Brasil

São Luís, Alcântara e Raposa – Roteiro no Maranhão – Brasil

Retomando aqui o relato sobre minha viagem ao Maranhão, já iniciado no recente post sobre os Lençóis Maranhenses, link aqui Lençóis Maranhenses: muita areia para o meu caminhão – Brasil e no post anterior, durante a fase de planejamento, no post Lençóis Maranhenses e muito mais Maranhão – Brasil .

Reinicio dizendo que gostei muito do Maranhão. Lugar de natureza exuberante, gente simples e hospitaleira, donos de uma cultura e um folclore muito ricos. Curti muito as músicas e as danças típicas. Inclusive dancei junto, como vocês vão ver…

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Na verdade, não foi a primeira vez que estive no Estado. Estreei no Maranhão quando fiz uma expedição à Chapada das Mesas, e que tem a cidade de Carolina como base. Lá tive uma amostra das riquezas naturais da região. Link para esse post aqui Expedição à Chapada das Mesas, no Estado do Maranhão .

Então, depois das despedidas dos companheiros de aventuras nos Lençóis, eu e o Lu fomos turistar pela capital maranhense. E sortudos que somos, pegamos de cara uma festança que rolou no domingo,  dia 10 de Junho, nas comemorações de primeiro ano de implantação da Feirinha de São Luís, na Praça Benedito Leite, no coração do Centro Histórico, ao lado da Igreja da Sé.

Passamos uma boa parte do dia por lá, perambulando pelas barraquinhas, conferindo e comprando artesanato (amei o turbante que comprei e coloquei imediatamente na cabeça e custei tirar) e curtindo os shows de folclore e de música que se revezavam no palco montado na praça. Muito chopp, cerveja, cachacinhas e comidas típicas.

De manhã acompanhamos a apresentação do “Cacuriá de Vila Goreth”, que achei a coisa mais linda. Foi de arrepiar constatar a emoção, a alegria dos jovens dançarinos, o orgulho de ostentar sua cultura. Depois seguiu-se um show musical com “As Brasileirinhas”, um grupo de artistas formado somente por mulheres, que mandaram super bem no show intitulado “As coreiras do samba”. Adorei.

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Foi difícil sair da praça para passear pelos arredores, tamanha era minha empolgação com as apresentações artísticas.

Enfim, enfrentamos o calorão e fomos conhecer o Palácio dos Leões, sede do Governo  do Estado. Fomos recebidos já na entrada por um abençoado sistema de ar condicionado e alguns jovens (pareciam estudantes) que nos atenderam de forma muito educada e cordial. Um deles foi encarregado de nos acompanhar nos salões do andar superior do prédio, e lá foi repassando informações históricas e artísticas das peças que compõem o acervo do prédio (tudo bem decoradinho e bonitinho).

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Palácio dos Leões

No final da visita fomos brindados com uma fotografia nossa, impressa, como recordação da visita ao Palácio. Bem bacana.

Assim, nos reanimamos para continuar nossa caminhada pelas ruelas do centro histórico, recheado de antigos casarões, sendo a maioria deles carecendo de um trabalho de restauração.

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Por indicação chegamos no Museu do Reggae, instalado num casarão na Rua da Estrela. Eu curti muito a visita ao museu! E as explicações do monitor que nos acompanhou no local, que se mostrou um apaixonado pelo estilo musical, e agregou muitas informações sobre o assunto.

O Museu do Reggae do Maranhão é um espaço de preservação cultural do reggae que valoriza a trajetória desse gênero musical no Maranhão e os laços de identidade social construídos ao longo do tempo.

A importância cultural e turística do reggae no Maranhão é única e diferente de tudo no mundo. Sua cadeia produtiva engloba todas as camadas sociais, étnicas e etárias do Estado. Não é à toa que São Luís é conhecida nacional e internacionalmente como a “Jamaica Brasileira”.

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Minha única tristeza foi não ter conseguido ir numa casa de reggae, para aprender a dançar o reggae no estilo maranhense, agarradinho. As datas não coincidiram. Bom, já tenho um bom motivo para retornar à São Luís. Eu e o Lu, meu par, até já treinamos alguns passos (risos).

