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As peruas aterrissaram no Pará: Roteiro da visita das primas – Pará – Brasil

Eu fiquei muito feliz quando minhas queridas primas e companheiras de outras aventuras, a Lu e a Lita, me apresentaram a boa-nova de que viriam me visitar em Belém. A feliz notícia me foi dada em agosto/21 e as bonitas chegaram no início de outubro/21.

As gurias são ótimas companhias de viagem, de aventuras, de perrengues, de risadas (e de choro também). Fato comprovadíssimo nas duas viagens que fizemos juntas ao Peru. Para ler sobre estas clique nos links Peru e O retorno das peruas – Peru.

No nosso grupo de Whatsapp as informações sobre o Pará se intensificaram a medida que a data da visita se aproximava: vídeos de músicas, imagens, relatos e dicas de viagens, aspectos da cultura paraense. E aí obviamente apareceu o carimbó, dança típica daqui do Norte.

Então eu tive a ideia de costurar uma saia de carimbó para cada uma de nós e fazer uma surpresa para as primas. Tive a ajuda da Carol, a filha da Lu, sobre as medidas. Já sobre a Lita, eu fiz “no olho” mesmo, pois não tinha a quem pedir dica de medidas. E não é que deu certinho?

Desde a chegada delas nossos dias foram intensos. Eu havia feito uma programação que pretendia mostrar o melhor de Belém antes de partirmos para a Ilha de Marajó. E assim foi. Acompanhem a maratona das cabloquinhas nas terras do Norte:

Dia 01 – A Lu chegou em Belém horas antes da Lita. Aproveitamos para flanar pela cidade de carro enquanto aguardávamos a chegada da perua no aeroporto.

Depois de receber a perua Lita no aero tocamos direto para o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré. A cidade se encontrava em plenas atividades do Círio de Nazaré e não podíamos perder nadinha. Conseguimos entrar na Catedral após a missa, para fazer uma oração, para as meninas conhecerem a lindíssima igreja e fazer fotinhos. Na saída passamos no Arraial do Círio, organizado para as festividades. Circulamos pelo local, super movimentado, as gurias fizeram umas comprinhas e partimos.

Em casa nos jogamos numa degustação de comidas paraenses com as delícias do Sabor da Nega, tradicional restaurante aqui do bairro onde moro, o Marco. Teve massa de caranguejo, risoto de maniçoba, arroz de pato, arroz paraense, vatapá e maniçoba. As gurias curtiram muito conhecer os sabores típicos aqui do Norte.

Depois do jantar e de um brinde com espumante para celebrar nosso reencontro colocamos música do Pará, como da Banda Calipso e de Dona Onete. Fui para o quarto e retornei rodopiando pela sala com minha saia de carimbó. Fui ovacionada. kkkkkkk. Mas logo saí de cena e retornei para entregar as saias das peruas, da Lu e da Lita. As gurias curtiram muito a surpresa. Vestiram as saias (as duas serviram com exatidão) e dançamos muito na sala, em meio a risadas, fotos e vídeos.

Depois da farra da noite tratamos de nos recolher, descansar, já pensando no dia cheio que teríamos no dia seguinte.

Dia 02 – Nosso café já foi na rua, como fazem muitos paraenses. Escolhemos uma das barraquinhas existentes no canteiro central da Rua Rômulo Maiorana e nos abastecemos com um bom café da manhã. De lá seguimos para o Mercado Ver o Peso, o “Veropa”. Não tinha como inciar um tour em Belém que não fosse com o Ver o Peso, né, que sintetiza o melhor da cultura, da gastronomia, do jeito de viver do paraense.

As meninas claro, gostaram muito do Mercado. Estacionamos perto da Feira do Açaí, onde as gurias conheceram as famosas “garças negras de Belém”, os urubus, né. Conferimos o visual dos antigos casarões da área do porto, os barcos regionais, e adentramos no Mercado do Peixe. As primas impressionadas com o tamanho e a variedade de espécies de peixes. Com destaque para o filhote, claro, o famoso peixe da região.

Depois saímos da Mercado do Peixe e seguimos pelas barraquinhas de água de cheiro com nomes sugestivos e muito divertidos. Avançamos pelos temperos e chás vendidos no Mercado, com uma pausa para um suco de frutas regionais. Depois degustamos cachaça com jambu, conferimos a variedade de farinhas de mandioca, de artesanato paraense e outros setores do mercado.

