Brasil · Casinha sob rodas

Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves/RS – Brasil

O final de semana que eu e o Lu passamos no Vale dos Vinhedos soou para mim, uma apreciadora de vinhos e todo esse mundo relacionados a eles – vinícolas, vinhedos, cepas e terroir – como uma compensação (muito de leve, né) diante da impossibilidade (temporária, please) de seguirmos para Mendoza, Argentina, como havíamos planejado no início do ano, mas que não rolou em virtude de compromissos profissionais do Lu. Então, apenas adiamos Mendoza e suas bodegas maravilhosas. Tanto que nossa casinha em Maipu já está reservada e paga. É só achar uma brecha no calendário que “partiu Mendoza”.

Bom… retornando ao Brasil, Rio Grande do Sul, Serra Gaúcha, Bento Gonçalves…

Saí de casa na sexta-feira de manhã dirigindo a Frida, tendo como destino o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde aguardei a chegada do voo do Lu no meio da tarde. De lá mesmo, com o “Fritz na direçón”, seguimos em direção a Bento Gonçalves. Tempo abafado, que culminou com chuvisco na estrada. Chegamos no início da noite, por volta das 19 h, na Pipa Pórtico, já em Bento. Só descemos para registrar o momento e nos tocamos para o Vale dos Vinhedos, ingressando pela RS 444, a chamada “Estrada do Vinho”.

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Chegada na Pipa Pórtico em Bento Gonçalves/RS

O Vale dos Vinhedos é uma região localizada entre os municípios de Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul, mais especificamente entre a Linha Garibaldina, 15 da Graciema, 8 da Graciema, Leopoldina e 40 da Leopoldina. Tratam-se de vales cobertos de parreirais e paisagens encantadoras, onde é possível visitar pequenas propriedades rurais, vinícolas familiares e de renome internacional, hotéis, pousadas, restaurantes, bistrôs. ateliês de arte, armazém de queijos, doces e geléias coloniais. Enfim, atrativos que congregam o melhor do Enoturismo Brasileiro.

Os vinhos do Vale dos Vinhedos são os únicos no Brasil com Denominação de Origem (D.O). Os rótulos que ostentam a D.O. exprimem a excelência do terroir do Vale dos Vinhedos.

Com a fome apertando, já entramos no Vale de olho nos restaurantes que margeiam a RS 444. Foi assim que piscou para nós a Pizzaria Entre Vinhos, instalada no porão de um charmoso prédio, sendo que na parte superior funciona a Tratoria Mamma Gema. Chegamos quando a pizzaria estava abrindo as portas para seu turno de jantar. Estacionamos a Frida e caímos literalmente de boca numa pizza deliciosa, tendo um excelente vinho da casa para acompanhar. Tudo muito bom!

Conversei com o gerente da pizzaria e acertamos o lugar para estacionar a Frida, e assim garantimos nossa primeira noite no Vale. Foi um curtíssimo deslocamento até o estacionamento da Mamma Gema, que estava completamente vazio. O lugar era silencioso, e emoldurado por jardim, um lago com deck de madeira, vinhedos, e o hotel Villa Michelon ao fundo.

Organizamos nossas coisas para dormir, depois um banho no banheiro da Frida, e caímos na cama. Foi durante a noite que me senti muito mal, nauseada. Meu fígado dava sinais de que a coisa não ia bem.

Na manhã seguinte, sábado, amanheceu um lindo dia de sol e céu azul. Ainda tentei seguir firme nosso plano de tomarmos um bom café da manhã no Villa Michelon e pra lá seguimos com a Frida. Me arrumei e cheguei a acompanhar o Lu até o salão do café. Mas só o cheiro do ambiente me nauseou e corri para o banheiro. Depois de colocar o mundo pra fora, caidinha, só me restou ir descansar, jogada na cama, dentro da casinha.

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Hotel Villa Michelon

Me mediquei com o que dispunha, pedi um tempo para o Lu, e lá fiquei, enquanto ele foi tomar café e caminhar pelos arredores do hotel. Cerca de uma hora e meia depois eu já me sentia melhor. Preparei um chimarrão e fomos tomar, sentados ao sol num banco em frente ao lago. Aos pouquinhos me animava. Ali já traçamos nosso roteiro pelas vinícolas.

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Aqui passamos a primeira noite no Vale

Nossa primeira parada foi no Vinhos Don Laurindo. Bonito lugar, com degustação gratuita. Precavida, segurei meu rojão e permaneci de bico seco, em honra ao meu fígado, que recém se recuperava. Ficou tudo para o Lu. Compramos algumas garrafas e seguimos.

