Brasil · Casinha sob rodas

Reta final: do Espírito Santo até Dentro da Casinha – Brasil

Como mencionei no post anterior, link aqui Navegar no Velho Chico é preciso, viver não é preciso – Sergipe e Bahia – Brasil, tínhamos duas apressadinhas a bordo de Frida, que queriam por que queriam chegar em casa até o dia 02 de Janeiro, data do aniversário da Sara e da Sofia. Em virtude dessa pressa toda rolou alguns estresses, porque nem tudo foram falésias, paisagens maravilhosas, praias e sorrisos nessa viagem, né. Mas, como dizem… faz parte! Viajar com adolescentes não é exatamente algo tranquilo. Um teste de paciência conciliar tantas vontades, tantas alterações de humores em curto período de tempo. Se valeu a pena? Ouçam um uníssono SIIIIMM!, inclusive das apressadinhas Sofia e Isa. Bom… então tá.

Para ler outros posts sobre nossa Expedição ao Litoral Brasileiro a bordo de Frida, nossa Casinha sobre Rodas, acessem os links abaixo:

Óh linda! Pernambuco e Alagoas – Brasil

Então é Natal! Rio Grande do Norte e Paraíba – Brasil

Entre Galos e Galinhos – Rio Grande do Norte – Brasil

Morro Branco e Canoa Quebrada – Ceará- Brasil

Oxente! Frida foi ao Nordeste – Brasil

Depois de passarmos pela capital baiana, foram quase 1.200 quilômetros de estrada até Vitória, no Espírito Santo. Quando a noite chegou estacionamos a Frida no pátio de um posto de combustível e dormimos, com o split ligado, garantindo nosso conforto. Bem cedinho, seguimos viagem, enquanto as gatinhas dormiam largadas nas camas de Frida.

Confesso que foi bem difícil ver as placas na BR 116 indicando os acessos para Itacaré, Ilhéus, Comandatuba, Porto Seguro, Trancoso, Prado, a Costa do Descobrimento, e passar batido. Aff… Só respirando fundo e contando até mil. Seguimos.

Rodamos em Vitória e seguimos para Vila Velha, atravessando sobre um patrimônio capixaba : A Terceira Ponte.

Seu nome oficial é “Ponte Deputado Darcy Castello de Mendonça” e liga a cidade de Vitória a Vila Velha. O apelido foi dado porque antes de sua construção, só existiam outras duas pontes ligando os municípios: a Ponte Florentino Avidos (conhecida como “Cinco Pontes”) e a Segunda Ponte (Ponte do Príncipe).

Hoje ela é a principal ligação de Vitória com Vila Velha e o litoral sul do Espírito Santo. Além de ser a maior obra já realizada no Estado, é um dos belos cartões-postais capixaba. Possui 3,33 km de extensão, tem 70 m de altura no vão principal e 260 m de um pilar ao outro.

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Estando em Vila Velha decidimos visitar o Convento da Penha, que visualizamos da rodovia, se destacando com seu prédio pintado de branco, no meio do verde da vegetação, bem no alto. Imaginamos que teria uma vista linda das cidades. De fato.

Num penhasco – de 154 metros de altitude e localização privilegiada a 500 metros do mar – que ostenta no seu entorno imponente fragmento da mata atlântica, está edificado o Santuário de Nossa Senhora da Penha, fundado por Frei Pedro Palácios, que chegou por ali em 1558, trazendo consigo o Painel de Nossa Senhora das Alegrias.

Hoje o Santuário da Penha abrange uma área de 632.226 m2. No seu interior abriga séculos e séculos de história, de fé e esperança, de devoção e coragem e é sem dúvida considerado o maior atrativo turístico e religioso do Estado do Espírito Santo. A faixa de Mata Atlântica existente no Santuário da Penha é o mais importante pulmão verde da cidade de Vila Velha e abriga uma variada flora e fauna em 50 hectares.

Vimos várias pessoas subindo a pé, mas face ao calorão que fazia e a pouca disposição de nossas acompanhantes, optamos pelo acesso rodoviário. Frida subiu valente  o acesso íngreme do calçamento e venceu suas muitas curvas fechadas.

