Américas · Intercâmbio

Redwoods: conhecendo as árvores mais altas do mundo – Califórnia/EUA

Como eu já contei por aqui, não teve sequer um dia durante minha estada em San Francisco que eu não bati perna, pedalei ou usei um meio de transporte para conhecer a cidade ou alguma região da Califórnia. Se de segunda a sexta-feira minhas incursões se limitavam ao turno da tarde, espichando os passeios até e início da noite (as aulas do curso de inglês eram no turno da manhã), durante os finais de semana eu saía cedinho para longos passeios que se estendiam até a noite. Num desses finais de semana fiz uma programação especial!

Começou no sábado cedo, quando eu pedalei até a principal estação de trens de San Francisco, a Caltrain Station. Minha ideia inicial era deixar a bike chaveada num poste por lá e tomar um trem para Montain View, uma cidade vizinha, localizada a 45 milhas (cerca de 70 quilômetros) de Sanfran, para conhecer novos amigos e passar o dia com eles.

Antes de mais nada é necessário esclarecer sobre um traço de minha personalidade, se eu já não o fiz por aqui: eu adoro conhecer pessoas novas. Se eu estiver em viagem para qualquer lugar do mundo e você me disser que vive por lá um familiar, um amigo, a tia de um ex-cunhado e que talvez possa me receba, que esteja a fim de um papo, de me mostrar o lugar onde vive, pronto! Já peço o contato, insisto que me apresente a ela, enfim, que faça o meio de campo, e não demora estou na porta da casa d@ meu nov@ amig@.

E foi assim que eu conheci meus novos queridíssimos amigos Faby e Alex, ela brasileira e ele americano, residentes em Montain View, e que me foram apresentados virtualmente pela também querida amiga Maju. Logo que Maju comentou sobre esses amigos eu pedi que ela intercedesse sobre um possível contato, que não tardou e logo evoluiu para um convite para visitá-los. O máximo, né?!

Bom, retomando a cronologia dos fatos… Quando cheguei na Caltrain Station eu solicitei ajuda a uma simpática funcionária, vestida com uniforme de segurança, para imprimir na máquina de autoatendimento o ticket, a passagem para o trem. Aí já rolou uma conversinha super básica, quando ela me sugeriu levar a bike comigo no trem, pois seria mais seguro do que deixá-la por ali o dia inteiro. Eu nem sabia que podia carregar a bike no trem. Curti a ideia e lá fui eu, na companhia da magrela, rumo a Montain View.

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Montain View integra o que é conhecido como Vale do Silício. A região é famosa no mundo inteiro como lar de gigantes do ramo da tecnologia da informação, computação, componentes eletrônicos, redes e internet, enfim, tecnologias de ponta. Por lá ficam as sedes do Facebook, Google, Dell, Ericsson, HP, Intel e muitas outras que dispensam apresentações. Faby me indicou de passagem a sede da Nasa Research Park – Centro de pesquisas mantido pela agência espacial americana. É dali que saem as tecnologias embarcadas nos foguetes que vão ao espaço. Que acharam do potencial da pequena cidade?

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Típica arquitetura americana em Montain View

A viagem até lá demorou cerca de 1 hora e meia, e eu fui curtindo a paisagem. Quando cheguei na estação de Montain View fiquei aguardando a chegada da Faby, que não tardou. Nos reconhecemos pelas fotos que enviamos pelo celular. Tudo certinho, seguimos até a casa dela, que fica próximo da estação, onde guardamos a bike, tomei um café com gostosuras, e logo nos aprontamos para fazer uma boa caminhada para encontrar o Alex, que nos aguardava num parque da cidade.

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Um lindo dia para um piquenique às margens do lago

Eu achei o trajeto até o parque super agradável, passava por um bosque, depois por empresas high tech que a Faby me apontava  e então seguimos por uma trilha que margeava um grande lago, e por fim chegamos a uma área de piquenique, também às margens de um bonito lago, onde Alex nos aguardava. Gente… Foi tuudooo! Uns queridões esses dois, me diverti muito com eles nesse dia, quando me mostraram um pouco de Montain View, me regalaram com um piquenique maravilhoso, onde entornamos duas garrafas de vinho e saímos loucos de faceiros. A conexão foi tão boa entre nós que tempos depois retornei à casa deles com o amore Lu, e eles me quebraram um galho, quando guardaram uma mala com minhas tralhas por alguns dias (mas isso já é outra história, que vou contar no futuro).

Faby e Alex ainda me levaram para provar a gastronomia tailandesa num restaurante que eles frequentam. Super curti. E no final da tarde me acompanharam até a estação onde tomei o trem de volta para San Francisco.

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Saldo do dia: tive uma experiência incrível que me oportunizou conhecer pessoas de coração aberto e generoso, amigos para a vida toda, com certeza. Gratidão, Faby e Alex, por tudo…

Cheguei na estação de San Francisco já era noite fechada. Caprichei no pedal para chegar logo na minha casinha, onde depois de um banho desmaiei na cama, cansada dos agitos e emoções vividas. E já pensando na aventura que me aguardava para o dia seguinte.

