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Trekking no Cânion da Piruva – Ivorá/RS – Brasil

Janeiro de 2020, galerinha aqui de casa de férias da escola, calor gaúcho abrasador… Qual o programa perfeito, que se encaixaria num final de semana estendido, portanto, um destino não muito longe de casa? Onde levar uma turma que curte aventura, adrenalina, natureza e muita água para refrescar o calorão? A resposta veio à partir de pesquisas na net: um trekking de cerca de 10 quilômetros nos limites dos municípios de Ivorá e Júlio de Castilhos, interior do Rio Grande do Sul. Com cerca de 8 quilômetros de extensão, o Cânion da Piruva é um dos locais mais belos e preservados da região da Quarta Colônia.

Nessas pesquisas descobri o trabalho da empresa “Caminhos de Ivorá”, sediada no município de Ivorá, que nos ofereceu toda a logística para o passeio, como transporte à partir da pequena cidade, guias experientes, que conhecem a região, a segurança da presença de Bombeiros e seus equipamentos de apoio… Pronto. Já tínhamos um programa de férias. E que programa!

Ivorá é um pequeno município com cerca de 2 mil habitantes, localizado na região central do estado, próximo à Santa Maria. Para chegar lá no horário previsto saímos bem cedo de casa. Galerinha aproveitou as camas de Frida – nossa casinha sobre rodas – e foi dormindo por boa parte do trajeto, guardando energias para a aventura do dia.

Chegamos no horário marcado, 9 horas da manhã, quando ainda juntava o povo que integraria o grande grupo para o trekking daquele dia. Um clima de suspense no ar, uma ansiedade que dava frio na barriga, mas muita disposição para enfrentar o percurso.

Aproveitamos para tomar café e organizar nossas mochilas com água e os lanches para a turma toda. Afinal, eu e o Lu estávamos com 5 adolescentes: as minhas gatinhas Sara, Sofia e Isa, o Thiago, garoto do Lu e a amiga Jasmim. Só nossa turma já rendia um bom grupo, né. Nos encarapitamos na caçamba do caminhão e ouvimos animados as instruções dos guias.

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Robustos caminhões de estilo militar conduzem os grupos nas caçambas pelas estradas do interior de Ivorá/RS

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O Cânion da Piruva propriamente dito, com seus paredões de pedra, começa no município de Júlio de Castilhos e termina em Ivorá. Mas pra chegar até ele tivemos que enfrentar uns bons quilômetros sacolejando na caçamba do caminhão por estradas de terra do interior de Ivorá. Na sequência caminhamos por trilhas em meio a lavouras, depois no meio do mato, e por fim, pelo leito pedregoso do rio Melo.

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A prática do trekking no Rio Melo, na altura da Localidade da Piruva (daí vem o nome do Cânion) é considerada de nível fácil. No entanto, a duração de toda a atividade é longa (cerca de 6 horas), o que acaba por ser bem cansativo.

A caminhada até nos aproximarmos da mata nativa que circunda o Rio Melo foi tranquila. Mas logo o primeiro desafio se impôs: descer a encosta até o rio sem escorregar. Um de cada vez, em fila indiana. Cordas e escadas ajudavam os trilheiros a se manterem em pé. O bom é que essa parte do trajeto não é longa.

Quando enfim encontramos o rio subimos um trecho de cerca de 2 quilômetros para conhecer duas cachoeiras. A caminhada rio acima é quase toda pelas pedras, mas é inevitável entrar na água. Aliás, pelo esforço e calor, a gente preferia seguir pela água limpa e geladinha. Uma delícia. O uso de tênis velho, amaciado e confortável foi fundamental no sucesso da empreitada.

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A primeira cascata que vimos foi a Cascata das Pedras Pretas. São 30 metros de queda d’água de um afluente do Rio Melo. Tem esse nome por causa do paredão de pedra, que é preto mesmo. O contraste com a água clarinha é uma beleza só.

