Américas

Salto de Moconá – Argentina

Depois de uma sequência de posts sobre minha trip à Califórnia/EUA, decidi fazer um intervalo nesse assunto para contar sobre outras belezas que visitei, estas localizadas bem mais perto de casa, praticamente aqui do lado. Acho que é isso mesmo, muitas vezes temos atrativos suficientes pra nos motivar a sair num final de semana, num feriado, a menos de 500 quilômetros de casa, e a gente vai protelando esses momentos, e segue sonhando e fazendo viagens para destinos a mais de 5.000 quilômetros de distância.

Foi assim que eu e o Lu num belo dia resolvemos conhecer o Salto de Moconá, na Argentina, a 178 quilômetros de casa, coisa de mais ou menos 3 horas e meia de viagem, incluindo aí a passagem pelo Rio Uruguai por balsa. Dois dias foram suficientes para curtir essa maravilha da natureza.

No passado, durante outras visitas, nós conhecemos o Salto pelo lado brasileiro ( nesta parte do território gaúcho o Rio Uruguai faz a divisa entre o Brasil e a Argentina), ocasiões em que visitamos o aqui chamado Salto do Yucumã ou Salto Grande, situado dentro do Parque Estadual do Turvo.

Depois de chegar por asfalto na portaria do Parque Estadual do Turvo, se acessa uma estrada de terra, por 15 km, que atravessa matas exuberantes, e então chega-se até a área de lazer do Salto do Yucumã. Com cerca de 500 m, a trilha que leva até o Salto é feita a pé.

O Salto do Yucumã é considerado a mais extensa queda longitudinal do mundo, com 1800 metros. A altura das quedas varia conforme o nível do rio Uruguai, podendo chegar até cerca de 20 metros e a profundidade média do canal é de aproximadamente 110 metros. Há épocas, no entanto, em que o rio fica muito cheio, quando as quedas então não podem ser visualizadas, e os lajeados não ficam expostos para o visitante caminhar.

Minhas filhas adoram visitar o Salto do Yucumã, principalmente para se banharem nas poças de água formadas pela cheias do Rio Uruguai. Temos histórias memoráveis vividas por lá, como uma vez, quando elas ainda eram bem pequenas, e não levamos roupa de banho para o passeio. Elas acabaram entrando nas poças de água com a roupa que vestiam, a única que tinham ali no momento. Depois, molhadas e enlameadas, sem uma toalha de banho sequer, como entrar no carro e retornar pra casa? Resolvi na hora de embarcar no carro: tirem toda a roupa e entrem! Entre risadas e brincadeiras, as meninas encararam. Cansadas de tantas brincadeiras na água e no sol, as três dormiram em 5 minutos. E assim vieram até em casa. No estacionamento do prédio aguardaram no carro enquanto eu subi até o apartamento buscar roupões pra elas. Até hoje lembramos da divertida história!

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Minhas pequenas, na nossa primeira visita ao Salto do Yucumã

Outra vez fomos até o Parque com a Frida, nossa Casinha Sobre Rodas, e também foi muito divertido. Fizemos trilhas no meio da floresta, churrasco na área de lazer, e banhos nas poças de água. Bem legal também!

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Na segunda visita fomos de Frida Home

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Mas em todas as vezes em que visitamos o Salto do Yucumã ficávamos observando os felizardos turistas passeando de lancha pelo canal do Rio Uruguai, víamos a lancha chegando bem perto das quedas. Confesso… rolava um ciumezinho do pessoal que estava no barco, pois também queria viver a experiência. Mas o passeio somente está disponível no lado argentino. Então… bora visitar os hermanos!

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De olho no passeio de lancha

A balsa faz a travessia no Rio Uruguai entre os municípios de Porto Soberbo (Brasil) e El Soberbio (Argentina). Travessia tranquila, cerca de 15 minutos. O atendimento na margem brasileira se dá pela manhã, das 8h às 11h15min, e à tarde, das 14h às 17h15min, de segunda a sexta-feira. Nos sábados e feriados, o atendimento acontece pela manhã, das 8h30min às 11h15min e a tarde das 14h30min às 17h15min. Não esqueça: Aos domingos não há travessia nesse ponto da fronteira. É importante destacar que os brasileiros que desejam realizar a travessia devem apresentar sua carteira de identidade ou passaporte, únicos documentos aceitos no posto de fiscalização do lado argentino e necessário para ingresso naquele país.

As taxas para travessia são de R$ 25,00 para automóveis, R$ 15,00 para motos e R$ 10,00 para passageiros. O veículo deve estar no nome de um dos ocupantes do veículo.

Nós saímos cedinho de casa e fizemos o desayuno já em El Soberbio. Após uma passadinha no Centro de Informações Turísticas da pequena cidade seguimos pelo trajeto que leva ao Parque Provincial de Moconá, que fica a 62 quilômetros de El Soberbio ( cerca de uma hora de viagem), com várias paradas no caminho para conhecer a estrutura de alguns hotéis (eles chamam de lodges de selva).

Acabamos almoçando em um desses lodges, o Moconá Virgin Lodge. Muito bacana a estrutura desse hotel, pois oferece instalações para esportes aquáticos, além de trilhas, rapel, tirolesa, tubing e várias atividades ao ar livre, além da área da piscina e confortáveis apartamentos no meio da floresta. Além desse lodge, destaco o El Sobierbo Lodge, o La Mision Moconá (queria ficar neste, mas não havia disponibilidade) e o Puro Moconá Lodge. Ficamos hospedados neste último, situado na área urbana de El Soberbio e gostei muito. Quartos bonitos e confortáveis, piscina e uma bela vista do rio.