Depois da caminhada pelo Centro Histórico retornamos à Feirinha de São Luís, onde comemos comida regional deliciosa. Na sequência, acompanhamos a apresentação do grupo de Boi Bumbá “Encanto do olho d’água”. Foi lindo demais. Óbvio, não resisti ao convite para dançar com os bailarinos do grupo, e me diverti muito na festança.

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Por volta das 14 horas, relutante, tive que partir da Praça. Fomos até o Palma Hostel, onde havíamos deixado nossas coisas, tomamos um banho – suava-se em bicas – e guardamos uma de nossas mochilas e as tralhas do acampamento  no depósito do hostel, a fim de levar para Alcântara apenas uma delas.

Depois de uma curta caminhada chegamos no Terminal Hidroviário de Praia Grande. A lancha (na verdade, um catamarã) Luzitânia iniciou o deslocamento para Alcântara passava das 15 horas, depois de passar pela foz do Rio Anil, ali já era o Oceano Atlântico. Paga-se R$ 15,00 pela passagem.

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Foram cerca de duas horas de viagem até que avistamos o porto do Jacaré, e na região mais elevada, as casas da pequena e histórica cidade de Alcântara.

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Sobre Alcântara… A cidade já foi uma das cidades mais ricas do Maranhão entre os séculos 18 e 19, mas muito do seu patrimônio histórico se perdeu. Vestígios do passado podem ser vistos em sobrados coloniais cobertos por azulejos portugueses, nas ruínas do mercado de escravos Palácio Negro e no prédio da prefeitura, onde funcionou uma cadeia pública no século 18. Defronte à Praça do Pelourinho estão as ruína da Igreja Matriz de São Matias e o interessante Museu Histórico, um belo exemplar da arquitetura de época. Infelizmente não pudemos visitar o seu acervo, porque na segunda-feira os museus estavam fechados.

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Ruínas da Igreja de São Matias
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Prefeitura, antiga Cadeia Pública

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Junto à igreja de Nossa Senhora do Carmo ficam os restos de dois palacetes construídos por famílias aristocratas rivais para receber o imperador Dom Pedro II. Uma fortuna foi despejada nas obras dos Barões de Pindaré e Mearim, mas o monarca nunca chegou a passar por Alcântara e elas foram posteriormente abandonadas, simbolizando o ocaso da cidade. Parte dessa história de decadência é extraordinariamente narrada na obra Noite Sobre Alcântara, do imortal Josué Montello.

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Igreja Nossa Senhora do Carmo
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Fofinhas, as crianças tendo aula à sombra, nas ruínas

Além do passeio  pelas igrejas e construções do Centro, o passeio na cidade é complementado pelas praias dos arredores. Não são nada espetaculares, mas equilibram o passeio entre cultura e natureza.

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Ruas de Alcântara, com construções coloniais e antigos casarões

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Quando o barco atracou no porto, o meu desejo era seguir direto ver o pôr do sol e a revoada nos guarás, aves típicas da região, na Ilha do Livramento, localizada em frente ao atracadouro, mas não rolou. Não se apresentou nenhum barqueiro para o passeio, e pelo horário, acho que chegaríamos atrasados para o grande evento. Uma pena…

Então, eu e o Lu encaramos uma boa pernada, ladeira acima, pelas ruas de pedra da Ladeira do Jacaré, apreciando as inúmeras construções coloniais. Naquele final de tarde de domingo, a cidade respirava um clima típico de cidade do interior, como se o tempo tivesse parado por ali… alguns grupos de jovens na Praça do Pelourinho, moradores sentados em cadeiras nas calçadas, em frente a suas casas, a porta da Igreja do Carmo se abrindo, convidando para a missa logo mais…

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Pelo caminho eu tratei de comprar os famosos “doces de espécie”, uma iguaria local.  A guloseima se assemelha a um bombocado e tem o tamanho e o formato de uma tartaruguinha. A iguaria se tornou uma tradição na cidade ao ser distribuída pelos moradores durante a Festa do Divino. Depois de experimentar um, tratei de comprar logo uma bandejinha, de tão gostoso que é. Fui com tanta sede (gula!)  ao pote que  esqueci de fotografar um deles aqui para o blog.

Assim chegamos na Pousada La Maison du Baron, que eu já havia reservado. Foi engraçado que quando chegamos na pousada, procuramos, aguardamos, e não encontramos nenhum funcionário, sendo que o lugar estava com as portas abertas. Então resolvemos simplesmente deixar nossa mochila atrás do balcão da recepção e fomos procurar uma cafeteria ou lanchonete para lanchar.