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Conferindo a beleza da Cascata das Pedras Pretas

Bem pertinho dali visitamos a Cascata dos Degraus, com cerca de 40 metros de altura. Não fosse a mata, dava até para enxergar uma cascata de frente para a outra.

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Cascata dos Degraus

Depois de subir esta parte do rio, enfrentando águas e pedras, nossa missão era descer 6 quilômetros por dentro do Cânion da Piruva. E dá-lhe pedras e banhos no rio.

Em certo ponto a trilha começou a ficar mais difícil, só passava quem sabia nadar e não tinha medo de água gelada. Quem não sabia seguiu nos botes, o mesmo usado para transportar as mochilas do pessoal.

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Toda a minha valente turma passou por esses pontos nadando, com muita energia. Em vários pontos não dava pé. Quanto mais avançamos na trilha mais alto ficavam os paredões do cânion. Começam com ao menos 50 metros de altura e ganham amplitude até chegar a mais de 250 metros de altura. Em algumas partes os paredões quase se encostam, e nadamos por um vão com apenas 3 metros de largura. É necessário ter braçada forte. As travessias a nado não são curtas, viu.

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Eu e o Lu nadamos ao lado da meninada, acompanhando a evolução dos mesmos, e todos chegaram bem no final do trecho. Só depois batiam queixos de frio, procurando réstias de sol para se aquecerem enrolados nas toalhas já encharcadas. Nesses momentos de paradas para aguardarmos a passagem de todo o grupo, aproveitávamos para repor as energias comendo nossos lanches, tomando água e descansando sobre as pedras.

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As dificuldades eram logo esquecidas e enchíamos os olhos e o coração de alegria com as lindas paisagens que se revelavam.

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Depois de 8 quilômetros de trilhas no leito do rio, quando enfim fomos direcionados para uma área descampada, para fora do leito do rio, compreendi que ainda tínhamos cerca de 2 quilômetros de pura subida, morro acima, para sair do cânion, para acessar a parte alta, onde nos aguardavam os caminhões que nos levariam de volta para a cidade. Haja perna!!

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Maior subida, um esforço final pra sair do cânion

Essa parte final foi extenuante porque nossas energias já tinham sido praticamente consumidas com o trekking no rio, mas não havia o que fazer, restava somente encarar a subida. Sorte de uns e outros que ganharam uma carona no triciclo que apoiava o trabalho da agência e pouparam um pouco as pernas. Por exemplo, euzinha, quase no final do trajeto, quando me arrastava! Risos.

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Isa na frente, faceira com a carona no triciclo

Quando nos instalamos nos assentos da caçamba do caminhão nossos rostos estampavam o cansaço provocado pelo esforço físico, nem pra conversar tínhamos disposição. Realmente, quando convidei o Lu para essa aventura, com a adesão da molecada, eu não tinha ideia de que fosse tãããoo puxado. Nossa satisfação era termos concluído com êxito. E todos inteirinhos, sem arranhões significativos.

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A tarde já caía quando reencontramos nossa casinha sobre rodas estacionada na bucólica pracinha de Ivorá. Tratamos de trocar as roupas molhadas, nos limpamos como deu e nos acomodamos na Frida para seguirmos viagem rumo à Santa Maria. Tínhamos ainda muita estrada até nosso destino final daquele dia: a Fazenda Recanto do Ibicuí, no interior do município de Manoel Viana. Mas essa já é outra história, outra aventura.

Sobre a Fazenda Recanto do do Ibicuí já falei sobre esse lugar maravilhoso no post Belezas da Fronteira Oeste Gaúcha – Brasil. Como adoramos esse lugar já retornamos várias vezes à Fazenda, primeiro em programas a dois, depois com a meninada e em nossa última estada, durante o feriado de Carnaval, levamos além da família também queridas amigas. Em todas as visitas fomos felizes e saímos muito satisfeitos, sempre desejando regressar.

 

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