Subimos no segundo andar do Solar da Beira para admirar todo o complexo e fazer fotinhos, claro.

Em seguida atravessamos a rua para conhecer a beleza do Mercado Municipal de Carnes, com sua imponente estrutura de ferro. Tudo conferidinho, seguimos para a área do Complexo Turístico Feliz Lusitânia.

Estacionamos o carro no entorno da Praça Dom Frei Caetano, conhecida como Largo da Sé, em referência à Catedral Metropolitana de Belém, a Catedral da Sé, nossa primeira parada de visita ali. Depois conhecemos o prédio do Palacete das Onze Janelas e contemplamos o rio. E mais fotinhos. Ainda caminhamos pela área externa, frontal, do Forte do Presépio, mas não entramos, por questão de tempo, a fim de cumprirmos nosso extenso roteiro do dia. Pelo mesmo motivo não visitamos o interior do Museu de Arte Sacra, pois o conheço, é riquíssimo, mas em função da quantidade (e qualidade) do acervo, a visita demoraria muito. Fica para a próxima.

Obviamente que nesse horário, já passando das 11 horas da manhã, sol a pino, o tradicional bafo amazônico, que antecede a chuva do dia, as três suavam em bicas e assim se foram algumas garrafas de água e cocos.

Mas quem pára essas gurias? Égua do calor? Que nada! Seguimos.

Nossa próxima parada foi no Parque Zoobotânico Mangal das Garças, outro ponto obrigatório para minhas visitas aqui em Belém. Tipo “tem que ir”. Então fomos, né.

Circulamos por todas as áreas do parque, fizemos o avistamento das garças, guarás, patos, cisnes e flamingos moradores dali. Mais fotinhos no trapiche que leva ao mirante do rio. E quando a fome apertou e praticamente derretíamos no bafo corremos para o ar condicionado do carro e seguimos rumo ao Restaurante Ver-O-Açaí, reconhecido por oferecer gastronomia paraense de qualidade.

Adoro esse restaurante, por vários motivos: pela decoração original, toda voltada à cultura paraense, pelo belo mural pintado ao fundo, e obviamente, pela comida. As gurias também aprovaram. Incluindo a cerveja da casa, a Ver-a-Cerva, bem gelada. Delícia. Nos fartamos de comer e descansamos do tour da manhã.

Já na metade da tarde deixamos o Ver-O-Açaí rumo à Praça da República. Tínhamos a intenção de fazer uma visita guiada no interior do belíssimo e recém restaurado Theatro da Paz, localizado na Praça. Qual foi nossa surpresa quando descobrimos que não haviam visitas no sábado. Mas pode isso, gente?

Mas antes que lamentássemos qualquer coisa, por não podermos visitar o interior do Theatro, a Lu foi ver de pertinho anúncios de eventos no teatro e descobriu que na noite que seria nosso retorno da Ilha do Marajó estava prevista um show de nada mais, nada menos, do que Fafá de Belém! Sério isso, gente?!

Somos “chicas de mucha suerte” mesmo. O fato é que as peruas estariam em Belém do Pará na noite em que Fafá de Belém faria seu retorno ao palco, o primeiro pós pandemia. E onde? No Theatro da Paz. Sem mais palavras, né. Compramos os ingressos na hora (apenas 30 reais cada) e saímos da bilheteria exultantes.

Nos tocamos para a Estação das Docas. Enquanto aguardávamos o horário da saída do barco que faz o passeio no Rio Guamá circulamos pela área da Estação. No final da tarde, 17 h 30 min, embarcamos no lindo barco da empresa Valeverde Turismo.

Esse passeio eu acho muito bacana, por apresentar a música e as danças típicas do Estado do Pará. E gosto muito da guia desse passeio, uma pessoa muito animada, divertida. Infelizmente choveu durante o passeio (cenário típico de Belém) e não tivemos nesta ocasião aquele pôr do sol de arrasar no rio. Mas ele veio, dias depois. Mesmo assim, o passeio estava muito legal, porque no itinerário o barco vai circundando a parte histórica de Belém enquanto a guia vai indicando pontos interessantes e curiosidades referente à cidade.

Já eram 19 h 30 min quando atracamos de volta do passeio. Entramos no carro e retornamos para casa. Mas o dia não tinha acabado para nós, não. Longe disso.