Ajeitamos um lugar para Frida no estacionamento e curtimos o visual lá de cima.O mirante é uma parada estratégica para descansar e fotografar. De um lado, uma das vistas mais bonitas para Vila Velha e Vitória. De outro, o próprio Convento, que ainda está um pouco mais acima.

Para alcançar a antiga construção, o Convento, sobe-se muitos degraus. Galera suando, reclamando, mas chegamos enfim, conhecemos a linda Igreja. O espaço da missa é pequeno, mas há corredores externos com televisões que mostram as imagens. Ainda bem. A decoração interna da Igreja é muito bonita. Foi um passeio bem bacana.

Depois de sair de Vila Velha, eu e o Lu resolvemos passar em Guarapari, pois sua localização não desfocava de nossa rota de viagem para o Sul. Bom… seria bacana, se não fosse a data: praticamente Feriado de Réveillon. Leia-se: ruas lotadas de gente, trânsito intenso, engarrafamento, maior loucura. Só chegamos até a praia, com dificuldade, e já demos meia-volta pra deixar a cidade. Sem condições.

Depois desta rasante por Guarapari seguimos por 200 quilômetros até Campos de Goytacazes, já no Estado do Rio de Janeiro, onde chegamos no cair da tarde.

Em Campos procuramos o Hotel de Trânsito para estacionar a Frida e passar a noite. Esta estada rendeu boas histórias. Depois de alguma conversa fomos autorizados a entrar e passar a noite na Frida, pois o hotel estava lotado. Ok. Resolvi aproveitar que havia uma máquina de lavar disponível para lavar lençóis, toalhas, e muitas roupas da turma toda.  Seria uma boa não fosse o fato de que era noite, não havia varal pra tanta roupa, e… a gente dormiu e esqueceu de pendurar as roupas. Resultado: de manhã eu tinha um montão de roupa molhada e a Frida já pronta para pegar a estrada.

O que eu fiz? Estiquei DENTRO da Frida uma corda de varal, prendi onde deu, e pendurei roupas em todos os lugares possíveis e imagináveis: no encosto dos bancos, no painel, encima do fogão. Até na perna do motora Lu tinha roupa estendida, para aproveitar o sol e secar. Rindo aqui só de lembrar a cena. Hilário, sério!

Acreditem: com o vento frio do ar condicionado e o sol que entrava pelos vidros, pelas janelas, até o final do dia eu tinha tudo bem sequinho. A gente tem que se virar, improvisar como dá, né.

Ainda sobre a noite em Campos. Na hora dos banhos o Lu verificou que não havia chuveiros disponíveis para nós no Hotel de Trânsito. Ou tomávamos banho no banheiro apertado da Frida ou num vestiário semiabandonado, que ficava a cerca de 40 metros de onde estávamos. Decidimos ir conferir o lugar já visitado e descrito pelo Lu como “beeem atiradinho”.

Visualizem a cena: eu e as 3 meninas, no escuro, usando a lanterna dos celulares para iluminar um capim alto (não havia sequer uma trilha), tendo nas mãos toalhas, roupas, necessaires, praticamente correndo até o vestiário, morrendo de medo de sentir a aproximação de qualquer bichinho morador da vegetação. Já dentro do dito vestiário, que realmente estava bem sujinho e “atiradinho”, achamos um banco empoeirado para colocar nossos pertences, e fomos juntas tomar banho frio nos chuveiros, em uma área comum. Na verdade, não haviam chuveiros, apenas canos de PVC de onde saía a água. Encerro essa descrição dizendo que as meninas encararam a situação de boa, praticamente sem reclamar, e fizeram o caminho de volta até a Frida sem chiliques. Me surpreendi pela coragem e desprendimento delas.

No dia seguinte, mais estrada. Atravessamos o Estado do Rio de Janeiro, por uma rota bem longe do litoral, imaginando a muvuca, o movimento intenso das rodovias e das praias às vésperas do Réveillon. A Cidade Maravilhosa, que adoro, vai ficar para uma próxima aventura a bordo de Frida.