Seguimos passeando mais adiante, até a Praça onde fica a Igreja Nossa Senhora dos Pretos, que infelizmente estava fechada. Percebi a figura atípica de um galo de ferro no topo na igreja.

Eu sonhando em sentar numa cafeteria charmosa, degustar um café expresso e curtir a vibe local. Hahaha! Aterrissa, guria! O máximo que conseguimos foi uma padaria que nos vendesse um café acondicionado numa térmica e uma porção de pão de queijo, que por sinal, estavam muito bons, e  comemos faceiros sentados numa mesinha de plástico que nós mesmos nos encarregamos de carregar para a calçada.

Questão da fome resolvida momentaneamente, retornamos para a pousada para tentar fazer nosso check in. Aí sim, encontramos um funcionário, e enfim,  nos instalamos num chalezinho. Bem bonitinho, limpinho. Eu adorei dormir numa cama com dossel. Me senti uma princesinha. Risos.

Depois de descansar um pouco da caminhada, de tomarmos banho, resolvemos dar uma volta a fim de escolher um lugar para jantar. Não encontramos nada aberto, e por fim, retornamos para jantar no restaurante da pousada. A comida era boa, mas não me deixou lembranças.

Como não havia o que fazer na cidade, e cansados como estávamos, fomos dormir.

No dia seguinte, depois do café da manhã, fomos dar mais uma volta, conhecer as várias ruínas dos palácios e casarões. A maioria com vegetação invadindo, já sem teto. Acabamos enveredando para uma rua lateral, e depois de sermos advertidos por dois moradores, que não era seguro andarmos por ali, sujeitos a ação de trombadinhas, ladrões de câmeras e celulares, achamos prudente encerrar o passeio. O calor aumentava com o passar das horas, e a praia nos chamava.

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Muitas ruínas. Foi o que respondeu de uma época de riqueza.

Retornamos à pousada, nos preparamos com roupa de banho, e atendendo sugestão da dona da pousada, fomos à Praia de Itatinga. Seguindo as orientações, primeiro caminhamos numa estrada de terra, por cerca de 800 metros, até que chegamos num mangue. Lá chegando, pagamos uma taxa de R$ 10,00 pelo transporte de canoa até a praia. O canoeiro Chico desceu da canoa e nos conduziu até à praia, com larga faixa de areia. Combinamos com ele o horário para vir nos buscar, e ficamos somente nós dois, “largados e pelados”, naquela praia deserta.

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A água estava morna, uma maravilha, com poucas ondas. Depois do banho de mar fomos deitar na canga, tomar banho de sol. Ah, delícia…

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O tempo passou voando e logo já era a hora de retornar, pois vimos o canoeiro Chico apontar na vegetação.  Fizemos o trajeto de volta de canoa pelo mangue já era meio-dia.  Ali avistamos algumas aves, os guarás, com suas lindas penas vermelhas. Aí descobrimos que o Chico era um homem de muitos negócios, pois nos ofereceu seu serviço de moto-táxi até a pousada. Com o sol na cabeça, topamos na hora.

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Já na pousada, tomamos banho, nos aprontamos com nossa mochila, e saímos para procurar o almoço, pois o horário de saída do barco com destino à São Luís era às 14 horas.

Ah, lembrei que o Lu, menino atento, encontrou na estante localizada na recepção do hotel um exemplar do livro “Noite sobre Alcântara”, do escritor maranhense Josué Montello, uma história que tem como pano de fundo a cidade de Alcântara. Livro que eu tanto procurei para ler antes da viagem, mas que não encontrei disponível nas livrarias. Quis me fotografar com ele, como recordação.

