Américas

Estudante, turista, ciclista: estabelecendo minha rotina em San Francisco – Califórnia/EUA

Depois da sensação de “me belisca, isto é real?” ter se dissipado após eu ter posto meus olhinhos na Golden Gate Bridge e nos bondinhos de San Francisco, respirei fundo e me propus à agradável tarefa de acomodar o que seria a minha rotina na cidade pelas próximas seis semanas: aulas pela parte da manhã, até às 13 horas, e na sequência almoço na escola mesmo, e na parte da tarde passeios com os colegas ou “alone”. Os findis também estavam livres para passeios pela city ou programações fora de San Francisco. Esta perspectiva de rotina me pareceu agradabilíssima…

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Agenda de programações da escola. Muita coisa bacana pra fazer.

Outros links sobre essa trip à Califórnia estão aqui:

Intercâmbio a uma hora dessas?!

I arrived in San Francisco! Me situando… – Califórnia – Estados Unidos da América

Ainda em casa eu já havia decidido que eu queria uma bicicleta como meu meio de transporte. Gente, é a cara de San Francisco! Embora seja uma cidade com muitos desníveis de terreno, ladeiras íngremes, o pessoal usa muito as magrelas, seja nos deslocamentos diários, para estudar, trabalhar, seja para passear. Fiquei pasma com a quantidade de bikes circulando diariamente pelas principais artérias da cidade, tanto nas ciclovias (que são muitas) ou compartilhando as ruas com os carros, numa amistosa e respeitosa convivência. Chamou minha atenção como a cidade é “bike-friendly”: os motoristas diminuem a velocidade, dão sempre a preferência, respeitam a presença do ciclista, há muitas estações de aluguel de bicicletas via aplicativo “bike sharing”, a infraestrutura de estacionamento para as bikes…

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Bikes na Market Street. Meu itinerário diário.

Por tudo isso, no terceiro dia em Sanfran eu já tinha à disposição a minha magrela, alugada para toda a minha estada. Sério, foi o melhor investimento que eu fiz! Embora a cidade conte com uma excelente oferta de transporte público, com muitas opções, que eu utilizei poucas vezes, a visão (e a inserção) que se tem da cidade à partir do pedal é de uma qualidade muito superior, na minha opinião. Fora a questão da liberdade de horários para ir e vir quando bem me desse na telha. Inclusive eu pedalei algumas vezes à noite, ocasiões em que me senti segura, bem de boas.

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Eu sou suspeita em opinar porque adoro pedalar, especialmente quando estou viajando por aí, já falei sobre isso aqui no blog. Acho uma forma divertida, “eco-friendly” e saudável de interagir com o dia a dia do lugar visitado e de seus moradores.

Foi com muita expectativa que tive o primeiro contato com a minha escola, a St. Giles, instalada em dois andares de um prédio antigo na Market Street, uma das principais da cidade, próximo à Union Square. Um pedal de cerca de 5 minutos separava a escola da residência estudantil onde morei na maior parte do tempo em que permaneci em San Francisco. De cara gostei da estrutura da escola, dos professores, dos funcionários, dos colegas… achei o clima tranquilo e amigável.

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Cafeteria da escola.

Nos primeiros dias tratei de colecionar dicas, estudar o mapa da cidade, localizar os supermercados, a farmácia, os pontos de interesse mais próximos, enquanto fazia planos e pesquisas na net sobre locais que eu queria conhecer, os passeios mais longos… Até uma conta bancária eu abri no Wells Fargo! Eu adorei ostentar o meu cartão de débito para pagar minhas despesas. Sério, me senti uma local! Risos.

De cara aderi a um passeio “free” (adoro!) com o pessoal da escola pela região de Fisherman’s Wharf. Foi bem legal como um pontapé inicial pra conhecer a cidade. O Fisherman’s Warf compreende a área que vai do Píer 39 à Ghirardelli Square, mas o trecho mais reconhecido pelo nome é na região do Píer 43, próximo à Taylor St. Lá se encontram as deliciosas barraquinhas que vendem pratos preparados com os produtos recém-pescados.  Nosso grupo seguiu até a orla num bondinho, chamado de “Muni” e depois circulamos a pé pela região. Nesse Walking Tour passamos pela tradicional Boudin Bakery, que produz o famoso pão com alta fermentação, os Sourdough Breads,  bem típicos de San Francisco. Eu retornaria sozinha outro dia para comer a não menos famosa sopa Clam Chowder, servida nesse pão. Uma delícia!

