Américas

As riquezas da Região Norte do Peru – Peru

Seguindo na nossa Trip Peruana Part. II (já estivemos no país antes, links aqui Peru  e La Paz e Lima ) eu a Lu tiramos o dia para conhecer Trujillo e suas jóias: os sítios arqueológicos – as Huacas –  templos que contam a história das culturas pré-incas, Mochica (ou Moche) e Chimu.

Outros relatos sobre essa viagem ao Peru, que fizemos entre outubro e novembro de 2018, acesse os links:

O retorno das peruas – Peru

Laguna Llanganuco ou Chinancocha – Huaraz – Peru

Laguna Parón – Huaraz – Peru

Chavín de Huantar – Peru

Nevado Pastoruri – Peru

Laguna 69 – Huaraz – Peru

Adiós, Huaraz! Hola, Trujillo! – Peru

Para fazer esse tour histórico cultural contratamos os serviços da empresa Trebol Turismo, por 25 soles, além de comprarmos um ticket único no valor de 25 soles também, que nos permitiu o ingresso nos sítios. Seguimos juntamente com um grupo de turistas, numa van da empresa.

Como já mencionei aqui, eu adoro esse tipo de passeio que mescla turismo com história, com culturas antigas. Então, pra mim, esse passeio foi um prato cheio!

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A primeira parada foi na Huaca Arco Íris, conhecida como Huaca del Dragón. Localizada no distrito de La Esperanza, esta a 3,5 km de Trujillo, com uma data de construção prevista no século X – XI D.C.

Acredita-se que foi um templo administrativo e religioso da cultura Chimu, onde eram realizadas cerimônias festivas religiosas, onde também cultuavam os deuses da fertilidade, a água e fenômenos celestes. Tudo que estava ligado a cultivo da terra. Nos 14 pequenos depósitos da Huacas foram encontrados grãos e artesanatos de pedra, madeira e cerâmica, acredita-se que era um local de depósito e de oferendas.

Nos muros que cercam o templo é possível notar o desenho que deu o nome mais conhecido ao local, um arco íris. Além de imagens que representam a dança da chuva.

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Na segunda parada do tour visitamos a Huaca Esmeralda. Localizada a 1 km de Trujillo, na estrada que vai sentido a Huanchaco, com uma data de construção prevista no século XII – XV D.C.,foi um importante centro de cerimônias da cultura Chimu. Durante os estudos e análises foram encontrados detalhes parecidos com os do Palácio Tschudi, constatando a ligação entre esta huaca e a capital.

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Você já ouviu falar do Viringo ou cachorro peruano? É uma raça de cachorro sem pelos que está em perigo de extinção. O Peru reconheceu oficialmente a raça como Patrimônio Nacional, e com isso passou a ser obrigatório que os centros turísticos tenham pelo menos 2 animais aos seus cuidados.

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Eles estão presentes nas Huacas e Museus. Eles nos pareceram muito tranquilos, e por conta da falta de pelos sofrem com as altas temperaturas, são animais sensíveis ao calor.

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Ainda na parte da manhã fomos visitar a incrível cidade de Chan Chan, a maior cidade de barro do mundo. Já era próximo ao meio-dia e o sol estava à pino, maior calorão. Mas enfrentamos pra conhecer esse lugar fantástico.

A cidade da Chan Chan era formada por 9 imponentes palácios de barro, com muros que teriam de 7 a 12 metros de altura, templos, praças cerimoniais e zonas de povoados. Além de ter em sua região o cultivo do próprio alimento e criação de animais. Calcula-se que viviam na cidade cerca de 200 a 250 mil pessoas.

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Hoje é possível visitar apenas 1 dos 9 palácios que existiam aqui, o Templo Tschudi(atualmente chamado de Nik-An). Esse era o Tempo Central, um centro religioso, onde aconteciam reuniões e importantes decisões eram tomadas.

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Ainda conhecemos o Museu de Chan Chan antes de partirmos para o litoral: a praia de Huanchaco, localizada a 14 quilômetros de Trujillo, nos aguardava.

