Américas · Intercâmbio

Aloha, San Francisco! Califórnia/EUA

Com origem no Hawaai, a palavra aloha é geralmente usada como “olá”, “tchau”, ou até mesmo ao expressar amor. Porém, seu significado vai muito além das palavras, representando todo um estilo de vida. Em sua essência, a palavra carrega significados e sentimentos muito mais profundos: a harmonia entre alma, corpo, mente e natureza, e que floresce tanto de dentro para fora quanto de fora para dentro, pois o todo não existe sem a parte e é dependente do amor entre todas as coisas. E de fato, Aloha é mais comum ao expressar o amor universal e incondicional.

Pode parecer estranho iniciar um texto onde narro minhas experiências de intercâmbio estudantil em San Francisco, na Califórnia, trazendo informações sobre uma saudação de origem havaiana, mas tudo tem um propósito. Me acompanhe…

Minhas andanças pela cidade que me acolheu, onde eu me senti em casa, seguiu sem um dia sequer de interrupção, tamanha a minha disposição para conhecer e absorver o espírito e a cultura local. Tudo no pedal!

No primeiro final de semana aproveitei para circular em regiões mais distantes da metrópole, em passeios que iniciavam cedo da manhã e se estendiam até o final da tarde, quando meu corpo dava sinais de cansaço. Então era hora de pedalar rumo ao meu cantinho.

Foi assim desde quinta-feira, quando encerrado o turno escolar joguei no Google Maps “Golden Gate Park”, e pronto! Bora pedalar. Detalhe importante: apesar do nome, o Golden Gate Park não fica perto da Golden Gate Bridge. A informação de 30 minutos de bike me animou: é pertinho!

Mais uma vez passei pela da linda Alamo Square, que fica no caminho, link sobre ela aqui Estudante, turista, ciclista: estabelecendo minha rotina em San Francisco – Califórnia/EUA, e depois acessei a ciclovia que corta o The Panhandle, parque que praticamente se conecta ao imenso Golden Gate Park. O The Panhandle é longo e estreito, medindo três quartos de milha de comprimento e apenas um quarteirão de largura. Duas trilhas pavimentadas passam pelo parque, sendo numa delas permitido bicicletas. Por ali passei com minha magrela muitas vezes, rumo às muitas atrações do Golden Gate Park ou para visitar o bairro hippie de Haight-Ashbury ou ainda para fazer o check in na Moraga Steps.

O Golden Gate Park ocupa uma área de 4,12 km² e possui a forma de um retângulo. Ele é enorme, cerca de 20% maior que o Central Park, em Nova York, repleto de jardins, museus e lagos.  Uma delícia, especialmente no verão! Ocupa a terceira posição de parque urbano mais visitado dos Estados Unidos, perdendo apenas para o Central Park e para o Lincoln Park em Chicago. Atualmente, o Golden Gate Park recebe em média 13 milhões de visitantes todos os anos que se encantam com sua grandiosidade e beleza natural. Nele se encontram plantas de várias partes do mundo, sendo que muitas são típicas de áreas desérticas. O parque foi criado artificialmente e a princípio só tinha areia, foi gasta muita água cultivando as plantas. Além disso, é repleto de atrações, algumas pagas e outras tantas gratuitas.

Entre elas, destacam-se o Califórnia Academy of Science, que  é um museu de ciências naturais com atrações para todas as idades. Lá dentro é possível visitar florestas, desvendar oceanos com direito a peixes gigantes e águas vivas coloridas e ver borboletas e alguns animais de verdade como o fantástico jacaré albino. Outras atrações bacanas são o terremoto, o planetário e o jardim no topo do museu que ajuda a medir e controlar a temperatura na parte de dentro do prédio. Eu estive no museu e posso dizer: vale muito a pena!

O The Music Concourse também se encontra por lá, sendo um espaço cívico e cultural entre os dois museus do parque, o Califórnia Academy of Science e o Young Memorial Museum, no qual são realizados concertos gratuitos de música aos domingos.