Sobre o Parque Provincial de Moconá: está localizado dentro da Reserva da Biosfera de Yabotí (“tartaruga” em Guarani), na região leste central de Misiones, no município de San Pedro, a cerca de 337 quilômetros de Posadas, capital da província, ocupando uma área de aproximadamente 253.773 hectares.

No coração do parque, as Cataratas de Moconá formam um espetáculo único no mundo, produto de uma falha geológica no rio Uruguai, entre as bocas dos córregos Pepirí Guazú e Yabotí (no lado argentino), e os rios brasileiros Serapiao e Calixto.

Uma observação sobre o córrego Yabotí: para acessar o parque necessariamente se passa pela ponte sobre esse córrego. Observei que a ponte é baixa, fica muito próxima da linha da água, ou seja, não precisa chover muito para interditar o acesso até o parque, pois fatalmente o rio cobrirá a estrutura da ponte. Recomendo ficar atento às condições climáticas antes de empreender uma viagem até o Salto. Melhor conferir previamente junto à administração do parque ou com o Centro de Informações Turísticas de El Soberbio, pra não correr o risco de perder a viagem.

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Ponte sobre o Córrego Yabotí

Felizmente, não tivemos esse problema e chegamos no parque por volta das 14 horas, num cenário de muito calor e umidade. Parecia que eu ia derreter. Haviam nos informado que aceitavam reais para o pagamento da entrada, mas o atendente  solicitou pesos argentinos. Cada ticket custa 250 pesos argentinos para residentes no Mercosul. E nós sem nadinha do dinheiro argentino, somente reais.

Achei que o funcionário apresentou uma solução de muito bom senso: nos liberou a entrada, de forma bem tranquila e amigável. Parabéns pra ele, me conquistou, já quero retornar ao salto levando um grupo comigo (todo mundo com pesos argentinos no bolso, ok).

Depois de escolher uma sombra para estacionar o carro, fomos até o Centro de Atenção ao Cliente, onde recebemos informações sobre o parque, um mapa, compramos água mineral para amenizar o calor, conferimos o artesanato indígena, e contratamos o passeio de lancha no Salto. Afinal, foi por isso que viajamos até lá, né!

O passeio de lancha custa 700 pesos argentinos para estrangeiros (pagamos R$ 50,00 no câmbio do dia). Adquirimos os tickets e seguimos de carro por um trajeto de paralelepípedos por cerca de 1.200 metros. Lá estacionamos o carro e caminhamos até o Embarcadero Piedra Bugre. Não haviam filas, fomos bem atendidos, recebemos coletes salva-vidas, de uso obrigatório. Os atendentes foram simpáticos e atenciosos.

O passeio de lancha dura cerca de 20 minutos, e é muito bacana. Realmente vale muito a pena! Durante o trajeto o condutor vai passando algumas informações sobre o Salto. Eu não entendi muito bem o que ele dizia, por causa do idioma falado – espanhol – aliado ao barulho das quedas ali do ladinho. Em alguns momentos a lancha chega muito perto das quedas, chegando a espirrar água nos ocupantes. Subiu meu nível de adrenalina, deu um medinho sim. Mas o pessoal que trabalha no barco parece experiente no ofício, inspira confiança.

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Depois de muitas fotinhos no passeio de lancha retornamos para o Embarcadero. Fizemos o trajeto de volta ao Centro de Atenção ao Cliente e decidimos tocar direto para El Soberbio. O calorão não animava para caminhadas nas trilhas do parque, aliado à informação da atendente de que as cobras poderiam se apresentar devido ao forte calor. Nem pensar, tô fora desse passeio na floresta! Morro de medo de animais peçonhentos.

No caminho para El Soberbio paramos para conhecer o El Mision Mocona Lodge. Amei esse hotel e pretendo retornar para me hospedar nele.

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Chegamos na cidade no final da tarde. Fizemos o check in no Puro Moconá Lodge e fomos aproveitar um pouco da piscina para nos refrescar do calorão do dia. Encomendamos nosso jantar ali mesmo e ficamos descansando um pouco na área externa de nossa fofíssima cabana, com uma bela vista do rio. Vinho branco gelado pra acompanhar. Delícia.

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Comemos peixe surubi pescado ali no Uruguai, bebemos mais um pouco de vinho e dormimos sob as bençãos de Nossa Senhora do Ar Condicionado.

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Acordamos cedinho com barulho de vento forte, anunciando tempestade. Juntamos nossas coisas, tomamos o desayuno e já emendamos com o check out no Puro Moconá. Gostei muito dessa experiência de hospedagem.

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Antes de deixar El Soberbio passamos no Supermercado Ceferino Rodriguez comprar uns potes de “dulce de leche” e algumas garrafas de vinho. Não dava pra deixar passar a oportunidade de dar uma incrementada na adega de casa. Aliás, a loja de vinhos do Ceferino, que fica ao lado do supermercado, tem ótimos rótulos, de destacadas bodegas argentinas,  e já que o câmbio estava razoável, a gente aproveitou.

Com a carga preciosa no porta malas do carro, fizemos os trâmites de imigração na Argentina e atravessamos o Rio Uruguai pela balsa. A chuvarada nos encontrou já em terras brasileiras e nos acompanhou até em casa.

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Resumo dessa “escapada”: super valeu! Bem pertinho de casa, não exigindo mais que dois dias no destino (cabe direitinho num findi), aliou conforto, bons preços de hospedagem, natureza com belas paisagens, boa gastronomia (peixes do rio ou parrilla), sendo uma ótima opção para descansar com família e amigos, sem perder de vista as taças do excelente vinho argentino. Que desfrute!!

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