Américas

Perrengue no Equador! Mas Galápagos tá Ok! – Equador

Quem acompanha meu perfil foradacasinhaja em outras redes sociais como Instagram, Facebook e Tweeter acessou resumidamente notícias de minhas aventuras e descobertas no Arquipélago de Galápagos, Equador. Sumi das mídias de repente, provocando preocupação em quem me acompanha virtualmente, mas agora, mais estável (tranquila não seria um adjetivo preciso, face o contexto atual), vou contar como foram meus últimos e tumultuados momentos em terras equatorianas.

Contextualizando: O Equador é um país que a muito tempo esteve (e permanece!) na minha Dream List, lista de desejos de destinos de viagem. Ainda quando estive pela última vez no Peru, acompanhada da prima Lu, link dessa viagem aqui Encerrando a Trip Peruana 2018 – De Lima pra casa – Peru, eu já desejava anexar o Equador no roteiro, mas diante de questões como tempo disponível para a trip e a logística complicada, optamos por nos concentrar no nosso querido Peru.

A viagem para o Equador foi adiada por um ano e meio e seria o meu grande projeto mochileiro para o ano de 2020. Viajar com mochila nas costas, com um roteiro rascunhado, mas não engessado, é o meu melhor formato de viagem. E assim foi, em parte. Explico.

No roteiro que rascunhei por vários meses antes da partida, montado à partir de relatos de outros viajantes e de blogs com dicas de turismo no Equador, eu elenquei em primeiro lugar o Arquipélago de Galápagos, distante cerca de 600 milhas do continente, no Oceano Pacífico.

Eu achei razoável aproveitar minha chegada ao país pelo Aeroporto Internacional de Quito e de lá já seguir com outro voo para uma das ilhas que integra o arquipélago, que no caso foi Santa Cruz. Para tanto encarei passar a noite nos bancos do aeroporto, agarrada a minha mochila, até que por volta das 6:30 o avião me levou ao sonhado destino. Galápagos é um destes lugares míticos do mundo. Para mim sempre foi lembrado como uma espécie de paraíso na Terra.

IMG_20200308_125236

Estive no Arquipélago por 10 dias, divididos em períodos de 3 dias em cada uma das ilhas: Santa Cruz, Isabela e San Cristóbal. E numa rápida ementa posso afirmar: foi uma experiência sensacional! Galápagos em nada me decepcionou, pelo contrário, me surpreendeu com suas tantas belezas naturais exóticas e vida selvagem ainda bem preservadas do ímpeto predatório do homem, graças a Deus. O arquipélago sempre teve grande importância na história recente da conservação mundial. Seu Parque Nacional é sucesso absoluto. E visitado por milhares de equatorianos e turistas de todas as partes do mundo que ali aprendem sobre as fragilidades do ecossistema, e deixam dólares que pagam a conta, ajudando a manter a área protegida de forma sustentável.

IMG_20200311_104849IMG_20200312_160438IMG_20200311_093624

Galápagos é o lar de um ecossistema complexo com fascinante história geológica. Exemplos únicos de vida vegetal e animal. A flora e a fauna  inspiraram  Charles Darwin a formular a teoria da evolução. Milhares de cientistas visitam as ilhas todos os anos para estudar a vida selvagem. Treze ilhas principais, sete menores e cerca de 125 ilhotas e rochas compõem o arquipélago. As ilhas se espalham entre os hemisférios norte e sul.

IMG_20200312_213810

Mas a grande joia de Galápagos são os vários animais que só existem no arquipélago, em nenhum outro lugar do mundo, incluindo tartarugas gigantes, iguanas, tentilhões de Darwin e pingüins de Galápagos. De acordo com a Galapagos Conservancy, cerca de 80% das aves terrestres das ilhas, 97% dos répteis e mamíferos terrestres, e pelo menos 20% das espécies marinhas são endêmicas das ilhas. As únicas iguanas marinhas do mundo – além de três espécies terrestres – são endêmicas das Galápagos.

