Brasil · Casinha sob rodas

Road Trip brasileira 2022 a bordo de Frida, nossa Casinha sobre Rodas – Brasil

Esta viagem com a Frida, nossa Casinha sobre Rodas, iniciou dia 17 de dezembro de 2021, quando partimos de Belém rumo ao Rio Grande do Sul. Nosso objetivo era fazer esse trajeto para o Sul da forma mais rápida possível, pois queríamos chegar em Ijuí, nossa cidade de origem, onde estão meus familiares e os do Lu, a tempo de curtir com eles as festividades de final de ano, Natal e Réveillon. No meio do trajeto deixaríamos Thiago com familiares numa praia próxima à Criciúma/SC. Nos acompanharam nesta trip nossos pets Cora e Chiclete.

Diga-se de passagem que saímos em viagem no dia seguinte a minha chegada em Belém após 15 dias de mochilão, viagem que relatei em vários posts anteriores a este, para ler entre no link Mochilão Brasil 2021: Pará, Maranhão e Piauí – Brasil. Então, pensem… cheguei no final da tarde do dia 16 no aeroporto de Belém, com minha mochila. Chegando em casa tratei de lavar tudo (bendita máquina de lavar roupas) e na mesma noite já comecei a organizar malas e muitas tralhas que levaria para o Sul no dia seguinte. Só rindo, né. Pessoa wanderlust não é fácil. Pense no meu cansaço… Mas afinal, deu tudo certo.

Ajeitamos tudo o que queríamos carregar na Frida para o Sul (presentes de Natal, lembrancinhas do Pará, etc) e partimos da capital paraense após o almoço. Já adiantamos um pouco da viagem nessa saída da região metropolitana de Belém que sempre é complicada, trânsito congestionado, bem pesado.

Paradinha para registrar o belo pôr do sol na Rodovia Anhanguera, no Estado de São Paulo

Chegamos no nosso destino – Ijuí/RS – 5 dias depois. Foram cerca de 4.300 quilômetros nesta etapa da viagem. Viagem boa, sem maiores problemas (apenas um pneu estragado, adquirimos outro, e ajuste no sistema de freios, coisas que acontecem na estrada). No trajeto, mesmo que de forma rápida, encontrei familiares, alimentei meus afetos, pessoas que eu não via já a algum tempo, e foi muito legal.

Eu e o Lu permanecemos por 10 dias junto aos nossos familiares e amigos, matando as saudades, após um ano de nossa partida do Sul.

No dia 01 de janeiro de 2022, exatamente na mesma data de nossa partida um ano atrás, em 2021, novamente deixamos nossa cidade de origem para trás. Agora eramos nós dois e nossos peludos Cora Coralina e Chiclete a bordo de Frida. E diferentemente do ano anterior, tínhamos mais tempo para fazer o trajeto de retorno à Belém, cerca de 20 dias. Estávamos animados com essa perspectiva.

A nossa ideia inicial de viagem para esse período era irmos para Mendoza, Argentina, com a Frida. Afinal, adoramos o mundo da vinicultura, a paisagem de Mendoza (onde já estive por duas vezes links aqui Mendoza – Argentina “Pelos caminhos do vinho” e De volta à terra do Malbec – Mendoza – Argentina), os vinhedos, as bodegas, e tudo relacionado ao tema “vinho”. Sonhava em abarrotar o depósito da Frida com os maravilhosos malbecs argentinos. Mas com as incertezas com relação à pandemia do corona vírus ainda presentes, as exigências do governo argentino, que solicitava testes e mais testes de PCR, fez com que não desistíssemos, mas adiássemos, esse projeto. Concluímos que não era um bom momento de sairmos do país. E hoje penso que foi uma decisão acertada. Até porque tem muita coisa do nosso país que ainda desconhecemos. Então para diminuir um pouco essa conta, esse débito, com as maravilhas da terrinha, fomos conhecer um pouco mais o nosso torrão.

Começamos nossa road trip com uma parada na praia de Capão da Canoa, no Rio Grande do Sul ainda, com o intuito de fazermos uma surpresa para minha dupla de mocinhas – Sara e Sofia – que estavam veraneando por lá e comemoravam o aniversário. Precisava dar uma afofada nos meus nenéns nesta data especial. Chegamos de manhã, almoçamos um gostoso churrasco e partimos no final da tarde, em direção ao Estado vizinho de Santa Catarina. A noite caía e a chuva nos acompanhou no trajeto pela BR 101.

Tínhamos como primeiro objetivo visitar a cidade de Urubici, na Serra Catarinense. Para isso estudamos um trajeto que contemplasse a linda Serra do Rio do Rastro. E assim foi. Fizemos uma paradinha para os dogs caminharem num bonito parque público na cidade de Criciúma e seguimos em direção à Serra.

Foi emocionante percorrer a Serra do Rio do Rastro com a Frida, que venceu a árdua subida, com muitas curvas beeem fechadas, com valentia. E ainda tivemos a graça de sermos contemplados com um lindo dia de sol. Imagens lindíssimas do verde da vegetação na serra contrastando com o azul do céu. Uma beleza só. Desde aí fui lotando a memória do meu celular com muitas fotinhos.

Quando enfim vencemos as curvas da estrada, paramos lá no alto, no Mirante. Mais fotos, inclusive do drone. Show!

Nos aproximamos de Urubici pela SC 430 (rodovia que liga São Joaquim, Urubici e a Serra do Rio do Rastro) perto do meio-dia. Nem entramos na cidade. Antes dela já pegamos o acesso por estrada de terra para o Parque da Cachoeira do Avencal.

Nos instalamos com a Frida numa sombra (fazia muito calor) fizemos nosso almoço e depois fomos conhecer os atrativos do Parque. A cachoeira tem 100 metros de queda livre, pode ser visitada por cima e por baixo. Na parte de cima há várias atrações e atividades, são 4 mirantes nos 2 lados da queda (um deles de vidro), além de uma réplica da Pedra Furada para fotos. Tem também um balanço, um lago e pousada.

O parque da Cascata do Avencal dispõe também de atividades radicais (pagas à parte). Há uma tirolesa menor, uma maior que passa acima da cachoeira e cabos de aço para se equilibrar passando no penhasco da queda , para os mais corajosos.

A entrada no parque custa R$20 por pessoa e dá direito a visitar a Cascata do Avencal, por cima e por baixo, além da Cachoeira Mundo Novo.

Na parte de cima o acesso é fácil, se chega de carro até a cachoeira. Já a parte de baixo o acesso é por uma estrada de terra de 4 km, próximo à entrada da cidade. O final é por uma trilha de 400 metros sobre pedras que se tornam escorregadias próximas à cascata. Nos divertimos nessa trilha porque estávamos com nossa dupla peluda.

A Cachoeira Mundo Novo é uma queda de aproximadamente 50 metros, com acesso pelo parque da Cascata do Avencal. O destaque desta cachoeira é a trilha para chegar a ela, repleta de uma floresta com enormes xaxins.

Mais adiante da Cascata do Avencal, seguindo pela estrada, fomos conhecer a cachoeira Papuã, que é das últimas novidades como ponto turístico de Urubici. A queda d’água, anteriormente escondida ganhou um parque e um mirante espetacular.