Foi só o tempo de chegar em casa, tomar um banho, trocar de roupa, se embelezar e partiu para a noite de Belém! Fomos todos, inclusive minhas meninas, o Lu e o Thiago, para o Espaço Cultural Apoena. Até então eu não conhecia o lugar, mas achei legal. Comemos uns petiscos por lá e curtimos um show de carimbó com a Cia de Música Carimbó de Bolso. Obviamente que não nos contentamos em escutar a música, mas também inauguramos o “baile” da noite, agitando nossas saias no salão, sendo seguidas pelos demais frequentadores.

Quando a pilha começou descarregar, dando sinais de falência (encerrando o dia, friso) fomos pra casa e simplesmente desmaiamos nas camas, já com o despertador ajustado para cedo da manhã.

Dia 03 – Acordamos cedinho, tomamos café, organizamos nossas bolsas com itens para um dia de praia e nos apertamos dentro da Spin (apenas 8 passageiros!) até o porto de Icoaraci. Estacionamos o carro por lá, compramos os tickets para o barco e aguardamos a partida.

Navegamos em torno de uma hora até a Ilha de Cotijuba, sentindo o frescor da brisa do rio. Eu já estive outras vezes na ilha e gosto muito, especialmente da Praia de Vai Quem Quer e o divertido transfer até lá, que se faz a bordo de uma “motorrete”, uma típica invenção paraense, misto de moto com charrete. Sempre rende boas risadas.

Ficamos curtindo a praia até a metade da tarde, almoçamos muito peixe e depois fizemos o caminho de volta, ou seja, motorrete, barco e carro, até chegar em casa. Acabadas de tanto cansaço, jantamos em casa: peixe com açaí. Oportunidade para as gurias degustarem o verdadeiro açaí do Norte, que aqui se come como acompanhamento de pratos salgados, especialmente peixe e charque. Aprovaram!

Ainda reunimos forças para organizar as mochilas para nossa nova aventura, que iniciaria na manhã seguinte.

Dia 04 – Acordamos cedinho, tomamos café e chamamos um Uber. Destino: Terminal Hidroviário de Belém. É de lá que partiu a lancha que nos levou à Ilha de Marajó. Nós já havíamos comprado nossos tickets no sábado e só tínhamos que embarcar. Até aí tudo tranquilo. Mas depois…

Optei por seguir para Soure numa lancha rápida da empresa Expresso Golfinho, pois faz o trajeto mais rapidamente, previsão de 1 hora e meia de travessia. Sentamos nos assentos da parte da frente da lancha.

O horário de saída foi pontual, 8h 15 min e tudo corria bem até sair da área da baía do Guajará. Quando a lancha avançou para área mais aberta, com grande volume de água, o negócio começou a complicar.

Como sentamos na parte da frente da lancha, quando esta ganhou velocidade, ela “batia” muito. E a água estava excepcionalmente “mexida”, revolta, conforme os funcionários da embarcação explicaram. Resumo da ópera: quase todos os passageiros da lancha “marearam” (termo do mar para uma travessia de rio, mas pra me fazer entender), inclusive a Lu e a Lita.

Passado o episódio a gente lembra e ri, mas no momento foi agoniante ver as primas passando mal, nauseadas, vomitando, pálidas. E o pior que em função das condições de navegação o piloto teve que diminuir a velocidade da lancha e a viagem demorou uma hora a mais do que o previsto.

Enquanto isto, não havia saquinho de plástico que chegasse. Os funcionários da empresa corriam de um lado para o outro alcançando as abençoadas sacolinhas plásticas, oferecendo guardanapo com álcool, na tentativa de amenizar o mal estar dos viajantes. Uma cena que mesclava o cômico e o drama, especialmente para quem estava ali, “botando os bofes pra fora”, como a Lu e a Lita. Coisa feia de ver, viu. Por essa a gente não esperava. Mais uma história de viagem pra contar e gargalhar.

Graças a Deus, eu não passei mal, apenas acompanhei, infelizmente sem ter o que fazer, rezando para que chegássemos logo no porto de Soure.

Por volta das 11 hs 30 min desceram em Soure passageiros pálidos, cansados, que deram de cara com um sol abrasador (Linha do Equador logo ali, né).

Carregamos nossas mochilas até a pousada, localizada próximo ao porto. Antes um pit stop no letreiro de Soure para registrar nossa chegada.

Eu já havia reservado um quarto na Pousada Aruanã, indicação de um amigo que esteve hospedado meses antes no local. Aprovamos. O básico que satisfaz: limpinha, split bombando (importantíssimo!), chuveiro bom, piscina em dia, bom café da manhã. Super ok.