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A cave da Don Laurindo

Como eu não tinha tomado café da manhã, nessa hora eu já queria almoçar. Por indicação seguimos até o Complexo Engenho do Vale. Neste lugar há uma cantina que vende vinhos de variados produtores locais, um restaurante e uma loja de antiguidades. Um grande deck de madeira oferece uma encantadora vista para o vale e para os parreirais. Nosso almoço foi emoldurado por essa paisagem.

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Empanturrados, fomos caminhar pela redondeza para digerir a comilança. Assim conhecemos a Itallinni Biscotteria, loja estabelecida numa casa de madeira onde são produzidos deliciosos biscoitos artesanais de sabores exóticos e tradicionais também, além de geléias de variados sabores. A dificuldade foi provar tudo o que nos foi oferecido depois do farto almoço.

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Delícias da Itallinni Biscotteria

Passamos também no Moinho Graciema, onde são produzidas e vendidas cervejas artesanais. Lugar muito bonito. Nos ofereceram degustação das cervejas, mas agradecemos e recusamos, achando prudente não misturar com os vinhos.

Seguimos com a Frida até a Queijaria Valbrenta, indústria e comércio de diferentes tipos de queijos. Chegamos junto com uma excursão. Então foi só o tempo de comprarmos um queijo e saímos correndo do lugar, que entupiu de gente.

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Queijaria Valbrenta

Nossa próxima parada foi na charmosa e classuda Vinícola Almaúnica, onde fizemos degustação e a visitação na cave.

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Depois da Almaúnica eu quis fazer uma pausa para um café expresso, e me pareceu fofinha a vibe do Café Filó. Só que o dito cafezinho evoliu para mais comilança de doçuras.

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Seguimos então em direção a Monte Belo do Sul, onde avistamos da estrada o famoso Spa do Vinho Hotel e Condomínio Vitivinícola. Quase em frente a ele, a Miolo Wine Group.

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Spa do Vinho. Desta vez, somente a vista da estrada

Mesmo sem ter pesquisado anteriormente, tivemos a sorte de coincidir naquele final de semana com uma edição do evento Wine Garden Miolo. No jardim da vinícola é montado um espaço gastronômico e de convivência, muito charmoso, que dá um toque mágico nas tardes do Vale.

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Vinhedos da Miolo

No cardápio há sanduíches, quiches, vinhos e espumantes em taças ou garrafas, tábuas de frios, entre outras gostosuras. Mas o toque especial fica mesmo por conta das ambientações criadas no gramado. Uma delícia se jogar nas esteiras, almofadas e decks instalados. Com o friozinho do final da tarde, solicitei mantinhas e fui atendida prontamente. Eu e o Lu tomamos drinks e ficamos por ali curtindo aquele clima maravilhoso. E musical. Dois músicos super estilosos cantaram e tocaram rock das antigas e fizeram um lindo show. Simplesmente amei!

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A vibe bacanérrima da Wine Garden Miolo
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Show de rock nos vinhedos
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Instalações da poderosa Vinícola Miolo

Caía a tarde, e reenergizados, começamos a pensar sobre nosso local para passar a noite. Resolvemos ir até a Casa Valduga Complexo Enoturístico, seguindo então pela Via Trento.

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A estrutura do lugar impressiona. Tudo muito bonito e organizado. Fomos até a recepção do complexo para ver sobre a possibilidade de passarmos a noite ali. Para nossa satisfação nos cederam um espaço para estacionar a Frida, tendo ainda à nossa disposição água e energia elétrica, além de um banheiro, sem custo algum. Poxa, bom demais. Parabéns à Casa Valduga pela excelência no atendimento!

Tomamos banho e nos organizamos para o jantar, que fizemos no Restaurante Maria Valduga, instalado dentro do complexo. Mais comilança, mas abrimos mão do vinho, depois de tudo o que bebemos durante aquele dia. Ficamos só no suco de uva orgânico produzido pela Casa. Aliás, delicioso.

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Restaurante Maria Valduga
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A adega do restaurante

Antes do jantar fomos dar uma volta pelo complexo e conhecemos dois casais de paulistas muito gente boa. Nos chamaram para o grupo deles e ficamos conversando sobre a vida. Nos ofereceram a espumante que bebiam e ocorreu uma interação muito legal. Não tinha como ser diferente naquele lugar tão bacana.

Depois de um dia tão intenso, dormimos o sono dos justos viajantes, largados no aconchego de nossa casinha.