Passarelas com 300 metros de extensão terminam em um mirante de vidro para cachoeira e cânion. A plataforma fica acima de um penhasco de 120 metros de altura e de onde se avistam as duas belíssimas quedas d’água. Na ocasião estavam com baixo volume de água, mas mesmo assim a paisagem era bem bonita.

O parque fica a 10 km do centro de Urubici, a 2,4 km da Cascata do Avencal. Possui excelente infraestrutura e funciona todos os dias, das 08 às 18h. O ingresso custa R$20 por pessoa (ref. ano de 2021).

Quando fomos visitar a parte de baixo da Cascata do Avencal fizemos uma parada no mirante da cidade, que fica às margens da SC 430, a 4 Km do centro, no sentido São Joaquim. Localizado em uma curva fechada, na descida da serra, o local oferece uma vista completa da cidade de Urubici.

Por fim dormimos dentro da área da Cascata do Avencal, ouvindo o barulho da chuva que caía lá fora. Antes preparamos nosso jantar e bebemos vinho. Parecia que era somente nós ali no parque à noite além dos funcionários residentes. Felizmente no dia seguinte o tempo amanheceu sem chuva, o sol querendo aparecer por entre as nuvens.

Passamos na cidade de Urubici para fazer compras no supermercado e já aproveitamos para conhecer a linda igreja central da cidade. Inaugurada em 1973, em estilo gótico, a igreja matriz de Urubici, Nossa Senhora Mãe dos Homens, é uma das maiores do Estado. Um detalhe curioso é que a igreja possui 4 entradas semelhantes. Na sua parte frontal há uma bela praça.

Fizemos uma parada no Posto Serra Azul, com sua temática incrível, retrô, toda estilizada no automobilismo. O local conta com bar, café, restaurante, lojinha de souvenirs, além do próprio ambiente que é um show.

Em seguida fomos tomar café numa padaria que nos foi indicada, e depois da barriga cheia, iniciamos os passeios daquele dia.

A primeira parada foi na Gruta Nossa Senhora de Lourdes, que é uma gruta natural encravada nas rochas que também conta com uma pequena queda d’água sobre ela. No local foi construída uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes.

O incrível é que a capela fica atrás da cascata. Além da parte inferior há um outro nível, acessível por uma escadaria, onde é possível subir. O acesso é fácil, fica a 500 metros da rodovia que leva para Serra do Corvo Branco, a 11 km do centro. A entrada é gratuita. Gostei muito dali, local bem conservado, um lugar de paz, de oração.

Na sequência pegamos a estrada que leva ao Morro da Igreja, que é o ponto culminante habitado da Serra Geral com 1822 m de altitude. No local funciona uma base de monitoramento aéreo dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde a Aeronáutica instalou o CINDACTA II.

Do alto do morro é possível, em dias de céu claro (não foi o caso durante nossa visita) enxergar o Litoral Sul Catarinense. Na sua frente, chama a atenção a Pedra Furada. Escultura natural cartão-postal da cidade. A pedra tem uma abertura de 30 metros de circunferência.

Quando chegamos no mirante, na metade da manhã, ainda conseguimos avistar a Pedra Furada, bem na frente, mas em pouco tempo a neblina fechou, tomou conta da paisagem. Então fica a sugestão: melhor ir cedo. Haverá mais chance de pegar o tempo aberto e observar com calma a paisagem. Se bem que tratando-se de clima, de natureza, é absolutamente imprevisível.

Todos os anos no inverno há ocorrência de neve no Morro da Igreja. Em 1996 foi registrada a temperatura mínima recorde no Brasil, de 17,8 ºC negativos e 40 ºC negativo de sensação térmica por causa dos ventos. Baixas temperaturas são comuns no local, mesmo no verão. No dia que visitamos o clima estava ameno (mas eu que sou friorenta, vestida com um casaquinho corta vento, claro).

Não há cobrança de ingressos, porém, o acesso ao Morro da Igreja é limitado e feito sob agendamento, devido à pequena quantidade de vagas de estacionamento.

As autorizações devem ser realizadas através do site da ICMBIO e depois retiradas em Urubici, na sede do Parque Nacional de São Joaquim. Av. Pedro Bernardo Warmling, 1542, entre as 08:00 e as 12:00 e entre as 14:00 e as 16:00.

O Morro da Igreja é o mais conhecido dos lugares para se visitar em Urubici, fica a 26 km do centro, com acesso todo asfaltado.

Na sequência fomos conhecer a Cascata Véu de Noiva, que fica no caminho para o Morro da Igreja, a 29 km do centro da cidade. O acesso é todo asfaltado, exceto os 800 m dentro da propriedade. O local oferece também pousada e restaurante.

Trata-se de uma bela cachoeira onde a água escorre por uma parede de pedra parecendo o véu de uma noiva. A cascata fica em propriedade particular, onde também há uma tirolesa e trilhas onde se tem acesso à outra cachoeira. Eu e o Lu nos divertimos na tirolesa. Elevou o nível da nossa adrenalina naquela manhã. E ainda exercitamos as pernas subindo e descendo escadas para ver outra linda cachoeira situada junto à tirolesa.

Por fim fomos em direção à Serra do Corvo Branco. Esta eu tinha muita curiosidade em conhecer ( e medo também). E ela em nada decepcionou as minhas expectativas. É uma estrada cênica, formada por um emaranhado de escarpas e montanhas. No início da descida fica o maior corte em rocha no Brasil, com 90 metros de altura.

Neste local, no corte da rocha, estava a maior muvuca. Muita gente fazendo fotos, carros, caminhões e motocicletas descendo e subindo pela estrada. Um agito só. Nós também fizemos as nossas fotinhos e ali mesmo decidimos descer a Serra com a Frida.

Um misto de emoção e apreensão após ter lido os vários relatos sobre a estrada e suas tantas curvas e paisagens incríveis. Mas… bora lá!

Pois na primeira curva (fechadíssima) da serra tivemos um problema com a Frida. Em virtude da circulação das pessoas na pista o Lu teve que fazer uma manobra e a Frida beijou o guardrail. E ali empacou. E os carros foram se enfileirando na pista no sentido contrário. Paramos o trânsito na serra. O povo assistindo e filmando o incidente. Fiquei tão nervosa com a situação que esqueci de filmar, de fazer fotos. Felizmente, com a ajuda braçal de outros motoristas não nos demoramos ali, o Lu conseguiu manobrar a Frida e prosseguimos no trajeto da descida. Haja coração! Realmente a estrada é bem hard.

Apenas 600 metros da serra são pavimentados, em sua parte mais crítica. Antes da primeira curva fechada, há um mirante para se tirar belas fotos. Não é possível passar com veículos de grande porte por causa de suas curvas fechadíssimas de 180 graus. A Serra do Corvo Branco fica a 27 km do centro da cidade de Urubici.

Tensão na descida da Serra

Fomos fazendo umas paradas na serra para fotos e para admirar a paisagem. E felizmente chegamos lá embaixo, no final dela, inteirinhos, inclusive a Frida. Mais uma experiência, mais um check in realizado. Graças a Deus e ao super “motora” Lu!

Paradinha no meio da serra para apreciar a paisagem
Já la´embaixo a sensação de vitória
Frida dominou a Serra do Corvo Branco

Seguimos viagem por asfalto, passando por várias pequenas cidades do interior de Santa Catarina e dormimos num posto de combustível no trajeto (foi assim na maioria das noites nesta road trip).

