Brasil · Casinha sob rodas · Dentro da Casinha

Marahu – Conexão: com o lugar ou com as pessoas que lá estão? – Brasil

Já contei aqui num outro post do blog – link aqui Mosqueiro: praia de rio com visual (e ondas!) de mar – Belém/PA – Brasil, que um dos primeiros passeios que eu e o Lu fizemos quando chegamos no Pará, no início deste ano, foi para a Ilha do Mosqueiro, que fica a cerca de 70 quilômetros da capital, Belém, onde moramos.

Naquele post eu não detalhei sobre como foi nosso primeiro contato com a Praia de Marahu. De cara eu gostei muito do lugar. Curti a vibe roots da única rua de areia a beira rio (beeem esburacada), uma pegada de natureza ainda preservada, pouca gente, uma faixa de areia que é um convite para uma preguiçosa contemplação do rio (que pareceu mar, de tanta água a frente de meus olhos), entrecortada por banhos de água doce e morna, e ainda com ondas quebrando na praia. Um som que sempre agrada a meus ouvidos. De fato, Marahu me pegou de jeito, viu. E foi amor à primeira vista.

Então… Na ocasião, quando eu e o Lu caminhávamos pela praia indentificamos uma construção de madeira, ornada com cortinas de tecido branco que balançavam com a brisa, de frente para a praia. Decks e pergolados de madeira completavam a arquitetura simples do lugar, mas com um charme rústico chique que imediatamente captaram minha atenção. Eu quis ver mais de perto. Nenhuma placa identificava o lugar, que logo soubemos se chamar Pousada Marahu.

Quem nos deu esta informação e muitas outras foi a Áurea, proprietária da pousada, que juntamente com seu marido, Carlito, administram o lugar com um misto de dedicação, amor e camaradagem, que tocou meu coração.

Neste dia procurávamos um quarto para nos hospedar. Infelizmente, nos informou Áurea, a pousada estava lotada (atualmente dispõe de 6 suítes, mas estão ampliando). Aproveitei para pegar o contato de Áurea, já determinada em me hospedar ali em outra oportunidade. Contamos sobre a Frida, nossa Casinha sobre Rodas, indagando se haveria possibilidade de fazer da pousada um ponto de apoio. Áurea disse que até então não tiveram experiência semelhante, mas “por que não?”. Essa disposição para acolher o novo, o desconhecido, me encantou. Nos despedimos e seguimos para conhecer outras praias do Mosqueiro e para definir nossa hospedagem daquele final de semana.

Meses depois, com o feriado de Páscoa à vista, comentei com o Lu o meu desejo de retornar à Marahu, para nos hospedarmos na pousada. Contatamos com a Áurea por whatsapp e ela logo lembrou de nós, “o casal do Sul”. Reiteramos com ela sobre a possibilidade de irmos para a pousada com a Frida, e ela concordou. Maravilha! As meninas ficaram na cidade curtindo a visita do pai.

Chegamos na pousada na metade da manhã da Sexta-Feira Santa. A chegada foi um tanto inusitada. O local que escolhemos para estacionar no pátio da pousada estava com a areia fofa e nossa casinha atolou. Os pneus afundaram no terreno, e deu muito trabalho para o Lu e para o Carlito retirarem a Frida de onde ela estava. Pena que esqueci de fazer fotos. Fiquei assistindo as manobras dos meninos e torcendo pelo sucesso da empreitada. Felizmente, deu tudo certo. Depois de muito suor e esforço, encontraram um lugar mais seguro para a casinha. Então nosso lazer do final de semana efetivamente começou.

Organizamos nossas coisas na Frida, o Lu instalou a extensão que trouxe energia elétrica para a casinha e que garantiu o split bombando com o ar geladinho, e fomos almoçar um gostoso peixe frito e acompanhamentos preparado pela Áurea. O restante do final de semana foi dedicado a caminhadas na praia, banhos de rio e brincadeiras com nossas companhias peludas, a Cora e o Chiclete.

Também tivemos vários momentos de interação com outros hóspedes e muitas conversas agradáveis com Áurea e Carlito, que avançaram pela noite. Sabem quando a gente encontra pessoas que tem a mesma visão da vida que nós? Foi exatamente assim com esse casal. Compartilhamos histórias de viagem (adoro esse papo!), curiosidades sobre a cultura paraense, dicas de lugares a conhecer no Estado (amo receber dicas!), e filosofamos sobre coisas da vida, crenças, valores. Enfim, delícia de “papo cabeça”.

