do sol no rio
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O visual…

Encerrado o espetáculo do Rei Sol, retornamos para a pousada. Depois do banho fomos para o centrinho da vila, na pracinha,  para passear e jantar, ao som de música ao vivo. Na volta para a pousada, dormimos como pedras, efeito de muito sol, banhos de rio e brincadeiras na água.

16/12/17 (sábado) – Depois do café da manhã fomos ao centrinho fazer comprinhas de artesanato, lembrancinhas. Eu e as meninas ainda aproveitamos para um último banho de rio, na Praia do Cajueiro. O restante do grupo ficou de molho na pousada, organizando o almoço e as mochilas.

Após o almoço, fizemos o check out na pousada e aguardamos a chegada da van do Seu Luis, que chegou pontualmente, e nos conduziu com tranquilidade de volta ao Aeroporto de Santarém.

Nosso voo decolou às 14 h 30 min, com destino à Manaus. Voo tranquilo. Chegamos e fomos com ubers direto nos instalar no Hotel de Trânsito do Exército. Depois fomos até um supermercado comprar lanches, comida para o jantar, refrigerante, água e guloseimas. As crianças ainda curtiram a piscina do hotel. Jantamos ali mesmo e depois dormimos no conforto do ar condicionado.

17/12/17 (domingo) – Este dia foi muito especial. Foi o aniversário de casamento da Marla e do Luís. Preparamos para eles vários momentos de celebração durante o dia. Desde o café da manhã até o jantar. As crianças estavam entusiasmadas com o evento: recitaram poesias românticas, cantaram, fizeram brincadeiras com o casal, cantamos parabéns no café da manhã, entregamos um presente, uma lembrancinha. Foi tudo muito bacana. Nos esforçamos para que o casal, Tio Luís e Tia Marla, tivessem um dia marcante. Com certeza, o foi para nós.

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O casal soprando velinhas no café da manhã

Eu já havia acertado para esse dia um passeio de barco pelo Rio Negro e Rio Solimões com uma agência de turismo local. Na hora combinada a van nos pegou no hotel. Após passarmos em alguns hotéis, arrecadando turistas, chegamos na Estação Hidroviária de Manaus.

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Os típicos barcos da Amazônia

Esse passeio foi um de nossos preferidos durante a viagem ao Norte do país. O guia, no barco, ia explicando tudo detalhadamente.

Ah, é claro que divulgamos o evento especial do dia, o aniversário de casamento, e rolou um “parabéns a vocês” no barco, cantado por todos os passageiros. Show!

Primeiro o barco nos levou até o encontro das águas dos rios Negro e Solimões. À partir desse encontro ele passa a chamar-se Rio Amazonas. Bem interessante constatar os diferentes tons das águas, uma mais escura (Rio Negro) e outra mais clara, amarelada (Rio Solimões), que permanecem por um bom trajeto separadas, sem se misturarem.

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O encontro das águas. À partir daí se chama Rio Amazonas

Avançamos pelo Rio Negro, em direção ao Parque Ecológico January, visualizando as comunidades ribeirinhas, as vilas de casas flutuantes. Então fizemos uma parada num flutuante turístico, que possui criação de várias espécies de peixes, em especial o Pirarucu (maior peixe com escamas de água doce do mundo) criado em tanques, que fazem a alegria dos turistas como nós.

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Uma comunidade que vive em casas flutuantes

Por 5 reais o pessoal fornece duas varas de pesca já com a isca, sem anzol, e os turistas brincam de pescar os peixões. É bem divertido. Tanto os adultos quanto as crianças adoraram a movimentação dos pirarucus atrás das iscas.

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Ali mesmo fizemos algumas compras de artesanato local, que são vendidos pelos moradores.

Encerrada a brincadeira da pesca, o barco foi para a outra margem do rio, onde se localiza o restaurante flutuante onde almoçamos.

Antes de se acabar na comilança de peixes, preparados de várias formas,  e um farto buffet, caminhamos por uma passarela de madeira de cerca de 200 metros, para visitar o Lago das Vitórias-Régias. No local tinha um jacaré tomando sol, bem à vontade, livre. Ainda bem que tínhamos a visão à partir de uma plataforma elevada. No caminho, nesta passarela, pudemos observar vários macaquinhos que brincavam livremente nos galhos das árvores.