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Além dos bons restaurantes, o Fisherman’s Warf concentra outras atrações. As principais são: o Píer 39, o Aquarium of The Bay, o USS Pampanito (submarino da Segunda Guerra Mundial que virou museu), o Cannery (pequeno shopping com lojas e restaurantes, que funciona em um prédio histórico de 1909) e o San Francisco Maritime National Historical Park. A gente deu uma caminhada por ali e pudemos identificar todos esses points. Tudo anotado numa lista mental intitulada “retornar aqui para conferir com calma”.

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Todas essas atrações tinham como pano de fundo a Golden Gate, a Baía de San Francisco, a Ilha de Alcatraz e a Bay Bridge. Tudo emoldurado por um céu azul sensacional e o astro rei a aquecer a gente. É ou não é pra se sentir feliz e grato por estar num lugar assim?!

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Coit Tower lá no alto.

Ainda nesta primeira semana novamente acompanhei o grupo da escola num passeio até a cidade de Oakland, que fica no outro lado da Baía de San Francisco. Para ir até lá fizemos inicialmente uma pernada pela Market Street até o ferry boat que parte da marina ao lado do Ferry Building. O deslocamento de ferry pelas águas da baía já valeriam o passeio. Proporcionaram uma visão linda dos arranha-céus de San Francisco, à partir de outra perspectiva, da baía, além da Bay Bridge ( o ferry passa por debaixo dela).

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Em Oakland passeamos pela Jack London Square, São mais de 10 restaurantes, um do ladinho do outro, para agradar todos os paladares e bolsos. Me contentei com um sorvetinho que estava uma delícia. Também fomos conhecer o “J. M. Heinolds’ Sallon – First and Last Chance”, traduzindo seria algo como “A primeira e última chance de Heinolds”.O pub, em sua forma original, era um edifício preservado de 1880, construído a partir dos restos de um velho navio baleeiro aos pés da Webster Street, em Oakland, onde permanece até hoje.  O termo “última chance” foi amplamente usado pelos bares nos EUA no início do século 19 para indicar aos clientes que essa era a última parada para comprar e consumir álcool antes de entrar em um condado ou em outros lugares onde o álcool não era facilmente obtido.

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O lugar é cheio de móveis e adereços originais, que remetem ao fundador e aos antigos frequentadores, na maioria marinheiros e viajantes. Chamou minha atenção o piso muito inclinado, resultado do grande terremoto de 1.906. O pessoal tomou umas cervejas ali e ficamos observando os detalhes da construção.

Na sequência do passeio usamos um shuttle gratuito que nos levou até Downtown Oakland. Caminhamos pela região apreciando a arquitetura dos prédios. Ali começou a aquisição de meus souvenirs recorrentes: imãs de geladeira que identificam o local visitado.

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Retornamos para San Francisco no final da tarde usando o Bart, que é o nome dado ao metrô.

Incluiu-se no reconhecimento inicial da cidade minha primeira visita à Union Square, considerada o coração da cidade. E literalmente é! Eu amei a praça e fiz várias fotinhos com os fofos coraçõezinhos instalados nos seus quatro cantos.  A Union é um dos pontos mais movimentados da região central de San Francisco. Muitos moradores e turistas têm a praça como ponto de encontro. Eu retornei muitas vezes ali, especialmente para curtir os espetáculos culturais gratuitos, com bandas de música de estilos bem variados.

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Mas a principal atração da região são mesmo as compras: ali estão concentradas as lojas das marcas internacionais mais famosas e caras do Planeta, e também outras mais baratins (ufa!), como Macy’s, Levi’s, Forever XXI, GAP, o shopping Westfield, além daquelas lojas de lembrancinhas, bonés e camisetas, e muitas lanchonetes e restaurantes. Várias vezes eu subiria até o 8º andar da Macy’s, onde está instalada  uma filial da rede Cheesecake Factory, só para apreciar da grande área externa o visual da Union Square, os prédios do entorno e a movimentação do centro.

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Vista da Union Square à partir do 8º andar da Macy’s

Como mencionei, a residência estudantil onde morei chama-se Vantaggio Abigail, que tem uma estrutura muito semelhante a um hotel, porém, com instalações e serviços mais simples. O Abigail está situado na região chamada Tenderloin, que atualmente é tida como um bairro problemático, feio aos olhos dos turistas e moradores de San Francisco, pela presença maciça de homeless. Em bom português, são os mendigos da cidade. Eles são a principal preocupação da gestão municipal, uma vez que SF é a cidade americana com a maior concentração de pessoas nessa situação. O problema é que eles geralmente estão alcoolizados ou drogados.