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Antiga vila de pescadores, Huanchaco ainda preserva a tradição dos “caballitos de totora”. Feitas de junco, essas embarcações são utilizadas para pescar em alto-mar desde os tempos de moches e chimus, por volta de 200 d.C. Ainda hoje os homens fazem uso dela para tirar seu sustento do mar. Em Huanchaco os turistas assistem a essa tradição ao vivo. Eu e a Lu, óbvio, não nos limitamos a assistir. Fomos experimentar o negócio!

O grupo foi levado até o restaurante El Sombrero. Eu e a Lu adoramos o lugar. Nossa mesa ficava na varanda, com uma bela vista da praia. Nos jogamos num risoto de camarão e drinques. De quebra ainda conhecemos um guia de turismo que estava ali no restaurante também, acompanhando um outro grupo. Olha só, tive que, na maior cara de pau, pedir pra fazer uma foto com ele.  Olhem a elegância do cara, super estiloso, circulando pela poeira dos sítios arqueológicos, embaixo do maior sol!

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Estilo “Latin Lover” do Guia de Turismo. Choquei! 

Com a questão da fome resolvida, fomos caminhar no calçadão da beira mar, acessamos um longo deck de madeira que avançava sobre o mar, com linda vista do balneário.

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Depois de saciar a sede com cervejas no Bar Mandala, que é um lugar bem curioso, estilo “bicho grilo”, fomos até à praia. Ficamos observando os “caballitos de totora” no mar, até que resolvi fazer o passeio. A Lu ficou assistindo da praia e fazendo fotos e vídeos meus. Na volta convenci a guria a experimentar. Claro, né, Lu encarou. Super valeu a experiência, né, perua.

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Ficamos na praia até o pôr do sol, que se apresentou lindíssimo, caindo no mar do Pacífico. Momento sublime! Show!

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A aventura continuou quando resolvemos retornar para Trujillo num ônibus lotado, no melhor estilo peruano de ser. Pareceu que a viagem até a cidade durou horas, porque o motora parava em tudo que é esquina para empilhar mais e mais gente no busão. Que sufoco! Enfim, chegamos suadas, mas salvas. Saltamos daquela “lata de sardinhas” numa esquina próxima ao nosso hotel. Ufa!

Pra encerrar bem o dia, depois de um banho vigoroso, as peruas ainda tiveram disposição pra fazer mais uma pernada até o centro da cidade para jantar no El Celler de Cler Restaurante.

Gente, esse restaurante é imperdível, sério! Instalado numa casa senhorial, a uma quadra da Plaza de Armas, com uma decoração charmosa, de acordo com o estilo do prédio, tudo lindo! Nós escolhemos uma agradável mesa no terraço, tendo velas e flores como decoração. Bebemos e comemos maravilhosamente bem. Uma noite digna de duas peruas viajantes. Risos.

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Voltamos para o hotel numa caminhada que contribuiu para a digestão da comilança do jantar e nos jogamos na cama, como mortas, depois do dia intenso que tivemos.

Eu precisava descansar, porque o dia seguinte iniciaria muito cedo para mim, às 5 horas da manhã, para partir para um novo passeio, repleto de cultura. A Lu optou por não me acompanhar. Para ela estava de bom tamanho as visitas a sítios arqueológicos. Risos. Pra mim, não! Então cada uma foi feliz a sua maneira: enquanto eu passei o dia num tour “de huaca em huaca” a Lu passeou pelo shopping de Trujillo, descansou, caminhou pelo centro. Eu acho muito legal isso, da gente viajar juntas e cada uma ter independência para optar por programas e passeios que melhor lhe agradem, sem que isso gere qualquer tipo de estresse. E assim foi.

O celular me despertou às 5 horas. Ainda no escuro, me organizei quietinha, pra não acordar a Lu, e na recepção do hotel pedi um táxi até o Terminal Rodoviário. Encarei 3 horas de boas estradas asfaltadas até a cidade de Chiclayo. Um contato da agência de turismo me aguardava com uma plaquinha com meu nome quando desci do ônibus. Só deu tempo de eu comprar uns snacks e água no supermercado localizado em frente a Estação de Autobuses e já embarquei num micro ônibus para fazer o passeio de dia inteiro.