Na manhã seguinte fomos visitar a cidade de Nova Trento. Eu queria conhecer o Santuário de Santa Paulina. Gostei muito da cidade e da estrutura do Santuário. Nos instalamos com a Frida num estacionamento que permaneceu vazio, achamos uma bela sombra onde preparamos nosso café enquanto roupas secavam ao sol, num varal improvisado. Depois fomos assistir a missa na catedral.

Na saída da cidade paramos numa vinícola para comprar vinhos da produção local e ganhamos um CD de música gaúcha do músico que estava por ali. Bem legal! Seguimos viagem ao som de música regional bem “gaudéria”.

De Nova Trento seguimos para Brusque, onde preparamos nosso almoço na praça bem em frente ao prédio da Prefeitura Municipal de Brusque e outros prédios públicos. Interagimos com um pessoal que passava por lá e a Frida, como sempre, chamava a atenção.

A tarde seguimos para Blumenau. Visitamos o Parque Germânico, onde bebemos cerveja e nos vestimos com roupas típicas como “autênticos alemães”, para registrar nossa passagem por lá. Caiu uma chuva no finalzinho da tarde.

Meio perdidos sobre onde passaríamos a noite chuvosa, decidimos sair de Blumenau. A verdade é que cidades grandes me deixam nervosa. Não curto o trânsito, o movimento intenso, ainda mais estando motorizada. Enfim, depois de uma rápida pesquisa na net seguimos para a Vila de Itoupava. Que maravilha de decisão! Acertadíssima!

Chegamos na vila no final da tarde, ainda com chuvisqueiro fininho caindo. Passamos no supermercado comprar alguns itens e fomos procurar algum lugar para passarmos a noite. Foi assim que nos deparamos com o prédio da Sociedade Primavera e lá dentro estava o casal Dix e Adriana, que são os responsáveis pelo atendimento no clube (e são integrantes da diretoria).

Chegada na Vila Itoupava ao cair da noite
Acolhidos na Sociedade Primavera

Itoupava é um distrito de Blumenau criado em 1943, que traz em seus costumes e cultura, as origens alemãs de seus moradores, em sua maioria descendentes de alemães (algumas famílias vieram ainda na época do Dr. Blumenau). Considerado o pedaço mais alemão da cidade, ali todos falam o idioma de seus antepassados e até os postes são pintados com as cores da bandeira da Alemanha.

As casas mantêm o estilo enxaimel com jardins e gramados bem cuidados. Para completar o pacote, paisagens bucólicas de interior, que sempre me deixam encantada.

Bom, voltando a noite que passamos instalados em frente ao Clube Primavera, ao lado da Feira do Produtor… Interagimos alegremente com o casal Dix e Adriana, bebemos cachaças artesanais (autoria do Dix), chopp e comemos gostosas chuletas preparadas por Adriana. Pessoas muito amáveis e acolhedoras, exemplares no quesito hospitalidade e simpatia. Foi Dix que providenciou uma tomada com eletricidade, garantindo uma noite agradável, com ar condicionado bombando. Mais amigos conquistados! Uma alegre lembrança de uma noite chuvosa na Vila Itoupava.

O Lu faceiro misturando chopp e cachaças artesanais

Na manhã seguinte acordamos com o movimento da Feira do Produtor ao lado de onde estávamos estacionados. No nosso “quintal” temporário, o barulho das águas de um córrego cristalino nos alegraram, bem como as flores plantadas no entorno. Fomos caminhar pela vila, observando os prédios característicos e tomamos café na Restaurante, Padaria e Hotel Ruvias, que nos serviu iguarias, pães doces recém tirados do forno. Delícia!

Nosso quintal na Vila Itoupava
Casinhas fofas espalhadas pela Vila

Depois, já a bordo de Frrida, fomos conhecer outro ponto turístico na Vila Itoupava, que foi a primeira cervejaria de Blumenau, a Cervejaria Feldmann. Sua fundação data de 1898, e suas atividades funcionaram num prédio histórico até o ano de 1978. Hoje ele abriga o Centro Cultural da Vila Itoupava.

Primeiro fizemos uma trilha curta na mata atrás do prédio que leva a uma queda d’água. Depois uma visita guiada no interior do prédio do Centro Cultural. Por fim ganhei da simpática funcionária um quadro muito representativo sobre a cultura alemã no Brasil. Show! Amei tudo!

Feliz com o presente que ganhei. Lembrança de Vila Itoupava.

Com a visita ao Centro Cultural demos por encerrada nossa estada na Vila Itoupava. Mas na saída da cidade ainda fizemos duas paradas em fábricas de licores, típicos da região. Por fim partimos em direção à Pomerode, carregados de garrafinhas contendo “poções mágicas”.

Utilizamos uma estrada vicinal, de chão batido, para seguir para Pomerode. Adorei observar as paisagens rurais, com as casas e os jardins caprichados mantidos pelos moradores. Mais fotinhos!

Gente, o que é essa casinha?!

Chegando na cidade de Pomerode constatamos porque ela é considerada a cidade mais alemã do Brasil. Facilmente dá para notar isso não só pelos traços da população, mas também por sua arquitetura.

É lá que se pode encontrar o maior acervo de construções enxaimel fora da Alemanha. Então nos tocamos com a Frida para a Rota Enxaimel. Nesta rota encontramos muitas casas em estilo enxaimel, que é uma técnica de construção onde as paredes são montadas com hastes de madeira encaixadas entre si. Os espaços são preenchidos com tijolos ou pedras e o telhado é inclinado, dando um toque ainda mais encantador. Essas casinhas super charmosas nos proporcionam a sensação de estarmos na Europa.

Também fomos ao Portal Turístico Sul, que é parada obrigatória para quem visita a cidade, sendo um de seus principais cartões postais. Foi inaugurado em 1991 e abriga o Centro de  Informações Turísticas e uma lojinha de artesanatos localizada no segundo andar. Comprei lembrancinhas lá.

Decidimos estacionar na praça que fica atrás do Portal e preparamos o almoço daquele dia.

Depois fomos conhecer o Museu Pomerano. Ele é pequeno, mas super interessante. Nele podemos conhecer o dia a dia dos primeiros colonizadores da cidade. Estão expostos móveis, documentos históricos, peças de vestuários e várias carroças usadas na época, como a do leiteiro, a carroça fúnebre, entre outras.

Quase em frente ao Museu fica a Cervejaria Schornstein. Ao lado da fábrica, funciona o bar oficial:  Schornstein Kneipe, que possui uma chaminé de 30 metros de altura feita de tijolos. Essa é a origem do nome Schornstein, que, em alemão, significa chaminé. Obviamente tomamos umas cervejinhas produzidas ali dentro da Lei de Pureza Alemã e umas linguiças típicas para acompanhar.

Ao lado do Schornstein Kneipe fica a Praça Torgelow. Essa praça foi inaugurada no ano de 2010 para comemorar os 180 anos da imigração alemã em Santa Catarina. Suas esculturas de bronze foram elaboradas pelo artista José Batista. A obra retrata o trabalho em Pomerode, com a representação do homem com a enxada e a mulher frente à educação dos filhos. Demos uma rápida espiada. Bem como no Tetaro Municipal, que fica em frente. Achei o prédio muito bonito, mas infelizmente estava fechado. Só observamos seu interior pela grande vidraça frontal.