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The Music Concourse

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Outra atração maravilhosa localizada no Golden Gate Park é o Museu  De Young. Trata-se de um museu de arte fantástico repleto de pinturas bacanas e de exibições especiais. O museu tem uma coleção bacana de peças pré colombianas e uma ótima coleção de pinturas contemporâneas norte americanas. Outra dica muito legal é visitar a torre do Museu De Young, onde a entrada é gratuita e as vistas da cidade são incríveis.

Do ladinho do De Young fica o Japanese Tea Garden, um fofíssimo jardim japonês, parada obrigatória para quem costuma gostar de coisas japas. O jardim é muito lindo, repleto de lagos e de pontes. Só espiei da portaria porque tive que fazer opções, né, e eu já visitei outros jardins japonês por aí.

Ainda no Golden Gate estão localizados o Jardim Botânico e o Conservatório das Flores. Eu não entrei nesses locais, apenas visitei a parte externa, que já são lindos, repletos de flores coloridas e plantas.

E o Golden Gate tem lagos! O maior dos lagos do Golden Gate Park é uma graça! É possível alugar um barco ou pedalinho e curtir um delicioso passeio! Outra opção bacana, que foi a que eu fiz, é uma pequena trilha rumo à Strawberry Mountain, que fica nas margens do lago.

E do outro lado do parque, já pertinho da praia ficam os moinhos holandeses, que antigamente eram usados para puxar água do solo e irrigar o parque.  Atrás do moinho há um jardim fofinho que costuma ficar bem florido.

Gente, como vocês viram, o Golden Gate Park é imenso, e eu fiz várias visitas a ele, e aos poucos fui conferindo as atrações. Em algumas retornei algumas vezes. No decorrer dos posts irei descrevendo em detalhes como foram esses passeios.

Neste primeiro contato com o parque me limitei a um pedalzinho por algumas ruas do parque e a conferir a área externa do Conservatório das Flores, que é muito lindo. Me deparei com um jardim bastante colorido e uma grande estufa, na qual estão expostas várias flores e plantas que mudam de acordo com as estações do ano.

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Conservatory of Flowers

Na sexta-feira, já entrando no clima “weekend”, rumei para outro parque queridinho na cidade, o Mission Dolores Park. Muito procurado pelos locais para fazer piquenique, com uma vibe super agradável e com uma vista linda do centro financeiro. O Dolores Park é frequentado por famílias com crianças, grupos de jovens, público GLS, esportistas… Enfim, tem um pouquinho de tudo. E sim, com aquele cheirinho característico de Sanfran: a cannabis sativa. Assunto pra outro post, certo?

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Mission Dolores Park

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Fica em Mission, a região latina de San Francisco e um dos cantinhos mais descolados da cidade. O bairro é bem jovem, repleto de bons restaurantes, cafés deliciosos, lojinhas descoladas, galerias de arte e becos repletos de grafites coloridos. Pra mim, que adoro street art, um prato cheio. Gastei a bateria do celular e ocupei bastante memória fazendo dezenas de fotografias dos murais espalhados pelo bairro. Foi um passeio fotográfico sensacional!

Minha primeira parada foi no Balmy Alley. O Balmy Alley é um beco todo colorido (entre as ruas Harrison e Folson) repleto de murais. O beco fica escondidinho e muita gente passa por lá sem perceber o que está perdendo. Eu cheguei ali empurrando a bike, conferindo a direção com atenção pra não deixar passar batido.

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O Balmy Alley começou a ser pintado na década de 80, e pra quem gosta de grafite e um tanto de reflexão, já que muitos murais carregam alguma mensagem ou alguma crítica, é um point imperdível.

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O Clarion Alley é bem mais recente que seu companheiro Balmy, porém não menos interessante. Trata-se de um mergulho por um colorido corredor repleto de imagens e de mensagens.

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Além desses endereços bem conhecidos turisticamente, os murais estão espalhados por todo o bairro, ou seja, meu pedal seguiu bem devagar, com várias paradas para apreciar e fotografar as artes urbanas. Retornei para o hotel no final do dia feliz da vida, reenergizada por tantas cores e belas visões.

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No sábado já saí para o pedal logo cedo, para aproveitar bem o dia. Com aquele céu azul escandaloso (dizem que bem atípico nesse período do ano… Lucky girl!), de cara fui conferir a Lombard Street, conhecida como a rua mais torta da cidade.