IMG_20200307_101027IMG_20200307_101221_1

Nos tours que fiz nas três principais ilhas, as mais estruturadas para receber turistas, eu tive o privilégio de ver e estar muito próxima dessas incríveis criaturas. E só por essa incrível experiência, hoje eu concluo, já valeu a viagem.

Em posts próximos vou detalhar sobre todos os passeios e como passei os meus dias no arquipélago. Mas nesta narrativa inicial vou compartilhar como e porque meu Mochilão Equador/2020 terminou precocemente e de forma angustiante (ao final, de alívio). Afinal, minha previsão inicial era passar um mês no país.

IMG_20200314_075914

Depois de passar dias intensos em meio à natureza exuberante nas ilhas de Santa Cruz e Isabela eu finalmente cheguei na ilha de San Cristóbal, a última que eu visitaria no arquipélago e de onde eu tomaria um voo que me levaria de volta à Quito. Meu voo estava previsto para domingo dia 15/03 às 10 horas da manhã. No dia anterior ao meu embarque uma apreensão crescente começou a tomar conta de mim. Eu vinha acompanhando através das notícias postadas nas redes sociais sobre a vertiginosa evolução de contaminação pelo Covid-19 no mundo, especialmente no Brasil e nos países da América do Sul. O cenário mudou de forma muito rápida em 10 dias, quando eu parti do Brasil ainda com tranquilidade (ingenuidade talvez).

Mesmo estando num lugar paradisíaco eu me questionava sobre como seriam meus  dias subsequentes no Equador, como nuvens escuras encobrindo o sol. Preocupações retiraram o colorido do dia. Quando retornei para o Hostel Gosén, onde eu estava hospedada, eu recebi notícias do proprietário de que as fronteiras do Equador estariam se fechando no dia 16/03, ou seja, à partir de então, ninguém entrava nem saía do país.

Na manhã seguinte segui com minha mochila nas costas para o pequeno aeroporto de San Cristóbal, que rapidamente lotou. Nos balcões de check in das duas companhias aéreas que operam para Galápagos duas filas se formaram: a dos passageiros que tinham voo marcado para aquele dia e outra para quem desejava antecipar o voo. Mesmo estando na fila dos “Quito Now”, só me tranquilizei quando embarquei rumo à capital equatoriana. Ufa!

O clima de apreensão com a possibilidade de contaminação pelo corona vírus já estava presente em todos os passageiros, no aeroporto e no interior da aeronave. Luvas, máscaras, álcool gel, funcionários com aparelhos de teste de temperatura corporal (para detectar eventual estado febril), orientações escritas e nos alto falantes… Crazy!

O voo ainda teve uma escala em Guayaquil, epicentro de contaminação e onde se encontra o maior número de casos detectados de pessoas contaminadas pelo corona vírus no Equador. Percebi tensão entre os passageiros durante essa escala, ocasião em que mais algumas pessoas ingressaram no voo rumo à Quito. Reforçaram-se os cuidados com álcool gel e máscaras, e os tripulantes aplicaram  um spray desinfetante no interior da aeronave. Respirei fundo e pedi proteção a Deus.

Por volta do meio-dia o avião aterrissou no aeroporto de Quito. Procurei por minha mochila na esteira ainda sem saber ao certo o que faria à partir dali. Afinal, a previsão de meu voo de retorno era para 03/04!

Observei a agitação das pessoas e percebi a tensão aumentando no saguão do aeroporto. Com a wi-fi grátis fiz contato com o pessoal do hostel que eu havia reservado em Quito, busquei informações com os funcionários do aeroporto (baratinados), e refleti: Como seria a dinâmica da vida no país à partir do dia seguinte? Haveria disponibilidade de hospedagem e de transporte nas cidades que eu pretendia visitar? As atrações, os parques nacionais ainda estariam abertos aos turistas? Tudo imerso em dúvidas, perguntas sem respostas naquelas horas de incertezas no aeroporto de Quito. Rezei, refleti e decidi: eu tinha que sair de Quito ainda naquele dia!

