Américas

I arrived in San Francisco! Me situando… – Califórnia – Estados Unidos da América

Como mencionei no post anterior sobre minha viagem à San Francisco, na Califórnia/EUA, link aqui Intercâmbio a uma hora dessas?!, inicialmente eu pretendia escrever posts regulares durante os 50 dias em que estive por lá, compartilhando quase que “em tempo real” o meu dia a dia naquelas terras. Mas na prática, esta ideia não funcionou. Explico: eu estive tão ocupada, curtindo ao máximo minha estada na cidade, que simplesmente não encontrei tempo pra sentar e elaborar textos, fazer pesquisas, selecionar fotos, etc. O que é bem razoável, não é? Viver o presente, o momento, com toda a sua intensidade, me pareceu a melhor opção. A verdade é que todas as experiências vividas, as sensações experimentadas, as emoções relacionadas ao me deparar frente a frente, “ao vivo e a cores”, com paisagens tão sonhadas (aaah, a Golden Gate Bridge…), meu contínuo deslumbramento com a vibe da cidade, estão beeem presentes na minha memória, sem a menor chance de esquecer tão cedo. Então, me limitei a postar algumas fotos e comentários no perfil do Instagram e no do Facebook e deu.

O que eu fiz em San Francisco encontra-se na exata definição da palavra Imersão 1. Ato de imergir2. Mergulho3. Inundação4. Começo de um eclipse.”

Estive imersa e inteira, me joguei no clima da cidade, curti e aprendi muito! E não foi só meu nível de inglês que teve um up grade não (na real, acho que foi o quesito em que menos evolui, pois não sou uma estudante aplicada, risos), mas como sempre acontece durante minhas viagens, minha visão de mundo se ampliou, e já não sou a mesma pessoa que partiu no último agosto. Aleluia!

Depois de duas semanas matando a saudade das filhotas, da família, da minha cama, dos amigos, reorganizando a minha rotina… a vontade de escrever sobre o que foi vivido “baixou” em mim. Vamos à tarefa! Que é enorme, diga-se de passagem!

Irei escrevendo aos poucos, numa sequência cronológica, rememorando detalhes com o auxílio das quase 5.000 fotos que sobrecarregaram a memória do meu celular. Elas me servirão de apoio para a organização dos relatos.

Começo pelo ponto crucial: por que San Francisco? Entre tantas opções de cidades americanas para estudar inglês ou mesmo outros destinos no mundo onde existem ótimas escolas da língua, por que recaiu minha escolha sobre San Francisco? Respondo: por tudo o que San Francisco representa.

São Francisco sempre foi sinônimo de liberdade. Talvez tenha sido esta mentalidade aberta que a tornou um porto seguro para intelectuais, artistas e certa parte da população que se sentia incompreendida ou deixada à margem. A cidade foi palco de revoluções culturais, cujos ideais se expandiram pelo mundo e repercutem até os dias de hoje! Seja na voz de Janis Joplin, que levantou a bandeira do “verão do amor”, em 1967, ou a luta pelo direitos gays, na figura de Harvey Milk, além de tantos outros que deram voz às minorias. Tudo isto ainda está vivo em São Francisco. Cada esquina, cada rua revela uma cidade isenta de preconceitos, ela vem para te abraçar e te receber, seja quem for! E é esta mistura de conceitos e ideias que transformou São Francisco neste lugar tão lindo, único e especial. E é por tudo isso que Tom Bennett acerta na mosca (melhor seria dizer, no coração) quando ele, inspirado, deu voz à belíssima canção “I left my heart in San Francisco”… Eu também, eu também, Tony ♥…

A viagem, como sempre, envolveu a sofrida logística de 5 horas dentro de um busão até Porto Alegre, varando a noite com destino ao Aeroporto Salgado Filho, e mais 4 horas de espera até eu tomar assento no avião. Depois, mais 6 horas de vôo até o Panamá, onde fiz uma conexão, que me levou, após mais 6 longas horas de viagem, até San Francisco. Ou seja, saí de casa numa sexta-feira às 23 horas, e cheguei no meu sonhado destino no domingo, por volta da 1 hora da manhã, considerando-se aí um fuso horário de menos 4 horas em relação ao Brasil. Resultado: cheguei acabada, mortinha… mas cheguei, oba!

Depois de pegar minha mala na esteira e rodar o aeroporto até localizar na área externa, as vans compartilhadas que levam os viajantes até seus hotéis no centro da cidade (havia lido na net sobre elas), por fim as localizei. Após breve negociação direta com o motorista naquele inglês “embromation”, fechamos o brique: 15 dólares até a porta da minha residência estudantil. Pelo adiantado da hora, eu em completo estado de exaustão, achei que estava de bom tamanho. Deu tudo certo. Uma hora de peregrinação pelos hotéis da região central de San Francisco e a van me deixou na porta do Vantaggio Abigail, minha residência pelos próximos 40 dias (houve uma mudança de endereço, vou falar sobre ela na sequência dos posts).

Meu receio de dar com a porta na cara na madrugada, numa cidade até então estranha, se dissipou quando o recepcionista, um “china” com cara de sono, veio me atender no primeiro toque da campainha. Conferiu a reserva e estava tudo certinho. Ele queria dar mais explicações, detalhes sobre o funcionamento do estabelecimento, mas diante do meu “please”, ficou tudo para a manhã seguinte. Era demais para meus cansados neurônios.

Fiquei sabendo que eu tinha uma colega de quarto, e então entrei fazendo o mínimo possível de barulho, usando a lanterna do celular. Tomei um banho, achei minha cama e desabei. Mas não foi um sono tranquilo. Eu estava vivendo num turbilhão de emoções pela chegada em Sanfran, sofrendo com um jet lag de 4 horas, meu corpo estava exausto, mas minha mente relutava em sossegar. Mas enfim, dormi cerca de 6 horas.

