Brasil · Casinha sob rodas

De férias na cidade-avião – Brasília/DF – Brasil

Dizem que Brasília não tem mar… Antes de você pensar em me corrigir, com seu pensamento lógico racional, “Brasília não tem mar, bobinha, a cidade fica no cerrado, no Planalto Central do Brasil”, engrosso a fileira junto ao arquiteto e urbanista Lúcio Costa, o autor do Plano Piloto da Capital Federal,  e outros apaixonados pelo céu da capital federal: “O céu é o mar de Brasília”.

Realmente, o céu de Brasília é de um beleza sem igual. Unindo-se a esse quadro o pôr do sol no cerrado, num horizonte infinito, forma então um conjunto sublime, que brinda os moradores e visitantes, na maior parte do ano, com uma explosão de cores que vai do amarelo ao vermelho, passando por tons de alaranjado, que faz chorar os olhos involuntariamente. A alma se enleva.

Descobri que tem mais gente encantada pelo céu de Brasília. Por exemplo, o arquiteto mineiro Carlos Fernando de Moura Delphim achou que seria pouco se limitar a escrever sobre a beleza do que ele considera ser o maior monumento da cidade. Em julho de 2007, depois de várias viagens ao Distrito Federal, o arquiteto protocolou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – onde já trabalhava – um pedido para que o horizonte da capital passasse a ser considerado patrimônio natural. A solicitação nunca recebeu resposta.

“Não é uma coisa simplesmente poética, lírica. Tem a ver com a proteção do céu. Brasília é como se fosse uma bandeja levantada, e o horizonte está abaixo da bandeja. Parece que a cidade se criou acima do horizonte. Tem uma diferença. Parece que Brasília está imersa dentro do céu e acima do próprio horizonte. Quem não consegue captar essa relação com o sol talvez não consiga captar o que Brasília tem de mais bonito, mais sutil”, diz o arquiteto. Concordo plenamente com ele.

Bom… antes de apresentar o céu de Brasília para minhas meninas, teve a viagem até o Planalto Central. No post anterior, link aqui Sete na Frida! Com pit stop em Curitiba/PR – Brasil , contei sobre nossa viagem até Brasília/DF, a bordo de Frida, nossa casinha sobre rodas. Por sua vez, nossa pet Cora Coralina, representante canina na trupe, também teve um post só pra ela, com a narrativa de suas aventuras na mesma viagem, link aqui Cora Coralina, nossa pet viajante – Brasil .

Agora é o momento de eu puxar pela memória para relembrar os dias que passamos em Brasília e todos os passeios que fizemos por lá, tanto a bordo de Frida, de carro com o Lu, de Uber. Foram oportunidades de explicar para as meninas sobre o sistema viário da cidade e explicar o que é o “eixão”, o “eixinho”, os “balões das entre quadras”, mostrar as “tesourinhas”, onde é possível passar um dia inteiro rodando se você não souber pegar a saída certa. Na principal via da cidade, o Eixão (que corta as asas Norte e Sul), se pode ir de uma ponta à outra sem encontrar sequer um sinal de trânsito.

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Renato Russo dizia que Brasília é um autorama gigante. Uma pertinente observação do poeta do rock nacional! Risos.

Eu estive em Brasília em várias oportunidades, em momentos distintos de minha vida e por motivações diversas. O diferencial desta viagem é que viajamos em família, de Frida Home,  até o DF, e que esta foi a primeira vez das meninas no Planalto Central. Então, me animei a escrever.

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Em frente ao Palácio da Alvorada

E como já referi aqui no blog, acredito que podemos retornar muitas vezes ao mesmo destino, porque tudo é novidade. Afinal, nossa visão do mundo, nossa relação com as coisas e com as pessoas que nos cercam, muda constantemente. Tudo é sempre novo.

“Desta vez” Brasília se mostrou assim para mim…

Depois de dormirmos largados uma reconfortante noite de sono, cansados da longa viagem, na manhã seguinte estávamos todos novinhos em folha e prontos para passear.

Era quase meio-dia de domingo quando eu e o Lu conseguimos aprontar e reunir a galera, rumo à Esplanada dos Ministérios. Primeira parada: a Feira da Torre de TV, que fica nos arredores da Torre de TV de Brasília.

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Nosso objetivo era almoçar por lá, pois o local abriga uma praça de alimentação que agrada a todos os gostos. Oferece comida típica regional de várias partes do país. E adivinha o prato que elegemos: isto mesmo, churrasco! A gauchada é fogo, né. Passou poucos dias desde que saímos do amado Rio Grande e já com vontade de comer carne assada. Se bem que o churrasco servido ali, assado na chapa, lembra de forma muito, mas muito remota, o nosso churrasco gaúcho. Mas resolveu nossa fome, então ok.

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Vista da Feira e arredores, à partir da plataforma da Torre de TV

Antes de almoçar fizemos uma pausa para fotos junto ao letreiro que anuncia “Eu amo Brasília”, que ocupa o espaço entre a Torre de TV e a Fonte Luminosa.