Durante a semana eu vinha me preparando para esse passeio de domingo. Com a super ajuda do amore Lu, no Brasil, comprei pelo site a passagem do shuttle (serviço de traslado coletivo) que me levaria até a entrada do Muir Woods National Monument, que é uma das últimas reservas de sequoias gigantes da costa da Califórnia e pertence ao Golden Gate National Recreation Area. Fica localizado a apenas 20 km de San Francisco, o que o torna um programa bem interessante para quem estiver pela região, principalmente para aqueles que desejam ver de perto as famosas árvores imensas e seculares (euzinha!) – algumas podem chegar a ter 120 metros de altura e 800 anos de idade!

As gigantescas sequoias já chegaram a cobrir toda a área costeira da Califórnia, e foi graças ao naturalista John Muir que pelo menos uma parte delas foi preservada. Criado em 1908 durante a gestão do Presidente Roosevelt, Muir Woods tem cerca de 240 hectares, sendo boa parte formada por florestas de sequoias chamadas de Redwoods (da espécie Sequoia sempervirens). As Redwoods são sequoias mais magras e altas quando comparadas às sequoias presentes no sul da Califórnia, mas são igualmente impressionantes.

Detalhe sobre esse passeio: não paguei os U$ 10 referente a entrada do Muir Woods porque o dia da visita coincidiu com uma data comemorativa dos parques nacionais americanos, e então a entrada era free para os visitantes em todos os parques nacionais. Legal, né! Obviamente que não foi uma coincidência: eu tinha essa informação previamente e planejei a visita para conciliar com essa barbadinha. Podendo economizar, brasileiro que converte em real, economiza, né.

Bom… a saga para chegar até o Muir iniciou cedo: pesquisei na net e descobri um ônibus que passava na esquina de casa e me deixaria num ponto na rodovia em Marin, cidade localizada após Salsalito, Pulei cedo da cama para dar tempo de chegar no ponto de saída do shuttle no horário que eu contratei. Fui curtindo a paisagem, a travessia pela Golden Gate, a baía de San Francisco, a fofinha Salsalito. Pedi ao motora que me deixasse no ponto de ônibus onde eu seguiria caminhando por cerca de 15 minutos até um estacionamento instalado embaixo de um viaduto. Era dali que partia o shuttle.

Fui caminhando por uma calçada, com tempo seco e ensolarado, observando no lado direito da rodovia as fofas casinhas flutuantes onde pessoas residem. Achei lindinhas! Elas surgiram quando um grupo de hippie decidiu habitar os antigos destroços dos barcos da Segunda Guerra Mundial e criou-se a primeira vila de casas flutuantes de Sausalito, na época uma forma de moradia barata e ultra criativa. Hoje uma forma cult de viver na região.

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Uma gracinha as casas flutuantes de Salsalito

Segui firme até o ponto que eu tinha alcançar. Cheguei com folga, as pessoas começavam a se aglomerar em torno do caminhão da empresa que realiza o shuttle. Logo o simpático funcionário organizou as filas, conferiu os tickets nas telas dos celulares e partimos.

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O busão foi circundando uma montanha, por um trajeto de cerca de 15 minutos e logo parou em frente a entrada do parque. Como era dia de entrada free e o horário ainda cedo o acesso estava livre, tranquilo. Segui faceira da vida para o interior do parque. Oba, eu estava prestes conhecer as gigantes sequoias!!

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Entrada do parque. Bem tranquilo.

Cabe fazer uma observação importante e que me ofertou uma memória olfativa que me acompanha até hoje: o cheiro das redwoods… Um cheiro delicioso de Natureza que é único, singular, próprio dessas árvores. Caminhar entre as sequoias, desbravar as trilhas do parque( Muir Woods tem cerca de 10 quilômetros de trilhas), que é o principal programa do lugar, acompanhado do deslumbre pelo fato de estar frente a frente com os maiores seres vivos da Terra… Uma sensação maravilhosa. Sou muito grata por ter tido essa oportunidade.

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Os rangers, que são os guardas ou voluntários do Muir Woods costumam reunir os visitantes para contar história sobre o parque ou as árvores duas vezes ao dia. Eu acompanhei uma dessas explanações e achei muito legal.

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Espertinha que eu sou, levei de casa meu lanche, na mochila, garrafas de água, snacks, chocolate, e quando a fome apertou sentei bem tranquila para almoçar próximo à cafeteria. Não pode comer no interior do parque, tem áreas específicas para isso.

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Finalizei meu passeio com um cafezinho na loja da saída do parque e levei mais um imã de geladeira para a minha coleção, para recordar deste dia super especial.

Deixei o parque a bordo do shuttle por volta das 14 horas. Depois peguei um ônibus até Salsalito. Como ainda estava cedo, e eu queria conhecer melhor a cidade, fiquei batendo pernas pra lá e pra cá, fazendo fotos, e acabei fazendo umas comprinhas para minhas meninas. Salsalito tem muitas lojas fofas, galerias de arte e de decoração, que lhe conferem um ar charmoso. Com a baía de San Francisco à frente, não podia ser diferente, não é.

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O charme de Salsalito

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No final da tarde peguei o ônibus para retornar à cidade. No cair da noite eu novamente estava em casa, feliz da vida. Preparei meu jantar na cozinha, e na sequencia banho e cama. No dia seguinte começaria mais uma semana de estudos e de passeios com mais descobertas na cidade que roubou meu coração. Como diz a canção de Tony Bennett: “I left my heart in San Francisco” Não tinha como ser diferente…

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No retorno para SF encontrei o fog na Golden Gate Bridge

Para acessar outros posts sobre San Francisco e a California, acesse os links:

Intercâmbio a uma hora dessas?!

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