Na manhã seguinte iniciamos nosso dia em grande estilo: fomos tomar o café do hotel Casa Valduga. Gente, chocante! Um buffet delicioso, num memorável momento coroado com músicas tocadas no piano e espumante da Casa.

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Vista parcial do Complexo Casa Valduga

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Já passava das 9 horas quando fomos à Recepção Turística para agendar o tour pela vinícola, com degustação. Para nossa surpresa, os horários daquela manhã estavam completos, sem disponibilidade de vagas. Um tanto decepcionados, decidimos ir então para a Enobotique do Complexo, onde aderimos à degustação de vários vinhos e espumantes da Casa Valduga. Óbvio que fizemos umas comprinhas muito básicas. Também conferimos o visual do terraço do belo castelo de pedras onde está instalada a loja.

Na sequência seguimos com a Frida até a  Vinícola Marco Luigi. Quanto chegamos lá recém a Vinícola estava abrindo os portões, mas já fomos informados que na parte da manhã não havia mais horários disponíveis para visitação, somente no início da tarde. Então tá, né. Afinal, alta temporada, final de semana, era de se esperar essa demanda toda. Agendamos nosso tour para a tarde.

Retornamos até a Vinícola Dom Cândido, onde fomos atendidos pelo proprietário, que pessoalmente e de forma exclusiva,  mostrou os vinhedos, a área de produção dos vinhos  e espumantes, e por fim, nos encaminhou para a degustação. Saímos de lá com mais algumas garrafas. O estoque da adega da Frida só aumentava.

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Como já passava do meio-dia decidimos almoçar ali mesmo, no restaurante da família, localizado em anexo à vinícola, chamado “Videiras 1535”. Conseguimos negociar com a casa um menu reduzido, no que fomos atendidos. Eu e o Lu já estávamos um tanto saturados da comilança italiana.

Resolvida a questão da fome, retomamos nosso tour etílico. Fizemos a visitação nas dependências da Marco Luigi, depois a degustação, e por fim, adquirimos algumas garrafas.

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Linda a cave da Marco Luigi, encravada na rocha
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Em frente à Vinícola Marco Luigi, com vista para o Vale

Nossa próxima parada foi na Vinhos Larentis. Nesta os visitantes ficam livres para circular pela propriedade, sem monitoramento. Por fim, degustação livre, sem custo. Mais vinhos e espumantes. Mais algumas garrafas estocadas.

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Vinhedos da Larentis
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Gracinha as casas na Via Trento

Para fazer um contraponto a todo o vinho ingerido decidimos ir até o café do Leopoldina Jardim, um lindo e aprazível lugar. Como estava muito frio não deu para aproveitar a área externa, o gramado. Fiquei imaginando a delícia que deve ser curtir ali um dia de primavera, com um clima mais ameno. Muito bacana. Mais motivos para retornar ao Vale.

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Leopoldina Jardim

O dia já terminava quando eu e o Lu seguimos com a Frida pelo Vale e encontramos as demais vinícolas que pretendíamos visitar já com as portas fechadas, com as atividades encerradas. Eram elas a Gran Legado e a Cave de Pedra. Estas e outros pitorescos lugares vão ficar para uma próxima estada na região. Nenhum problema em retornar.

Cogitamos dormir por ali e continuar o tour pelas vinícolas no dia seguinte, mas a verdade é que o frio e o chuvisco nos sugeriam fortemente retornar para o aconchego de casa. E foi o que fizemos.

Mesmo encarando um congestionamento gigante na estrada, causado por um acidente, que durou mais de uma hora, chegamos em casa no início da madrugada. Ah… tão bom poder dormir “espaçosa”, na minha caminha.

Engraçado lembrar que enquanto aguardávamos a fila de carros andar, presos no congestionamento, preparei na cozinha da Frida sopa de capeletti, que comprei no Vale, enriquecida por queijo ralado adquirido na Queijaria Valbrenta. Para completar a refeição, passei café no coador de pano, que tomamos junto com bolo de cenoura com uma mega cobertura de chocolate. Tudo na estrada, no congestionamento. Não foi uma ótima maneira de aproveitar o tempo?

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Em Frida Home, Lar doce lar

Resumo do final de semana: tivemos ótimas experiências, adquirimos mais conhecimentos sobre vinhos, bebemos e comemos muito bem, num lugar muito bacana, o Vale dos Vinhedos. Já em casa, aprontamos os preparativos para mais uma viagem, pois partimos com nossa galerinha naquela mesma semana. Mas aí, já é outra história, que contarei logo, logo.

 

 

 

 

 

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