De Pomerode seguimos para Jaraguá do Sul. Tínhamos indicação de que em frente ao Parque Malwee havia uma área free para estacionamento de motorhomes, com água, luz e banheiros limpos à disposição. Chegamos no local na metade da tarde. Realmente o local é muito bom. Compartilhamos o grande estacionamento com outros campistas que já estavam ali. Aproveitei a boa estrutura para lavar roupas e para descansar. Fizemos janta na Frida e dormimos tranquilamente.

Colonizada por imigrantes europeus, especialmente alemães, Jaraguá do Sul possui traços em sua arquitetura, que pode ser visto em várias casas em estilo enxaimel que visualizamos na cidade e também na cultura, costumes, culinária e musicalidade.

Enquanto os museus e prédios históricos contam a história dos colonizadores, os parques e praças, como o parque Malwee, são as opções de lazer. Fora da cidade o Morro da Boa Vista e a Chiesetta Alpina são os melhores mirantes no topo das montanhas.

Nós aproveitamos que o Parque Malwee estava ali, bem na nossa frente, e de manhã cedinho, fomos caminhar com nossa dupla peluda no entorno dos lagos e dentro na grande área arborizada. O parque é a principal área verde da cidade de Jaraguá do Sul. Inaugurado em 1978, o parque foi criado pelo fundador da empresa Malwee (malhas e camisetas) como uma grande área de preservação.

A área do parque compreende uma reserva ambiental, com lagos, plantas exóticas, um labirinto, espaços para prática de esportes, churrasqueiras, museus, restaurantes, e muito mais. Bem bacana.

Na entrada do Parque fica o Museu Wolfgang Weege, uma casa no estilo enxaimel construída em 1938. Só observamos seu exterior, pois estava fechada.

Levantamos nosso acampamento do estacionamento de motorhomes e fomos conferir a Praça dos Imigrantes, onde também situa-se o Centro de Informações Turísticas de Jaraguá do Sul, instalado em uma bela construção enxaimel alemã. Na mesma praça fica a Casa do Colonizador, um museu cercado de grades onde estão expostos antigos utensílios agrícolas utilizados na época da colonização da cidade.

Em nossas andanças por Jaraguá do Sul o Google Maps nos conduziu por uma estrada muito íngreme e com grande inclinação, cheia de curvas, sempre para o alto. Frida se destacou por sua valentia, como sempre. Lá no alto fomos recompensados. Que linda é a Chiesetta Alpina! Trata-se de uma pequena igreja erguida no alto de uma montanha, de onde se tem uma espetacular vista da cidade. A capela consagrada ao Cristo dos Alpes foi inspirada na Igreja de São Simão, da Província de Belluno, Itália, de onde vieram muitos imigrantes. O pátio em frente à igreja funciona como um mirante da cidade. Para fotos da igreja com a cidade ao fundo basta subir no morrinho que fica ao lado da estrada que leva ao Morro da Boa Vista.

Sobre o Morro da Boa Vista, que fica seguindo a mesma estrada que nos conduziu à Chiesetta Alpina, decidimos deixar para uma próxima, porque o céu começava a ficar encoberto e achamos que não enxergaríamos muito mais coisas do que a visão que tínhamos da Chiesetta.

Assim nos despedimos de Jaraguá do Sul e novamente pegamos a estrada, agora rumo ao litoral de Santa Catarina: São Francisco do Sul.

Contornamos a cidade de São Francisco e seguimos em direção às praias. Nosso objetivo era chegar no Forte Marechal Luz. Trata-se de uma construção histórica do inicio do século. É uma unidade militar que hoje está aberta à visitação. O forte foi construído no topo do morro e possui uma bateria de artilharia com canhões, trincheiras, paióis, onde se tem uma vista deslumbrante da Baía de Babitonga e do Oceano Atlântico.

Vista do alto do Forte Marechal Luz

Nos instalamos no camping do Forte e curtimos a estrutura do local. Adorei encontrar máquinas de lavar roupas à disposição. Roupas limpas, em dia!

Cora e Chiclete curtindo o camping

Fomos conhecer a Praia da Enseada e na sequência a Prainha. O tempo, que a princípio estava com sol, nublou e então decidimos ir almoçar na cidade de São Francisco do Sul e bater perna no centro histórico. Almoçamos uma gostosa feijoada no Bar e Restaurante Deck 20, contemplando uma linda vista da baía.

Nosso quintal na Praia da Enseada

Barriga cheia, fizemos uma caminhada pelo Centro Histórico, situado às margens da Baia de Bapitonga. Reúne um conjunto de 150 prédios históricos, formando um belo cenário. Entre os quais destacam-se a Igreja Matriz, grandes casarões bem conservados e o Museu do Mar. Do deck de madeira que avança em direção ao mar tive uma visão de cartão postal do casario colonial. Rendeu belas fotos.

Conferimos a Igreja Matriz da cidade – Igreja Nossa Senhora da Graça – construída em 1793 e reformada em 1926. Abriga a imagem de Nossa Senhora da Graça, uma peça de madeira, trazida pelos espanhóis, em 1553.

Fiquei muito decepcionada por não poder visitar o Museu do Mar. Ficou evidente que enfrenta problemas em sua administração, o que atualmente inviabiliza visitas nos feriados e finais de semana. Pode um negócio desses? Que tristeza. Soube que é muito interessante, ocupa amplos e centenários galpões com mais de 7.000 m² à beira da Baía de Bapitonga. Pelo acervo atual o Museu do Mar já é o mais importante da América Latina e será o de maior variedade do mundo. Espero ter mais sorte numa próxima visita à São Francisco do Sul.

Retornamos ao camping do Forte onde novamente passamos a noite. Na manhã seguinte viajamos em direção à Joinville. Fizemos uma parada no Pórtico para registrar nossa passada pela cidade e seguimos pela BR 101 para mais a frente acessar a Estrada Bonita.

A Estrada é um dos roteiros da bela Joinville, possui aproximadamente cinco quilômetros de extensão. Constituída por belezas naturais, pousadas, gastronomia, museus e entretenimentos em meio à natureza. Ela está situada no distrito de Pirabeiraba, às margens da rodovia BR-101. Ela foi fundada em 1885 por imigrantes alemães, que chegaram à região catarinense para trabalhar na construção da estrada de ferro Paranaguá.

Muito bacana foi atravessar a Ponte Tercilio Bilau. A Ponte tem 3 m de altura e 28 m de extensão, está sobre o Rio Pirabeiraba. Recebeu o nome em homenagem a um dos moradores mais antigos da região. É possível tomar banho no rio e realizar piqueniques. A Ponte liga a Estrada Bonita ao Recanto do Diamante, outro lugar adorável na Estrada Bonita.

No Recanto do Diamante tomamos café com pastéis fritos na hora. Um paisagismo muito lindo no lugar, que também é camping. Adoraria ficar um ou dois dias inteiros por lá. Muito fotogênico. Mas tínhamos que seguir viagem. Numa próxima, então.

