Brasil · Casinha sob rodas

Sete na Frida! Com pit stop em Curitiba/PR – Brasil

Esta é a parte inicial de minha narrativa sobre nossas férias de Julho deste ano. Como já mencionei no post anterior, onde contei sobre as aventuras de nossa pet Cora Coralina a bordo de Frida, link aqui Cora Coralina, nossa pet viajante – Brasil , se faz necessário, na minha concepção, fracionar os posts, eis que foram muitos dias de viagem, muitos quilômetros rodados, muitos lugares visitados. Escrever tudo num texto longo poderia ficar maçante para os leitores.

Eu e Lu reunimos nossos filhotes – todos em férias escolares – mais as malas, muita comida, caminha e acessórios da Cora, travesseiros, edredons, mantas, tralhas diversas, entupindo assim a Frida e pegamos a estrada logo depois do café da manhã, num dia de céu azul, sol e o friozinho típico da estação. Planos em aberto, levemente delineados, como eu gosto. Viagem engessada não me pega mais.

Com o compartimento dos DVD’s devidamente recheado de filmes, seguimos com tranquilidade rumo à Curitiba/PR. A pausa para o almoço foi às margens do Rio Uruguai, na divisa entre os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Peixinho frito na hora. Delícia! Seguimos.

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Pausa para o almoço. Rio Uruguai ao fundo, na divisa dos Estados.

Chegamos na capital paranaense no início da noite. Rumávamos para o hotel, já dentro da cidade, quando escutei um barulho estranho na Frida. “Lu, pára!”

Feita a checagem, o diagnóstico: pneu traseiro furado. Melhor dizendo, detonado. Como demoramos a perceber, esfacelou-se. Aí o Lu encarou a tarefa de trocar o pneu, substituindo pelo estepe, enquanto eu preparava o jantar dentro da Frida (macarrão instantâneo, sorry), para aplacar a fome e distrair a turminha. Ainda bem que o Lu foi rápido e logo continuamos.

Detalhe: não havíamos reservado o hotel, pois nem tínhamos certeza se realmente pernoitaríamos em Curitiba. Resultado: não haviam vagas. Não nos mixamos. O Lu negociou sobre a possibilidade de pernoitarmos na Frida, apenas usando o estacionamento fechado e seguro do hotel, além de um banheiro, que ficava junto à recepção. Diplomacia em exercício e… negócio fechado, autorizada a nossa permanência. Ufa… ainda bem, pois estávamos todos bem cansados para procurar outro hotel, para descer com as malas, se instalar e tal. Foi a melhor solução.

Assim, depois de todos com banhos em dia, deu-se a estréia de nossa primeira noite na Frida. Nos ajeitamos como deu, embaixo dos edredons e cobertas, no frio de Curitiba, e adormecemos. Cora se aninhou em sua caminha e dormiu quietinha até de manhã.

Eu e o Lu acordamos por volta das 6 h 30 min da manhã e percebemos movimentação de Cora, pedindo para sair da Frida, para cumprir sua rotina matinal (leia-se o 1 e o 2). O Lu, um menino corajoso, encasacou-se como deu e encarou o frio para acompanhar nossa mascote.

Na sequência acordamos a meninada e saímos para procurar uma padaria para tomarmos o café da manhã. Acabamos num posto de gasolina, onde usamos o banheiro para a higiene da manhã, e a loja de conveniência para tomarmos nosso café.

Galera acordada e alimentada, iniciamos nosso passeio na linda Curitiba, que apresentou-se luminosa naquela manhã de inverno.

A primeira parada foi no Jardim Botânico. De cara, uma placa informava que ali não se permitia a circulação de animais. Bye, bye Cora! Alguns latidos de protesto e logo nossa pet sossegou dentro da Frida.

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O dia estava perfeito para uma caminhada ao ar livre. Um corredor das cerejeiras japonesas em flor nos deu as boas vindas. Seguimos nosso passeio, passando pelo Jardim Francês, com seu desenho simétrico, a estufa, a trilha do Jardim das Sensações, o Museu Botânico, que é um importante herbário do Brasil, pelas trilhas e lagos.