A Lombard é um dos principais pontos turísticos de San Francisco. A rua cruza parte da cidade, mas somente um pequeno trecho dela – entre a Hyde St e Leavenworth St. – que se tornou uma super atração.A formação curiosa da rua que atrai milhares de turistas anualmente se explica pelo relevo montanhoso de San Francisco, com ladeiras em toda parte.

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Esse trecho possui oito curvas bem acentuadas, com vários canteiros muito floridos, formando um visual bem bonito, principalmente na primavera. Não é à toa que a rua virou uma atração concorrida em San Francisco.

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Curiosidades sobre a Lombard St.: Ela nem sempre foi torta. Antes, devido ao seu declive, os carros não conseguiam estacionar. Por isso, a região era desvalorizada para venda de imóveis. Em 1922, por iniciativa dos moradores locais, foi contratado um engenheiro e resolveram reformá-la. Antes de ganhar as suas curvas, a rua possuía uma inclinação de 27%, mas após a reforma, o declive passou para 16%. Os canteiros floridos começaram porque um morador resolveu plantar hortênsias para diminuir a erosão. A rua já serviu de cenário para diversos filmes, incluindo um dos filmes mais famosos do diretor Hitchcock, Um Corpo Que Cai.

Eu fiz um pedalzinho até à famosa rua que culminou com um final “very hard”: um quarteirão inteiro beeem inclinado, o que fez com que eu suasse a camiseta, empurrando a bike colina acima. Mas enfim, cheguei lá! Mesmo cedo já encontrei uma multidão de turistas que tiveram a mesma ideia que eu, ou seja, bater ponto nesse point badalado da cidade.

Depois de umas fotinhos do visual da parte alta da Lombard, de ver os carros descendo devagarinho pela mão única da rua de tijolos vermelhos (a velocidade máxima permitida nesta parte são 8 km por hora), me larguei! Sim, isso mesmo, eu desci as curvas da Lombard pedalando, testando a eficiência dos freios da magrela. Ainda bem que funcionaram a contento. Mas assim… mentalmente eu declarei: me aguardem, futuramente vou descer a bordo do meu possante conversível!

Feito o check in, me dirigi para a região da baía, próximo à Ghirardelli Square (detalharei  futuramente sobre a visita que fiz a ela) e segui pela Marina Blv, parando a todo instante para apreciar a vista e fazer fotinhos. Irresistível!

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E assim, de parada em parada, dei de cara bem por acaso (ou não né, vai saber…), numa área pública, “naquele” gramadão, com o “Hawaai Festival”. Óbvio, parei: maior agito, muitas barraquinhas vendendo comidas típicas e artesanato, banda de música, gente reunida. Super good vibes! Eu fiquei ali por um bom tempo, pois amei esse festival havaiano. Até fiz amizade com a Kelly, com quem fiquei conversando. A simpatia em pessoa! Vejam na foto se ela não tem a cara e a alma da Califórnia… Então tá: Aloha, San Francisco!

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Pertinho dali fica o The Palace of Fine Arts, construção inspirada em monumentos da Roma e da Grécia antiga. Foi construído em 1915 para a Exposição Panamá-Pacífico que foi uma feira mundial que contou com 10 obras para comemorar a conclusão do Canal do Panamá. Esta foi uma delas, e seu propósito principal era exibir obras de arte entre fevereiro e dezembro de 1915. No entanto, além de contribuir com a feira, a exposição foi vista pelos moradores como uma oportunidade para mostrar para o mundo que San Francisco tinha se recuperado do terrível terremoto que destruiu toda região em 1906.

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A estrutura foi criada exclusivamente para esta exposição, mas a beleza do lugar surpreendeu tanto os visitantes que enquanto a feira estava em andamento uma equipe logo se mobilizou para verificar meios de preservar a obra e evitar que ela fosse demolida. A obra não era estável, pois não foi construída com materiais duráveis, então em 1964, o Palácio original foi destruído e a obra foi reconstruída de forma permanente,  no mesmo local e com as características originais. Para deixar o espaço ainda mais agradável, a lagoa, passarelas e jardins foram adicionados com o tempo.