A visão de um lindo lago e um jardim caprichado fez com que fizéssemos mais uma parada na Estrada Bonita para conhecer o Orquidário Reinheimer. O dono, Oraci Reinheimer, um senhor muito simpático, logo já foi nos mostrando suas plantas e como cuidava delas. O lugar apesar de já ter o encanto de belas orquídeas decorando cada canto, fica ainda mais especial quando você percebe o carinho e dedicação que seu Oraci demonstra ao tomar conta delas. Algo que começou como hobbie em sua juventude e evoluiu até chegar nesse orquidário lindo com inúmeras orquídeas de diversas cores e formato. Não pude sair de lá sem comprar orquídeas. Muito lindas!

Aproveitamos a proximidade com o Orquidário e fomos espiar o Museu Duas Rodas, inaugurado por Rodolfo Gehrmann há mais ou menos cinco anos. Conta com mais de 300 bicicletas e motos de diversos momentos do século XX, procedentes de vários países. Interessante. Garante uma verdadeira viagem no tempo.

Como o Lu tinha acertado uma visita/almoço com um colega em Curitiba tivemos que, a contragosto, deixar a fofinha Estrada Bonita para trás e seguir viagem para a capital paranaense. Metrópole a vista.

Depois de um gostoso almoço com churrasco em Curitiba seguimos para alguns passeios na cidade. O clima estava daquele jeito típico dessa capital – alterando períodos de nublado com chuvisco, friozinho.

Como eu já estive algumas vezes em Curitiba e visitei as atrações turísticas mais conhecidas, links aqui Sete na Frida! Com pit stop em Curitiba/PR – Brasil e Curitiba e Ilha do Mel/PR, optamos por visitar locais inéditos para nós. Foi assim que estacionamos a Fridoca no Parque Tingui, próximo ao Memorial Ucraniano. Achei lindo o prédio e o visual do jardim em frente.

O Memorial Ucraniano foi construído em homenagem ao centenário da imigração Ucraniana em Curitiba. Era o ano de 1891 quando oito famílias vindas da Ucrânia chegaram à cidade e deram início ao processo de imigração que levou mais de 45 mil moradores daquele país à Curitiba.

O memorial é composto de várias casas construídas em estilo bizantino, arquitetura típica da Ucrânia, com destaque para a réplica da Igreja de São Miguel, originalmente construída na Serra do Tigre. Além dela, é possível visitar no local uma pequena exposição de pêssankas, os ovos coloridos pintados à mão e característicos da cultura ucraniana. Na área externa, uma grande escultura faz referência a essa tradição. O espaço é cercado de muito verde, com árvores que formam um bosque digno de contos de fadas.

Comprei pequenas lembrancinhas do local na lojinha de artesanato, fizemos fotinhos e seguimos em direção ao nosso próximo ponto de parada em Curitiba. 

Chegamos no Bosque Alemão quase ao anoitecer, mas a tempo de conferir o local. O Parque oferece aos visitantes um dos mais belos mirantes de Curitiba. Do alto é possível observar a cidade que cresceu junto à exuberante natureza da Serra do Mar. Achei fofinha a fachada da Casa Milla, um dos belos exemplares da arquitetura alemã na cidade. Ainda mais estando enfeitada para o Natal.

Um detalhe especial do parque que muito me agradou foi a trilha em meio à mata fechada simulando o conto João e Maria, dos irmãos Grimm. Eu e o Lu nos divertimos lendo trechos da história nas placas dispostas na trilha.

Quando novamente acessamos a rua nos presenteamos com churros quentinhos recheados com nutella. Da cozinha da Frida saiu um café passado na hora. Delícia de momento.

Já noitinha saímos da cidade em direção à Rodovia Régis Bittencourt no sentido São Paulo. Pernoitamos junto ao Restaurante e Churrascaria Serra da Graciosa.

Acordamos cedinho e seguimos viagem. Nosso objetivo para este dia era chegar no Camping Moria, no Bairro da Serra, em Iporanga/SC. Este seria nossa base para os dias seguintes, em que pretendíamos visitar as cavernas do PETAR – Parque Estadual do Alto Ribeira.

O Maps nos conduziu direitinho pelo caminho para Iporanga. Mas antes de chegar na cidade fomos conhecer o Parque Estadual da Caverna do Diabo, localizado entre os municípios de Iporanga, Eldorado e Barra do Turvo.

A publicidade alardeia que a Caverna do Diabo é a mais bonita das cavernas turísticas do Estado de São Paulo, e uma das mais ricas em formações no Brasil e no mundo. Não sei se a afirmação é correta, porque me parece uma avaliação altamente subjetiva. O fato é que a Caverna do Diabo, na parte visitável, é realmente muuuitoo bonita, mas as outras cavernas que visitamos no PETAR não ficam atrás no quesito beleza. Vamos dizer que são belezas distintas, pronto!

Ainda sobre a Caverna do Diabo: possui 6 km de galerias, escadas, passarelas e iluminação artificial, para circulação entre suas espetaculares formas e cores. Apenas 600 metros estão abertas à visitação, com estrutura turística.

A visitação somente é possível com o acompanhamento de monitor contratado no local. Integramos um dos grupos e fizemos a visita ainda na parte da manhã.

Estalagmites, estalactites, colunas, torres, velas, helectites, cortinas, travertinos são nomenclaturas recorrentes nas explicações do guia e a gente vai acostumando, entendendo a riqueza do cenário distribuído em salões grandiosos, como o de nome “Catedral”.

No início, a caverna é acompanhada de um riacho, para embelezar ainda mais o cenário. Depois vamos subindo vários níveis pelas escadarias e o rio desce pelas galerias até sumir na escuridão.

É realmente um espetáculo, um dos lugares mais lindos que já vi. Um cenário totalmente diferente e surpreendente. As curiosas formações se misturam formando um mosaico de cores em tons que vão do amarelo ao vermelho. É tudo muito grandioso. Eu saí de lá encantada. Lamentei não estar acompanhada de minhas meninas para que vissem aquelas maravilhas da natureza. Pretendo retornar ali com elas.

Preparamos nosso almoço ainda no estacionamento da Caverna do Diabo e então seguimos viagem para Iporanga. Primeiro uma paradinha no supermercado da cidade para reabastecer a Frida com gêneros alimentícios e “otras cositas más”. Em seguida tocamos para o Bairro da Serra, onde nos hospedamos no Camping Moria com nossa Casinha sobre Rodas.

Eu já havia acertado previamente o monitoramento das cavernas com o guia Danilo para os dois dias seguintes. Com tudo organizado, usamos o restante do dia para descansar. Eu estava ansiosa para conhecer as cavernas do Núcleo Santana.

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira é considerado uma das Unidades de Conservação mais importantes do mundo. Abriga a maior porção de Mata Atlântica preservada do Brasil e mais de 300 cavernas. É considerado hoje um patrimônio da humanidade, reconhecido pela UNESCO.

A luz na lanterna ilumina as maravilhas escondidas nas cavernas
Lu em sua versão “tatu”

O PETAR possui quatro “Núcleos” em suas entradas para a auxiliar na visitação turística: Santana, Ouro Grosso, Cablocos e Casa de Pedra.  Os mais frequentados são o Núcleo Santana e o Núcleo Ouro Grosso.