Confesso que até a pouco tempo eu nunca tinha ouvido falar de Chiclayo. Do dia pra noite, essa pequena cidade se viu no centro das atenções dos pesquisadores e arqueólogos do mundo todo e passou a receber mais e mais turistas querendo conhecer uma das maiores descobertas arqueológicas dos últimos anos: o Senhor de Sipán. Para se ter ideia, ele é comparado, em termos arqueológicos, à descoberta do antigo faraó egípcio Tutankamon. Pensem: tipo ir ao Egito e não ir ver as pirâmides ou tumbas dos faraós. Impensável.

Com o grupo embarcado, fomos conhecer duas regiões importantes de Chiclayo, Sicán e Túcume, onde foram encontradas algumas das maiores descobertas arqueológicas do país.

A menos de 20 km, na pequena cidade de Ferreñafe, o Museu de Sicán  mostra detalhes da cultura Sicán (também conhecida como Lambayeque), uma civilização pré-inca que, segundo alguns estudiosos, sucedeu ao povo Moche.

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O acervo do museu é bem rico e mostra diferentes aspectos da vida doméstica, dos processos de manufatura (dominando técnicas de metalurgia) e dos cultos e crenças desta civilização que também preservava uma forte adoração à noite e aos símbolos noturnos.

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Algumas salas mostram como estavam as tumbas descobertas na região e todas as indumentárias encontradas. O museu também conta detalhes sobre o processo de escavação, pesquisa e preservação  da memória da cultura Sicán / Lambayeque.

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Começar o tour por aqui foi bem interessante para nos situarmos melhor sobre o que encontraríamos nos sítios seguintes como Túcume, Huaca Rajada e no Museu Senhor de Sipán.

Do Museu de Sicán, seguimos para Túcume, uma região muito interessante no norte do Peru e que ainda é base de muita pesquisa e escavações arqueológicas. Em meio ao clima árido, muitas ruínas e tesouros perdidos ainda estão encobertos pela vegetação local.

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Devido à ação do tempo – e dos saqueadores, infelizmente – é preciso um pouco de imaginação para tentar visualizar como seriam as pirâmides e a vida nesse ponto do Peru cobertos por tanto adobe.

Essa região foi muito  importante para a cultura Sicán / Lambayeque, afinal esse era um grande centro administrativo com cerca de 26 pirâmides ao longo de todo o perímetro. Prestando atenção, se nota diversos morros ao redor e cada um deles era uma pirâmide.

Até hoje, Túcume sofre o forte impacto dos efeitos do El Niño e não conta com muitos recursos e pesquisadores para preservar e investigar mais sobre esta civilização perdida.

Esses são dois dos passeios mais legais na região de Chiclayo para quem quer aprender mais sobre a cultura Lambayeque e sobre as grandes descobertas arqueológicas do nosso tempo.

Assim como a chegada a Machu Picchu é a cereja do bolo do roteiro entre Cusco e o Valle Sagrado, conhecer a Huaca Rajada, sítio onde o Senhor de Sipán foi encontrado, e o Museu Tumbas Reales de Sipán, local onde estão expostas as peças mais importantes dessa descoberta, é o ponto alto da viagem entre Trujillo e Chiclayo.

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O grande barato de visitar a Huaca Rajada é ver de pertinho mais de 700 anos de história ainda praticamente inexplorados. Essa Huaca – ou sítio arqueológico – é tida como um grande cemitério da elite do povo Moche.  E foi ali que a maior descoberta da arqueologia peruana, e quiça americana, foi encontrada.

 

O Senhor de Sipán foi encontrado em uma das raras sepulturas que ainda estavam intactas no país, caso inédito na arqueologia da América Latina. Nunca antes na história desse país, pesquisadores haviam encontrado uma cripta/tumba tão completa de uma figura de liderança da civilização local como fizeram na Huaca Rajada. Esta é a razão pela qual essa descoberta é considerada tão relevante e, com o passar das pesquisas, muitos acreditam que outros importantes túmulos também serão descobertos.