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Eu adorei caminhar entre as colunas e ao redor do lago, observando os estudantes esticarem as toalhas nos gramados verdinhos para fazer picnic com amigos, os moradores relaxando entre os bancos e jardins… Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a quantidade de noivinhos aproveitando a belíssima paisagem para fazerem as fotos de pré-wedding. Muito legal!

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Já passava muito do meio-dia quando meu estômago deu sinal e me dirigi para a área de Fishermans Wharf, porque eu já havia decidido que queria comer a famosa sopa Clam Chowder (sopa de mariscos) na Boudin Bakery, que atrai multidões de turistas. Eu tinha tido uma visão rápida da Boudin quando estive por ali com a turma da escola.

Além de muitas delícias, a Boudin conta com mais um atrativo especial: a cozinha da padaria é toda aberta e se pode acompanhar pãezinhos dos mais diversos estilos e formatos sendo produzidos. Crianças e adultos se impressionam com a precisão e velocidade com que tartarugas, jacarés e ursos de pão são produzidos. Os pães com formato de bicho custam uma pequena fortuna para um pedaço de pão, e são vendidos dentro da padaria.

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Eu circulei no museu instalado no piso superior,  que conta a história da padaria intercalada com fatos históricos de San Francisco, e depois enfrentei uma fila para pagar e fazer meu pedido da sopa e por fim fui à luta para conseguir um lugar para sentar e saborear minha Clam Chowder. Dei sorte na parte externa da padaria. Conclusão: não sei se era pelo tamanho da minha fome, mas eu simplesmente adorei a iguaria típica. Comi toda a sopa e mandei ver no pão.

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Resolvida a questão da fome, retomei meu passeio, passando pelo Pier 39, segui em direção à Levi’s Plaza Park. Sim, é isso mesmo que você está pensando! Independente de quão minimalista ou fashionista você é, uma coisa é certa: você tem uma calça jeans no seu guarda-roupa. O popular jeans azul que é usado no mundo inteiro e por pessoas de todas as classes sociais foi um produto revolucionário criado por Levi Strauss.

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Próxima ao Ferry Building, entre a Coit Tower e o Embarcadero está a praça da Levi’s. Além de ser um local bem gostoso para dar uma caminhada numa área repleta de verde com cascatas d’água, super bonita, os visitantes são bem vindos para entrar no prédio onde fica o HQ da empresa, conhecer o museu que conta toda a história do jeans e de quebra podem comprar um produto exclusivo de uma das mais reconhecidas do mundo direto da fonte.

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O prédio é enorme, impossível passar despercebido. Foi ali que funcionou a primeira fábrica da Levi’s e até hoje é o principal escritório da empresa. O que eu achei mais legal foi o museu, que tem entrada gratuita (adoro!). Nas paredes se pode ler e conhecer todos os detalhes da empresa e do tecido. O jeans começou a se popularizar na década de 30, quando foi usado pelos cowboys, depois foi uniforme dos soldados norte-americanos e até o gênio Einstein aderiu os modelitos! O jeans resistiu às tendências e modismos, e continua sendo super popular nos dias atuais. Na saída tem uma loja da Levi’s, claro!

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Foi um sábado maravilhoso, vi tantas belezas, encontrei pessoas bacanas… Coisas da Califórnia, não é? Retornei para meu cantinho feliz da vida e pensando que eu ainda teria o domingo pela frente, com a promessa de um dia inesquecível, pois adivinhem quem estava nos meus planos: Ela, a Golden Gate Bridge!

Eu sei que já falei muito dessa ponte e ainda vou falar, porque a dita cuja é muito linda, grandiosa, imponente, impressiona mesmo. E traz com ela muita história e simbologia. Por tudo isso e também para o post não ficar muito longo, vou dedicar o próximo à Golden Gate Bridge, incluindo aí a minha experiência de atravessá-la pedalando, que foi o ponto alto do domingo. Me acompanhem nessa aventura!

“Made up my mind to make a new start. Going to California with an anching in my heart. Someone told me there’s a girl out there. With love is her eyes and flowers in her hair.”

Led Zeppelin “Going to California”

Tradução livre: “Quis fazer um novo começo. Indo para a California com o coração dolorido. Alguém me disse que há uma garota lá. Com amor nos olhos e flores nos cabelos.”

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