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Ilha do Algodoal – Pará – Brasil

Bem antes de eu mudar para Belém/PA eu já tinha lido e visto lindas imagens da Ilha do Algodoal em perfis e sites de viagem na internet, e me encantado, é claro. Desde então era meu desejo conhecê-la, desejo que só aumentou quando mudei para o Pará, quando a possibilidade se tornou real.

Com a proximidade do feriado de Carnaval, considerando que estamos todos num contexto de pandemia, eu e o Lu conversamos sobre um destino que nos permitisse contato com a natureza exuberante do Pará, mas longe de aglomerações. A resposta veio a minha mente de forma imediata: galera, partiu Ilha do Algodoal!

Seria o primeiro feriado das meninas desde que chegaram em Belém, e eu não queria perder a oportunidade de em 5 dias, conhecer, junto com elas, as belezas do Pará.

Foi assim que aprofundei pesquisas sobre Algodoal e junto com o Lu organizamos a logística para conhecer a ilha. Primeira providência: definir a hospedagem. Xeretando no Booking dei de cara com imagens do Hostel Maiandeua. A construção da casa de madeira com palafitas, típica do Pará, logo me chamou a atenção. A possibilidade de poder usar a cozinha, a localização bem em frente ao porto, e por fim, o contato atencioso do proprietário, definiu nossa escolha.

Fizemos compras de mantimentos e bebidas para os 5 dias de estada na ilha, organizamos nossas mochilas, colocamos tudo dentro do carro, e no sábado de Carnaval, bem cedo, caímos na estrada rumo à Marudá.

Para fazer a travessia até Algodoal é necessário pegar um barco no Porto de Marudá, município localizado a 181 km de Belém. Há cinco saídas diárias de barco para Algodoal, entre 9h e 17h, e o trajeto demora cerca de 40 minutos. A passagem custa R$ 6. Quem vai de carro precisa deixá-lo no estacionamento ao lado do porto (R$ 10 por dia).

Quando chegamos no porto de Marudá um barco estava de partida e então tivemos que correr com nossos pertences para conseguir pegar esse barco, pois o próximo iria demorar mais de hora. Correria mesmo, mas afinal deu tudo certo e descemos no pequeno trapiche na Vila de Algodoal por volta das 11h 30 min da manhã.

Algodoal faz parte do município de Maracanã, na região nordeste do Estado. Embora seja chamada assim, o verdadeiro nome da Ilha é Maiandeua,   que do tupi, significa “mãe da terra”. “Algodoal” é apenas o nome de uma das vilas, a maior e mais estruturada. E se você ficou curioso em saber quais são as outras, elas se chamam Mocooca, Fortalezinha e Camboinha.

Uma das características da ilha é que você encontrará ruas sem asfalto, clima de cidade interiorana, silêncio e areias finas perfeitas para caminhar. Algodoal tornou-se uma Área de Proteção Ambiental (APA) em 1990, através de uma resolução da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). Por isso, veículos de tração motorizada são proibidos de circular na ilha, exceto ambulâncias e viaturas de polícia. Sob essas condições, quem não for adepto de longas caminhadas pode optar por utilizar bicicletas, charretes ou barcos, únicos meios de transporte utilizados pela população local. Esta característica peculiar traz um sossego maior para quem está fugindo do trânsito das grandes cidades. As charretes fazem as vezes de táxis/uber.

Algodoal é para aqueles apaixonados por cenários naturais com poucas pessoas. Como fomos num período de pandemia, só podiam ingressar no barco com destino à ilha pessoas que constavam numa lista de controle no porto de Marudá, comprovando que tinham hospedagem garantida em Algodoal. Felizmente nossos nomes estavam lá.

Quando descemos no trapiche da vila já reconhecemos a casa onde funciona o Hostel Maiandeua. A simplicidade do lugar chocou as meninas na chegada, mas logo assimilaram a proposta rústica da vila e curtiram. Felizmente a wifi funcionava satisfatoriamente, item imprescindível para três adolescentes.

Largamos nossas coisas no quarto e fomos atrás do nosso almoço. Comemos peixe frito, batata frita e salada no Restaurante Coroa Espaço Gourmet. Comida simples e gostosa, servida nas mesas dispostas na rua, bem pé na areia.

Depois de descansar um pouco no hostel nos largamos numa boa caminhada até a Praia da Princesinha, passando pela Praia da Vila (Caixa d’água) e Praia da Princesa. O pessoal das charretes nos ofereceu seus serviços, mas optamos por seguir a pé. Não curti ver os cavalos escravizados puxando as charretes e me neguei a participar daquilo.

