Américas

Chavín de Huantar – Peru

Cheias de disposição, eu e a Lu fizemos o tour para as ruínas de Chavín de Huantar no terceiro dia de nossa estada em Huaraz.

Outros posts relacionados a essa trip peruana nos links abaixo:

Como já referi, sou apaixonada pela história de antigas civilizações, e curto muito visitas a sítios arqueológicos e museus relacionados. Não é todo mundo que gosta, mas este a Lu encarou de boa, na parceria.

Falando em paixão, é o substantivo que melhor se relaciona à pessoa do guia de turismo que nos conduziu por este tour. O Senhor Atílio, um peruano do alto de seus 70 anos, um homem cheio de energia, disposição, e amor pela história de seu País, especialmente das antigas civilizações que ocuparam o território.

Mas assim, uma figura… sua atuação como guia merece uma descrição mais detalhada. Explico: o Senhor Atílio é um professor de História “jubilado” (aposentado) e demonstra ter muito conhecimento sobre os povos que formaram a cultura andina. Durante o deslocamento no transporte que nos conduziu desde Huaraz, ele foi contando fatos, repassando informações, como se estivesse numa sala de aula, e nós fossemos seus alunos, talvez do sexto ou sétimo ano do Ensino Fundamental.

A maior parte dos integrantes daquele tour eram adolescentes, estudantes de uma escola de Lima, acompanhados da professora. Leia-se: adolescentes sendo adolescentes. O Senhor Atílio não permitia conversas durante suas explanações, nem um mínimo cochilo. Tínhamos todos que permanecer caladinhos e de olho nele durante suas “aulas”. Uma peça!

É claro que a meninada desfocava, e consequentemente nosso professor, ops, nosso guia, chamava a atenção de forma enérgica.

Também durante a visita ao sítio arqueológico, o Senhor Atílio, que caminhava rapidamente, quase correndo, para chegar primeiro que os outros grupos nos pontos de interesse, não permitia nenhum desvio de atenção. Ficava evidente também que ele não queria compartilhar seus conhecimentos com os outros guias que conduziam grupos por lá. Quando eles se aproximavam o Senhor Atílio começava a cochichar. A situação era hilária!

Foi muito engraçado e rendeu várias chavões que eu e a Lu repetimos durante nossa trip peruana. É bem verdade que foi bacana encontrar um guia de turismo que exerce sua função com tanto amor e paixão pela História de seu País.

Pagamos 35 soles por esse tour, 10 soles pelo ingresso nas ruínas, além de mais 10 soles para a entrada no museu.

O micro ônibus que nos levou até Chavín partiu por volta das 9 h 30 min de Huaraz e seguiu por cerca de duas horas e meia por asfalto até a pequena cidade de mesmo nome.

20181027_111848

A estrada que leva à Chavín é cheia de curvas, num terreno montanhoso. No meio do caminho teve uma parada na bela lagoa Querococha, por cerca de 30 minutos. A laguna é bem bonita, mas o dia estava nublado, com chuviscos, o que não nos animou a permanecer muito tempo ao ar livre. Só umas fotinhos para registrar.

20181027_103919

Depois da Lagoa Querococha passamos pelo túnel Kahuish, construído numa altitude de 4.516 metros, e em seguida, pela estátua de Jesus Cristo de Ancash.

Chegamos às ruínas perto do meio-dia e ficamos por lá por cerca de duas horas. O sítio é pequeno, mas tem muitos detalhes pra se ver, que o Senhor Atílio explicou tudinho.

20181027_122821

Cultura Chavin foi uma civilização que se desenvolveu no norte do Peru entre 1500 a.C. a 300 a.C. Esta antiga sociedade é ainda apontada como um dos conjuntos embrionários das atuais civilizações andinas do Peru, ainda que descobertas arqueológicas recentes mostrem que a cultura Caral seja mais antiga.

Iniciada no planalto dos Andes e depois difundida em áreas próximas, a cultura Chavin foi interpretada até mesmo como sendo basicamente um culto religioso, devido à grandiosidade de seus templos religiosos. Os estilos de arte deste povo são muito distintos, especialmente os vasos de efígies, muitos dos quais estampavam formas felinas.