No trajeto até a pousada já definimos local para nosso almoço, o Restaurante Patú-Anú, praticamente em diagonal à pousada.

Fizemos o checkin na pousada, largamos nossas coisas e fomos almoçar. Obviamente, estando na Ilha de Marajó, nossa escolha no cardápio foi pelo filé de búfalo com queijo de leite do bicho também, e acompanhamentos. A carne é macia, um sabor mais marcante que a carne de gado, mas gostoso sim. Pratos bem servidos por preço justo. Recomendo.

Enquanto almoçávamos já pensava no passeio da tarde. Não tínhamos tempo a perder. Bora curtir intensamente o Marajó!

Eu havia planejado para aquela tarde conhecermos as Praias de Caju-Una e do Céu, mas precisávamos de um transporte até lá, pois ficam localizadas distante cerca de 16 quilômetros de Soure, por estradas de terra.

Inicialmente pensei em irmos pedalando, mas a distância e o tempo que gastaríamos – mais de uma hora – e o fator principal, maior solaço, calorão de 30 e tantos graus, me fizeram desistir da ideia. Mas já deixei reservada o aluguel de três bikes para o nosso passeio do dia seguinte, até à Fazenda São Jerônimo e Praia do Pesqueiro. Um viajante que passava por ali nos indicou o aluguel das bikes junto à Ilha Bela Pousada e Restaurante. Feito.

Então terminado o almoço eu resolvi sair pra rua, quase em frente ao restaurante, e parei um dos vários mototáxis que circulam por Soure. A motocicleta deve ser o meio de transporte mais popular na ilha, me pareceu.

Assim nós conhecemos o mototaxista Rafael, um rapaz muito querido e simpático. Perguntei ao Rafael se haviam motocicletas para locar em Soure, pois tive a ideia de alugar uma moto pra circularmos, as três peruas. Rafael respondeu que não conhecia esse serviço, mas ofereceu o seu, afirmou que poderia, junto com colegas, nos levar até às praias, nos aguardariam o tempo que quiséssemos e nos trariam de volta até a pousada. Negociamos o valor e fechamos o passeio. Combinamos o horário das 14 horas para eles nos buscarem na pousada.

Na hora marcada lá estavam Rafael e mais dois mototaxistas buzinando na frente da pousada. Capacete é um item absolutamente descartado em Soure. Se vê como exceção. Bom, “estando em Roma faça como os romanos”. Sacolas no ombro, sentindo o vento no rosto, partimos.

Logo deixamos o asfalto da cidade para trás e adentramos para áreas rurais da ilha. Fazendas, muitas lagoas, manadas de búfalos, guarás com suas penas vermelhas, lindas paisagens se descortinavam a nossa frente. Várias vezes pedimos para os meninos pararem para fazermos fotos.

Quando nos aproximamos das praias, que ficam uma ao lado da outra, adentramos na área de uma fazenda. Ficou evidente porque havia uma porteira e então um funcionário nos parou para dizer que havia a cobrança da taxa de 10 reais, como um pedágio pelo uso da passagem. Rafael disse que conversariam na volta e seguiu. No trajeto ele me falou que de fato essa cobrança não existia por parte da proprietária da fazenda e que seria um “arrocho” do funcionário.

Enfim chegamos na pequena vila de pescadores de Caju-una. Casas simples de madeira coloridas, no estilo marajoara. Não vi restaurantes e pousadas por ali. Achei uma gracinha o lugar. Crianças brincando pela rua, as famílias na frente de casa. Pense num lugar tranquilo. Deixamos as motos no final da estrada arenosa e seguimos caminhando por um curto trajeto. Logo avistamos a praia de Caju-una. Linda, linda… E tudo somente para nós.

Cenário de cartão postal: coqueiros, areia branca fininha, barcos e canoas ancorados e as lagoas formadas pela maré baixa, o mar recolhido lá longe.

Nos banhamos ali perto, fizemos é claro, muitas fotinhos, e ficamos de prosa com o Seu Raimundo, um morador que apareceu por ali. Os meninos nos aguardavam pacientemente.

Quando resolvemos deixar Caju-una a tarde já avançava. Depois dali seguimos para a Praia do Céu, contínua à Caju-una, um curto trajeto de moto. Mais um vilarejo fofinho e uma pequena trilha em meio à vegetação nos levou até à praia. Nesse momento o mar já estava próximo da faixa de areia. Tomamos um gostoso banho de mar, curtimos o lugar e partimos na carona dos mototaxistas fazendo o caminho de retorno à Soure.