Acordei numa linda manhã de domingo, maior sol lá fora e… eu estava em San Francisco! Mesmo com um persistente zumbido na cabeça e sintomas de uma ressaca inexistente, me decidi: rua!

Organizei minha mochila com itens para passar o dia fora, passei na recepção para pegar um mapa da cidade e marcar a localização do hotel e partiu!

Que sensação maravilhosa! Segui caminhando devagar, observando os prédios, as ruas mostravam o ritmo calmo de uma manhã de domingo, senti o sol no meu rosto, o clima agradável característico de final do verão. Logo acessei a Market Street, uma das principais artérias que cruzam a região central da cidade. E ali, de repente… os famosos bondinhos elétricos! E na Powell Street, os cable car! Uau, me belisca!

20190813_083540

20190811_091645 - Cópia

Sem café, a fome logo deu as caras. Passei por uma lanchonete simples, focada na venda de fatias de pizza tamanho GG e pensei “é aqui mesmo”. Comi por ali, enquanto pedia  ao atendente informações sobre o transporte público. Pronto, eu já sabia como ir até o Presídio Park, meu primeiro destino em San Francisco, onde eu retornaria muitas e muitas vezes depois. Na real, meu foco não era um passeio no parque, mas ela… Golden Gate Bridge! Ela, a famosa ponte da indefectível cor vermelho alaranjado. Se eu a visse, com meus olhinhos, eu acreditaria: estou em San Francisco, na Califórnia!!

Eu havia lido que na Drum Street, bem em frente ao Hyatt Hotel, pertinho do Embarcadero Station, passava um ônibus free chamado PresidiGo Downtown Shuttle, que opera das 9 às 21:30 durante a semana e das 9:00 às 19:30 nos fins de semana. Com a ajuda de um angolano que conheci na bus station consegui pegar o ônibus correto, que me deixou na esquina do Hyatt. Ele ainda me indicou a localização da parada do busão, identificada pela plaquinha no poste e pronto, logo o shuttle apareceu. E o melhor… de graça, free. Opa, comecei bem!

20190811_134226

Desci bem em frente ao Presídio Transit Center e ao lado dele encontrei o Visitor Center. Como era domingo havia muita gente no gramadão do parque, curtindo o sol, se fartando com os vários food trucks estacionados ali. Entrei no Visitor Center e dei uma circulada, absorvendo informações sobre as atrações e história do parque. Peguei um mapinha, espiei a Golden Gate pela janela do prédio, vi ela ainda pequeninha, lá longe, meia escondida pelo fog, e engatei um papo com o simpático funcionário. Perguntei sobre o fog, sobre como acessar a praia Crizzy Field, sobre a visibilidade da ponte, previsões e tal, e ele sorriu e respondeu algo como “imprevisível”. Então tá…

20190811_14334820190811_144321

Me larguei com destino à praia, seguindo as indicações no mapa. Pra baixo todo santo ajuda… Já com o pé na areia dei uma encarada na Ilha de Alcatraz e na Golden Gate, lá longe. Segui caminhando pela areia, pertinho da água, observando a brincadeira da cachorrada, que fazia a festa na companhia de seus tutores. Uma gracinha.

20190811_193249

E o dia, uma pintura: céu azul sem nuvens, sol brilhando forte, aquecendo o corpo, o coração! Pra completar, o fog se dissipou, revelando a Golden Gate em toda a sua grandeza. Huhuhuhu! Que maravilha, que visão, que recepção, que domingo, senhores e senhoras! E era apenas o meu primeiro dia em San Francisco.

Esqueci por completo o cansaço da longa viagem e me lancei à caminhada beira mar, em direção à ponte. Eu queria chegar mais pertinho dela. Parecia próxima, mas foi uma grande caminhada. Eu estava tão feliz e agradecida que nem percebi o quanto andei. Quando dei por mim eu estava em Fort Point. Sentei na mureta e fiquei apreciando a vista, analisando a Golden – pessoalmente ela é muito maior e mais bonita – meditando, enquanto descansava as pernocas e fazia um lanchinho. Concluí: “Caraca! Eu estou mesmo em San Francisco!!”

Quando a tarde começava a cair atinei sobre todo o trajeto a pé que eu teria que fazer até retornar ao ponto onde eu tomaria novamente o shuttle para o centro da cidade, e me despedi da Golden, que eu veria muitas vezes durante minha estada em Sanfran. Já com planos de cruzar por ela no pedal…

Fiz todo o caminho inverso, e após muita pernada e de tomar dois ônibus cheguei de volta ao Abigail, quando começava a escurecer. Quando entrei no quarto me deparei com a tailandesa Ann, minha colega de quarto. Na real, nos vimos muito pouco durante minha estada na cidade, pois nossos horários não conciliavam – quando eu saía pra escola Ann estava dormindo e quando ela retornava era eu que estava desmaiada de cansada na cama. Mas posso afirmar que nossa convivência foi amistosa e respeitosa.

Terminei de organizar minhas coisas no quarto, tomei um banho, comi um lanche e dormi pesado. No dia seguinte, segunda-feira, eu conheceria a minha escola, professores, colegas, e eu tinha expectativa sobre como seria à partir de então a minha rotina de estudante pela manhã e turista na parte da tarde. Na sequência dos relatos vocês constatarão que deu tudo certo…

20190811_090803

“Toda a terra dourada está à sua frente e todos os tipos de eventos imprevistos esperam de tocaia para te surpreender e fazer você feliz por estar vivo para ver”.

Jack Kerouac – On the Road

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s