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Conhecemos o ilustre morador do Lago das Vitórias-Régias

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Seguimos até uma sumaúma, onde, para nossa surpresa, havia alguns moradores segurando animais, como bicho preguiça, uma cobra e um filhote de jacaré, para que os turistas fizessem fotos.

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A grande sumaúma

Apesar de sabermos que não é uma atitude bacana, eis que se trata de um tipo de privação de liberdade dos animais silvestres (maus tratos, talvez), foi difícil conter a curiosidade e a alegria das crianças por poderem interagir com eles.

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O guia ressaltou que a presença de tais pessoas ali, com o claro intuito de ganharem gorjetas em troca de fotos dos turistas com os animais, não fazia parte da programação da empresa.

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Retornamos ao restaurante para o delicioso almoço de comidas típicas da região amazônica, acompanhado de sucos de frutas. Com uma baita preguiça, fomos para o barco para retomar o passeio pelo rio.

A próxima parada foi o que, por unanimidade, considerado o ponto alto de nossa viagem à Amazônia: nadar com os botos.

O barco seguiu pelo rio até o ponto onde ficam os receptivos flutuantes, locais de apoio onde os tratadores alimentam os animais com peixes, o que faz com que eles venham buscar a fácil refeição. Sensacional!

Todos colocamos os coletes salva-vidas e entramos na água, formando um círculo. O tratador fica no centro, chamando os botos com os peixes que lhes serão servidos.

E eles vieram em grande número, tanto os botos cor de rosa como os cinzas, os tucuxis. A orientação do tratador era pra não gritar, não fazer barulho, para não espantar os animais.

Eu, de cara, quando entrei na água, e um deles raspou em mim, já gritei, espontaneamente, no que fui repreendida. Sorry… saiu no automático.

Tratei de me acalmar para curtir aquele momento precioso. As crianças estavam deslumbradas. Os adultos também.

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Os botos são muito dóceis, tranquilos, passavam por entre nossas pernas. Foi sensacional!

Pena que o tempo estipulado, cerca de dez minutos, passou muito rápido. Tivemos que sair, para dar lugar a outro grupo. Ficamos no deck, curtindo a brincadeira dos outros que estavam na água, fazendo dezenas de fotos dos bichinhos.

No final, o querido do guia ainda proporcionou que somente as crianças pudessem retornar à água para mais alguns momentos de interação com os animais. Elas ficaram realizadas, extasiadas pela emoção da experiência.

Concluída a visita aos botos, seguimos para mais um trecho de navegação, para conhecer a tribo indígena Dessana, que vive às margens do rio. Eles nos receberam, nos encaminharam para uma grande palhoça, onde sentados, assistimos a apresentação de danças e de cantos entoados pelos índios (rituais indígenas). No final fizemos fotografias com eles e compramos artesanato.

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Foi muito bacana o momento em que eles convidaram os visitantes para dançarem com eles. Nesta leva foi o Thiago, de mãos dadas com uma índia.

Também disponibilizaram aos visitantes algumas comidas para provar, formigas e larvas assadas na brasa. O Lu e a Marla experimentaram. Eu deixei passar. Realmente não estava com fome…

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O Lu encarou as iguarias indígenas. Eu passei essa…

Depois disso o barco nos conduziu de volta até o porto de Manaus, passando pela Ponte Rio Negro, e chegamos no Terminal Hidroviário por volta das 16h 30 min.

Foi um passeio memorável. Inesquecível esse dia.

Retornamos com a van da agência para nosso hotel. A galerinha já seguiu para a piscina. Permanecemos ali, tomando umas cervejas e fazendo brincadeiras com o casal Marla e Luis.

À noitinha, todos de banho tomado, jantamos no hotel mesmo e fizemos mais umas homenagens aos “noivos”, cantando em coro a música “De janeiro a janeiro”, do Nando Reis, e entregamos um presente coletivo, de lembrança da data. Acho que eles gostaram. A gente curtiu!

