Américas

Laguna Llanganuco ou Chinancocha – Huaraz – Peru

Huaraz é a capital do departamento de Ancash e serve de ponto de apoio para os turistas que desejam explorar a região da Cordillera Blanca, o Parque Nacional de Huascarán. A cidade está localizada numa altitude de 3052 metros e fica entre os picos das Cordilleras Blanca e Negra. Entre as duas cordilheiras, que correm paralelas uma a outra, está o Callejón de Huaylas, um vale onde são encontradas algumas cidades como Huaraz, Carhuas, Yungay e Caraz. Pelo Callejón corre o rio Santo.

Cordillera Blanca é considerada a maior do mundo em extensão, cerca de 180 km, e possui 90 nevados, dos quais 30 estão acima dos 6000 metros de altitude. Os nevados Alpamayo e Huascarán estão entre os mais bonitos do mundo.

Os passeios que fizemos na região de Huaraz ficaram, a maior parte deles, em torno dessas cordilheiras.

Nossa estréia foi o tour à Laguna Llanganuco. Contratamos no Hostel Casa del Montañista, assim que nos instalamos. Estávamos ansiosas para ver com nossos olhinhos todas aquelas imagens encantadoras que por meses visualizamos nas telas dos nossos smartphones.

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Fotinho que fiz pra confirmar que a Laguna é mais linda ao vivo e a cores. E que cores!

Como narrei no post anterior, link aqui O retorno das peruas – Peru, após nos instalarmos no hotel,  jantar e banho, duas viajantes exaustas desmaiaram nas camas.

Estranhei o fuso horário (no Peru são duas horas a menos que no Brasil, ou três, durante nosso horário de verão) e no dia seguinte acordei cedo, bem antes do despertador do celular.

Deu tempo de organizar com calma a mala, pois a deixaríamos no depósito do hostel antes de sairmos para o passeio. Como mencionei, eu e a Lu decidimos mudar de hostel, procurar um localizado na área central da cidade, para facilitar o acesso aos serviços, passeios, e tudo o mais.

Aproveitei para colocar roupas para secar (lavei durante o banho) no varal situado no terraço do prédio. Quando retornamos à noite estava tudo limpo e seco!

Nos serviram um desayuno, com ovos mexidos (huevos revueltos!), café preto, pão, geléia. Esse é o padrão do café da manhã servido nos hostels e hotéis do Peru onde ficamos hospedadas. Ás vezes acompanha suco natural de frutas. Simples e gostoso.

No horário marcado o proprietário do hostel nos acompanhou até um determinado ponto da rua onde fomos acomodadas num táxi, que nos levou até à agência (oficina, em espanhol) de turismo contratada para o tour do dia. Este tour custou 30 soles, além de ingressos, algo que girou em torno de 5 a 10 soles.

Um aparte importante: sobre a conversão da moeda. Eu e a Lu viajamos com dólares, mas também tínhamos reais. Lembramos que em 2015, na primeira vez que estivemos no Peru, o real tinha praticamente equivalência com o novo sol ( a moeda peruana), com pouca variação a mais ou a menos, dependendo do dia do câmbio. Atualmente, o real se encontra desvalorizado frente ao novo sol. Encontramos conversão valorizando o real a meros S/0,64 até no máximo S/0,84.  Já o dólar convertia em S/3,33 soles. Conclusão: melhor viajar com dólares. Até porque em algumas cidades, como Huaraz, eles não aceitam reais para fazer câmbio.

Dito isso, seguimos…

A partir da oficina de turismo localizada em frente à Plaza de Armas de Huaraz seguimos numa van, na companhia de outros viajantes, para o tour do dia. Este tour contemplou pontos interessantes, como o Campo Santo de Yungay, e a linda Laguna de Llanganuco, e teve também as clássicas paradas “pega turista”. Mas ok, sem cara feia, encaramos de boa, tendo convicção sobre a importância do turismo na economia dessas comunidades.

Este tour é indicado para aclimatação, ou seja, para os viajantes que estão chegando na região se acostumarem com as altitudes elevadas. Para acessar a Laguna Llanganuco não é necessário fazer trekking, não exige esforço físico do visitante.

A primeira parada foi na cidade de Carhuaz, que em quéchua, significa “amarelo”, em referência a cor do milho quando pronto para ser colhido. É uma cidade pequena, que possui como destaque os sorvetes artesanais. Permanecemos nela cerca de 20 minutinhos, tempo suficiente para dar uma volta na Plaza de Armas, fotinhos, e experimentar os famosos helados de sabores diferentes, como lucuma, chirimoya, ushuro, além dos tradicionais. Bem gostoso!

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Helado da Lu: sabores de lucuma, amaranto e tuna. Na Plaza de Armas de Carhuaz

Carhuaz é conhecida como “Borrachera”, em virtude da festa em honra a Virgen de la Mercedes, que dura 15 dias, embalada por música e muita chica de jora, que garantem a alegria dos festeiros.

A próxima parada foi no Campo Santo de Yungay. Campo Santo é como são conhecidos os cemitérios no Peru. Enquanto circulávamos pela área do parque, onde há anos atrás se localizava a cidade de Yungay, a guia contou sobre a tragédia que se abateu sobre o Peru no dia 31 de maio de 1970, quando cerca de 50.000 ( as informações sobre o número de mortos varia muito) pessoas perderam a vida.

Yungay “Hermosura” foi uma das cidades mais bonitas da região de Ancash, com uma vista privilegiada para o monte Huascarán e uma próspera economia. Porém, esta cidade seria vítima de uma das maiores tragédias naturais da América do Sul, colocando um fim ao progresso e à vida de seus mais de 20 mil habitantes.