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Minha residência em SF. O simples que resolve.

Sinceramente, não foi um fato que depôs contra o fator localização da minha residência estudantil. Sou ciente que uma cidade, seja ela em que lugar do mundo for, é formada de contrastes culturais, sociais e econômicos. E eu nunca quis ignorar essas diferenças. Na verdade, sou curiosa, quero ver e sentir todas as nuances que formam a identidade de um lugar. Essas pessoas que vivem nas ruas nunca tiveram uma única conduta agressiva direcionada a mim, elas simplesmente estavam lá. Foi assim inclusive nas poucas vezes que saí à noite ou quando retornei um pouco mais tarde dos meus passeios.

A principal vantagem do Abigail é sua localização e a tranquilidade reinante dentro dele. Lá eu preparava minhas refeições na cozinha coletiva, conversava com os outros hóspedes, usava a washing machine para lavar minhas roupas, e quando desejava me recolhia ao meu quarto para descansar, ler, falar ao celular.

Bem pertinho do Abigail, a menos de um quarteirão, fica o Civic Center de San Francisco. Essa região é formada pelo City Hall de San Francisco, que fica bem em frente à Civic Center Plaza e ao lado ficam ainda o Asian Art Museum, o San Francisco War Memorial & Performing Arts Center e a San Francisco Library Public. 

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Civic Center Plaza

São prédios de linda arquitetura, que aos poucos eu fui explorando, conhecendo… No City Hall, por exemplo, eu estive outras duas vezes, em visitas internas. Futuramente vou contar mais detalhes sobre ele. Mas antecipo: é muito lindo! Só caminhar pela Civic Center Plaza, com suas árvores e a fileira de mastros com bandeiras já é muito legal. Fiz fotos do local de dia e à noite, quando as luzes que iluminam a praça e os prédios os deixam mais bonitos ainda.

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O bacana de se permanecer como residente numa cidade grande como San Francisco é o fato de se poder retornar várias vezes a lugares interessantes, para poder visitar com calma e explorar os detalhes. Comigo aconteceu bem assim. Lugares que eu curti, que precisavam de tempo para serem bem apreciados, eu retornei várias vezes, e sempre encontrei novidades e diferentes perspectivas.

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Um desses lugares foi a Alamo Square. Não sei quantas vezes eu estive na Alamo. Não somente porque ela é uma praça muito simpática, não só porque ela oferece uma das vistas mais lindas do centro da cidade, não porque em frente a ela estão as Painted Ladies, as fofíssimas casinhas vitorianas pintadas de cores diferentes, que são literalmente cena de filme (elas já apareceram em mais de 70 filmes diferentes), mas porque a Alamo é caminho para outros destinos imperdíveis em San Francisco, como o magnífico Golden Gate Park e suas várias atrações, a Haight-Ashbury, a Moraga Steps e vários outros “sights of the city”.

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Calma, gente… no decorrer dos posts irei falando sobre cada um desses “places”. Tem muita coisa ainda, viu!

Ainda sobre a Alamo Square e as Painted Ladies… em português, Madames Pintadas, é um termo arquitetônico usado para casas do Estilo Vitoriano ou Eduardino, pintados de três ou mais cores, de modo a ressaltar seus ornamentos. San Francisco tem dezenas de Painted Ladies (todas elas sobreviventes do terremoto de 1906, e do grande incêndio que destruiu parte significativa da cidade), sendo que o conjunto mais famoso fica na Alamo Square ( exatamente nos números 710–720 Steiner Street),  uma pracinha super simpática. As Painted Ladies da Alamo Square foram construídas em 1892 e 1896, e hoje, dividem com a Golden Gate Bridge o título de símbolo de San Francisco.

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Eu simplesmente amei essas casinhas em estilo vitoriano! As Painted Ladies da Alamo são as mais famosas, mas felizmente elas estão espalhadas pela cidade inteira. Eu não me cansava de admirá-las e de fazer fotos delas. Eu ficava imaginando que pessoas morariam nelas, como era seu interior, a decoração… e claro, sonhava como seria euzinha morar numa dela. Afinal, sonhar é free, não é?! Risos.

Resumo deste post: San Francisco, nunca te vi, sempre te amei… E quando fomos literalmente apresentados, foi amor à primeira e até a última vez. Quem sabe um “see you later”…

 

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