Pegamos um pouco de chuvisco no caminho mas quando chegamos na praia da Princesinha o tempo melhorou. Deu pra tomar um gostoso banho de mar. Ficamos até o final da tarde e depois caminhamos de volta para o hostel, onde chegamos já a noite. Os inúmeros sapos pelo caminho renderam muitos gritos das meninas.

Chegando no hostel preparei jantar e depois descansamos.

O domingo amanheceu com chuva, que seguiu por boa parte do dia. Mesmo assim, como o tempo emburrado, ameaçando chuva, repetimos o programa do dia anterior e fomos para a Praia da Princesinha.

A chuva, o tempo emburrado, nublado, chuviscando, foi uma constante durante quase todo o feriado, o que impediu que curtíssemos com mais ânimo as lindas praias da ilha. Mesmo assim passeamos, conhecemos o que foi possível.

Até um passeio de barco até a Vila de Fortalezinha fizemos, praticamente abaixo de chuva, protegidos por uma lona. Pensem num perrengue, viu. Fiquei imaginando a beleza do lugar numa época seca, com céu claro, sol…

Saímos de rabeta (uma canoa com um motor acoplado) da ilha de Algodoal e enfrentamos uma travessia de cerca de uma hora e meia. Recanto da natureza, Fortalezinha acolhe os visitantes de forma rústica e com o lema: “vida off”.

A gente não aportou com a rabeta na vila de Fortalezinha, mas sim em Mocooca. De lá seguimos a pé por cerca de 15 minutos. Sempre com chuva na cabeça, encharcados.

Sob a supervisão do barqueiro/guia caminhamos pela vila de Fortalezinha e conhecemos alguns pontos. No Mirante onde há a inscrição “Fortalezinha Vida Off” fomos muito bem recebidos com um café que nos reanimou, oferecido pelo Said Senado, instrutor de Kite Surf. Ele também é colecionador de peças arqueológicas que encontra pela vila, herança de índios, os primeiros moradores do lugar.

Pra não nos deixar esquecer que era Carnaval, encontramos um bloquinho desfilando pelas ruas de areia de Fortalezinha, embaixo do chuvisqueiro. Animação só! No ritmo do carimbó. Eu adorei acompanhar a apresentação de um grupo local desse ritmo típico da cultura paraense.

Ainda fomos conhecer a Casa do Carimbó, um espaço cultural, misto de pousada e restaurante, que preserva características típicas do Pará nas construções e no reaproveitamento de materiais. Deu vontade de retornar lá quando estivesse no agito de uma noite incluindo apresentações de música e danças regionais.

Fizemos um pit stop para lanche numa padaria enquanto eu zanzava por ali observando o agito dos carnavalescos locais e do grupo de carimbó. Próximo às 17 horas fizemos o trajeto de retorno à Algodoal, boa parte embaixo de chuvisqueiro.

O anoitecer nos pegou no mar, a chuva deu uma trégua. Foi uma experiência memorável obervar as luzes do dia indo embora e a gente navegando naquele barco tão frágil, rumo à Algodoal. Avistamos ao longe as luzes da vila, do porto, que foram aos poucos se aproximando de nossos olhos, até que o barquinho atracou na areia, em frente ao hostel.

Tanto pelas belezas vistas quanto pelas dificuldades encontradas, o fato de estarmos encharcados, a chuva persistente, o barquinho contornando a ilha, os “furos” (chamam assim os canais que recortam o interior das ilhas, fazendo às vezes de ruas, local de trânsito dos barcos)  tenho certeza que ficou registrado na memória de todos nós a aventura que foi esse passeio à vila de Fortalezinha.

Retornamos para Belém após o café, na Quarta-Feira de Cinzas. O que ficou dessa experiência na Ilha do Algodoal? Meu desejo de retornar, num período de seca; a gratidão por ter conhecido um dos lugares mais lindos e preservados do Pará; a oportunidade de conhecer a cultura local, o carimbó; o respeito pela Natureza – no inverno amazônico é chuvarada mesmo!

6 comentários em “Ilha do Algodoal – Pará – Brasil

  1. Reitero minha admiração e enorme inveja que tenho de sua visão de vida. Meus parabéns. Continue nos mandando suas belíssimas aventuras.
    Obrigado!

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  2. Gostei do relato sobre a aventura e mais ainda de que não se acanharam com o chuvisqueiro e seguiram a festa. Mal posso esperar o mês de agosto para conhecer este paraíso.
    Gostei da dica sobre a reserva antecipada e horários de saídas.

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