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Caminhamos sob sol escaldante até o Restaurante Cantaria, no caminho para o porto do Jacaré. Eu tinha lido boas referências sobre, e realmente não decepcionou. O lugar é muito simples, com mesinhas de plástico colocadas sob a sombra, com linda vista para o mar, e comida maravilhosa. O peixe frito na telha com molho de camarão é inesquecível! Adorei! Acompanhado com 3 tipos de arroz : branco ,com camarão e cuxá , sendo que esse último é feito com folha de vinagreira. Farofa e pirão! Atendimento muito bom. Pedimos agilidade no preparo de nosso prato, em virtude do horário de saída de nosso barco e fomos atendidos. Pena que sem a tradicional cerveja gelada, que estranhamente estava em falta naquele dia, pois não tinha chegado pelo barco que vem de São Luís. Coisas de Alcântara…

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Igreja Nossa Senhora do Desterro. Almoçamos na sombra das árvores, ao lado dela.

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Engolimos a comida e saímos rapidamente em direção ao porto, com paradas rápidas pelo caminho  para comprar licores e lembrancinhas.

Nos instalamos no barco e seguimos balançando por 1 h e 30 min, até aportarmos novamente no Terminal Hidroviário em São Luís.

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Do barco, a vista do Palácio dos Leões

Na capital maranhense, fomos até o Palma Hostel pegar nossos pertences que havíamos deixado guardados lá e chamamos um Uber, que nos levou até o Brisamar Hotel e Spa, localizado na praia de Ponta D’areia.

Eu havia reservado anteriormente este hotel, seduzida pelas fotos que vi na net, pelas 4 estrelas assinaladas, e sonhando com o merecido conforto e privacidade pós aventura roots nos Lençóis Maranhenses.

Quem me conhece sabe que não sou fresca, e já enfrentei vários perrengues em viagens, hospedagens beeeem simples e caidinhas, mas realmente, me decepcionei com o hotel. A recepção é classuda, mas os serviços e as instalações, no geral, deixam a desejar. Até deixei um comentário sutil lá no Booking, já que eles me perguntaram, né.

Foi bom porque pudemos descansar num ambiente privado, organizar nossas mochilas e despejar um pouco dos quilos de areia dos Lençóis que trazíamos conosco.

Depois do banho decidimos ir passear e jantar no Shopping São Luís. Eu já estava com saudade de circular no ar condicionado e de olhar vitrines num templo do consumo. Um Uber nos levou até lá.

E eis que o improvável, a surpresa memorável da viagem me surpreende na chegada ao shopping: um cartaz enorme anunciava o show do Roberto Carlos, que se apresentaria ali mesmo, no estacionamento do shopping, na noite seguinte. E que dia seria?! Dia 12 de Junho, Dia dos Namorados.

Aaahm, gente, como resistir? Especialmente eu, uma romântica, fã do Rei, que até então nunca tinha assistido um show ao vivo dele…

Não preciso dizer que surtei e arrastei o Lu para a loja que vendia os ingressos. Com alegria incontida, recebi a notícia de que ainda havia alguns ingressos disponíveis. O fofo, querido e amadinho do Lu, concordou com o programa e ainda comprou os ingressos, ou seja, ganhei meu ingresso de presente do Dia dos Namorados. Aiiii, que tudo! (um de nossos bordões na Expedição Norte Sul)

Jantamos na praça de alimentação do shopping e depois de umas comprinhas super básicas, ou seja, um vestidinho para curtir o show, retornamos ao hotel.

O dia seguinte foi reservado para circularmos pelo Centro Histórico, visitar alguns museus. Depois do café da manhã seguimos para lá. Iniciamos pela Casa do Maranhão, que preserva em seu acervo amostras da cultura e do folclore do Estado. Depois seguimos pela Rua Portugal, contemplando os casarões, emoldurados pelas bandeirinhas coloridas de São João, e seguimos até o Mercado das Tulhas, que é um mercado de produtos típicos do Maranhão e de artesanato. Não foi possível visitar alguns museus, como a Casa de Nhozinho, pois estavam em reforma.

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Mercado das Tulhas. Muitas garrafas de Tiquira, tradicional bebida maranhense

Caminhamos até a Praça João Lisboa, o Largo e a Igreja do Carmo, e por fim, acessamos a Rua Grande, que é um reduto de comércio popular da cidade. Ali comprei uma sapatilha para compor meu look da noite.

Mais adiante visitamos o Museu Histórico e Artístico do Maranhão, do qual gostei muito. A jovem guia foi eficiente na decoreba das informações e repassou tudo direitinho. Com certeza, um lugar bem bacana a ser visitado em São Luís.

