Brasil · Casinha sob rodas · Turismo Gaúcho

Trem dos Vales – Guaporé/RS – Brasil

Eu tinha muita curiosidade para conhecer a região de Vespasiano Corrêa, no Rio Grande do Sul, onde estão localizados os famosos Viadutos Ferroviários nominados como Viaduto 13, Mula Preta e Pesseguinho, entre outros. As leituras dos relatos sobre as trilhas feitas pela ferrovia e muitas imagens de turismo de aventura fomentavam a minha curiosidade. Pois então: ela foi “parcialmente” saciada num final de semana de outubro de 2020. E foi uma experiência muito legal!

Xeretando pela net eu soube que uma nova temporada de passeios ferroviários estavam sendo organizados para este ano e não perdi tempo para adquirir meu ingresso e do amore Lu. O projeto Trem dos Vales é organizado pela Associação dos Municípios de Turismo da Região dos Vales (Amturvales) e tem parceria das prefeituras, Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) e Rumo Logística.

Eu e o Lu partimos rumo à cidade de Guaporé a bordo de Frida, nossa Casinha sobre rodas numa sexta-feira após o almoço. A previsão do tempo indicava um final de semana de sol e calor. Perfeito! Nosso passeio de trem estava agendado para sábado de manhã (9 horas), com saída na Estação Ferroviária de Guaporé, com destino à cidade de Muçum, num trajeto sobre os trilhos, por 46 quilômetros, cerca de 2 horas de passeio.

Aproveitamos o trajeto e fizemos um pit stop na pequena e fofa cidadezinha de Victor Graeff, para conhecer a famosa Praça das Topiarias (poda escultural). No site da prefeitura encontramos algumas informações sobre a praça: ” Victor Graeff é conhecido nacionalmente pela beleza da Praça Municipal Tancredo Neves, mais conhecida como a “Mais Bela Praça do Estado do Rio Grande do Sul”, com mais de 200 esculturas em ciprestes, podados artesanalmente em forma de pessoas, pássaros, animais e paisagens arquitetônicas.

O principal ponto turístico do município foi fundado em janeiro de 1982, a Praça Municipal Tancredo de Almeida Neves, mas só começou a ser atração na região apenas a partir de 1989, quando o Sr. Fredolino Selmiro Schmidt, mais conhecido por Seu Mírio, começou a fazer parte da equipe de manutenção da praça, visto sua grande vocação e criatividade. Seu Mirio mudou-se do interior para a cidade e então dedicou sua vida a cuidar deste local que também é um dos pontos turísticos mais visitados do RS. O trabalho de Topiaria desenvolvido na Praça Municipal Tancredo Neves exige paciência e dedicação, pois a planta demora no mínimo dois anos para tomar a forma idealizada pelo topiário e até cinco anos para estar definida.”

A tarde que passamos pela Praça estava realmente muito quente, o que fez com que não nos demorássemos muito no local. A seca também se fez visível no aspecto das plantas. Caminhamos pelo local, fizemos fotos e seguimos nosso trajeto rumo à Guaporé.

Chegamos na cidade no início da noite. Já tínhamos combinado um encontrinho com amigas que fizemos durante o trekking em Tavares, link aqui Lagoa dos Patos e Parque Nacional da Lagoa do Peixe – Tavares/RS – Brasil, e foi realmente muito divertido jantar e confraternizar com pessoas tão agradáveis e acolhedoras.

Depois do jantar tratamos de arrumar um local seguro e tranquilo para passar a noite na nossa Casinha, que foi encontrado no estacionamento do Shopping Belas Guaporé. Local protegido por seguranças, muito tranquilo mesmo. Dormimos muito bem ali.

Na manhã seguinte nos dirigimos para a Estação Ferroviária de Guaporé, deixamos a Frida no estacionamento e fomos atrás de nossos assentos no vagão do trem. Tudo bem organizado. Vimos uma Maria Fumaça estacionada nos trilhos, mas a locomotiva que nos conduziu pelo passeio foi uma a diesel.

