Américas · Dentro da Casinha · Intercâmbio

Intercâmbio a uma hora dessas?!

Na minha extensa lista de “coisas a fazer antes de morrer” sempre esteve a experiência de estudar uma língua fora do País. Pode parecer um sonho juvenil persistente, bobo, mas estamos falando de sonhos, então… Acredito que quando se fala de sonhos a muito tempo acalentados, a escala de importância é absolutamente única – um critério pessoal e inquestionável. Desde adolescente eu sonhava com a oportunidade de viajar para um outro país, lá estudar a língua, passar um período imersa na cultura local. É claro que naquela época, dentro do contexto em que eu vivia, essa ideia era inalcançável, restrita ao campo dos sonhos mesmo. E o tempo passou, passou, passou…

Chegou o tempo de estudar com afinco, sempre acompanhado e seguido de muito trabalho, por anos a fio, até que alcancei a aposentadoria. Com a aposentadoria, coloquei esse sonho na vitrine novamente. Mas agora (50 anos à vista!)?! Ué, e por que não? Sim, porque eu quero e posso! Bora fazer um intercâmbio para estudar uma língua de forma imersiva! Na realidade, não foi uma decisão que ocorreu da noite para o dia. Eu vinha, de forma consciente, me preparando para isso a alguns anos.

Ter a compreensão da língua inglesa, com todas as habilidades – ler, escrever, ouvir e falar – sempre foi um desafio pra mim. À medida que meu espírito wanderlust me lançava para incursões mundo afora, mais eu percebia que precisava dominar a dita cuja. Não que a ausência do completo domínio da língua me privasse de viajar, em absoluto. Fiz duas viagens anteriores aos Estados Unidos em fases da vida em que eu tinha muito menos conhecimento da língua e me virei bem, tipo “safa”, o suficiente para pedir comida, contratar hospedagem e transporte, me deslocar e visitar pontos turísticos. Relatei essas experiências aqui, para ler acesse os links New York – Primeira vezLas Vegas e Estado de Arizona, USA. Inclusive durante a viagem para Las Vegas fiquei uma semana sozinha, rodando de carro os Estados do Arizona, Utah e Nevada. Me virei. Mas eu sempre quis mais. Meu desejo era atingir um nível de entendimento e fluência que me oportunizassem interagir de forma mais intensa e ao mesmo tempo natural, usando a língua. Então decidi que iria, de forma definitiva, me lançar a esse objetivo.

Eu também curto muito a língua espanhola. Especialmente por residir no Sul do Brasil, a gente acha que já nasce sabendo falar a língua dos “hermanos”, nossos vizinhos argentinos e uruguaios, e não perde uma oportunidade de exercitar nosso “portunhol”. Bem… estou falando por mim, ok. Na verdade eu falo “portunhol” na cara de pau mesmo, ciente de que para falar direitinho, será necessário me dedicar e estudar com afinco. Até lá vou me virando com o que tenho durante minhas viagens pela América do Sul e mesmo na Espanha, quando viajei para peregrinar pelo Caminho de Santiago, link aqui “Pilgrim: Uma aprendiz no Caminho” – Coisas que aprendi no Caminho de Santiago de Compostela – Espanha.

Mas enfim, não dá pra fugir da constatação que, apesar do Inglês ser apenas a terceira linguagem do mundocom maior número de falantes nativos, depois do Chinês Mandarim e do Espanhol, a língua Inglesa detém a pole position no que se refere à língua mais falada no mundo. Me desafiei a falar também. Pronto.

Estudei inglês numa franquia de curso de línguas por longos seis anos, de forma regular e persistente. Conciliava meu trabalho com os horários das aulas e segui firme, até a formatura no curso. Não foi fácil. Por várias vezes pensei em desistir pensando que “esse negócio não é pra mim”. Cada vez que pensava em parar eu lembrava das outras tentativas de dominar a língua, quando eu havia desistido no meio do caminho e depois de algum tempo tinha que recomeçar do básico. Então coloquei no automático e segui. Quando dei por mim…formei!