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Depois usamos o elevador para subir até o mirante da Torre de TV. Da plataforma instalada a 75 metros do solo se tem uma visão privilegiada da Esplanada dos Ministérios, Setores Hoteleiros Norte e Sul, Estádio Nacional de Brasília, Autódromo Nelson Piquet, Lago Paranoá, Parque Sarah Kubitschek e outras Regiões Administrativas.

 

O mais bacana do lugar, na minha opinião, é contemplar toda a Esplanada dos Ministérios e entender a grandeza do projeto arquitetônico urbano de Brasília. As meninas curtiram.

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Vista do Eixo Monumental

Fazia calor, secura no ar, então muita água para hidratar a galera. Seguimos na Frida até a Catedral de Brasília. Pausa para admirar as flores do Cerrado na feirinha localizada em frente e para comprar souvenirs (mais imãs de geladeira para minha coleção). Depois visitamos o interior da Catedral. Fiz planos de retornar para participar de uma missa, mas não rolou desta vez.

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A beleza do interior da Catedral de Brasília

Logo mais adiante, mais uma parada, no Congresso Nacional. Antes de entrar conferimos o prédio do Palácio do Itamaraty. Tentamos uma visita em seu interior, mas não havia disponibilidade para aquele dia, somente com agendamento. Agendamos, mas acabou coincidindo com horário de outro passeio e a visitação ao Itamaraty também ficou para uma próxima oportunidade na capital.

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Prédio do Palácio Itamaraty

Fizemos a visitação guiada no Congresso Nacional, que incluiu, obviamente, as estruturas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Bem interessante para as meninas compreenderem a dinâmica do sistema político brasileiro.

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Senado Federal

 

Para encerrar os passeios do domingo (gente, este foi apenas o primeiro dia em Brasília!), fomos dar uma volta no Pontão do Lago Sul e assistimos o cair da tarde por lá, com o sol se pondo no Lago Paranoá. Fizemos planos de retornar para fazer um passeio de barco.

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Nessa altura do campeonato a meninada já estava xarope, reclamando de cansaço, de fome, querendo ir para casa, e obviamente, para se conectarem à net, jogar no computador… essas coisas imprescindíveis para adolescentes.

Foi à partir desse dia que tomei a sábia decisão de reprogramar meus tours por Brasília, planejando apenas UM único passeio/programa por dia. Concluí que seria necessário adaptar o ritmo dos passeios ao tipo de público ( minha galerinha), porque senão seria estresse na certa. E esse não era o meu objetivo nas férias.

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Meu trio de gatinhas, Sofia, Isa e Sara, no Zoológico de Brasília

Obviamente que eu e o Lu, adultos, super dispostos a caminhar quilômetros e mais quilômetros, com a maior animação para conhecer o maior número possível de atrativos num só dia, como foi em nossas viagens a dois, não poderíamos nos comparar ao estilo de nossa trupe, três adolescentes e uma criança. Então, haveria que me adaptar. E assim foi.

Me organizei para passar as manhãs em casa, oportunizando que as meninas dormissem até a hora que quisessem (elas estavam em férias, afinal), enquanto eu fazia minhas coisas e organizava o almoço. O Thiago não participou desse esquema porque já havia retomado a rotina da escola. O passeio programado para aquele dia era feito à tarde. Funcionou super bem assim.

Assim, de segunda a sexta-feira, tivemos programação todas as tardes. Num dia fomos ao cinema ver a animação “fofinha” Hotel Transilvânia 2, e depois lanchamos na praça de alimentação do shopping. Em outro dia fomos fazer a visitação guiada no Palácio da Alvorada, que é a residência oficial do Presidente da República.

Esse passeio, assim como o do Palácio do Planalto, requerem agendamento prévio pela internet  pelo link http://www2.planalto.gov.br/conheca-a-presidencia/palacios-e-residencias  .

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Palácio do Planalto
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Gabinete Presidencial

O Palácio da Alvorada foi o palácio que eu achei mais bonito. O dia estava lindo, o que contribuiu para emprestar uma luz suave ao local, no cair da tarde. Gostei do prédio, do paisagismo dos jardins, das salas. Senti uma energia bacana lá, ao contrário do Palácio do Planalto, que achei frio, e com uma clima pesado.

As meninas acompanharam as explicações das monitoras dos prédios de forma interessada. Super valeu!

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Jardim do Palácio da Alvorada
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O mais ilustre morador do Palácio da Alvorada, o João de Barro
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Fachada do Palácio da Alvorada, com a escultura “As Iaras”, obra do artista plástico e escultor brasileiro Alfredo Ceschiatti

Teve um dia que fomos até o Shopping Conjunto Nacional para as meninas participarem de uma ação intitulada Estação Master Chef Júnior, que foi uma exposição interativa inspirada no programa de TV fenômeno mundial em audiência, o MasterChef Júnior Brasil. Enquanto passavam pelas várias etapas do circuito, elas descobriram curiosidades do universo gastronômico e, no fim, após um labirinto divertido, prepararam canapés em uma réplica da famosa e desejada cozinha MasterChef Brasil.

Outra tarde foi destinada para batermos perna pelo shopping, e algumas comprinhas muito básicas. Depois fomos lanchar numa padaria e confeitaria que o Lu conhecia.