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Na foto você pode perceber como foi encontrado o Senhor de Sipán: todas as indumentárias, as oferendas, os vasos cerimoniais e até mesmo as esposas e seguranças, enterrados juntamente com ele, puderam ser encontrados.

Fechamos o tour à tarde, com a visita ao Museu do Senhor de Sipán. Inaugurado em 2002, o prédio construído para o Museu Tumbas Reales de Sipán é uma réplica de uma pirâmide moche. Para minha tristeza, não é permitido tirar fotos dentro dele. Seu acervo é tão fantástico que fica até difícil descrever para vocês o que está exposto lá. Eu fiquei boquiaberta: toda a riqueza de uma cultura que viveu na costa norte do Peru entre os séculos I e VI.

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Visitar a cripta, até então, intacta do Senhor de Sipán na Huaca Rajada e depois ver os objetos encontrados lá no Museu é algo realmente fantástico. O processo de restauro foi feito com tamanha cautela que é difícil acreditar como todas aquelas peças sobreviveram tão bem à ação do tempo.

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Tumbas Reales do Senhor de Sipán, na Huaca Rajada

O roubo de artigos arqueológicos tem sido um problema constante e muito sério no Peru. Alguns casos que nos contaram chamaram nossa atenção: peças roubadas dessa região foram encontradas em 1994 em um leilão de antiguidades na Philadelphia, enquanto outros artefatos já foram localizadas em galerias de artes em Nova York, no aeroporto de Miami e até mesmo no pescoço de uma alemã que tentava sair do país e seguir para Frankfurt.

É impossível imaginar e calcular o tamanho do dano e do prejuízo que esses tipos de saques podem ter causado aos estudos arqueológicos do norte do Peru. E esse é um problema grave que corre o mundo todo e não apenas a América Latina. Uma pena.

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Pose de sacerdotisa  #sqn

Com os olhos saciados de tanta riqueza histórica e cultural vista num dia só retornei com o transporte até a Estação de Autobuses para pegar o ônibus e regressar à Trujillo. Pra variar, foi com emoção: cheguei 5 minutos antes do horário da partida do busão, que era o último do dia com destino à Trujillo. Já fiquei me imaginando dando a notícia para a Lu de que teria que pernoitar em Chiclayo. Mas consegui embarcar, ufa.

Foram 4 horas de viagem até Trujillo, com algumas paradas em cidades no trajeto. Eu mortinha de cansada, dormi feito pedra na poltrona do ônibus. Lá pelas tantas abro os olhos, o ônibus está parado num terminal, Eu meio tonta de sono, desço até a porta e pergunto para o motorista em que cidade estamos e ele me responde: “Trujillo”!

Jesus!, quase que eu sigo viagem, rumo ao destino final, Chimbote. Imaginou eu descendo de madrugada na Estação Rodoviária de uma cidade que eu não conheço? Ainda bem que meus anjinhos da guarda estão sempre de plantão.

Eram por volta das 22 hs e 30 min quando entrei num táxi rumo ao Hotel. Dou o nome do Hotel ao taxista, ele não conhece e então me pergunta o endereço, que eu não sei dizer. Sem internet no celular. Dio Mio, mais essa…

Rodamos um bom tempo pela cidade até que eu reconheci uma avenida que passa próximo ao Hotel Alexander. Resultado: quase meia-noite e o taxista me larga cerca de dois quarteirões do hotel. Quase correndo pela rua, chego esbaforida na recepção. Que aventura!

A Lu já dormia e nem viu eu chegar no quarto. Depois do banho me joguei na cama. Mesmo cansada, demorei um pouco pra dormir. Minha cabeça fervia, assimilando tudo o que eu vivi em apenas um dia no Peru.

Mas essa trip teve muito mais ainda. Conto no próximo post.

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