Depois de um dia tão intenso, restou dormir largado.

18/12/17 (segunda-feira) – Neste dia tínhamos programado uma visita às cachoeiras de Presidente Figueiredo, um município que fica a cerca de 125 km de Manaus. Contratamos o tour com a agência de turismo Amazon Eco Adventures. No horário combinado a van, com o guia de turismo, veio nos buscar no hotel. Seguimos pela BR-174.

Após uma pausa na estrada asfaltada, para um café, seguimos. A primeira parada foi na Estrada da Represa de Balbina, onde conhecemos o Parque Caverna do Maruaga.

Fazia muito calor, estava muito abafado. Munidos de garrafas de água e disposição, iniciamos a caminhada pela trilha na floresta, acompanhados pelo guia da agência. Esta caminhada durou cerca de duas horas e meia, pois teve várias paradas, onde o guia explicava sobre as árvores, plantas, cipós e pequenos animais, como as grandes formigas.

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Grande diversidade de árvores e plantas na trilha

Em dado momento chegamos na entrada de uma grande caverna em arenito, com água escorrendo pelas paredes externas, formando pequenas cascatas.

Fizemos uma pequena caminhada dentro da caverna, por onde corria um córrego, observando os grupos de morcegos no teto e aranhas nas paredes, Em dado momento o guia propôs que desligássemos a luz das lanternas.

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Iluminados pelo flash da câmera. Dentro da caverna só escuridão.

Apesar do medo, as crianças encararam o desafio. Todos abraçados, permanecemos na escuridão por cerca de uns 30 segundos (pareceu bem mais!), escutando os barulhinhos do interior da caverna.

Confesso que, assim como as crianças, fiquei aliviada quando retornamos ao exterior. Mas foi uma experiência legal sim!

Continuamos circundando um paredão de arenito, com água acima dos pés, por cerca de 200 metros, tendo muitas plantas ao redor.

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Sempre seguindo a trilha, mais adiante, chegamos na Gruta Judéia, onde as crianças tomaram banho na piscina formada pela queda de água. Parecia um cenário de filme de ficção, mas sim, era a verdadeira Amazônia.

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Quando encerramos a trilha as crianças desabaram num banquinho improvisado. Estavam realmente cansados. Foi mais um desafio vencido, superação.

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A van então nos conduziu até a cidade de Presidente Figueiredo. Almoçamos num restaurante localizado ao lado do Parque Municipal, local com bonita paisagem da corredeira do rio Urubui.

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Monumento na cidade de Presidente Figueiredo

No almoço, muito peixe, servido das mais variadas formas. Tudo delicioso.

Na segunda parte do passeio, à tarde, começou a chover. Mesmo assim, fizemos uma visita à Cachoeira do Santuário. Lá, em meio à mata, vimos uma sequência de cachoeiras, e no final forma-se uma piscina. Como a chuva deu uma trégua, tomamos banho e brincamos na água, inclusive saltando de um trampolim.

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Depois disso iniciamos o retorno para a cidade de Manaus, onde chegamos à noite. Em boa parte do trajeto o grupo dormiu, todo mundo exausto.

No hotel, hora do banho e não demorou muito, todos adormeceram.

19/12/17 (terça-feira) – Depois do café fomos conhecer o Zoológico do Cigs, que é o Centro de Instrução de Guerra na Selva do Exército. Fica situado bem em frente ao Hotel de Trânsito onde estávamos instalados em Manaus. Foi um momento bacana porque o Luís pode visitar o local onde recebeu instrução militar anos atrás. Enfim, todos curtimos ver mais de 200 animais da fauna da Amazônia, que vivem ali, e que foram encontrados em situação de cativeiro e de maus tratos. Destaque para o Aquário Amazônico, o viveiro dos macacos e das aves, e claro, o viveiro das onças. Se pode ver os felinos do alto de uma passarela de concreto.

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Quando estávamos encerrando o passeio dentro do Cigs despencou uma chuva forte. Aguardamos abrigados na lanchonete do local, e quando amenizou seguimos com ubers para o centro da cidade, para almoçar. A galera estava saudosa de comer carne, depois de tantos peixes nas refeições. Coisa de gaúchos!