Esse túnel escavado pela água de um rio subterrâneo é lindo

Nesta nossa visita de 2 dias no PETAR visitamos as cavernas do Núcleo Santana. Este é o principal para visitação do PETAR. Localiza-se no vale do rio Betari, uma das paisagens mais notáveis da região. Oferece diferentes roteiros de visitação tais como a Caverna de Santana, a Trilha do Betari (Caverna Água Suja, Caverna do Cafezal e cachoeiras das Andorinhas e do Beija-flor) e a Trilha do Morro-Preto/Couto (Caverna do Morro-Preto, Cachoeira do Couto e Caverna do Couto). Suas trilhas são de fácil acesso e estão localizadas ao lado do Bairro da Serra – Iporanga. Visitamos todos esses locais que citei, fizemos as trilhas. Foi uma boa amostra da riqueza natural do PETAR. Eu adorei tudo, apesar do cansaço e das dores musculares resultantes do esforço no sobe e desce nas pedras dentro das cavernas, nas galerias subterrâneas, caminhadas nas trilhas. E muita adrenalina, é claro.

Escadas e passagens de níveis integram as cavernas do Núcleo Santana
As lanternas iluminam a escuridão das cavernas

Foram dias incríveis vividos na escuridão das cavernas, contemplando as maravilhosas formações rochosas, e também na observação da vegetação preservada de Mata Atlântica durante as trilhas, do barulho da água cristalina correndo nos riachos, da força das cachoeiras, enfim, vivemos uma experiência singular em nosso próprio país. Quanta riqueza ainda temos para descobrir…

Cachoeira das Andorinhas
Cachoeira Beija-Flor

Seguimos viagem rumo à Goiás. Do interior do Estado de São Paulo, onde visitamos as cavernas do PETAR, até Goiânia, não fizemos mais passeios, só viajamos. Foi na capital de Goiás que retomamos nossos tours.

Almoçamos em frente ao Bosque dos Buritis. Estacionamos a Frida no meio fio de uma movimentada avenida e ali mesmo preparamos nossa refeição. O povo curioso, passando na calçada e acompanhando nossa movimentação. Aproveitamos para passear no parque. Estava muito calor em Goiânia.

Conferindo o Bosque dos Buritis

Louça do almoço limpa, tudo prontinho, fomos para a região central da cidade. Eu queria conhecer os grafites do Beco da Codorna. Fiquei um pouco decepcionada com o local, achei meio caidinho, abandonado. Talvez a noite tenha outra vibe, mas enfim, fizemos o check in por lá também.

Finalizamos nossas voltinhas em Goiânia com uma passada numa feira de roupas ao ar livre que eles chamam de Feira Hippie, mas que de hippie não tem nada. É um grande mercado popular de roupas. O Lu acabou comprando umas camisetas para justificar o suadouro caminhando por entre as inúmeras barraquinhas. Como já mencionei, ando com fobia de metrópoles e não via a hora de partir, deixar a agitação característica das grandes cidades para trás.

O Lu sugeriu conhecermos Trindade, especificamente o Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, que não ficava muito longe dali (19 km de Goiânia). Acolhi a sugestão. Seguimos pra lá. O Santuário do Divino Pai Eterno é um templo católico, um lugar de fé e devoção. É a única Basílica no mundo dedicada ao Divino Pai Eterno. Ela recebeu o título de Basílica Menor em reconhecimento a sua importância dentro do contexto religioso e espiritual do lugar em que se encontra. O papa concede este título às igrejas consideradas importantes por diversos motivos, entre eles a veneração dos cristãos, a importância e a beleza artística da arquitetura e decoração.

Desde a descoberta do medalhão, em 1840, devotos do Divino Pai Eterno saem de vários lugares com destino ao santuário, em Trindade. A Romaria do Divino Pai Eterno é a maior festa dedicada à Santíssima Trindade do mundo e a segunda maior festa religiosa do Brasil.

Durante os dez dias de festa, são celebradas cerca de 100 missas, além de novenas, encontro de jovens, procissões, vigílias, alvoradas e confissões, onde cerca de 2,5 milhões de devotos chegam à Trindade de diversas maneiras, para pagar as suas promessas. A Romaria dos Carreiros (carros de boi) é uma das tradições da festa, são tantos carros de boi que o desfile que acontece no Carreiródromo recebe o título de maior desfile de carros de boi do mundo.

Estacionamos a Frida na sombra, ao lado da Basílica, que estava com movimento tranquilo. Entramos na Basílica, conhecemos seu interior e uma sala contígua chamada Sala dos Milagres. Esta sala abriga diversos testemunhos de bençãos atribuídas ao Pai Eterno como fotos, próteses, quadros, roupas, terços e diversos equipamentos. Todas as peças são entregues pelos devotos, como forma de agradecimento pelas graças alcançadas. Há um setor específico para o recebimento de todos os itens, tudo muito bem organizado, com renovação dos itens de tempos em tempos.

Um dos pontos principais da visita ao Santuário do Divino Pai Eterno é a visita à Imagem do Pai Eterno, localizada na parte interna do Santuário. O local pode ser acessado por uma rampa, onde os devotos chegam bem perto da Imagem. Conferimos, claro.

Ao lado da Basílica fica a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, que conhecemos também. Ela existe desde 1970 e muitos fiéis se dirigem a ela para deixar suas orações. O ambiente é calmo, e inspira paz e tranquilidade. Ali também está a imagem de Maria.

Eu achei a visita interessante mas não me senti tocada como fui em visita a outros templos de fé católica como em Fátima, Portugal ou em Aparecida, na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, por exemplo. Mas ok, conhecemos o local.

Gostei mais da Igreja Matriz do Divino Pai Eterno fundada em 1912 pela comunidade que ali vivia, sendo que em 2013 ela foi reformada. Durante a reforma, as suas características e traços originais foram mantidos. A Igreja tem grande importância histórica, sendo tombada como Patrimônio Cultural Material do Brasil e Patrimônio Histórico do Estado de Goiás e Nacional em 2013. Muitos a procuram por motivos religiosos, mas também há muitos visitantes que estão interessados em sua arquitetura e história (euzinha, por exemplo).

Deixamos Trindade para trás e seguimos para o que foi para mim, o melhor de nossa visita à Goiás: a cidade de Goiás, também conhecida como “Goiás Velho”. Chegamos a noite, meio perdidos, não sabíamos onde estacionar a Frida para passarmos a noite. Nos embretamos em ruas apertadas da cidade, mas que no final foi ótimo, porque rendeu lindas fotos da Frida com a lua cheia emoldurando o céu tendo no mesmo ângulo a Igreja Santuário Nossa Senhora do Rosário, construída em estilo colonial em 1761 (porém demolida e reconstruída em 1930 com estilo neogótico em sua fachada de pedras, fazendo-a se diferenciar das demais igrejas da cidade). Pensem que recepção foi essa… A noite estava linda e me senti num filme, com as lâmpadas da rua iluminando o casario colonial.

Por fim, acabamos dormindo num posto de gasolina dentro da cidade. Tudo na tranquilidade. Jantamos as típicas empadas goianas (que por sinal estavam ótimas) num restaurante próximo.

Goiás Velho, ou Cidade de Goiás, ou, simplesmente, Goiás, foi a primeira capital do estado homônimo de Goiás, antes de Goiânia. Seu conjunto arquitetônico foi tombado pelo Iphan em 1978, e reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2001.