Foram 7 horas de viagem, com parada para almoço, desde Campos de Goytacazes até Aparecida, no Estado de São Paulo. Era metade da tarde quando chegamos com a Frida no estacionamento do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

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Eu já tinha feito visitas ao Santuário, mas desejei retornar, apresentá-lo às meninas. Na minha última estada ali eu estava na companhia do Lu, como narrei num post, link aqui Paraty/RJ – Para mim, para você, para todos nós .

Na tarde desta visita fazia um calor absurdo. Sair do ar condicionado da Frida já foi um drama para as meninas. Após ouvir reclamações, seguimos. Primeiro fomos passear no bondinho, até o alto do Morro do Cruzeiro. Ensopamos de suor dentro do bondinho, mas ok. Já lá no alto subimos de elevador a Torre Mirante. O passeio é seguro e oferece uma linda vista da Basílica e da Cidade de Aparecida. As fotografias não ficaram muito boas por causa do horário, da incidência da luz solar. Indico fazer esse passeio pela manhã. Com certeza, se aproveita muito mais. Ah… e evitem o verão. Se bem que o calor já faz parte da penitência, né.

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Se preferir, se pode subir pela famosa Via Sacra do Morro do Cruzeiro. São 900 metros de extensão. Não, obrigada!

Depois de conferir o visual lá de cima, descemos novamente com o bondinho e adentramos na Basílica. A missa estava em andamento, então evitamos circular e fazer muitas fotografias, para não atrapalhar. Na sequência acessamos o mezanino da Basílica, onde fica o nicho de Nossa Senhora Aparecida. Fiz minhas orações e demonstrei gratidão pela viagem maravilhosa que estávamos fazendo.

Diante da insistência das meninas, que reclamavam do calor, e queriam sorvete, fomos até o Centro de Atendimento ao Romeiro pra resolver essa demanda rapidinho.

A tarde caía, e decidimos retomar a viagem. Passamos pela capital paulista sem dificuldades, pois o povo todo já tinha partido para aproveitar o feriadão. Acessamos a Rodovia Régis Bittencourt e nos tocamos em direção ao Sul do País.

Fizemos uma pausa num restaurante às margens da rodovia para jantar e seguimos mais um pouco, até o município de Registro/SP. As meninas queriam dormir no estacionamento do Posto Graal, já conhecido por elas. Realmente, a estrutura dos banheiros, chuveiros e lanchonetes, é muito boa. Vale a pena essa parada.

Descolamos um lugar mais tranquilo, na lateral do “rodoshopping”, para estacionar a Frida, ligamos a extensão na rede elétrica, e dormimos tranquilamente ali.

Como de costume, bem cedo, eu e o Lu acordamos e retomamos a viagem. As “Belas Adormecidas” dormiam. Nossos planos iniciais era encontrar um camping bacana ou hotel/pousada, para passarmos aquela noite, o Réveillon.

Enquanto eu pesquisava opções de hospedagem no Booking e também atrativos que pudessem ser interessantes para as meninas na região de Curitiba, tive uma ideia, que compartilhei com o Lu: e se tocássemos direto pra casa, e comemorássemos o Réveillon na nossa “base”? Fizemos as contas do tempo de viagem necessário para a empreitada, algumas ponderações sobre o estado de ânimo da turminha e… fechou. Bora!

Combinamos que faríamos surpresa para as meninas sobre essa decisão e aceleramos pela estrada. Enrolamos as meninas com jogos e brincadeiras, desviamos a atenção delas sobre as placas de sinalização e somente quando já estávamos no amado Rincão, o Rio Grande do Sul, após um suspense comandado por mim, demos a notícia. Gente, muita alegria, vibração geral. Isa até ameaçou chorar, encheu os olhos d’água, de tanta felicidade por retornar para casa. Olha, até me emocionei e passou meu mau humor por ter abreviado meus planos de viagem.

Também fizemos surpresa para os familiares e amigos sobre nossa chegada repentina na cidade, depois de 24 dias de ausência. Foi muito bom reencontrar nossos afetos. Passamos com eles a noite de Réveillon e o Primeiro Dia do Ano. Tínhamos muitas histórias pra contar, e todos queriam saber de nossas experiências a bordo de Frida. Puxa, vai demorar pra contar tudo. Melhor que leiam os posts aqui no blog, né. Risos.

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