Américas

Laguna 69 – Huaraz – Peru

Senhoras e Senhores, com vocês… Laguna 69! Deu vontade de apresentar assim, por merecimento mesmo, com toda a pompa e majestade, a incrível Laguna 69, uma das mais bonitas da América do Sul.

O trekking até a Laguna 69 sempre povoou meus sonhos de viagem. As dezenas de imagens que via nas redes sociais, nos blogs de viagem, nos relatos dos viajantes que viajavam pelo Peru, fomentaram em mim, durante anos, o desejo de retornar ao País  para ver a belezura de pertinho, com meus próprios olhos.

Tomada a decisão de ir, prima Lu e eu partimos em Outubro de 2018, depois de muita pesquisa e troca de mensagens pelo Whatsapp. Outros links sobre essa viagem estão na lista abaixo:

O retorno das peruas – Peru

Laguna Llanganuco ou Chinancocha – Huaraz – Peru

Laguna Parón – Huaraz – Peru

Chavín de Huantar – Peru

Nevado Pastoruri – Peru

Os relatos dos viajantes, que eu já tinha lido, já alertavam para a dificuldade do trekking que leva até a Laguna 69 – uma trilha de 5 quilômetros, cuja extensão não seria nenhum problema, não fosse o tipo de terreno e a altitude, que começa em 3900 e termina em 4600 metros sobre o nível do mar.

O tempo médio para subir é de 3 horas e para descer é de 2 horas (foi o nosso tempo também). Os tours costumam ser de 6 horas, então o tempo restante, tirando a caminhada, é o que você vai ter para aproveitar a lagoa.

De fato, a Laguna 69 cumpre o que promete. Com louvor, em todos os sentidos! Eu e a Lu, agora, sabemos disso…

Saímos de Huaraz passava das 5 horas da manhã, quando o micro ônibus da agência de turismo contratada para o passeio nos pegou na porta do hostel. Pagamos 40 soles pelo passeio e mais 10 para ingressar no Parque Nacional Huascarán, localizado na maravilhosa Cordilheira Branca.  Tanto sua beleza quanto sua importância natural para o planeta fizeram com que este parque conquistasse o título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A viagem com o transporte até o ponto onde inicia o treeking dura cerca de três horas. Inicialmente por estradas asfaltadas, e depois por estrada de terra e pedregulhos. O tour parou num pequeno restaurante no trajeto, para tomarmos café-da-manhã, comprar água e lanches, antes de começar a caminhada.

A trilha é bem demarcada, o guia segue acompanhando a turma dos retardatários (eu e a Lu estávamos nela, risos). A caminhada começa de leve, praticamente plana, por um vale muito bonito, margeando um córrego, vimos vacas pastando tranquilamente por ali. Depois de pouco mais de 1 hora caminhando, começa uma subida intermediária em zigue-zague, a trilha fica mais estreita, pedregosa, e aponta para o alto, até uma pequena lagoa. Haja coração e pulmão!

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Lagoas e cascatas no caminho

20181029_104651Eu e a Lu paramos muitas vezes, pra descansar, para comer chocolate, salgadinhos, para tomar água, para respirar e buscar forças para continuar mais uns passos.

A partir daí, tivemos mais 1 hora de caminhada pela frente. Os primeiros 15 minutos são bem tranquilos, numa área plana, mas aí começa uma subida penosa: é neste ponto que a maioria das pessoas desistem.

Nessa parte começamos a encontrar pessoas que já estavam retornando da Laguna. E a gente perguntando: “Falta muito? Está longe ou perto, quanto tempo ainda?” Palavras de incentivo não faltaram. “Colocando os bofes pra fora”, entre choros e palavras de ânimos, seguimos.

Esse trekking exige muito das pernas, o coração parece que vai saltar pela boca, a respiração fica difícil, o oxigênio rareia, a gente inspira, busca o ar, e ele não vem. A tontura, a dor de cabeça completam o quadro. Há que se ter calma, paciência, respeitar o ritmo do corpo, que se esforça para se adaptar à altitude das montanhas. Era um, dois passos, e precisávamos parar para descansar, tentar respirar.

Sob o aspecto psicológico, há que se controlar o medo de morrer ali, no meio do nada, sem socorro médico num raio de três horas de estradas sinuosas e pedregosas.  Foco e muita decisão para se por os olhos na famosa Laguna 69, que habitava meus sonhos de viajante.

De repente, percebemos que atingimos a parte elevada do terreno, este fica mais plano, e… a Laguna 69 se mostra. Inicialmente rasgos da lendária lagoa, e depois toda ela, em sua amplitude e beleza. E num passe de mágica, todas as nossas energias se recuperaram.

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De cara, nos faltaram palavras para descrever o sentimento de superação por ter vencido o desafio da trilha e de admiração pela beleza do cenário.  Jogamos nossos corpos cansados e as mochilas na “prainha” da lagoa para descansar, para comer o lanche, pra nos recompormos. Logo nos demos por conta que tínhamos menos de uma hora ali, e então saltitamos por entre as pedras, fazendo mil fotografias.

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Construí uma apacheta com umas pedras que encontrei por ali

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O tempo voou, e logo o guia sinalizou para o grupo iniciar o trajeto de retorno. Contrariadas, querendo ficar mais tempo ali, admirando aquela maravilha da natureza, da Criação Divina, iniciamos o caminho de volta, o mesmo por onde viemos.

Foi no meio da trilha que começou a chover. Inicialmente um chuvisco, que logo virou chuva grossa. A Lu, prevenida, tinha uma jaqueta impermeável, e eu, nada. Resultado: cheguei no ônibus ensopada e em estado de completa exaustão. O trajeto de descida não é moleza, e as minhas forças já não eram as mesmas do momento da subida.

Me atirei no banco do ônibus, ensopada como estava, e nem forças pra falar eu tinha. O mesmo se deu com a Lu. Depois de um tempo, quando o ônibus já sacolejava pelas estradas, é que me mexi pra tirar peças de roupa molhada, me ajeitar melhor. Seguimos assim até Huaraz, sem parada para almoço ou lanche.

Chegamos na cidade ao anoitecer. Fomos direto para o hostel tomar banho, colocar roupas quentes e depois saímos para jantar. Fomos até um restaurante que nos indicaram, o Antuco, onde realmente a comida era muito boa. Até exageramos no pedido, de tanta fome que tínhamos. Além da pizza comemos uma lasanha. E cerveja pra acompanhar, claro. Afinal, depois de vencida a Laguna 69, a gente tinha que comemorar!

Depois das emoções desse dia, do sentimento de superação, de barriga cheia, dormimos o sono dos justos viajantes. O dia seguinte seria dedicado ao descanso na cidade, para nos prepararmos para a viagem à noite, de busão. Sobre ela, conto no próximo post.

Resumindo tudo, a palavra daquele dia tinha 8 letras: G-R-A-T-I-D-Ã-O!

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