Mas esse retorno ainda nos traria emoções. Primeiro foi o pôr do sol de babar no horizonte das terras marajoaras, refletido nas lagoas. Maravilhoso!

Depois tivemos o embate, o bate-boca com o segurança da porteira da fazenda, que não queria nos deixar passar sem o pagamento do tal pedágio. Embora o valor fosse baixo, como os meninos nos convenceram de que não era devido, argumentamos até que o funcionário nos deixou passar no modo free.

Na pousada fomos direto para a piscina, relaxar do dia intenso que tivemos. A água da piscina estava morna, deliciosa, parecia ter aquecimento, de tão quentinha. De fato tinha, mas se tratava do melhor aquecedor, o Sol, nosso astro rei. Depois do banho fomos atrás de nosso jantar. Nos indicaram o Solar do Bola.

Pois olha, fizemos uma boa caminhada até o restaurante. Ainda bem que era noite e havia brisa fresquinha. Só que as pernas das peruas já estavam cansadas. Mas enfim chegamos. No restaurante não nos animamos a comer filé de búfalo novamente e nos resolvemos com uma pizza mesmo.

Pra retornar dividimos mototáxis e logo já estávamos jogadas nas nossas camas na pousada. Dormimos feito anjos. Fomos acordadas pelo despertador na manhã seguinte.

Dia 05 – Cedinho, após o café, organizamos nossas sacolas com lanches e água e caminhamos até à Bela Vista Restaurante e Pousada para retirar nossas bikes que eu já havia reservado. Tínhamos agendado o horário das 8 h 30 min na Fazenda São Jerônimo.

O Google previa quase 6 quilômetros de distância até lá, a serem vencidos em cerca de 17 minutos de pedal. Na prática levamos meia hora. Chegamos alguns minutos atrasadas na sede da fazenda, mas tudo bem.

O pedal iniciou dentro da cidade de Soure e depois seguiu pelo asfalto. Mesmo cedo, sentimos a puxada. Falta de hábito no pedal, muito calor, sol forte. Paramos poucas vezes e logo estávamos na porteira da fazenda. Depois mais um curto trajeto de chão para acessar a sede e estávamos lá.

Deixamos nossas bikes largadas na sombra e fomos recebidas pela filha do Seu Brito, o proprietário da fazenda. Bebemos água, descansamos enquanto ouvimos informações sobre o local e curiosidades, como a realização do programa No Limite, da Rede Globo, lá na fazenda, anos atrás. A Globo retornou à fazenda para cenas de gravação da novela Amor Eterno Amor. A São Jerônimo ficou famosa! Além de nós três também integrava o grupo um rapaz e um casal de São Paulo, com quem fizemos amizade e reencontramos para risadas horas depois, na Praia do Pesqueiro.

Destaco que quando cheguei na sede da São Jerônimo me dei conta que já estive lá, que fiz o passeio anos atrás, quando visitei Marajó com a família. Link para esse passeio aqui Belém do Pará, Ilha do Marajó, Alter do Chão e Manaus – Desbravando a Região Norte – Brasil. Mas claro, adorei retornar. Como já escrevi em outros posts, penso que em momentos distintos da nossa vida, num intervalo de tempo, com outras companhias, o passeio a um mesmo lugar se apresenta sob uma perspectiva diversa. Então… diferente!

Bem, iniciamos o passeio por uma trilha que adentrou pela sombra da mata, onde a guia nos indicava a vegetação e árvores típicas da região, como bacurizeiros e coqueiros. Esta trilha seguiu até a beira de um igarapé, onde um barqueiro nos aguardava com sua canoa.

Durante as remadas pelo igarapé, o silêncio deu permissão para a natureza “falar”. E nós escutamos. E que momento foi esse, gente! Nossa atenção voltada para escutar o barulho do vento nos galhos das árvores, observar o contraste do verde da vegetação com o céu azul, as aves sobrevoando e os macaquinhos pulando de galho em galho… um intervalo no paraíso. Assim eu percebi.

A canoa aportou num banco de areia próximo à praia. A água do mar se mistura com a água do igarapé, deixando-a salobra. Avistamos os búfalos, que nos aguardavam se esbaldando num banho de rio, monitorados pelos funcionários da fazenda.