Construído em 1836, o Solar Gomes de Sousa é um importante representante da arquitetura civil maranhense do século XIX. Localizado na Rua do Sol, foi de propriedade de uma família que possuía fazendas de algodão e da qual era membro o matemático, astrônomo, filósofo e parlamentar Joaquim Gomes de Souza. Posteriormente, serviu como residência de ilustres famílias do estado e, desde 1973, sedia o museu, que possui um importante acervo do mobiliário, louças, porcelanas, vidros, cristais, pinturas, esculturas e azulejarias de época. Entre os destaques, está o original escrito à mão do livro O Mulato, de Aluízio de Azevedo.

Durante a visita, nos foi informado que ali está representada uma típica casa de época da elite maranhense dos séculos XVIII e XIX, que se espelhava nos padrões europeus para mobiliar e decorar seus aposentos. O mesmo era feito com relação às roupas e eu só posso imaginar o sofrimento que era usar o vestuário pesado de luxuosos vestidos e formais paletós no calor que faz nessa cidade. Os objetos expostos são originais de época, mas não da casa, tendo sido doados por famílias tradicionais do Maranhão.

Apesar de muito bacana o Museu, eu já estava penando, lá pelo final da visitação. Longe do ar condicionado, o calor intenso fez despencar minha pressão e eu só queria me sentar. Quando encontrei um banquinho no jardim, à sombra, só me levantei dali depois de decidido onde iríamos almoçar.

Eu sonhava com um restaurante com ar condicionado, mas a guia já me informou que não havia um assim pela redondeza. Depois de me recompor um pouco, eu e o Lu seguimos pelas ruas centrais atrás do Restaurante Francesinha, de inspiração portuguesa.

Realmente, não havia ar condicionado, mas pelo menos, o local era bem ventilado. Escolhemos uma mesa ao lado da janela e fizemos o nosso pedido. A comida era muito boa.

Ficamos fazendo hora por ali, aguardando o horário em que iniciaria a visita guiada no interior do Teatro Arthur Azevedo, eis que segundo o site da Secretaria de Cultura e Turismo do Estado, estas se realizavam somente na parte da tarde, à partir das 14 horas.

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Ainda caminhamos ali pelo entorno, comemos sorvete sentados num murinho da Praça João Lisboa, até que chegou o horário informado. Para nossa surpresa, a porta principal do teatro continuava fechada. Caminhamos pela lateral do prédio e encontramos um acesso secundário, controlado, com uma bilheteria e um recepcionista. Ao solicitar dois tíquetes para a visitação, fomos informados de que não haveria naquela tarde, porque haveria outra programação no teatro, direcionada aos estudantes das escolas públicas, que iriam assistir um filme no salão principal.

Como assim?! Ah não, subi nas tamancas (que expressão mais antiga!) Nenhuma informação no site sobre a alteração do cronograma de visitas, a gente esperando um tempão, e não iria conhecer o interior do teatro?!

Discursei bonito e pedi para falar com a administração do negócio. Nos encaminharam até uma sala onde uma moça se apresentou como a responsável. Discursei mais um pouco, argumentando sobre o descaso com os turistas que desejam conhecer esse importante ponto cultural de São Luís.

Acho que a encarregada me deu razão, ficou com vergonha, sei lá… mas enfim, ela mesma tratou de nos conduzir para uma visita ultra super rápida pelo teatro, especialmente pelo salão principal.

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Edificado em estilo arquitetônico neoclássico, o Teatro Arthur Azevedo constitui-se no único exemplar verdadeiro desse estilo em São Luís.

Inicialmente designado como Teatro União, e depois Teatro São Luiz, em 1854, serviria de berço para Apolônia Pinto, filha de uma atriz portuguesa que entrou em trabalho de parto em pleno teatro. No camarim número 1, nascia uma das grandes atrizes do teatro brasileiro, que já aos doze anos encantava plateias com a peça “A Cigana de Paris”.

Se o teatro brasileiro tem Fernanda Montenegro como sua primeira dama, o que dizer de Apolônia Pinto em relação ao mundo cênico maranhense e nacional? A resposta vem em placas. Todas duas imortalizadas no camarim nº 1 do Teatro Arthur Azevedo. Em 1966, seus restos mortais foram trazidos para São Luís e depositados no próprio TAA, onde existe um busto da atriz e uma urna contendo seus ossos.