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As cerejeiras em flor dão boas vindas aos visitantes
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Museu Botânico

Cartão postal de Curitiba, a estufa, em estilo art-nouveau, possui 458 m² e é feita em ferro e vidro. A estufa foi inspirada em um palácio de Cristal inglês, que existiu no século XIX. Em seu interior existem centenas de amostras de espécies nativas da floresta atlântica do Brasil.

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Jardim Francês
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Interior da estufa

Como nos demoramos pelo Jardim Botânico, o nosso povo já acusava fome, e então decidimos ir direto para o almoço. Atendendo indicação, seguimos para a região da cidade conhecida como Santa Felicidade, que é um dos mais famosos centros gastronômicos do Brasil. Hoje, na Avenida Manoel Ribas são encontrados vários tipos de restaurantes, mas sua grande marca são os rodízios italianos regados à polenta frita, escarola com bacon, frango prensado e à passarinho, risotos, lasanhas, macarronadas e nhoques. Entre eles elegemos o imponente e tradicional Restaurante Madalosso, com aquela fartura de comida italiana.

Madalosso
Imagem da net

Nossa, era muita comida mesmo! Uma sequência de massas que não acabava mais, além de carne, frango… saímos de lá simplesmente empanturrados.

Para digerir a comilança toda, fomos conhecer a Ópera de Arame. O prédio, com estrutura tubular e teto transparente, é um dos símbolos emblemáticos de Curitiba. Inaugurada em 1992, acolhe todo tipo de espetáculo, do popular ao clássico, e tem capacidade para 1.572 espectadores. Entre lagos, vegetação típica e cascatas, forma uma paisagem singular.

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Turminha conferindo a Ópera de Arame

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Da Ópera seguimos para o Parque Tanguá. O Parque surpreendeu pela sua beleza. Envolve uma área de 235 mil m², lugar de um antigo complexo de pedreiras desativadas. O Parque Tanguá preserva áreas verdes próximas à nascente do Rio Barigui, com araucárias. Possui uma cascata, dois lagos e um túnel artificial que pode ser visitado de barco ou à pé, passeio que optamos por não fazer, porque a galera já reclamava da caminhada. O conjunto do parque inclui também um  portal de acesso, mirante a 65m de altura, cascata e um grande jardim em estilo francês com canteiros de flores e espelhos d’água de onde projeta-se o belvedere, na forma de terraço elevado em meio a um tapete verde. Nos três pisos do belvedere encontram-se distribuídos decks metálicos, bistrô, sanitários públicos, loja e torres para observação. Tudo emoldurado por um lindo céu azul e sol. Delícia de passeio.

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Parque Tanguá

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Vista do Belvedere do Parque Tanguá

Saímos do Parque Tanguá decididos a comprar um novo pneu para a Frida, eis que estávamos rodando com o estepe, e não queríamos seguir viagem assim, correndo o risco de ficar na estrada.

Com facilidade encontramos uma loja de pneus, e enquanto o Lu resolvia o negócio, a troca do pneu, fui tomar um sorvete com a meninada, numa curta caminhada. Na volta à loja ainda aproveitei pra dar uma higienizada na Frida, que estava  muito necessitada. Somente não conseguimos resolver a questão do macaco hidráulico, pois o modelo que nos apresentaram, segundo o Lu, não era adequado. Arriscamos e seguimos viagem sem ele. Acabou que somente comprei em Brasília, um dia antes de sair em viagem de retorno para casa. Felizmente, não precisamos mais dele.

Ainda conferimos rapidamente o prédio do Museu Oscar Niemeyer, ou Museu do Olho, como ficou conhecido, em virtude de seu formato inusitado. Projetado pelo arquiteto e artista que dá nome ao museu, o prédio chamou nossa atenção quando passávamos pela avenida. Como queríamos seguir viagem, somente caminhamos na calçada, observando o exterior do prédio. Uma visita em seu acervo, nas exposições, ficou para nossa próxima estada por essas bandas.