A 135 km de Goiânia, Goiás Velho é atravessada pelo Rio Vermelho, importante afluente do Araguaia, que passa ao lado da antiga casa de Cora Coralina transformada em Museu. O nome do Rio faz referência à sua cor barrenta, resultado da lava originada pelas lavras de ouro que tiveram seu auge no século XVIII.

O dia amanheceu lindíssimo, uma pintura: céu azul sem nuvens, sol brilhando. Como sempre acordamos cedinho, fomos privilegiados em observar a cidade ainda acordando, sem movimento de carros e poucas pessoas, silenciosa. Maravilha! Escolhemos um local bem bonito para nosso café da manhã. Estacionamos a Frida próximo ao Chafariz de Cauda da Boa Morte. Esse chafariz foi construído em 1778, e visava dividir o abastecimento de água com um chafariz já existente, o da Carioca. Se chama assim porque seu aqueduto é em forma de cauda. Fotografei-o de longe.

Compondo a mesma paisagem do chafariz, cercada de casario preservado e fofíssimo, fica o Museu das Bandeiras. Foi construído no antigo edifício de Câmara e Cadeia, de 1766. Observa-se sua antiga função pelas paredes grossas e pelas janelas com grades muito bem protegidas.

Os nossos peludos se divertiram correndo livres pelos gramados do entorno enquanto eu e o Lu calmamente tomamos nosso café.

Deixamos a Frida ali e saímos a caminhar pela parte histórica da cidade. Gente… preciso dizer que eu amei a cidade de Goiás. Esse clima resultante de adição de História, mais casario colonial, mais o verde da vegetação no entorno, arte e artesanato, música, poesia… me apaixona! Moraria lá muito facilmente, viu.

Fizemos nossa primeira parada para conhecer um museu de arte sacra que fica dentro da antiga Igreja da Boa Morte, com exposições de arte sacras. Apenas eu entrei no museu porque estávamos com os dogs e eles não podiam entrar. O Lu ficou ali pela frente enquanto eu fazia a visita. Achei o local bacana.

Depois seguimos até o Palácio Conde dos Arcos que fica praticamente em frente à Praça Dr. Tássio de Camargo. Essa praça é linda e arborizada. Um charme é o coreto, datado de 1923. Desde 1953, o coreto abriga uma sorveteria com sabores diversos, típicos do cerrado. Ótimo para o calor da cidade!

Também nesta mesma praça está situada a Matriz de Sant’Ana, com construção iniciada em 1743 para substituir uma antiga capela, tinha falhas na construção e, por isso, desabou algumas vezes. Arruinada em 1929, teve suas obras concluídas só em 1998.

Sobre nossa visita ao Palácio Conde dos Arcos… foi muito show! Primeiro porque deixaram a gente entrar com os cachorros. Funcionários muito amáveis, receptivos e simpáticos. O prédio histórico é muito bonito, de arquitetura barroca, contém mobiliário de época, pois foi a antiga sede do Governo de Goiás.

Um senhor, funcionário antigo do museu (lamento muitíssimo ter esquecido seu nome e não ter feito uma foto com ele), nos contou que uma vez ao ano, durante o aniversário da cidade, o Governo de Goiás muda-se, com sua estrutura, para o prédio, como forma de homenagem. O governador despacha ali, junto com sua comitiva, e inclusive dorme e faz refeições no mesmo prédio. Nos mostraram todas as instalações do prédio, o lindo pátio interno, aves. Bem lindo!

E ainda esse mesmo funcionário nos levou para uma área do prédio, privada, e nos serviu café recém passado, água e bolo. Contou muitas histórias e ainda foi nosso fotógrafo particular. Fez belas fotos nossas naquele casarão lindo, cheio de história e de charme. Que maravilha encontrar pessoas amáveis, educadas, que fazem transparecem em seus gestos, no modo de tratar, que apreciam seu trabalho, que tem gosto em bem apresentar sua cidade, né. Foi esse o caso.

Muito bem recebidos no Palácio Conde dos Arcos

Seguimos passeando pelo centro histórico, fazendo muitas paradinhas. Na região, existem várias lojas de artesanato local, como, por exemplo, a loja Artesanato Nativo. Tem vários objetos interessantes, artesanato e doces típicos.

Uma loja que eu simplesmente amei na cidade de Goiás foi a Cabloca Criações. Pirei lá! A bordadeira e empresária Milena Curado, com uma parceria que utiliza a mão de obra de presidiários, executa trabalhos manuais que são uma delicadeza só. Especialmente as citações de poesias de Cora Coralina.

Iniciado em 2008, o trabalho envolve 19 homens presos que fazem bordado artesanal em roupas, bolsas, almofadas e panos vendidos pela Cabocla Criações em todo o Brasil. Dá vontade de levar tuudoooo para casa.

“Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou. Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior…. em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa”. Trecho do texto “Sou feita de Retalhos”, de Cora Coralina

Citação perfeita da poetisa que une o trabalho de Milena na Cabloca Criações com a filha ilustre da terra, Cora Coralina. E foi “a casa velha da ponte”, ponto alto da minha visita à cidade de Goiás, a nossa próxima parada no passeio daquela manhã radiante.

Feliz da vida chegando na “casa velha da ponte”

Cora (de coração) e Coralina (de coral), pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), passou quase toda a sua vida na casa, ao lado da ponte sobre o Rio Vermelho.

Apenas eu fiz a visita guiada. O Lu ficou com os cachorros, passeando pela rua. Não é permitido fazer fotos no interior da casa. Ela é muito linda. Fiquei emocionada de estar ali, onde a poetisa Cora Coralina viveu. E a funcionária que orienta a visita guiada (era apenas eu naquele início de manhã) vai explicando, falando sobre a vida de Cora de uma forma tão inspirada, que realmente me senti muito feliz e privilegiada de estar ali.

A visita começa na cozinha, onde estão os tachos de cobre que Cora usava para fazer doces. O quarto também está como ela deixou, com vestidos pendurados na parede. Seus livros, fotos, cartas, máquina de escrever e até a bengala que a amparou até os últimos dias também estão expostos.

Em duas salas, totens reproduzem vídeos em que ela aparece declamando seus poemas. Durante o tour o visitante também conhece mais sobre as pessoas que fizeram parte da vida da escritora, como Maria Grampinho, andarilha que perambulava pela cidade carregando sua trouxinha (a quem Cora dedicou um poema).

 Assim como na época em que a poetisa vivia ali, em que disponibilizava o ingresso da população em sua casa para pegar água na bica que até hoje jorra, é possível se tomar água dessa bica. Obviamente que tomei. Água boa, fresca, pura.

Embora seja Patrimônio Histórico e Cultural Mundial pela Unesco e um dos mais belos endereços históricos de Goiás, o destino que eu buscava não era a casa, mas a própria Cora, como se tudo girasse em torno dela. Não existem palavras para descrever a emoção de estar em sua casa… O passeio é bem explicado, cada detalhe da casa faz com que você se sinta na presença de Cora, ainda sentada na cadeira te contando uma história. Uma visita imperdível! Saí da casa/museu de Cora Coralina encantada, querendo ler todos os livros dela, declamar todos as suas poesias…

Bem em frente à casa de Cora fica o Instituto Biapó, com exposições de artes rotativas. Com entrada livre, fui em frente, claro. Valeu a pena conhecer, pelo local e pelas exposições! E tem uma vista linda do Rio Vermelho e da cidade de Goiás.