Corri para os balcões das empresas aéreas. Naquele final de tarde apenas a Avianca atendia com uma pequena fila. Obtive a informação na área de check in que ainda restavam 3 lugares disponíveis no voo que partia para Guarulhos/SP às 18 hs 30 min daquele dia, menos de duas horas dali. Me voltei para a loja da Avianca. A primeira resposta foi negativa “não temos mais assentos”. Insisti. A atendente me pergunta? Rio de Janeiro ou São Paulo? “Qualquer um, c… São Paulo, vai!”.

A pergunta fatídica: “Quanto?” A resposta foi uma facada que me quase me nocauteou. “Meu Deus, que loucura, espera… deixa eu pensar!” A atendente me fala em perfeito espanhol: “vou atender o próximo da fila enquanto você pensa, está bem?” “nãããooo, pode ser a MINHA passagem! Dane-se! Manda ver!” Mais uma reza para o cartão de crédito não me decepcionar. Ufa! Passou!

Com a passagem na mão correria para fazer o check in, para fazer os trâmites de imigração, e quando chego no portão de embarque as pessoas estão na fila, entrando no avião. Por fim, encontrei o meu assento e suspirei. Eu consegui, estava indo pra casa…

Encarei uma noite como sardinha em lata, sensação já conhecida, tendo como intervalo uma conexão no tumultuado aeroporto de Lima, no Peru. Por fim, 5 hs da manhã, eu acabada, fizemos a aterrissagem em São Paulo. Só sairia de Guarulhos  às 19 hs daquele dia, com mais um voo para Porto Alegre. Exausta física e emocionalmente, pernoitei num hotel na Capital dos Gaúchos. Que sensação maravilhosa a de reconhecer um lugar como sendo o seu, da paz que uma pequena frase pode conter: “estou em casa!”.

Depois de uma noite inteira de um sono profundo e reparador, permeado da mais profunda sensação de Gratidão, de ser objeto de cuidado e proteção por parte do Divino, encarei a viagem final de busão por 5 horas e ao final, minha casa!

Desde então, minha vida se resume ao meu cantinho. Atendendo às recomendações do Ministério da Saúde cumpri à risca o isolamento domiciliar. Não por por sete dias à partir do desembarque, como recomendado para viajantes chegados do Exterior, mas pelo dobro disso, 15 dias. Dentro de casa, junto com minhas filhas e com o amore Lu. As saídas deles foram excepcionalíssimas. Eu, nenhuma! E aqui pretendo ficar, enquanto for necessário, para o meu bem e para o bem de todos!

Acompanhei e torci muito pelos brasileiros que ficaram retidos no Equador (cerca de 150 pessoas) e que não tiveram a mesma sorte que eu. Alguns deles meus amigos, pessoas conhecidas. A angústia deles foi a minha também, me reconheci neles. Feliz por saber que amanhã, 15 dias depois do fechamento das fronteiras, eles estão retornando ao Brasil num voo fretado. Alívio. Graças a Deus. Por melhor que você seja tratado pelos irmãos latino americanos, numa situação extrema e grave como a que o mundo inteiro vive, você é e sempre será visto como um estrangeiro. Ou seja, primeiro os nacionais.

A lição que ficou da situação vivenciada? Muitas:

Primeiro: Nunca se tem o controle de tudo, por mais que você planeje nos mínimos detalhes. Os imprevistos podem aparecer e você tem que ser flexível e lidar com eles da melhor forma possível, com calma e tomando decisões rápidas.

Segundo: Mantenha sua vibração com boas energias. Mantenha a fé no Poder Supremo. No final, tudo dará certo!

Terceiro: Seja Grato. Sempre! Gratidão por poder ter visto e vivenciado a vida em Galápagos. Sobre o restante do roteiro… o Equador estará lá, me aguardando para um futuro mais feliz.

IMG_20200311_110456

Seguindo firme no isolamento social, pretendo aos poucos ir compartilhando sobre minhas experiências em cada uma das ilhas de Galápagos. Se durante o seu isolamento você tiver um tempinho pra ler…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s