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Museu Oscar Niemeyer
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Cora Coralina, com Sofia, conferindo a arquitetura do Museu

Já passava das 16 horas quando saímos de Curitiba, com planos de seguirmos até o Posto Graal de Registro/SP, onde passaríamos a noite. Com a rodovia duplicada, atingimos nosso objetivo com tranquilidade.

Já elogiei a estrutura dos postos Graal no post anterior Cora Coralina, nossa pet viajante – Brasil , e foi pelos motivos já mencionados que estacionamos por lá a Frida. Enquanto a galera usava o ótimo banheiro do Graal para os banhos, o Lu preparava nosso jantar na casinha. O cardápio foi pizza. E um PF do restaurante, especial para caminhoneiros, que a Isa e o Thiago devoraram.

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Imagem da net. Espaço Pet Friendly do Graal.

Todo mundo alimentado, ainda rolou jogo de cartas, e depois cama. Bem tranquilo. Nem o movimento 24 horas do local nos incomodou.

Eu e o Lu acordamos cedinho, por volta das 6 horas da manhã. Uma rápida ida ao banheiro, e caímos na estrada, enquanto a meninada ainda dormia. Foi uma ótima decisão. A viagem rendeu. Quando acordaram já estávamos na Serra do Cafezal, próximos à São Paulo.

Paramos então para a higiene da garotada e para o café da manhã. E seguimos. Depois do Rodoanel nos tocamos pela Via Anhanguera, cortando o Estado de São Paulo (Campinas, Ribeirão Preto), rumo à Minas Gerais (Uberaba, Uberlândia, Araguari), com parada para almoço e lanches. Lá pelas tantas eu e o Lu, conversando, decidimos seguir direto para Brasília, e dormir em casa (no apartamento do Lu), encurtando um dia de viagem. E assim foi.

Rindo agora ao recordar que, enquanto o Lu dirigia, já no Estado de Goiás, e as meninas reclamavam de fome, lembrei que eu tinha na geladeira da Frida uns pastéis prontos, preparados por minha mãe, somente tinha que fritar.

Foi uma aventura que deu medo, mas enfim, acabou dando tudo certo. Fritei pastéis com a Frida em movimento, na estrada. E bem naquele trajeto apresentaram-se curvas na estrada. Foi, no mínimo, tenso, segurar a panela com óleo quente, encima da chama da boca do fogão. Não aconselho ninguém a repetir a façanha, please. Mas enfim, concluí  a tarefa, para a alegria da turminha. E sem nenhuma queimadura de recordação. Ufa…

E imaginem o cheiro de fritura dentro da Frida. A cena era: Frida com janelas abertas, maior ventania, e todo mundo comendo pastéis e tomando refrigerante. Hilário.

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Isa apreciando mais um por do sol na estrada

A recompensa veio mais tarde, sob a forma de camas espaçosas e macias, numa noite que me pareceu dos deuses. Mas isso só depois de descer boa parte das bagagens e tralhas para dentro do apartamento do Lu.

Assim, tivemos o domingo para organizar um pouco de nossas coisas, para fazer compras no super, e descansar, pois na segunda-feira Lu e Thiago retomavam a rotina de trabalho e escola, respectivamente. Enquanto eu e as meninas só queríamos saber de passear pela capital federal. Afinal, nós permanecemos em férias.

Esta nossa primeira experiência, minha e do Lu, com nossa turminha, a bordo de Frida, foi no mínimo “intensa”, mas não fugiu do que eu esperava. Teve risadas, brigas, choros, pequenos estresses, e muita animação. Na hora eu pensava “nunca mais repito essa doideira”, mas hoje já faço novos planos de viagem com todos eles.

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Só faltou nossa pet viajante na foto. Ficou vigiando a Frida.

Quando nos reunimos e lembramos de detalhes dessa trip, a gente se diverte recordando  e rimos juntos. Só por isso já valeria a pena, né. Mas teve muito mais!

Encerro essa narrativa com inspiração de Cora Coralina. Desta vez não se trata de nossa peluda, mas sim a original, a poetisa: ” O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.

No próximo post sigo contando sobre nossos passeios em Brasília/DF.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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