Pesquisamos na net e encontramos uma opção de restaurante tipo buffet, onde além de peixes, também oferecia opções de carnes grelhadas. Localizado pertinho do Teatro Amazonas.

Almoçamos de forma satisfatória lá e depois fomos fazer um tour pelo teatro.

O prédio é imponente, a expressão mais significativa da riqueza de Manaus durante o ciclo da borracha.

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Durante o tour guiado por seu interior, visitamos as salas do teatro, com luxuosa decoração, que deslumbra os turistas, especialmente o Salão Nobre, e o espaço do teatro, onde está o palco, as cadeiras da plateia, e os camarotes.

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O bacana é que descobrimos que naquela noite haveria um espetáculo de Natal sendo apresentado no tetro, um musical. E o melhor: gratuito! Óbvio que não poderíamos perder a oportunidade de conferir o teatro em pleno funcionamento.

Já nos agendamos com relação ao horário, informados que haveria grande fila,  e seguimos com nosso passeio pela capital amazonense.

Fizemos muitas fotos no teatro e então seguimos caminhando, uma pernada, até o Mercado Municipal Adolpho Lisboa. O mercado tem uma arquitetura em estilo Art Nouveau, com belo trabalho em ferro e vitrais coloridos, e é tombado como patrimônio nacional.

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Localizado próximo ao ruidoso porto, uma delícia de lugar. Principalmente para mim, que adoro visitar os mercados das cidades durante as viagens. Acho que eles expressam bem a cultura do lugar, por meio do artesanato, das comidas e bebidas. E também com a presença dos locais, claro, os moradores, e seus hábitos e costumes.

Neste então, muito artesanato regional, frutas, verduras, carnes, peixes, folhas para chás… Aproveitamos para comer sorvetes feito à base de frutas regionais, sucos…Achei bem organizado e limpo o lugar. É claro que rolou comprinhas de artesanatos. Especialmente para presentear o Amigo Secreto,  que foi desvendado à noite. As crianças estavam com muita expectativa em relação a esse momento.

Feitas as compras e lanchinhos, seguimos para o hotel. A crianças estavam suadas, cansadas, calorosas, ansiosas por um banho de piscina. E assim foi na chegada ao hotel.

Logo à tardinha preparamos lanches, pizzas, hamburguers, e macarrão instantâneo, para o jantar. Em seguida foi a hora da esperada revelação do Amigo Secreto. Aquela tradicional brincadeira de descrever o amigo e tal. Foi um momento bem bacana da nossa viagem. Para ser lembrado com carinho.

Eu, o Lu, na companhia do Thiago, acionamos um uber para nos levar até o Teatro Amazonas. Os demais permaneceram no hotel. O Luis, a Marla e a Jasmim partiriam depois da meia-noite e então estavam organizando suas coisas, seus pertences. Meu trio de gatinhas também preferiu permanecer no hotel.

Chegando no Teatro, uma grande fila se formava ao redor do prédio (espetáculo gratuito tem disso), mas que fluiu de forma rápida e organizada. Logo estávamos dentro do Teatro, instalados num camarote, com uma ótima visão do palco, onde ocorreria a apresentação do musical.

No horário marcado, sem atraso, começou a apresentação do musical “Ceci e a Estrela – O Natal na Floresta”. Muito legal! Eu estava emocionada pela oportunidade maravilhosa de estar naquele lugar, num teatro lindo, carregado de história, assistindo um espetáculo de Natal. E na companhia de pessoas tão especiais, o Lu e o Thiago.

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A linda montagem do espetáculo de Natal

No fim, lamentei não ter trazido as meninas para assistirem conosco, pois o espetáculo foi tão bonito. Mas ok, elas terão a oportunidade que criarem…

Retornamos ao hotel, e dormimos tranquilamente sob as bençãos do ar condicionado.

20/12/17 (quarta-feira) – Quando acordamos, a Marla, o Luís e a Jasmim já tinham partido de Manaus num voo na madrugada. Ficamos eu, o Lu, e nossas crianças.