Enquanto aguardávamos a maré baixar um pouco aproveitamos para nos refrescar num banho delicioso e matamos a sede com água de coco. E que água de coco era aquela … super doce.

Não passou muito tempo e a guia nos informou que estava no momento do ponto alto do passeio: o nado com os búfalos. Na real, não sei se essa afirmação é justa, pois todo o passeio na São Jerônimo é muuuitooo bacana – o passeio de canoa no igarapé, a caminhada na passarela no mangue, a praia, a cavalgada e o nado com os búfalos. Tudo mesmo!

Mas enfim, primeiro assistimos os outros integrantes do grupo fazerem a travessia da vazante do igarapé, um trecho de cerca de 200 metros. Nós seguimos no barco, fazendo fotos e vídeos do pessoal. Já na areia foi a vez de nós montarmos nos bichos e fazermos a travessia inversa. Pensem no misto de emoções: medo, ansiedade, alegria.

A montaria é feita “no pêlo”, como dissemos nós, gaúchos. Se sobe no lombo do bicho e se agarra no couro dele. Os búfalos são enormes, mas muito mansos. E exímios nadadores, eu não sabia. O receio de que os bichos sofram, se afoguem, não faz sentido. A guia nos informou que os búfalos fogem da fazenda para o igarapé para se banharem, se refrescarem, nadarem. Espertinhos eles.

Estávamos de colete salva vidas o tempo todo. E experientes guias seguem nadando ao lado. É uma experiência muito bacana. Na verdade a gente vai boiando, com as pernas esticadas em direção ao rabo do animal, somente segura pelas mãos no couro, próximo ao pescoço. Quando o búfalo alcança as patas no fundo, na areia, a gente monta e sai cavalgando. Na verdade era para ser assim. No meu caso já caí de cima do búfalo antes dele sair da areia e desisti de subir novamente. Mas super valeu a experiência. Show, show!

E o passeio na Fazenda São Jerônimo seguiu. Caminhamos pela areia na Praia do Goiabal, belíssima, uma faixa de areia deserta, emoldurada pelas árvores tortas com as raízes expostas. Muitas paradas para fotos do tipo cartão postal. O marzão ali, o céu azul, as árvores na praia. Seguimos assim até um ponto em que a guia indicou para adentrarmos por uma trilha para o mangue.

Passarelas e toras de madeira permitem que os visitantes passem por cima do mangue. Ao longo do caminho, placas contam algumas das lendas da região. A guia nos indicou também um ponto onde anos atrás se realizou um Festival de Ópera. Ainda existe a estrutura das arquibancadas, já se desmanchando. Fiquei imaginando que incrível deve ter sido para quem teve o privilégio de participar desse evento. Ouvir e assistir ópera no meio do manguezal. Se pode espiar vídeos no Youtube “Banquete Ópera Festival na Ilha do Marajó”.

Impressionante o tamanho do manguezal e suas árvores características. Muitos caranguejos vivem ali.

Depois de passar pelo mangue reencontramos os búfalos, agora com montaria e dali seguimos montadas nos bichos até bem próximo à sede da fazenda. Eu particularmente achei esse trajeto um pouco longo, cansativo. Meu cóccix que o diga. O esfrega esfrega, o rala rala na montaria me deixou como lembrança do passeio uma assadura na região. Já dei muita risada por causa disso, mas o negócio doeu por dias. Perrengues de viagens, não é.

Na sede da fazenda descansamos, tomamos água, as meninas compraram geleias preparadas ali, e conversamos com Seu Brito, que diga-se de passagem, adora uma boa prosa. Muita história pra contar, né.

Quando estávamos nos despedimos do pessoal, inclusive do casal de paulistas com quem fizemos amizade, envolvidas nas últimas fotinhos, uma constatação: o pneu de uma das bikes estava furado, a que a Lu pilotava. Por sorte tinha um mototaxista por ali e já acertamos uma corrida pra ele levar a Lu até a Praia do Pesqueiro, pois nosso plano era curtir a tarde por lá. E o pessoal da fazenda, que estava com uma caminhonete, se dispôs a devolver a bike para a Bela Vista.

Ou seja, o bonde seguiu desenfreado! risos. Sobrou eu e a Lita para um pedal de cerca de uns 5 quilômetros pelo asfalto, por volta das 13 horas da tarde. Pense na situação. Que doideira, peruas!