O Zoológico de Brasília foi nosso destino numa tarde divertida em meio aos animais. Caminhamos bastante para conferir um pouco da bicharada ( o site oficial informa que são 826 animais no plantel) que está abrigada no zoo, distribuídos entre 185 espécies de aves, répteis e mamíferos.

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O Santuário Dom Bosco  também esteve no nosso roteiro de visitas pela Capital Federal. Eu já conhecia ao local, mas com prazer quis retornar para mostrar para a turma. Afinal, o Santuário é uma das mais conhecidas Igrejas de Brasília e uma das imagens mais frequentes nos cartões-postais dessa cidade. Ocupa uma boa parte da Quadra 702 Sul, em posição bastante central no Plano-Piloto.

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Construído em homenagem ao padroeiro de Brasília, São João Belchior Bosco, o Santuário tem 80 colunas de 16 metros e é decorado por vitrais em 12 tonalidades de azul. No interior, um lustre de 3,5 m de altura, formado por 7.400 peças de vidro murano, simboliza Jesus, a luz do mundo. Portas produzidas em ferro e bronze, com baixos-relevos, lembram a vida de Dom Bosco. A construção foi de iniciativa da Congregação Salesiana.

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Eu acho tão lindo o Santuário que acabei retornando lá em outro dia, então sozinha, para a missa das 7 horas da manhã, no dia do meu aniversário, que transcorreu durante nossa estada na cidade. A luz da manhã, inundando aos poucos a  igreja, transpassando os vitrais azuis, foi algo muito, muito especial. Me senti muito agradecida por estar ali na data.

Num sábado rumamos todos, a bordo de Frida, para o Parque Sarah Kubitschek, depois de encontrar a amiga Íris no aeroporto, que chegou para passar uns dias conosco e acompanhar nos passeios. Eu e o Lu preparamos muitos espetinhos de carnes variadas, com legumes, e fizemos um agito no parque, junto com meus primos que moram em Brasília. Foi muito legal.

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Espetinhos de minha autoria e do Lu

Com a chegada da Íris nos organizamos para o passeio de barco no Lago Paranoá, para assistirmos o pôr do sol. Como das outras vezes em que tive a oportunidade de navegar no lago, foi muito lindo assistir o cair da tarde, o sol se pôr no horizonte, as luzes da cidade acendendo. Eu fiquei muito feliz por poder compartilhar esse momento com meus afetos queridos!

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Turminha animada para o passeio no Lago Paranoá
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Ponte Juscelino Kubitschek
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De boas no Paranoá

Um ótimo programa que curti na cidade, desta vez só para os adultos (leia-se, eu e o Lu) foi o show do sambista Diogo Nogueira. Quando soube do show não pensei duas vezes, comprei os ingressos e arrastei o Lu mais uma vez para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Aproveitamos muito bem mais esse vale night proporcionado pela super Tia Íris. Valeu, amiga!

De outra banda, para atender desejo ardente de Sara, fomos numa tarde até o Bistrô Paris 6. O dito cujo, do qual eu nunca tinha ouvido falar até a pouco tempo (soube através da propaganda entusiasmada da filhota), é caro, para a qualidade do cardápio que apresenta. No preço, obviamente, está incluído o projeto arquitetônico, o conforto, o design de interiores, a climatização, os toaletes impecáveis, a louça de qualidade e um serviço atencioso. Por outro lado, o marketing, acerta em cheio. Menu pautado pelo gosto da clientela VIP que batizou cada preparo. Torci o nariz, mas Sara estava realizada. O que não se faz para agradar os filhos, né.

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O que agradou meu paladar mesmo, foi o Restaurante Mangai. E esta não foi minha primeira experiência nessa saborosa e caprichada comida nordestina. Já tinha comparecido com o Lu na outra filial em Brasília. Íris e as meninas também gostaram. Definitivamente, um campeão, seja pela qualidade e variedade da comida regional, seja pelo ambiente, decoração e atendimento. Pra voltar sempre!

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Lampião e Maria Bonita, versão “Eu e Íris”

Fechou o calendário de programações em Brasília a comemoração de mais um natalício desta que vos escreve. A palavra que resumiu meu sentimento foi Gratidão, pela oportunidade de passar a data junto a pessoas tão caras para mim. De quebra teve bolo, velinha, salgadinhos, docinhos, bebidas, e ainda ganhei presentes! Meus primos e amigos que moram em Brasília também vieram me abraçar. Foi tudo muito legal, adorei.

Ocupamos um dia inteiro dentro do cronograma das férias para passear na cidade goiana de Pirenópolis. Seguimos de Frida, eu, Íris e as meninas. Mas sobre esse passeio deixo para contar no próximo post, junto com as aventuras de retorno para casa.

Na manhã seguinte ao meu aniversário, partimos de Brasília. Uma certa apreensão, porque eu não teria o Lu comigo para dividir o volante e os perrengues que se apresentassem pelo caminho. Mas na fé e na coragem, pegamos a estrada. Assunto que fica para o próximo post.

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Lembranças de um lindo final de tarde no Lago Paranoá

 

 

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