A nossa manhã rendeu muito. Muita história nessa cidade de Goiás! Quando a fome começou a apertar fomos pensar no almoço. O Lu sugeriu o Cora Café e Bistro, que fica praticamente “no quintal” da casa/museu de Cora.

Eu gostei muito do lugar, pois oportuniza “espiar” os fundos da casa de Cora, inclusive caminhar em seu quintal. Árvores frondosas proporcionam ótima sombra, perfeitas para amenizar o calorão. Nós almoçamos muito bem ali, ao ar livre, na companhia de nossos pets. Estávamos somente nós naquele lugar que para mim parecia um santuário, pela proximidade com a casa de Cora Coralina.

Depois do almoço bateu uma preguiça… como o Lu havia buscado Frida e a estacionou na sombra de uma árvore quase em frente ao Cora Café, fomos pra lá. Deixamos todas as janelas abertas para ventilar e fiz um cochilo reparador. Nada como estar em casa, né. Risos.

Depois resolvemos conhecer o Parque da Carioca. Trata-se de um amplo parque com área verde perto do centrinho da cidade. Vimos o pessoal tomando banho de rio. Há indicações para trilhas. O acesso é gratuito. Caminhamos pelo parque com os dogs. Chiclete quis entrar na água para se refrescar do calor. Nós deitamos no gramado, aproveitando a sombra. Vimos por lá as marcações do Caminho de Cora Coralina, que passa pelo parque.

Marca do Caminho de Cora Coralina

O Caminho de Cora Coralina é uma trilha de longo curso com aproximadamente 300 quilômetros de extensão, que cruza as cidades históricas de Corumbá de Goiás, Pirenópolis, São Francisco de Goiás, Jaraguá e a Cidade de Goiás, abrangendo também os municípios de Cocalzinho de Goiás, Itaguari e Itaberaí. Idealizado em 2013, o projeto teve como propósito interligar os municípios, povoados, fazendas e atrativos, passando por antigos caminhos, numa rota turística para Caminhantes e Ciclistas. Quem sabe um dia, né? Para quem curte trilhas, caminhadas, como eu… Depois de fazer o Caminho de Santiago (cerca de 900 quilômetros a pé) acho que 300 quilômetros eu consigo. Risos.

No final da tarde partimos da cidade de Goiás. Confesso que eu gostaria de ter ficado mais dias na cidade. Gostei tanto, tanto… Eu amo lugares assim, que respiram história, que sejam bem preservados, como está a cidade de Goiás. Claro que o diferencial é a casa velha de Cora Coralina… Mas tínhamos que seguir. Partimos, eu já querendo retornar.

Dormimos numa praça, em frente à igreja matriz, numa cidade perdida na BR 010 – Belém/Brasília – chamada Mozarlândia. Não fiz fotos, mas foi interessante acompanhar o final da tarde dos moradores, que se deslocam em grande número – as famílias com as crianças, os casais, os jovens, os velhos – para curtirem o ambiente da pracinha, que parece ser o único local de lazer da cidade. Preparamos nosso jantar, mas agregamos batatas fritas que adquirirmos no quiosque que nos cedeu energia elétrica e garantiu uma noite com o split da Frida bombando.

Acordamos cedinho e encontramos a cidade quieta. Tomamos nosso café na casinha e retornamos à BR 010, em direção à Palmas/Tocantins.

Eu já conhecia Palmas na ocasião em que fui fazer um tour pelo Jalapão e Chapada das Mesas, link aqui Expedição ao Jalapão, no Estado do Tocantins. Tinha lembrança da praia de rio, das avenidas longas, largas e um tanto desabitadas. Capital em construção, foi essa a impressão que me passou na época.

Encontrei Palmas do mesmo jeito. Fomos recebidos com um pôr do sol de arrasar na Praia da Graciosa. Chegamos num domingo e a orla do Rio Tocantins estava cheia de gente curtindo o visual do final de tarde. Música, pessoas caminhando, se exercitando, confraternizando. Uma vibe bem bacana.

Eu e o Lu nos instalamos com nossas cadeiras num gramado, de frente para o rio. Nos abastecemos com uns tira-gostos e espumante gelada. Ficamos ali conversando, apreciando o visual, fazendo fotos, enquanto os dogs corriam e brincavam. Pra variar Chiclete entrou na água, se molhou. Pense num cachorro que gosta de água…

Já era noite quando recolhemos nossos pertences e fomos pensar sobre onde poderíamos pernoitar. Demos umas voltas na cidade e recebemos indicação de que um bom local era ali mesmo, na avenida beira rio da Praia da Graciosa. Então, tá. Enquanto organizávamos nosso jantar apareceram algumas pessoas para conversar sobre a Frida, curiosos sobre a vida num motorhome. Enfim, ficamos de papo um tempo enquanto eu terminava os preparativos da refeição.

Dormimos tranquilamente na rua, no conforto do ar condicionado proporcionado por uma tomada de energia elétrica que o Lu encontrou num poste bem em frente.

Como sempre, acordamos cedo. Caminhamos tranquilamente pela orla da Praia da Graciosa acompanhando o trabalho do pessoal da limpeza que iniciava o expediente ali. Passeamos com os dogs, observamos os barcos que fazem passeios no rio, enquanto as pessoas se exercitavam, caminhavam, corriam. Depois do café, seguimos para a estrada novamente em direção a nossa casa, em Belém.

Então foram mais dois dias de viagem até que estacionássemos a Frida em frente ao prédio que moramos na capital paraense. Não encontramos atrativos nesta parte final do trajeto que nos fizessem pensar em passeios. A perspectiva de enfim, depois de um mês, dormir na nossa cama, também foi um motivador para que a viagem fluísse com mais celeridade nos últimos dias.

A vida na nossa casinha sobre rodas é boa, nos oportuniza conhecer de perto e com facilidade e relativo conforto, muitos lugares bacanas. Mas o espaço exíguo cansa também. Mesmo que em boa parte do tempo estivéssemos passeando, ao ar livre, a perspectiva de sempre retornar ao pequeno ninho – a Frida – vai cansando. Enfim, acho que estava na hora certa de voltar para nossa casa fixa, em Belém. Pelo menos por um tempo.

Sobre essa viagem: agora que já estamos todos novamente na rotina de casa, tipo “o ano começou de verdade” – meninada na escola, Lu de volta ao trabalho, a vida em movimento em Belém – e que tenho me dedicado a escrever sobre o que foi essa road trip, então relembrando detalhes, revendo as fotos, dou-me conta da riqueza que foi a experiência. A oportunidade de convivermos apenas eu e o Lu (mais os dogs, nossos companheirinhos, alegrando nossos dias), permanentes parceiros de aventuras, risos, descobertas, perrengues, com nossa Frida, nossa casinha, fez-me ciente do meu privilégio, e por ele sou grata imensamente. Foi tudo lindo. Deu tudo certo. Que venham as próximas. Já estou pronta!

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim, terás o que colher”. Cora Coralina

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