Reforçamos o protetor solar, nos protegemos como deu e bora no pedal. Ainda bem que o trajeto tinha poucas inclinações, pouco aclive. Precisamos de meia hora para vencer o trajeto. No final fomos “na banguela” por uma descida em curvas. Muito bom, mas já refletimos o que seria o retorno, subida acima. Na hora lancei ao Universo a providência de uma carona, pois depois de todos os agitos do dia, pedalar até à cidade seria um esforço hercúleo.

Reencontramos a perua Lu se refestelando com uma cerveja gelada numa barraca de praia. Largamos as bikes por ali e fomos descansar, almoçar e acompanhar a Lu na cerveja, claro. Estávamos por ali conversando quando passou o casal de paulistas, e a Mari disse: “daremos um jeito de acomodar as duas bicicletas no porta-malas do carro e vocês retornam à cidade de carona conosco”. Gente, o Universo agiu muito rápido!

Aí relaxamos geral né, tranquilas que não precisaríamos pedalar por 10 quilômetros, ainda mais por trajetos de subidas.

Fomos para uma área da praia com cobertura de palha, sentindo aquela brisa gostosa do mar. Eu e a Lu fizemos um cochilo deitadas na areia, para recarregar as baterias. Já a Lita foi caminhar com a Mari. Que energia tem essa perua!

Depois que elas retornaram demos início a nossa sessão de fotos com nossas saias de carimbó, que obviamente vieram nas mochilas para o Marajó. Adornadas por enfeites de flores no cabelo. Quem via certamente imaginou que eramos marajoaras, que dançamos carimbós desde criancinhas. Risos.

Para a coreografia das danças, fotos e vídeos tivemos a magnífica colaboração da Mari e da atendente do Restaurante Coqueiros, a Rizeli, uma gracinha de pessoa. Fizemos uma amizade maravilhosa com ela e depois migramos para o interior da barraca, onde fizemos mais fotos, inclusive com a mãe dela. A barraca é da família, um capricho só em tudo, no atendimento, na decoração, na limpeza. Não comemos ali, mas acredito firmemente que a comida servida não pode ser diferente, ou seja, caprichada.

Ainda fomos fazer fotos nas dunas de areia, tendo o mar ao fundo, a tarde caindo devagar. Tudo muito legal. Cedemos uma das saias para a Mari também ter seu momento “cabloquinha marajoara”. Tudo registrado, claro.

Bem a tardinha a Mari anunciou nosso retorno para Soure. Com a ajuda do querido Paulo acomodamos as bikes no porta-malas do carro, que seguiu aberto né, com as bikes penduradas ali, até a Bela Vista, onde as devolvemos. Chegamos na cidade já era noite. Comemoramos o dia maravilhoso comendo um sorvete feito de leite de búfalo. Delícia.

Nos despedimos do casal de paulistas, agradecemos muito a carona. Sem a ajuda deles nós teríamos passado o maior perrengue no pedal para o retorno à cidade. Trocamos contatos, fotinhos…

Fomos até a pousada e repetimos o ritual do dia anterior: banho relaxante na piscina de água morninha, banho de chuveiro e bora pra rua novamente, atrás de nosso jantar. Recebemos indicação da refeição na Bela Vista mesmo e fomos felizes.

Retornamos à pousada e caímos nas camas, feito mortas, sob as bençãos de Nossa Senhora do Ar Condicionado. Demos Graças!

Dia 06 – Era o dia da nossa despedida da Ilha do Marajó, por isso acordamos cedinho, tomamos café e nos tocamos para a Praia de Barra Velha, que fica próxima à cidade, coisa de uns 4 quilômetros. Já havíamos combinado com os meninos mototaxistas para nos levarem até lá e depois nos buscarem às 11 horas da manhã. O transfer que nos levaria para o barco nos pegaria às 13 horas. Bora aproveitar para curtir Barra Velha.

Deu tudo certo. Aproveitamos bem a praia, que estava bem tranquila, cedo da manhã. O mais legal é que a maré estava na cheia, ou seja, a água do mar bem pertinho da faixa de areia, molhava nossos pés na mesa que escolhemos numa barraca de praia. Banho de mar delicioso, revigorante. Caminhamos por ali, fotinhos, até o horário marcado para os meninos nos buscarem.