Desta forma o final de semana passou voando e no domingo, na hora de ir embora, fiquei com aquela vontade de “aaah, mas já?!” e a promessa de retorno em breve. Que se concretizou, claro.

No último final de semana lá estávamos nós novamente, levamos conosco a companhia de nosso trio de gatinhas, a Sara, a Sofia e a Isa, além dos pets. Para melhor acomodar as meninas reservamos um quarto na pousada para elas, enquanto que eu e o Lu não perdemos a oportunidade de ficar na nossa casinha sobre rodas.

Tivemos mais um final de semana muito agradável no Marahu. As meninas se enturmaram rapidamente com o Léo, filho do Carlito, e também um adolescente como elas. Entre jogos de tabuleiro e vôlei, banhos de rio, caminhadas na praia e muito papo regado a “internetês”, redes sociais, a galera se divertiu muito. Mesmo com as pancadas de chuva típicas do inverno amazônico que estamos vivendo, ninguém deixou de aproveitar a natureza e a vibe de Marahu. Só nos despedimos de Áurea, Carlito e Léo já no final da tarde de domingo. Era a hora de encarar o trânsito e retornar para Belém. Mas revigorados, com certeza.

Entre os papos que tive com o Lu, sentados na areia da praia, apreciando o rio, ficou a certeza de que Marahu já figura entre um dos lugares que elegemos com o coração aqui no Pará. Sabemos que vamos conhecer muitos outros e com certeza, também nos apaixonaremos. Mas quem esquece o primeiro amor?!

Essa conversa me levou a outra reflexão, que quis trazer aqui para o blog. O que faz com que elejamos um lugar, o que nos conecta a ele? Serão a paisagem, as pessoas com quem interagimos? A minha resposta é talvez óbvia: a soma de todos esses fatores e mais um elemento especialíssimo – a energia! A nossa e a do lugar, incluindo as pessoas que estão nele.

Relembro agora de outros tantos lugares com paisagens lindas, sejam naturais ou construídas pelo homem, que tive a oportunidade de conhecer pelo mundo. Por que alguns desses locais são relembrados com mais saudade e carinho do que outros? Na minha opinião, tem muito a ver com as pessoas que me acompanhavam, as experiências que tivemos juntas.

Muitas vezes, posso descrever um lugar como “lindo, maravilhoso”, e outras pessoas que irão conferir pessoalmente minha dica talvez não concordem comigo, não vejam nada demais na paisagem. Fora a questão subjetiva dos gostos pessoais, do estado de ânimo do viajante (também interfere muito na percepção do ambiente), acho que a principal diferenciação são efetivamente as pessoas com quem nos conectamos, sejam estas nossas acompanhantes na viagem ou passeio, sejam as que lá encontramos por puro acaso (será mesmo obra do acaso?!).

Acho que as pessoas nos ganham nos detalhes. Porque eles são reveladores da personalidade e do caráter. Quando vi o Carlito suando junto com o Lu embaixo de sol e chuva, sem sinal de preguiça, sem esmorecer, até desatolar a Frida do terreno arenoso; quando ele nos ofereceu lanchinho da tarde – café e tapioca – como cortesia da casa; quando a Áurea dedicou tempo para nos contar histórias vividas na infância, em recantos do Pará, me senti acolhida, me senti em casa.

No fim das contas, o que eu queria dizer é que as viagens que fazemos e lugares que conhecemos não significam tanto quanto as pessoas incríveis que criam histórias conosco e nos fazem recordar de uma viagem com um sorriso no rosto, um sentimento bom. É algo que nos devolve a esperança na Humanidade, de que os seres humanos sempre tem potencial para serem maravilhosos e podem tornar esse mundo já tão bonito em algo mais lindo ainda.

4 comentários em “Marahu – Conexão: com o lugar ou com as pessoas que lá estão? – Brasil

  1. Oi, Jocelaine! Adoro teus textos e filosofias sobre a vida e as viagens. Me identifico muito com teu pensamento aberto ao conhecimento sobre a localidade e as pessoas que fazes contato numa viagem. É um prazer “viajar” contigo e tua família e conhecer novos lugares e culturas.

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