20181027_125105

A cultura Chavin desenvolveu-se em torno do que é hoje o sítio arqueológico conhecido como Chavín de Huántar, localizado no Departamento de Ancash, a 300 km ao norte de Lima, a uma altitude de 3177 m, na confluência dos rios Mosna e Wacheksa. Sua área cobre 129,167 metros quadrados e inclui templos de estruturas grandiosas, com amplo espaço interno e câmaras subterrâneas, plataformas piramidais, edifícios, praças, sendo todas as construções posicionadas sobre um eixo comum.

20181027_125711

O sítio arqueológico abriga uma série de terraços e praças com construções feitas de conjuntos de pedras, e está dividido pelos estudiosos em dois conjuntos, o do antigo templo e o do novo templo. O chamado antigo templo foi construído na forma de “U” e em torno deste há uma praça circular, que até pouco tempo pensava-se ser a construção mais antiga na área. Na verdade, este chamado templo antigo foi construído sob outras estruturas previamente existentes. Em algum momento após a conclusão do templo antigo, um novo templo foi construído, incorporando um dos braços do templo anterior. Esta nova estrutura se estendia pelo sul e leste do sítio, e possuía uma escala muito maior, retendo a forma de U, mas com um centro e eixo diversos, com duas de suas paredes chegando ao limite do rio Mosna.

Acredita-se que o declínio de Chavín de Huántar esteja relacionado com a instabilidade e revolta sociais ocorridas entre 500 e 300 a.C., o que teria provocado seu declínio, resultando no abandono do local. Um tempo depois, uma pequena aldeia ocuparia a praça circular do templo antigo e algumas pedras do complexo foram reutilizadas em novas construções.

Infelizmente, através dos anos, a área foi alvo de várias cheias dos rios próximos, e além disso, ocorreram vários deslizamentos de terra e um terremoto em 1970, o que desfigurou muito do conjunto original, erodindo parte da arquitetura em pedra. Desde 1985 suas ruínas constituem-se em Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO.

O ponto alto do tour foi quando entramos nas galerias subterrâneas – inclusive a que guarda o ‘El Lanzón’, o obelisco de granizo onde foram esculpidas feições humanas misturadas com animais, e depois caminhamos por um labirinto subterrâneo de outras galerias.

20181027_132044

20181027_132655

20181027_132729

Recebe destaque no conjunto do sítio a cabeça clava presa na parede do templo. Esta cabeça representava um homem com boca de puma e olhos de condor. Não representava um deus, mas sim uma fase de mutação de um homem para um estado sagrado. Supostamente, as outras cabeças representariam todas as fases desta transformação, desde a face do homem normal até seu rosto completamente convertido em um deus.

20181027_133741

Depois de toda essa imersão na história desta antiga civilização, estávamos todos mortos de fome. Resolvemos a questão num restaurante da cidade, comendo novamente truta. É uma opção interessantes ao cuy e ao pollo…

Na parte da tarde fomos visitar o Museu Chavín, que foi doação japonesa. Lá estão reunidas algumas peças retiradas do sítio arqueológico de Chavín de Huantar, entre eles o Obelisco original, a estela Raimondi e algumas cabeças clavas.

20181027_153009

20181027_153827

20181027_155519

20181027_155922

No meio da tarde iniciamos o trajeto de retorno à Huaraz, a maior parte dele com chuva. Mas quando chegamos na cidade a chuva já tinha cessado, oportunizando a vista, ainda na estrada,  de um bonito sunset. Na verdade, uma pancada diária de chuva, normalmente na parte da tarde, era rotina na região nessa época do ano em que viajamos, outubro. Nada que atrapalhasse nossos passeios.

Mas o mais bacana que aconteceu nesse passeio não tem relação com antigas civilizações, sítios arqueológicos, cabeças clavas, obeliscos… Foi o fato de na ocasião termos conhecido Pedro e Karim, companheiros de tour. Os meninos são uns queridos, nos divertimos por lá, submetidos ao estilo “linha dura” do Senhor Atílio. Esse encontro rendeu muito, estreitou laços e se transformou numa bonita amizade. No decorrer das narrativas conto mais sobre esse encontro, uma das coisas mais maravilhosas que a as viagens nos proporcionam: interagir com as pessoas, fazer amigos…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s