Infelizmente, na pressa do tour improvisado dentro do teatro, não foi possível conhecer o camarim internamente, apenas seu exterior.

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Na década de 20 o teatro recebeu o nome atual em homenagem ao prosador, poeta, dramaturgo, comediógrafo, crítico e jornalista  maranhense Arthur de Azevedo.

Assim findamos nosso passeio pelo Centro Histórico de São Luís e retornamos ao hotel a fim de descansar um pouco e nos prepararmos para a grande noite. Ainda demos uma relaxada nas cadeiras à beira da piscina, com chimarrão e o “doces de espécie” que restaram.

Ah, a bonita aqui quis se empetecar um pouco para a noitada, e assim bati ponto nos serviços de uma cabeleireira que achei pertinho do hotel.

Vestido e sapatos novos, cabelo arrumado… com esse tapa no visual, eu e o meu gatinho Lu seguimos de Uber para o shopping. A noite ainda teve emoção extra: o carro do Uber furou o pneu e parou no meio do caminho, num lugar ermo, que parecia perigoso. Tivemos que chamar outro Uber, que graças a Deus, surgiu rapidamente, e nos resgatou. Ufa… deu medo. Mas enfim chegamos lépidos e faceiros no Shopping São Luís. De cara fomos jantar, e depois nos dirigimos para o show.

E bem na frente do portão de entrada do show, estava instalado um pequeno palco num stand de uma patrocinadora do evento, onde um cantor animava a galera que chegava com sua música, e chamava o público para um karaokê, para cantar músicas do Roberto. E adivinhem quem se apresentou para cantar? Euzinha, claro! Risos

Minha porção cantora estava à postos. Depois de um ano e meio de ensaios semanais de técnica vocal, a pessoa já acha que canta, sabem…  Mas sério, foi um barato!

Depois do músico dar uma vacilada sobre a música que escolhi ( eu queria cantar “Chegaste”, do duo do Roberto com Jennifer Lopez, mas ele não sabia tocar), acabou saindo “Eu te amo”.

E modéstia super à parte, acho que saiu bonitinho, porque saíram vários aplausos (as pessoas são legais, né!). E vocês acham que eu tenho um vídeo sobre esta minha performance? Meu cameraman, que coincidentemente, foi a pessoa a quem eu dediquei a música, Lu, embananou-se todo (emocionou-se… risos) e acabou que saiu só o finalzinho da música. Mas tá bom, super valeu!

Nesse clima entramos para o show, que foi liiindooo! Eu amei tudo, do início ao fim! O Roberto é demais (fã é fogo, né)! Chorei litros quando ele cantou “Nossa Senhora”. Uma noite linda e memorável! Gente, que Dia dos Namorados foi esse?! Ah… l’amour, l’amour…♥♥♥

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Na muvuca da saída do show, já na rua, enfrentamos uma hora de espera pelo Uber, mas tudo bem, faz parte nessas circunstâncias. Enfim, chegamos no hotel.

No dia seguinte foi o nosso último dia no Maranhão e para ele reservamos um passeio nos arredores de São Luís. Contratamos na recepção do hotel um tour para nos levar à Raposa e São José de Ribamar, municípios que ficam próximos à capital maranhense. Por isso, depois do café da manhã organizamos nossas coisas e aguardamos a van da agência de turismo no saguão do hotel.

Primeiro conhecemos São José do Ribamar, que fica a 40 minutos de São Luís e é uma pequena cidade histórica e religiosa. O Santo é o padroeiro do Maranhão. Nós descemos no centrinho e ficamos por ali mesmo, que é onde estão todos os pontos turísticos.

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Os mais importantes são a estátua de José e o menino Jesus, a gruta de Lourdes e a Igreja de São José de Ribamar. Para chegar à estátua subimos uma rampa em espiral – não é muito íngreme e nem muito longa. Lá do alto se tem uma vista bonita.

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Em frente à Igreja há diversas estátuas de anjos e santos. Também tem barraquinhas de ambulantes vendendo todo tipo de coisa. O mais engraçado é que na lateral da Igreja há um espaço para benzimento dos carros. Sim! Os devotos costumam trazer seus veículos para serem abençoados pelo Santo, com um banho de água benta. Coisas do Maranhão!

