Américas

Montanha Colorida ou Rainbow Montain – Cusco – Peru

Eu e a Lu repetimos a rotina do dia anterior, quando acordamos bem cedinho para fazer o tour para a linda Laguna Huamantay, aventura narrada aqui no link Laguna Huamantay – Cusco – Peru . Novamente saímos pra rua, ainda no escuro, a bordo de um micro ônibus, rumo às montanhas de Cusco, atrás da visão a tanto tempo cobiçada, a da Montanha Colorida ou Montaña de Siete Colores. O nome oficial da montanha é Winicunca – pelo menos é isso que está escrito no ingresso -, mas também se acha pela internet os nomes Vinicunca, Willkacunca e Wininkuca.  Ou mais internacionalmente falando, Rainbow Mountain.

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 A Montanha de Sete Cores foi listada pela revista National Geographic como um dos  100 lugares que se deve visitar antes de morrer. Uma montanha de 5.200 metros de altitude, na região dos andes peruanos, que apresenta uma coloração inacreditável por conta da quantidade de materiais minerais no solo.

Tão linda quanto desafiadora, é preciso dizer. A trilha para a Montanha de Sete Cores não é pra qualquer um. Ela demanda grande esforço físico em subidas a mais de 5.000 metros de altitude. Vento gelado batendo no rosto, ar rarefeito, cansaço e falta de ar.

Quando eu e a Lu começamos a montar nosso roteiro de retorno ao Peru (nossa primeira viagem foi narrada no post Peru), compartilhamos entre nós imagens e dicas de viagens, e ficamos encantadas com a Montanha Colorida. Não quisemos abrir mão dela de jeito nenhum, mesmo cientes da dificuldade do acesso.

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Comunidades no trajeto

Pagamos 60 soles pelo passeio de dia inteiro e mais 10 soles para ingressar na área onde fica a Montanha Colorida. Foram 3 horas de viagem por belíssimas paisagens montanhosas, curvas fechadas, trafegando por estradas de terra esburacada, penhascos de dar medo, verdes vales e um correntoso rio marrom. No trajeto vimos muitos camélidos andinos, alpacas, vicunhas, ovelhas, correndo soltos pelos campos. Muito bacana.

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No meio do trajeto teve uma parada para o desayuno (precisaríamos de muita energia logo mais), uso de banheiros, e para os esquecidinhos adquirirem artesanato de lã para proteger do frio da montanha, como gorros, luvas, cachecóis.

Quando chegamos na base onde inicia a trilha, o tempo se mostrava instável, alternando chuvisco com réstias de sol. Só pra caminhar algo em torno de um quilômetro desde o estacionamento de veículos até o posto de controle da comunidade parecia que o coração iria sair pela boca, o peito arfava, respiração ofegante.

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Impôs-se a mesma tomada de decisão sobre como faríamos a trilha: a pé ou no lombo dos cavalos? As advertências do guia sobre as dificuldades, a visão da trilha, ascendente, a perder de vista, amedrontava as duas viajantes cansadas. A Lu, ciente de suas limitações, já novamente chegou decidida a subir no lombo do cavalo. Eu, bem chateada, ante a constatação da minha fraqueza (bem mais psicológica do que física, é verdade), também aderi à carona do animal, pagando 60 soles apenas para a subida.

Putz, sou consciente de que se trata de exploração dos animais, de que eles sofrem pra carregar os humanos, naquela altitude. Fiz esta trilha e a do dia anterior, para a Laguna Huamantay, no lombo dos animais, e confesso: essa parte não foi legal pra mim. Chegar ao objetivo, conhecer os lugares dessa forma, tirou um tanto do brilho do passeio. Chorei baixinho durante o percurso, em pensamento pedi perdão a eles, e prometi a mim mesma evitar a qualquer custo a repetição desse tipo de experiência. Respeito quem pensa diferente, mas pra mim, definitivamente, não foi bacana. Conclui que, nas próximas aventuras, ou chego pelas minhas próprias pernas, ou deixo para fazer quando eu estiver com melhor preparo físico. Respeitar as minhas limitações, mas não contribuir para esse tipo de turismo.