Primeiro apareceu apenas um dos mototáxis e nele embarquei e segui para a pousada. A Lu e a Lita ficaram aguardando o outro rapaz, que se demorava. Depois as gurias me contaram que quando ele chegou, logo que iniciaram o trajeto tiveram que parar: acabou a gasolina da moto. Por sorte, assim que eu desci da moto na frente da pousada eu pedi ao mototaxista que retornasse ao local para conferir a situação das meninas. Pois foi com ele que as meninas chegaram à Aruanã. Do contrário teria sido mais um perrengue. Ficou o motatáxi na estrada, sem gasolina. Mas com certeza, logo ele se resolveu.

Na pousada tomamos um banho, organizamos nossas sacolas de viagem, deixamos tudo arrumadinho e novamente fomos almoçar no Restaurante Patú-Anú. Bife com carne bovina desta vez. Já demos por encerrada nossa experiência com a carne de búfalo.

Quando o transporte chegou estávamos prontinhas e nos despedimos do pessoal da Pousada Aruanã. Seguimos num micro ônibus. Primeiro a rápida travessia por balsa sobre o Rio Paracauari. Do outro lado da margem fica o município de Salvaterra. Viajamos por estrada asfaltada por 32 quilômetros até o Porto de Camará onde estava ancorado o barco que nos levou de volta à Belém.

Viajamos de volta à Belém num barco regional, de dois andares, normalmente utilizado pela população da ilha. Diferente da lancha que usamos para chegar à Sore, o grande barco seguiu seu trajeto devagar, sem balançar (leia-se, sem ninguém marear, nausear).

Saímos do porto por volta das 14 h 30 min e aportamos em Belém já eram 19 hs, ou seja, foram mais de 4 horas de navegação. Tempo de sobra para comermos lanche comprado na lanchonete, de saracotearmos pra cima e pra baixo, pra frente e para trás, no grande barco. Até o gente boa do Seu Raimundo, o pescador de Caju-una, nós encontramos, o que rendeu uma prosa. Para nossa alegria fomos brindadas com um magnífico pôr do sol no rio quando nos aproximávamos da capital paraense.

Descemos no Terminal Hidroviário e tomamos um Uber até em casa. Pense no estado de exaustão das pessoas em virtude de tudo o que vivemos num único dia: tempo de viagem de barco, acordamos super cedo, tomamos banho de mar, etc, etc, etc. Mas enfim, entramos dentro de casa correndo, tomamos uma ducha rápida, trocamos de roupa e novamente saímos, tendo como destino o Theatro da Paz. Era a noite do show de Fafá de Belém.

Fizemos fotinhos na fachada e no interior do belíssimo teatro e depois tomamos nossos assentos para curtir o show da Fafá. Ela obviamente arrasou com sua presença de palco, vozeirão, esbanjando simpatia e carisma. Grande artista!

A questão que as baterias das peruas estavam descarregando rapidamente. Confesso meio encabulada: rolou uns cochilos durante o show, especialmente durante as músicas com melodia mais suave. Mas a conclusão é que adoramos o show. Uma oportunidade única e inesquecível, com certeza.

Quando terminou o show retornamos para casa. A Lu e a Lita estavam tão cansadas que nem jantar quiseram. Seguiram direto para o quarto dormir. E a Lita ainda tinha seu vôo de retorno cedo da manhã. De arrepiar as penas das peruas!

Dia 07 – Lita acordou cedinho e se apresentou na mesa do café prontinha com sua mala. Seguiu de carona para o aeroporto com o amore Lu. Hora dos abraços, da despedida. Muito bom tê-la conosco, perua Lita. Foi incrível. Tua companhia engrandeceu nossa aventura nestas terras.

A Lu tinha seu vôo à tarde. Cogitei dar mais umas voltas com ela por Belém, mas as duas concordaram que era hora de “sossegar o facho” porque a tarde a Lu começaria a maratona de vôos e ônibus até chegar em sua casa. Fizemos bem.

Nos contentamos em ir até uma confeitaria tomar um café da tarde antes de rumarmos para o aeroporto.

Me despedi da perua Lu com um abraço apertado e lágrimas nos olhos. Que benção foi tê-la junto a mim esses dias, vivendo aventuras, compartilhando emoções. Mas certa que logo teremos outras e mais outras juntas.

Planos de viagem sobram para essas peruas. E se Deus quiser, e sob as bençãos de Nazinha, Nossa Senhoria de Nazaré, vamos concretizá-los. Disposição não nos falta. Bora, peruas?

Um comentário em “As peruas aterrissaram no Pará: Roteiro da visita das primas – Pará – Brasil

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