Fiz uma prova de proficiência que, se não me garantiu uma nota excelente, me deu gás para engatar com o tão sonhado intercâmbio de língua inglesa. No ano passado ainda, comecei as pesquisas para definir a empresa que faria a intermediação dos detalhes desse projeto, como a escolha da escola, o tipo de hospedagem, período de curso, etc, etc.

Quanto ao destino escolhido para fazer o intercâmbio, eu já tinha definido a  muito tempo atrás: San Francisco, na Califórnia, Estados Unidos da América. My dream! Motivada por todos os filmes que vi e revistas que li sobre a Califórnia, pelas imagens da Golden Gate com sua característica cor vermelho alaranjada, os bondinhos subindo e descendo as ladeiras, a cultura hippie, a diversidade, eu poderia negociar sobre vários aspectos dessa experiência, menos sobre o destino. Mas minha escolha sobre San Francisco não recaiu somente em função das belas paisagens, mas principalmente pelo que a cidade representa: a atitude vanguardista, a aceitação das diferenças, a histórica postura ativista, enfim… Tinha que ser “Sanfran”!

Eu sei que hoje temos lá um cenário de escolhas políticas afrontosas aos direitos humanos e a grupos vulneráveis, o que me provoca ojeriza, mas na minha opinião, não dá para rotular um país à partir de seu governante, senão me limitaria muito enquanto viajante.

No início desse ano fechei o contrato sobre o intercâmbio. Titubeei sobre a hospedagem: casa de família ou residência estudantil? Pesei prós e contras, como distância até à escola, preços, aspectos como independência e logística, e bati martelo: residência estudantil! À partir daí fiz outras definições: tempo de curso – 6 semanas; horário das aulas – matutino, das 9 às 13 horas, de segunda à sexta-feira; tipo de dormitório – compartilhado com mais uma pessoa, banheiro privativo.

Tudo certo sobre a escola e a hospedagem, comprei as passagens. Compramos, quis dizer. Aí foi o momento de conciliar o período de férias do amore Lu, a fim de que também pudéssemos, os dois, curtir juntos, a “Califórnia Dreaming”. Bingo! Quando eu encerrar meu período de estudos, o Lu aterrissará em San Francisco. Será a hora de “turistarmos” por Sanfran e pelos arredores, incluindo aí a incrível Pacific Coast Highway, o Yosemite Park e o Sequoia National Park. Pelo menos, esses são nossos planos iniciais. Caberá  ainda no pacote dessa super trip uma conexão no Panamá, ocasião imperdível para conhecermos o Canal do Panamá e os maiores shoppings das Américas (nem tão empolgada com compras, mas vá lá, as meninas esperam os presentes…).

Não tenho a ilusão de que esse intercâmbio de 6 semanas vá me dar o pleno domínio da língua, a fluência no inglês, mas acho que um Up deve dar, né. Troquei mensagens com pessoas que tiveram experiências semelhantes e recebi um feedback bem positivo. Enfim… estou animada. Quero aproveitar ao máximo a minha estadia por lá: durante as manhãs focar no aprendizado da língua, interagindo com os colegas (galera do mundo todo!), e no tempo livre passear pela cidade e pelos arredores. Acho que vai ser muuiitoo legal!

Sobre quem fica e como fica: meu trio de gatinhas, adolescentes com 13, 13 e 10 anos, assimilaram na boa mais uma viagem da mamis aqui. Já acostumadas com minhas frequentes viagens, se empolgaram com a ideia da mãe ir estudar inglês nos States. Claro que já está rolando uma pré listinha de presentes “Made in USA” elaborada por elas. Ficarão em casa, na rotina escolar, bem amparadas pelos demais familiares e a funcionária que trabalha aqui em casa, aguardando meu retorno.

Concluindo… nunca é tarde para realizar sonhos, pessoal. Bora lá! O que vai rolar? I don’t now… mas prometo compartilhar tudo sobre essa experiência aqui no blog, com posts diretos da Califórnia. See you later!

“A idade é uma questão da mente sobre a matéria. Se você não se importa, não importa.” Mark Twain

2 comentários em “Intercâmbio a uma hora dessas?!

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