A trilha até a Montanha Colorida é de cerca de 6 quilômetros, morro acima. Ela não é tão pedregosa como a da Laguna Huamantay, mas a altitude maltrata os viajantes. Os cavalos não chegam até o final da trilha, quando faltam cerca de uns 200 metros se tem que caminhar. E digo: só esses metros já me derrubaram. Cadê o ar?

Para esse tipo de tour o ideal é se vestir em camadas – para poder tirar os casacos quando começa o calor pelo esforço físico, e ter consigo folhas de coca – para mascar durante a caminhada e ajudar com o mal de altura, que vem com tudo! Já lá encima da montanha o vento é gelado, rola uns chuviscos, chuva congelada, e aí é a hora de vestir tudo o que trouxe.

Enfim, me “esbofeando” completamente, depois de uma subida bem íngreme, já pude ver as primeiras colorações da montanha. Uau, muito linda! Sensacional! Me senti recompensada pelo esforço pra chegar até ali.

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Antes de qualquer reação, de fazer fotos, apreciar a paisagem, eu e a Lu fomos tomar um revigorante chá de coca quentinho vendido por 2 soles pelos moradores de Pampachiri, Pitumarca, que ficam por ali vendendo chá, água e lanches.

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A vista já era maravilhosa dali, mas para completar a trilha é preciso uma última dose de esforço físico. No lado oposto de Vinicunca, a trilha segue subindo por um morro. São mais uns 10 minutos de subida para ter, lá de cima, uma visão ainda mais perfeita da Montanha de Sete Cores.

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Também dá pra ver todo o arredor, com destaque para a Montanha Ausangate, com seu topo congelado. Um lindo contraste com as paisagens desérticas e de cor marrom da região. Lá de cima, também se tem uma vista privilegiada da enorme fila de viajantes, indo e vindo no caminho de Vinicunca. Um momento para nunca mais esquecer. E que dura pouco: por conta da altitude, vento e frio, só recomendam que você permaneça nesse topo por no máximo 30 minutos.

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A descida foi bem mais tranquila que a subida. Afinal, pra baixo todo santo ajuda, já diz o ditado. Na parte final, quando o terreno já estava plano, o chuvisco engrossou, apertei o passo pra não chegar encharcada no micro ônibus. Resultado: me joguei no assento do ônibus, com o mal de soroche instalado, parecendo que ia morrer de tanta dor de cabeça. É… a rapadura é doce mas não é mole não… Depois de recorrer a analgésico, respirar profundamente, comer um chocolate, me acalmar, o mal estar amenizou.

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Só descida para retornar à base, com esse visual

Depois do grupo reunido, nos deslocamos para o almoço, servido no mesmo lugar em que tomamos nosso desayuno. Comida bem gostosa. Também, com a fome que a gente estava…

Chegamos de volta em Cusco por volta das 19 horas. Eu e a Lu decidimos ir direto jantar uma pizza num restaurante no entorno da Plaza de Armas e depois fomos para o hostel descansar.

E assim encerramos nossa estada em Cusco. Com o sentimento de que super valeu nossa escala na cidade. Nossos olhos viram belezas únicas, que ficarão para sempre guardadas em nossa mente e nosso coração. Na manhã seguinte partiríamos para a Lima, nossa última escala antes de voltar pra casa. Mas a viagem ainda nos reservaria novas emoções. Conto no próximo post.

Outros links sobre essa viagem:

O retorno das peruas – Peru

Laguna Llanganuco ou Chinancocha – Huaraz – Peru

Laguna Parón – Huaraz – Peru

Chavín de Huantar – Peru

Nevado Pastoruri – Peru

Laguna 69 – Huaraz – Peru

Adiós, Huaraz! Hola, Trujillo! – Peru

As riquezas da Região Norte do Peru – Peru

Volvendo el ombligo del mundo – Cusco – Peru

Laguna Huamantay – Cusco – Peru

 

 

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