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Feito o check in na cidade, seguimos com a van para Raposa, por mais 35 minutos de estrada. Raposa é um pequeno município onde a maior parte das pessoas vive da pesca. Tudo por lá é muito simples, diversas casas estão sobre palafitas.

Primeiro almoçamos comida boa e farta (peixe, claro) num restaurante que o guia nos levou.

Depois seguimos para o corredor das rendeiras.  Este trata-se de uma rua com diversas lojinhas com peças de renda feitas pelas mulheres que moram por ali. Eu imaginava uma rua maior e com mais lojinhas, confesso. Mas as peças são muito bonitas, e não pudemos deixar passar, compramos alguns regalos por lá.

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Finalizadas as compras, seguimos com a van até um píer para o passeio náutico, quando todo o grupo entrou num barquinho, e assim começamos a navegar num braço de mar. A primeira parada foi num banco de areia onde tomamos banho, observando a maré avançar rapidamente, e logo todo o lugar estava tomado pela água. Seguimos.

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As embarcações, na espera da maré encher
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Banco de areia. A maré sobe rapidinho.

Depois de mais 20 minutos navegando atracamos nas dunas, na parte em que eles chamam carinhosamente de Fronhas Maranhenses. Eles dão esse nome porque o lugar lembra bastante os Lençóis Maranhenses e como é pequeno, virou as Fronhas (risos). As dunas não são tão altas e grandes como as dos Lençóis, mas dá para o turista ter um gostinho. Como nós já conhecíamos os Lençóis, ficou aquela coisa assim “então, é isso?!”.

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Caminhamos uns minutinhos, depois de driblar uma manada de bois que passava despreocupadamente por ali, e chegamos na Praia de Carimã, que estava deserta, somente nosso grupo. Eu e o Lu nos jogamos no mar, e …. aaah, a água estava uma delícia, absurdamente quente. Eu sou muito chata com água do mar, pois normalmente acho fria e acabo molhando somente os pés ou até os joelhos. Mas ali, não. Por mim, passaria mais tempo de molho naquela mornidão. Pena que o grupo e o guia davam sinais de que estava na hora de retornar. Pegamos o barco e retornamos novamente ao píer. No trajeto até lá ainda fomos brindados por um lindo pôr do sol e o voo das garças em meio à vegetação do mangue. Por fim, a van tomou a estrada para São Luís e nos deixou no hotel por volta das 19 horas.

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Luz de final de tarde nas Fronhas Maranhenses

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Lindo por do sol na despedida de Raposa

Depois do banho fomos jantar sushi num restaurante japonês localizado na avenida atrás do hotel.

Quando retornamos para o quarto organizamos nossas mochilas, pois o voo do Lu sairia no início da madrugada, e o meu de manhã, às 6 horas.

Finalizada a arrumação de nossos pertences, eis que o querido do Lu surge com uma espumante gelada retirada do frigobar. Aaai, adorei! E taças. Esse menino é demais!

Enquanto tomamos a espumante ficamos de papo, namorando e relembrando episódios da aventura nos Lençóis e de toda a viagem ao Maranhão. Chave de ouro no encerramento da trip!

Acabamos cochilando e fomos despertados pelo barulho do celular. Primeiro o Lu partiu, rumo ao aeroporto. Horas depois, fui eu. Nos reencontramos rapidamente no aeroporto em Brasília, horas depois, quando também encontrei a sogrinha e com ela segui viagem até Porto Alegre e depois, de carro, até em casa.

Cheguei à noite em casa, morta de cansada, mas ainda quis dar uma passada na casa de mamis, que estava de aniversário naquele dia, para dar meu abraço. Quando enfim reencontrei minha cama, foi um tombo só.

Resumo da viagem de 9 dias ao Maranhão: super valeu! Achei tudo lindo… a natureza exuberante dos Lençóis Maranhenses, a beleza dos prédios e cidades históricas, a cultura local, representada pelo folclore, as danças, a música, o colorido nas roupas, e principalmente, a alegria simples do povo maranhense.

Encerro com uma frase do grande escritor maranhense Josué Montello, que ilustra bem sobre o que foi essa viagem… “Ninguém realiza sem sonhar”.

O sonho é inerente à condição humana. Sonhei com essa viagem, planejei, dispendi energia nela. E meu sonho se realizou lindamente.

Sigo sonhando.

 

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