Um forte terremoto, com magnitude 7,9, arrasou a maioria das cidades da região, mas o destino de Yungay foi o pior. O terremoto fez com que enormes blocos de gelo se desprendessem do pico do cerro Huascarán (o mais alto do Peru), formando uma enorme avalanche que cobriu toda a cidade. Somente cerca de 300 pessoas, que correram para o cerro onde está o cemitério ou para zonas mais afastadas, conseguiram sobreviver à tragédia, além de um grupo de crianças que assistiam a um espetáculo circense  numa área mais elevada da cidade.

Toda a história daquela cidade, assim como os corpos das pessoas, os carros, as casas estão descansando sob aproximadamente 5 metros de terra e pedras.

Hoje, a Nova Yungay está localizada a 1 km ao norte da antiga Yungay, e não passa de mais um pequeno povoado da região, formado com os poucos habitantes que sobreviveram e seus descendentes. Sua triste história, porém, é lembrada pelo Campo Santo Yungay, um parque que foi criado no lugar da tragédia.

O circuito é simples, e bem explicado. Pouca coisa ficou sobre a terra, mas ainda se pode ver o que sobrou de um antigo ônibus e parte das ruínas da igreja que havia no local. Também se vê 4 das mais de 30 palmeiras que existiam na praça principal, que ainda conseguiram permanecer em pé, e uma delas segue com vida. Ao fundo do parque, uma réplica da fachada da igreja original foi construída.

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Ferro retorcido pela violência da natureza, no que foi um ônibus

Todo o parque é coberto de flores, roseirais, e várias cruzes foram colocadas em homenagem às vítimas que morreram ali.

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O parque construído em memória dos mortos na tragédia de Yungay

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O cemitério, para onde correram os moradores que sobreviveram à tragédia

Senti tristeza e desolação, estando no local onde tantas pessoas perderam a vida. Mas valeu a visita pelo contexto histórico e pela homenagem aos falecidos. Ao mesmo tempo, bateu um certo medo, afinal nunca se sabe quando pode voltar acontecer. E pensar que em apenas 3 minutos o gelo da montanha já soterrava toda a cidade é um tanto desesperador.

Concluída a visita, seguimos por estradas de terra esburacada, muitas curvas, sempre ascendente. Mais de hora depois, paramos em um dos postos de controle de acesso do Parque Nacional Huascarán, onde pagamos 10 soles o ingresso. Depois seguimos por mais um curto trajeto, até que chegamos na magnífica Laguna Llanganuco.

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Digo a vocês: a primeira visão da laguna é impactante! A gente não acredita que está vendo aquele tom verde esmeralda da água, fazendo contraste com o céu, com as montanhas nevadas, com as árvores que a circundam…  Essa cor incrível é resultado da origem glacial da água e das rochas que formam o fundo da laguna. Lindo demais! Não me cansava de fazer fotos e mais fotos daquele visual encantador.

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Pudemos ficar ali em torno de uma hora, que usamos para caminhar pelo entorno da laguna, fotografar. Ainda fizemos um rápido passeio de bote, de aproximadamente 15 minutos. Pagamos 5 soles por pessoa.

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Os barquinhos que usamos para passear na laguna

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Saindo da Laguna Llanganuco, paramos num pequeno restaurante local para o almoço. As refeições não estão incluídas no pacote pago para a agência. Os pratos servidos são típicos, como o famoso Cuy (porquinhos da índia fritos ou assados), o Chicharón de Porco, ou outros como a Llunca e o Pachamanca. A salvação para quem não é muito adepto de experiências culinárias locais são os pratos de frango ou a truta frita. Nós fomos de truta  frita e nos demos bem. Deliciosa!

Para acompanhar o almoço tomei chicha. Pra quem não sabe, chicha é uma bebida fermentada produzida pelos povos indígenas da Cordilheira dos Andes e da América Latina em geral, desde a época do Império inca. É uma bebida fermentada a base de milho e outros cereais.

Depois do almoço, seguimos para Caraz “Dulzura” (2270 metros de altitude), outra pequena cidade do Callejón de Huaylas. A cidade é conhecida pelo seu doce de Manjar Blanco, que nada mais é que o nosso Doce de Leite. Paramos em uma venda de doces (não nos animamos a provar ou comprar) e depois conhecemos a Plaza de Armas. O interessante é que a igreja da praça tem toda a estrutura externa, mas nunca foi terminada. Sua construção teve início em 1901 e até os dias atuais não foi concluída.

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A Plaza de Armas de Caraz

É de Caraz que começam as subidas pelo norte do Alpamayo e também a trilha de Santa Cruz, que dura de quatro a cinco dias e é uma das mais concorridas da Cordillera Blanca passando por dezenas de picos nevados.

Aproveitamos o tempo disponível para descolar uma wi-fi na cafeteria enquanto tomamos um café.

Já estava começando a escurecer quando fizemos o trajeto de retorno à Huaraz. Ainda teríamos mais uma parada numa loja de artesanato de cerâmica na localidade de Alfareiros.

Chegamos no hostel já passava das 19 horas. Pegamos nossas malas e nos dirigimos para um outro hostel que havia sido indicado pelo pessoal da oficina de turismo (acho que é da mesma propriedade). A localização até que era boa, mas as instalações… muito ruins. Enfim, nos limitamos a passar a noite ali, por falta de opção, já que estávamos cansadas pra procurar outro local naquele momento.

Saímos para jantar e logo retornamos ao quarto para banho e cama, afinal, a canseira era grande. Melhor descansar, pois tínhamos que acordar cedinho para mais um passeio na manhã seguinte. Laguna Parón nos aguardava. Mas essa já é outra história…

Dormi com as imagens da maravilhosa Laguna Llanganuco grudadas na minha retina, na minha mente, no meu coração, junto às melhores e mais preciosas memórias dessa viagem.

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