Depois do café chamamos um uber e fomos curtir a praia da Ponta Negra.

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Praia da Ponta Negra, em Manaus

Chegamos lá, nos instalamos em cadeiras na areia, e as crianças foram brincar na água do rio. Eu e o Lu ainda fizemos uma caminhada pela praia.

Foi divertido tomarmos uma sobra de vinho da noite anterior, que o Lu trouxe na mochila. Na praia, em copos de plástico, ainda pela manhã…risos.

Todos sentados nas cadeiras, na praia, fizemos uma brincadeira que intitulei “a garrafa do poder”. Somente quem estivesse com a garrafa de água mineral nas mãos poderia falar. Assunto: responder às perguntas “o que mais gostou nesta viagem?, qual foi o maior desafio?, qual seria a lembrança, o sentimento, em relação à viagem?”.

As respostas foram muito interessantes, sendo que a experiência de nadar com os botos foi a grande vencedora, praticamente uma unanimidade. Quanto às demais perguntas, foi gracinha escutar as crianças falarem sobre o que foi e como sentiram a experiência de estarmos todos juntos nesta expedição à Amazônia. Confesso que me emocionei com as respostas. Foi um momento bacana.

Próximo ao meio-dia, chamamos um uber, que nos levou até o Shopping Ponta Negra, onde passeamos, e também almoçamos por lá.  Ah…na delícia do ar condicionado. Nunca valorizei tanto!

Depois, fomos para o hotel para tomar um banho e apanhar nossas coisas. De lá, seguimos para o aeroporto. Momento da despedida do grupo. Afastamento temporário, felizmente. Primeiro partiu eu e as meninas. Horas depois, o Lu e o Thiago.

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Minhas aprendizes de mochileiras

O avião aterrissou em Porto Alegre por volta das 23 h 30 min. Do aeroporto fomos direto para o hotel, descansar. No dia seguinte, viagem de carro por quase 500 quilômetros, para finalmente chegar em casa.

Quando a rotina dos dias comuns se impôs, passei a refletir: o que ficou dessa viagem, além das cerca de duas mil fotografias arquivadas na câmera fotográfica e no celular, da memória dos dias intensos, rememoradas em relatos para os amigos e familiares, individualmente ou quando parte de nosso grupo se reúne?

Todos nós sabemos como os lugares podem nos inspirar… Essa é uma das razões pelas quais viajamos. Em outras palavras, os lugares possuem carisma, assim como as pessoas. E nenhum (lugares e pessoas) pode ser reproduzido, são únicos.

Mas como Ralph Emerson nos lembrou, “viajar é o paraíso dos tolos”, se pensarmos que encontraremos em algum lugar distante e exótico algo que não poderíamos ter em casa.  Em qualquer destino do Globo ” O meu gigante acompanha-me por onde vou”.

A esperança, porém, persiste e me faz colocar os pés na estrada. Ter estado frente a frente com a grande sumaúma, a imensidão do “rio/mar” do Tapajós, a alegria infantil dos botos, a simplicidade exótica dos Dessana, ter testemunhado a união do Sol com o rio Tapajós, num por do sol monumental, ter visto o brilho do olhar de minhas crianças frente a tantas descobertas, me levou a lugares dentro de mim, numa sensação de maravilhamento que costuma passar batido em meio às distrações mundanas.

Tudo isso em meio a presença diuturna de pessoas que me são caras, minha família, meus afetos…

Esse misto de sensações me despertou como um tapa, me levando a reconhecer o que eu poderia ser em momentos mais profundos.

Como bem disse Proust, viajamos não em busca de novas coisas para deleitar nossos olhos, mas de novos olhos com os quais enxergar tudo, incluindo as coisas que já conhecemos.

E mesmo quando estou em casa, a lembrança de alguns lugares que visitei na Amazônia me deslumbra ou aquieta tanto, que não posso deixar de enxergar as coisas sob outra óptica.

Esta constatação, por si só, justifica essa viagem. E muitas outras que virão.

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4 comentários em “Belém do Pará, Ilha do Marajó, Alter do Chão e Manaus – Desbravando a Região Norte – Brasil

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