O Trem dos Vales possui dois roteiros diferentes. Este que fizemos, direção Guaporé/Muçum e em sentido contrário, e outro, Colinas/Roca Sales, que possui algumas diferenças em relação ao trajeto que participamos. Nesse roteiro o trajeto é mais curto, são aproximadamente 17 km, com duração aproximada de 1h. A paisagem também muda. Nesse roteiro os trilhos margeiam o rio Taquari e passam por dois túneis.

Outra grande diferença é a locomotiva utilizada. No roteiro de Colinas a Roca Sales, será utilizada uma locomotiva a vapor, mais conhecida como Maria Fumaça. No trajeto de Muçum a Guaporé não é utilizada Maria Fumaça, pelo grande número de túneis (a fumaça seria um problema nos longos túneis) e relevo montanhoso. Já no trajeto Colinas/Roca Sales, são apenas dois túneis, durante os 17 km da ferrovia Tronco Principal Sul.

O grande diferencial dos passeios do Trem dos Vales Guaporé/Muçum são as paisagens deslumbrantes entre vales e montanhas, pela chamada Ferrovia do Trigo, passando  por 17 viadutos e 26 túneis. O roteiro pode ser realizado em ambos sentidos, sendo que pela manhã o trem parte de Guaporé e a tarde, parte de Muçum.

O trem é muito bacana, foi totalmente restaurado para o turismo ferroviário. Assim que o trem apitou, partimos em direção a Muçum. Tivemos a sorte de fazer o passeio num lindo dia de sol, o que deixou as fotos ainda mais bonitas com a paisagem dos vales ao fundo. São túneis, vários viadutos famosos, como o Viaduto 13, o Viaduto Mula Preta e o Pesseguinho. No Viaduto 13, o mais alto das Américas, o trem faz uma parada de alguns segundos, para que os passageiros consigam fotografar a paisagem. É proibido desembarcar do trem.

Depois de cerca de duas horas de passeio desembarcamos do trem na Estação Ferroviária de Muçum. Um ônibus fretado nos trouxe de volta até a Estação Ferroviária de Guaporé onde reencontramos Frida, nossa Casinha, nos aguardando no estacionamento.

Já passava das 13 horas, e a fome apertava. Seguindo dicas de amigas, seguimos para a Vinícola e Pesque Pague Giaretta, localizada no interior do município, 5 km de estrada de chão. Num local bem bonito e estruturado, almoçamos muito bem, pratos a base de peixe, com acompanhamentos, e uma espumante gelada da marca Giaretta. Nos agradamos muito do local e do que foi servido!

Eu e o Lu descansamos um pouco por ali e depois seguimos viagem. Era meu desejo dar uma olhada mais de perto no Viaduto 13, sob outras perspectivas, além de estar dentro do trem. Foi assim que nos embrenhamos por estradas de chão no interior de Vespasiano Corrêa. No meio do caminho fizemos uma parada para conferir uma cascata após um trecho de trilha no meio da mata intitulada Cascata Subterrânea Garganta do Diabo.

Por fim chegamos num local que dá acesso à ferrovia onde está localizado o Viaduto 13. Conferimos o viaduto, que é realmente muito alto, caminhamos por ali apreciando a vista, entramos no início do túnel, fizemos fotos e descemos para a base do viaduto, na parte de baixo, junto ao rio. Mais umas fotinhos por lá e seguimos viagem. Não por muito tempo. Logo vimos uma ponte pênsil (pinguela, para os gaúchos) após uma plantação de milho. A tarde caia, e as cores do pôr do sol douravam a paisagem rural. Estacionamos a Frida na beira da estrada empoeirada e fomos ver a ponte de perto.

Depois de atravessar a ponte, parando para alguns cliques, retornamos até onde Frida nos aguardava, “comendo poeira” dos carros que passavam pela estrada. Seguimos mais alguns quilômetros até a cidade de Muçum e dali em diante o asfalto imperou até em casa, onde chegamos já de madrugada.

Este foi o resumo de mais um passeio de final de semana que nos proporcionou conhecer mais belezas do interior do nosso Estado, o Rio Grande do Sul. Nós curtimos muito fazê-lo. Tenho vontade de retornar à região para conhecer outros cantinhos e para caminhar nos túneis escuros e sobre os viadutos. Mais um plano de viagem para a minha longa lista de desejos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s